22 de Fevereiro de 2012

Prenúncio de Morte

No passado dia 19 de Fevereiro de 2012, no decurso da manhã, desloquei-me à costa Oeste da ilha de Santa Maria, com o objectivo de averiguar as informações que me transmitiam e que, infelizmente, acabei por confirmar.
Desde o final do ano passado que sou confrontado com notícias do ressurgimento da doença nos coelhos e que, em face disso, esses animais estavam a morrer em numerosa quantidade, situação que pude constatar pois, numa área inferior a 10 000 m2, detectei várias carcaças, em diversos estádios de decomposição, sendo de tal ordem a devastação que algumas se encontravam aos pares.

A Mixomatose e a Doença Hemorrágica Viral (DHV), cujos vírus foram produzidos pelo Homem, são as moléstias que mais destruição provocam nos coelhos.
A Mixomatose causa a morte entre 4 a 8 dias e é extraordinariamente contagiosa. A sua transmissão realiza-se através dos mosquitos e das pulgas.  
Por sua vez a DHV, que é excessivamente contagiante, transmite-se por contacto directo e indirecto, significa isto que até se propaga através de objectos contaminados, de roedores e insectos. Os sintomas manifestam-se 48h após o contágio e muitas das vezes os coelhos morrem sem apresentar quaisquer indícios, enquanto noutras poderão expor hemorragias pelos orifícios naturais. Este vírus, que é o mais diabólico dos dois, pode conduzir uma população inteira de coelhos à extinção!
Neste preciso momento até os coelhos domésticos estão a morrer em catadupa.

De acordo com informação cedida pela Directora dos Recursos Florestais, Eng.ª Anabela  Isidoro, a doença manifesta-se em toda a Ilha de Santa Maria e têm-se avistado coelhos mortos também por toda a Ilha.
Os primeiros avistamentos datam da última semana de Dezembro de 2011 e verificaram-se na zona alta, mais propriamente na freguesia de Santo Espírito, tendo depois passado para as freguesias de São Pedro e de Almagreira e posteriormente para a zona baixa, principalmente  para os lugares de Ribeira Seca, Cabrestantes e Mobil, tendo sido o último avistamento ontem (21/02/2012).
Na 1.ª e na 3.ª semana de Janeiro de 2012, foram recolhidos 12 exemplares por elementos do corpo de Polícia Florestal e entregues no Serviço de Desenvolvimento Agrário de Santa Maria que os enviou para o Laboratório Regional de Veterinária, o qual procedeu à recolha dos órgãos e os remeteu, entre finais de Janeiro e princípios de Fevereiro, para o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária que procedeu às análises e cujos resultados foram positivos para a DHV,  que se deve à acção de um vírus (Calcivírus) que provoca uma hepatite muito severa e uma ruptura do sistema de coagulação do sangue, pelo que os coelhos sofrem hemorragias internas até morrerem. A doença é extremamente contagiosa para as populações de coelhos selvagens e domésticos.
Acrescentou que os elementos do Corpo de Polícia Florestal têm vindo a recolher coelhos mortos e que até ao momento já procederam à recolha de mais de 500 coelhos, que foram cobertos com cal e enterrados.
Parece que o número de coelhos afectados se encontra em decréscimo pois, segundo a mesma responsável, depois de ter havido um pico de mortes, o número de avistamentos de mortes recentes estabilizou e agora são encontrados um número menor de coelhos mortos recentemente, porém não é fácil identificar a fase de desenvolvimento em que se encontra a doença, porque implicaria um acompanhamento extremamente exaustivo, ao nível do número de animais mortos por dia e por zona, para além de requerer a realização de exames laboratoriais quase diários.
Sendo compreensível a preocupação dos caçadores em acompanhar a situação, através da sua deslocação ao terreno, deixa o alerta que será prudente evitar este tipo de procedimento, uma vez que o mesmo se pode revelar como mais um factor de disseminação da doença para zonas de menor incidência.
Já se encontra assinada uma portaria a alterar o actual Calendário Venatório para a ilha de Santa Maria, através da proibição da caça ao coelho-bravo até ao final da decorrente época venatória que, neste momento, se encontra aberta até ao final de Junho próximo, apenas na zona alta da ilha, no primeiro e no terceiro domingo de cada mês, pelo processo de caça "de corricão" e, aos sábados, pelo processo de caça "de cetraria". Estes processos de caça, embora de menor pressão cinegética, constituem fortes meios de disseminação da DHV, pelo que será desaconselhável a sua permissão.
Disse-nos ainda que qualquer pessoa que encontre um coelho morto, com suspeita de DHV, deverá proceder ao seu enterramento no local onde o encontrou e, em seguida, desinfectar as mãos, vestuário e calçado, ou então colocar o animal num saco de plástico bem fechado e entrega-lo no serviço florestal, para destruição.
Que não se trata de uma doença transmissível ao homem, nem a animais de outras espécies, no entanto não será aconselhável o consumo de carne de coelho bravo.
Conclui a Eng.ª Anabela Isidoro que, em comparação ao anterior surto de DHV na Ilha de Santa Maria, que teve lugar no final da década de 90, este está a ser mais virulento e com mais coelhos mortos.

