
Esta ave, forasteira, na companhia de mais duas da mesma espécie, foi avistada hoje, no lugar de Acácias. Muito provavelmente foram desviadas da sua rota de migração por ventos fortes.
Todos os anos tomamos conhecimento de acidentes com armas de caça, seja através de contactos inter-pessoais, quando nos relatam situações na primeira pessoa ou através dos meios de comunicação.Em 2006, na Ilha de São Miguel, efectuou-se um repovoamento de 2738 codornizes, produzidas no Posto Cinegético das Furnas, e que 10% das aves caçadas naquela ilha foram provenientes do projecto de reprodução de codornizes em cativeiro, que os Serviços Florestais dos Açores têm vindo a desenvolver neste arquipélago.
Informação retirada do portal Santo Huberto
Nos dias 6, 7 e 8 de Julho terá lugar a segunda edição da prova de Santo Huberto, nesta ilha, levada a cabo pela associação de caçadores local, com o apoio de diversas entidades públicas e privadas.
PROGRAMA
6 de Julho
21H00, Hotel Santa Maria
- Sorteio das Séries
- Jantar* de recepção aos concorrentes
7 de Julho
07H30, Caminho Velho de Santana/Risco
- Concentração dos concorrentes no local da prova
08H00
- Início
13H30
- Almoço*, Copeira de São Pedro
18H30, Hotel Santa Maria (Entrada Livre)
- Conferência sobre a nova lei da caça nos Açores, pelas oradoras Dr.ª Lurdes Lindo, Adj.ª do Gabinete do Secretário Regional da Agricultura e Florestas e Eng.ª Helena Lima, Chf. Divisão Caça, Pesca e Parques da Direcção Regional dos Recursos Florestais
- Conferência sobre o novo regime de uso e porte de arma de caça, pelo orador Dr. Carlos Ferreira, Comissário da PSP
8 de Julho
07H30
- Concentração dos concorrentes no local da prova
08H00
- Início da prova
14H00, Hotel Santa Maria
- Almoço*
- Entrega dos troféus
*O valor da inscrição, que inclui o jantar de recepção aos concorrentes, a participação na prova, o almoço e a cerimónia de entrega de troféus, é de €80, acrescidos de €30 se houver acompanhante.
Quem desejar apresentar-se somente nas refeições, paga o mesmo e dá-se como desistente da prova, o que não possui qualquer nexo, afastando deste modo o caçador mariense do convívio, que o vê cada vez mais como uma actividade elitista e desinteressante, contrária á mensagem que deveria transmitir, que seria de sensibilização para a perdiz vermelha, aprendizagem, convívio e sã camaradagem.
Se no ano passado falhou gravemente a divulgação e este apresenta-se assim é porque deve ser mesmo só para alguns,... Será?
O Parlamento açoriano aprovou hoje, na especialidade, o diploma que estabelece nos Açores o regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos.
Proposto pelo Governo Regional, este novo regime jurídico, que vem substituir legislação de 1994, dispõe, igualmente, sobre a conservação e fomento dos recursos cinegéticos e os princípios reguladores da actividade e da administração da caça nos Açores.
Com esta iniciativa, o executivo pretende, antes de mais, adequar a legislação às “necessidades emergentes da realidade cinegética da Região, potenciando uma actuação mais eficaz por parte de todos os agentes intervenientes no mundo cinegético”.
Segundo o diploma, os terrenos de caça no arquipélago podem ser sujeitos quer ao regime ordenado quer ao regime não ordenado, sendo também reconhecido nas ilhas o “direito à não caça” nos termos a definir em regulamentação posterior.
O texto determina, também, que no ordenamento dos recursos cinegéticos deverá observar-se os “princípios da sustentabilidade e da conservação da diversidade biológica e genética”, sendo certo que a sua exploração ordenada, por constituir um factor de riqueza regional e de valorização do mundo rural, “deve ser estimulada em toda a Região”.
Este Decreto Legislativo Regional consagra, igualmente, o princípio de que os recursos cinegéticos, enquanto património natural renovável, “estão sujeitos a uma gestão optimizada e ao uso racional com vista a assegurar uma produção sustentada”, no respeito pela conservação da natureza e do equilíbrio biológico.
Notícia retirada do Portal Santo Huberto

É assim que a população mariense denomina os vários cães, não menos de sete, que habitam, vivem e reproduzem na orla costeira ocidental da ilha, desde os Cabrestantes, a Norte, até ao Campo Pequeno, a Sul, passando pelo Campo Grande, a Oeste.
São rafeiros, traçados, cruzados provenientes de várias raças, pintados de várias cores e feitios diferentes, que deambulam numa área geográfica perfeitamente definida, que engloba igualmente a pista e a placa do aeroporto da ilha, alimentando-se de restos de comida, ouriços cacheiros e doutros animais de pequeno porte, como o Coelho Bravo - peça cinegética base da caça em Santa Maria, e, importante recurso económico - que caçam em matilha e com elevada habilidade, sem desprezarem os ovos do Cagarro e os juvenis desta espécie, quando não assaltam ovinos e bovinos, originando graves prejuízos, ou mesmo pessoas, como já aconteceu por diversas vezes.
A existência destes canídeos, há mais de duas décadas, advém daqueles que Gualter Furtado refere no seu livro "Um Caçador Açoriano" e apelida de "vadios", desresponsabilizando os cães do seu destino e culpabilizando os "donos" e alguns ditos "caçadores", sobretudo de fora, que os trazem com 4 a 6 meses e aqui ficam "esquecidos" por falta de aproveitamento.
Embora de raça indefenida, apuraram um conjunto de características que os tornaram predadores invulgares e temidos, tomando um território e tudo o que nele se encontra como seu.
A capacidade de adaptação que demonstram não me deixam indiferente.
Ainda está bem viva na memória a contestação que sofreu a medida da A.N.A. em promover uma sessão de tiro ao Milhafre(Buteo buteo) na área do Aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, apesar de ser uma espécie protegida, como medida preventiva de acidentes aéreos, pelo que urge encontrar um consenso com todas as partes interessadas, e onde os caçadores devem fazer-se representar, para que não aconteça o mesmo neste.
Em Santa Maria os cães selvagens depredam a fauna, como o Cagarro, que é uma espécie protegida e nos Açores representa cerca de 74% da população mundial da subespécie Calonectris diomedea borealis e 52% da espécie Calonectris diomedea, o coelho bravo, que é uma espécie cinegética importante, que urge preservar e proteger, a propriedade privada e representa um perigo para a livre circulação de pessoas que se aventuram nos seus domínios, bem como para o tráfego aéreo, na aterragem e descolagem das aeronaves, pelo que existe a necessidade em encontrar uma solução que passe pela sua captura, quanto antes e antes que seja tarde.
O GaCS/AP, em nota informativa de 04ABR07, informou que o Governo Regional vai enviar ao Parlamento açoriano uma proposta de diploma que pretende reforçar o povoamento da Região em espécies cinegéticas e aperfeiçoar e clarificar a regulamentação sobre o exercício da caça nas ilhas.
De igual modo, referiu que a iniciativa legislativa do executivo de Carlos César foi aprovada no Conselho do Governo de terça-feira e tem em vista a criação de condições para a dinamização da caça e para o aparecimento de novas oportunidades de organização associativa e de exploração dos recursos cinegéticos regionais.
Na elaboração da proposta que remeteu ao Parlamento, o Governo ouviu os vários parceiros do sector, terminou salientando o referido comunicado.
Veremos o que irá acontecer, no futuro imediato, com a norma que permite a caça ao coelho na Ilha do Pico e na ilha das Flores, ao candeio e sem limite, porque não fará qualquer sentido, por um lado, apresentar medidas no papel, para reforçar as populações cinegéticas, enquanto, na realidade, por outro, pratica-se o seu extermínio.
Na edição mensal d"0 Baluarte", datado de 3 de Abril, vem publicado um artigo intitulado "Caçadores Marienses Satisfeitos Com Governo Regional".
O contentamento, e não é para menos, advém da atribuição, por parte do executivo açoriano, à Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, de um terreno com 1290m2, sito no lugar de Salvaterra - Vila do Porto, para a construção da nossa sede social, conforme refere o comunicado do Conselho do Governo.
É uma excelente novidade proveniente do G.R., que aguardamos com ansiedade a sua realização fisíca!
No texto mencionado, vem ainda referido que será efectuada a segunda edição da Prova de Santo Huberto, bem como a execução de um festival de caça genuína e uma vontade expressa de levar as coisas avante: "vamos fazer como as outras associações e clubes, vamos pedir apoios e patrocínios", afirmou o presidente da associação, que caracteriza o momento como "este novo ciclo, esta nova viragem".
São fotos, obtidas na zona do Aeroporto, ao longo de 15 dias, no mês passado, de algumas aves - não de todas - que, devido a razões de ordem variada, sobretudo ventos fortes e contrários, demandam esta terra de Gonçalo Velho ao longo de todo o ano, embora se registe uma maior afluência na estação de Inverno.




No seguimento do "post" abaixo, em que venho recuperando alguns textos passados, deixo este também, produto de uma jornada ocorrida há dois anos atrás, em meados do mês de Setembro.
Pus-me a caminho por volta das 05H45. Era ainda noite e o céu apresentava-se encoberto, enquanto a temperatura permanecia amena. A humidade do ar era sufocante, característica daquela época.
Cheguei ao terreno passados 45 min., depois de percorrer, no final do percurso, uma estrada de terra batida, em muito mau estado, numa extensão aproximada de 1km.
A última vez que tinha caçado no sopé do Pico da Piedade foi há 3 anos, pelo que esperei que amanhecesse para observar melhor o espaço circundante e, daí, poder partir à procura de indícios que me ajudassem a compreender, de algum modo, os hábitos da população de coelhos lá residente.
Sentado numa encosta, aguardei pelo testemunho do novo dia.
Os cartuchos que levei, tinha-os há um bom par de anos e eram destinados aos patos que fazem a sua aparição anual nos poços da costa Oeste de Outubro a Dezembro. Ainda me sobravam duas caixas deles e pensei usa-los, pois alguns já apresentavam focos de ferrugem na copela, que limpei de véspera com um pouco de óleo e palha d'aço. Ficaram a brilhar, melhor do quando novos!
Nascido o dia e depois do cão dar umas corridas, esticar as patas e mudar a água às azeitonas, fomos procurar vestígios da presença de coelhos e sinais dos seus comportamentos. Num barreiro de terra vermelha, tivemos a sorte de encontrar alguns indícios que nos proporcionaram bons rastos e, depois de seguidos, bons tiros.
O vento era velho, de três dias, e fraco. Então, com calma e sem pressa, acabámos por bater toda a área com alguns sucessos e outros nem por isso.
Arrumámos a trouxa por volta das 11h30, com o sol a pino e regressámos cansados, mas satisfeitos por mais uma jornada!

Passou-se numa distante Quinta-feira, do mês de Agosto de 2005.
Acordei pelas 05h30. Já tinha o material todo preparado de véspera, pelo que, da cama para o terreno de caça, pouco demorei.
No local, cheguei a tempo de vislumbrar os primeiros raios de sol, que acabavam de despontar.
Esperei que passassem mais alguns minutos e assim que entendi, montei a espingarda, engatei o cinturão, soltei o Roquete e libertei o espírito ao mesmo tempo que me deixei envolver na imensidão de montes e vales, repletos de cores, de cheiros e sons que o Roquete investigou minuciosamente, esquadrinhando todos os recantos da paisagem.
Num silvado, situado num canto duma pastagem, bem protegido dos elementos por muros de pedra seca e bem exposto ao calor dos primeiros raios de sol, o cão ladrou, ganiu, saltou e por fim decidiu-se a mergulhar no emanharado de folhas, ramos e espinhos, que balançaram para todos os lados, devido ao drama do predador e da presa que se desenrolava no interior. Coloquei-me em posição, que até era boa, e esperei inquieto e suspenso.
Tratava-se de um terreno, numa encosta, que descia em escada até chegar a um precipício, de basalto negro e de terra vermelha, que caía na vertical em direcção ao mar. Era também rasgado por um ribeiro, mas não lhe perdia a vista sobre toda a sua extenção do lugar onde estava. Só não vislumbrava para lá da parede de pedra, que era alta e bem fechada, que protegia a moita, mas que o coelho não conseguiria, jamais, transpor. Asseverava eu!
Só poderia correr para mim ou para baixo e, em ambas as situações, conseguiria atirar bem e com êxito, disto me convencia, pelo que me deixei permanecer e aguardei inquieto e suspenso.
Finalmente saiu do silvado, sustendo tão desalmada correria a um metro da sarça e bem à minha frente, a cerca de 10 metros. Por detrás estavam as silvas e nelas o Roquete que lhe seguia o rasto frenética e ruidosamente. De imediato e sem pensar alinhei-o com 30gr de chumbo, mas optei por não arremessa-las. Não seria justo, nem seguro para o podengo, que não tardaria em aparecer e é de bom sangue fuzilar o coelho daquela maneira.
O tempo parou e, nesse instante, que se fosse transposto para o tempo dos relógios, duraria, bem à vontade, uma hora, o coelho olhou para mim e com um salto apoiou-se numa pedra, depois noutra e assim foi subindo o muro até transpor completamente tal obstáculo de pedra, que tinha bem mais de um metro de altura, embora não fosse exemplo do melhor prumo, e que pensei ser suficiente para desencorajá-lo a seguir naquele sentido.
Tão surpreso fiquei que acabei por não disparar e pelo receio que tive da chumbada poder fazer ricochete naquela parede velha e lá se foi o coelho, que também era velho, e que naquela manhã foi mais sabido do que eu!
Mais à frente, na margem do ribeiro, rebentou outro levantado pelo Roquete que o seguiu. Decidi atirar. Se acertasse, segurava-o com o segundo, mas falhei e acabei por conservar um cartucho. Foi uma boa decisão, porque a espoleta acabou por ter melhor destino, mais tarde, nessa mesma manhã.
Levei da Browning Cinergy, que me cativou desde o lançamento, mas por muita qualidade e boniteza que exibisse, nunca me permitiu o gozo e as alegrias que tive com a Beretta 686, anterior, e que tanto me arrependi de tê-la vendido. Acabei por ceder a Cinergy, porque detestei a assistência da marca e nunca me avezei àquela coronha (tipo lombo de javali), que me surpreendia toda a vez que disparava, pois desconhecia sempre a direcção e o desfecho da chumbada.
Já não recordo a espingarda nem possuo o cão que me acompanhou, mas esse coelho ainda vive e é bem real na minha memória, devido ao lance e à qualidade da lição que me deixou!
Nesta tarde aproveitei para verificar a veracidade do que me têm contado sobre a inexistência de coelhos na zona de Cabrestantes, o que infelizmente acabei por verificar no local. Só tive a oportunidade de avistar um coelho ao longe o qual, em virtude de manifestar um comportamento nervoso, denotou não desfrutar de uma vida tranquila, apesar do local estar interdito à caça desde o fim do ano passado.
Parece que há alguém que caça entre o lugar do Polígono e dos Anjos com alguma regularidade e suspeita-se que a jantarada recentemente realizada, para os lados do Aeroporto, foi feita com coelhos caçados furtivamente na área da Mobil.
Se souberem alguma informação relativa a esses bandidos, por favor enviem-ma para o e-mail.
Em contraste com o panorama desolador da ilha, e a título de curiosidade, este grupo, com cerca de uma dúzia (+/-) de indivíduos, vive em paz e prospera bem próximo de uma urbanização, onde os furtivos não se atrevem.
Desta simples comparação poderíamos facilmente concluir que a caça furtiva se apresenta como uma das principais causas da diminuição, desaparecimento e mortandade da comunidade de coelhos bravos desta terra. O problema é que não se consegue quantificar e qualificar o prejuízo que os furtivos provocam!
Como referido anteriormente a foice de caça de Santa Maria possui características próprias e diferentes das construídas nas outras ilhas do arquipélago e mesmo no continente português, nomeadamente quanto às dimensões, peso, comprimento do cabo, formato, entre outras, mas estas serão as mais importantes.
A que irei descrever foi-me fabricada neste concelho de Vila do Porto pelo Senhor Hélio Rebelo, pessoa bastante afável, educada e atenciosa, cuja vida profissional nao é a de ferreiro, embora realize alguns trabalhos sempre que solicitado. Foi instruído nesta arte pelo seu pai, desde os tempos de meninice e cuja actividade desenvolveu até ser chamado para o serviço militar, no então ultramar português. Quando regressou optou por seguir outra ocupação que o mantém afastado da forja por largos períodos de tempo.
Quando finalmente teve oportunidade contactou-me, aliás como estava combinado, para poder acompanhar o fabrico da minha foice, que a ele havia encomendado e que aqui irei descrever.
Inicia-se a construção da foice por acender a forja e depois do aço estar em brasa, para melhor ser moldado, inicia-se por encalcar, ou seja tornar plana a face do Alvado, secção onde irá encaixar o cabo.
Assim a foice é composta por 4 partes:
-Alvado
-Corte
-Volta
-Espigão
A Volta, devido à sua configuração, é a mais trabalhosa de efectuar, mas dizia eu que se começa por encalcar...
De seguida procede-se à formação do alvado, o local onde se irá encaixar o cabo...
Poderão ser encontradas peças destas montadas em cabos de madeira de dois tamanhos difrentes.
Um com cerca de 50cm e outro de 150cm.
O primeiro é utilizado com mais frequência pelo caçador que faz uso da espingarda, em virtude da facilidade no seu maneio, enquanto o mais comprido é preferido pelos batedores.
Decorrida a fase do Alvado, inicia-se a do Corte, a parte da lâmina propriamente dita, aquela que o caçador usa para abrir caminho por entre a vegetação agreste.
Só depois dá-se forma à Volta, que foi a tarefa mais longa e esforçada depois da construção do Alvado.
O Espigão é a parte seguinte...
... que depois de formado é dimensionado.
Terminada esta acção temos a foice em bruto, pois falta tempera-la adequadamente e fazer a folha de corte, e só aí sim, o trabalho estará completo. Esta tarefa exige aqueles conhecimentos que se passam de pais para filho e que com toda a certeza o Sr. Rebelo possui dada a qualidade do trabalho final. Interessa salientar que o aço da foice não deve dificultar o seu amolamento, para que o utilizador possa, no campo, com uma pequena lima, manter o gume afiado sem esforço. Daí a importância da têmpera a fim de tornar a foice numa peça de trabalho muito resistente, mas de fácil manutenção.
Finalmente terminada, depois de muito esforço, e pronta a ser montada e utilizada.
O objectivo da foice na caça é o de coadjuvar o caçador na ultrapassagem de obstáculos, alcançar zonas de dificil acesso, prender a peça para ser cobrada e muito raramente como arma de arremesso na caça ao coelho, mas isto só realizado pelos mais habilidosos!
Como são ferramentas típicas e de fabrico artesanal, não existem duas iguais, o que as valoriza ainda mais.
Em Santa Maria e 600 anos depois, ainda se caça ao coelho com foice.
Apesar do seu uso não ocupar a posição de destaque inicial, persiste em proporcionar-nos muita alegria e orgulho por possuirmos um utensílio precioso ao mesmo tempo que nos permite reviver e participar numa manifestação centenária de cultura e de tradição que é a Caça e as suas envolventes.
A Calibre 12, a revista do caçador português, informa na sua página 6, da edição deste mês, que na semana de 14 a 17 de Outubro houve uma importante entrada de narcejas na ilha de São Miguel, de tal modo que um caçador de 60 anos conseguiu cobrar 4 exemplares e que se encontra nestas ilhas um especialista, que durante três anos irá analisar o estado de desenvolvimento da perdiz cinzenta, introduzida recentemente na ilha de São Miguel, bem como estudar o coelho e a narceja.
O ordenamento do território cinegético mariense é uma necessidade, que advém do abandono e do estado lastimável a que estão votados os recursos cinegéticos actualmente.
O ambiente é de desordenamento e de destruição gratuita.
A tarefa não é fácil, mas cabe à associação de caçadores realiza-la em associação com os Serviços Florestais, Câmara Municipal de Vila do Porto, Juntas de Freguesias da ilha e Câmara do Comércio de Ponta Delgada, pelo que é necessário sensibilizar estas entidades para a importância da caça como factor de desenvovimento económico.
Se nada for concretizado e se tudo continuar na mesma pasmaceira -sem eira nem beira -, ficaremos ainda mais pobres.
O macho pode ter várias fêmeas que têm a capacidade de reproduzir em qualquer altura do ano, caso ocorram condições favoráveis de clima e alimentação. Também delimita o território da colónia e é o responsável por expulsar os intrusos.
O início da actividade reprodutiva é regulado pela rebentação da vegetação anual nos fins de Outono e determinada pela disponibilidade de alimento. De igual modo as alterações de temperatura e de precipitação regulam o final desse comportamento.
Poderá atingir números elevados de 10 em 10 anos, em função do ciclo de tempestades solares, que condicionam o desenvolvimento da vegetação na Terra.
As tocas para os partos, normalmente situadas próximas da colónia, chamam-se Luras e encontram-se a uma profundidade de 50cm a 1m. São construídas dias antes dos nascimentos, cuja preparação é da responsabilidade das fêmeas que cobrem o fundo com folhas secas, pêlos, que arrancam do seu próprio ventre, e musgo, deixando o solo donde o retira a descoberto e marcado pelas unhas. Estes sinais devem ser entendidos pelo caçador como uma informação de que devem mudar de local de caça.
As crias, denominadas por Láparos, permanecem na lura 19 a 21 dias. Findo este período passam-se paras as tocas da colónia. Seis meses após o nascimento tornam-se adultos.
Em média as fêmeas realizam 3 a 5 partos por ano e a ninhada pode ser constítuida por 1 a 5 láparos, que nascem cegos, surdos e sem pêlo, com cerca de 60grs cada.
Num ano normal, cada fêmea poderá gerar 15 a 20 láparos.
O coelho é um animal muito sensível ao frio e à chuva, que quando cai em abundância e inunda as tocas, acaba por provocar amorte a muitas crias.
Em Santa Maria a preservação, bem como o desenvolvimento da sua fauna cinegética, passa necessáriamente pela participação activa dos caçadores, mas também da restante sociedade, a fim de se criarem e desenvolverem projectos, colocarem-se em prática medidas de gestão deste importante recurso natural que é a caça.
Infelizmente ainda não se compreendeu este facto importante, devido a desatenção, desconhecimento ou outra causa qualquer, mas a verdade é que Santa Maria poderia proporcionar excelentes condições para o desenvolvimento da caça como factor dinamizador da economia mariense.
É imprescindivel debater esta questão, porque nunca a preservação, nem a diversidade da fauna cinegética foi um tema tão necessário, nem actual para a viabilidade da actividade cinegética e do futuro de Santa Maria.
A origem deste mamifero, segundo alguns autores, situa-se no sudoeste da Peninsula Ibérica, vindo depois a dispersar-se pelo mundo, sendo introduzido na ilha durante o séc.XV pelas mãos dos descobridores e povoadores que o trouxeram do centro e sul do país.
O nome científico que identifica o coelho bravo é Oryctolagus Cuniculus, possui o pêlo de cor pardo acizentada terrosa, à excepção do ventre e da parte externa das coxas, que são brancas.
As orelhas medem entre 6,5 a 7,5 cm, sendo acizentadas na metate posterior, enquanto os pêlos do bordo anterior são esbranquiçados.
À volta dos olhos apresenta um círculo claro mal definido. Os bigodes são castanhos e pouco compridos.
A cauda é cinzento acastanhada na parte de cima e branca por baixo, formando um pequno tufo cm 4 a 6 cm.
As patas posteriores são alongadas, que podem medir de 8 a 9cm, de cor parda acizentadas, apresentando uma risca branca clara.
As unhas são grandes e afiadas, constituindo uma ferramenta importante para ajuda-lo na escavação de tocas e na fuga.
O coelho bravo adulto, muito mais pequeno que o coelho doméstico, pesa, em média, 1kg a 1,2kg.
As fêmeas tendem a apresentar-se mais compridas e pesadas do que os machos.
Na terra mais oriental do arquipélago açoriano, o acto de caçar surge com a chegada dos primeiros povoadores, verificada no início do séc.XV, depois de terem sido largadas, nos anos anteriores, diversas espécies animais com o propósito de proporcionarem alimento e condições de subsistência aos recém-chegados até que brotassem os primeiros frutos.
Inicialmente a utilização do pau era uma prática comum e generalizada, principalmente na caça ao coelho. Certamente a que proporcionaria mais jornadas, também realizada com a ajuda de cães, furões, ou com os dois.
O caçador deslocava-se munido de um bordão, geralmente de pau branco, madeira leve e resistente, ao qual, mais tarde, uniu uma foice, fabricada na forja, de menores dimensões e mais ligeira do que as que utilizava no trabalho campestre, para desatravancar caminho, introduzir nas fendas, levantar a presa ou sitiá-la, de modo a tornar possível a aproximação e, com uma pancada certeira, executar o cobro com sucesso.
Já não existem ferreiros que se dediquem, por inteiro, à laboração, pelo que as foices de Santa Maria dificilmente poderão ser adquiridas novas.
Os cães, devido ao isolamento e especificidade insular, acabaram por desenvolver características notáveis e de grande paixão por este tipo de caça.
Aquele mais afortunado fruía igualmente de furão. Eram utilizadas preferêncialmente as fêmeas por serem de menores dimensões e mais facilmente adestráveis. A sonoridade do guizo, que lhes era pendurado ao pescoço para facilitar a sua localização, motivava acaloradas discussões nos centros de reunião.
Eram transportados no aljabre, pequeno contentor, de forma cilíndrica, construídos em madeira, couro ou varas de vimeiro, por vezes artistícamente trabalhados.
Numa das extremidades era a porta, enquanto a outra permanecia vedada com a excepção de um pequeno orifício para o escoamento da urina do animal.
Somente em meados do século transacto se verificaram profundas alterações no modo de vida e consequente caçar ilhéu.
Para não comprometer a neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial foi arquitectado um acordo entre Portugal e a companhia aérea norte americana Pan American, para a construção de um aeródromo que permitisse aos E.U.A. alcançar o mediterrâneo e Santa Maria, por acréscimo, vislumbrar o Séc. XX.
O choque cultural foi violento para esta comunidade. Ainda hoje persistem no vocabulário local palavras como “friza”, proveniente do inglês = freezer, que designa arca frigorífica, entre outras.
Na caça os efeitos não foram menores. Vulgarirou-se o uso da arma de fogo devido a trocas nem sempre idóneas e legais entre os trabalhadores e os militares. Aos poucos foram deixadas ao abandono tradições centenárias e desprezados os conhecimentos que as sustentavam. Os campos deixaram de ser cultivados, contribuindo a par da caça intensiva e do furtivismo para o desaparecimento total da perdiz vermelha nos anos oitenta e para a regressão populacional contínua das codornizes e dos pombos torcazes.
Urge debater, definir e aperfeiçoar medidas e acções que proporcionem a reorganização da actividade venatória e o ordenamento do património cinegético, sensibilizar as entidades políticas, económicas e científicas regionais para a caça como factor de diversificação de rendimentos e de desenvolvimento local, harmonizar os interesses dos caçadores com os demais cidadãos, levar a efeito acções de preservação, de desenvolvimento da fauna e da sua biodiversidade. Já não se justificam medidas, como a da ilha do Pico que permite caçar o coelho com auxílio de candeio e sem limite de peças até 2008 nas áreas de vinha, milho e produtos hortícolas. Porque razão não se optou pela deslocação dessas populações por biólogos da Universidade dos Açores, em parceria com os caçadores e os agricultores para locais onde a sua presença é deficitária?
Santa Maria é um exemplo real onde a pressão sobre a fauna cinegética supera todas as medidas no sentido de tornar a caça o elemento de gestão, conservação, estabelecimento da biodiversidade e desenvolvimento que deve ser.
É num misto de ansiedade e preocupação que aguardo os novos tempos.
Se a realidade se mantiver e nada for alterado no actual panorama cinegético, a curto prazo acabaremos por perder um importante recurso natural, uma porção significativa da nossa identidade cultural que nos identifica e distingue.
Texto publicado na revista "Caça & Cães de Caça" e no jornal mensal "O Baluarte"

Verifico um crescendo desrespeito, e nesta época em particular, pela propriedade alheia, principalmente na destruição das paredes de pedra seca que delimitam os terrenos e em outro tipo de vedações.
Na ocasião da Abertura Geral esta situação ultrapassou todos os limites, chegando a atingir talhadas de 10 metros, numa só parede. Os donos que comtemplaram cenas deste género certamente que não ficaram satisfeitos, e cobertos de razão.
Se há a necessidade de retirar pedras dos muros para desalojar algum coelho, no final devem ser recolocadas, se os portões abertos se encontram, abertos devem ficar, aqueles que se encontrarem fechados, fechados ficam. Estes conceitos são elementares.
Acredito piamente que os responsáveis não foram os caçadores marienses, pois conhecem os lugares e quem os possui, pelo que custosamente os vejo nestes ofícios.
1 - Pertence-me e não possui fins comerciais;
2 - Transmite a minha opinião;
3 - Os trabalhos publicados são da minha autoria;
4 - Poderei publicar textos de outros autores, mas se o fizer é com autorização;
5 - Desde que se enquadrem também reproduzirei artigos de imprensa;
6 - Pela Caça e Verdadeiros Caçadores;
7 - Em caso de dúvidas ou questões, poderão contactar-me através do e-mail acima;
8 - Detectada alguma imprecisão, agradeço que ma assinalem;
9 - Não é permitido o uso do conteúdo deste espaço sem autorização;
10 - Existe desde o dia 21 de Outubro de 2006.