Perante este cenário muito preocupante e sendo a caça um importante produto da terra, carece a mesma de inúmeros cuidados e de um modelo de gestão racional e adequado, tal e qual como aquele que rege o agricultor que monda as ervas daninhas que surgem nos seus terrenos, sob o risco de, não o fazendo, perder a colheita.  
Nesta perspectiva urge repensar, não só a existência dos calendários venatórios que temos tido na Ilha de Santa Maria, como a própria gestão da caça mariense.  
O resultado das medidas actuais, conjugadas com um clima completamente atípico e muito favorável à reprodução das espécies, traduziu-se no aumento exponencial da população de coelhos bravos e no consequente dispêndio de avultadas quantias monetárias para protecção dos terrenos cultivados, tudo condições geradoras de intranquilidade e insegurança.
O coelho bravo é um factor de conflito e continuará a sê-lo, sempre que for ignorada a sua importância como espécie cinegética e a necessidade de gestão racional dos seus números.
Em Santa Maria é a caça ao coelho bravo aquela que mais se pratica, pelo que qualquer foco de instabilidade, como a mortandade que se verifica actualmente, causa imediatamente um profundo mal-estar.  
Para que se possa minimizar esse efeito deve considerar-se o urgente desenvolvimento de alternativas naturais, como a introdução da perdiz cinzenta, a reintrodução da perdiz vermelha ou repovoamentos de codorniz, modalidades de caça que não devem substituir a caça ao coelho, mas sim complementa-la.

Em face da devastação que podemos constatar, temo estarmos perante uma situação de efeitos deveras catastróficos que, pelos motivos aqui expostos, nos deve levar a repensar, de uma vez por todas e quanto antes, a organização e a gestão da caça neste arquipélago e na Ilha de Santa Maria em particular.


Notícias relacionadas:
Correio dos Açores - 23/02/2012 
O Baluarte - 24/02/2012 
Correio dos Açores - 24/02/2012 

12 de Fevereiro de 2012

Aves Observadas

Algumas aves que consegui observar e fotografar ontem, das quais saliento as de um dos três falcões que sobrevoam os campos de caça desta bonita Ilha de Santa Maria.
Nestas, em particular, fotografei-o após ele ter capturado um lagarto que acabou por matar em voo, enquanto as restantes fotos foram obtidas na orla costeira.

8 de Fevereiro de 2012

Montaria em Mós-do-Douro 2012

A Associação de Caçadores das Encostas do Douro, em colaboração com a Junta de Freguesia de Mós-do-Douro e uma vasta equipa de bons amigos, realizou no dia 4 de Fevereiro de 2012, a XIII Montaria ao Javali de Mós-do-Douro.
O evento, que reúne caçadores de todo o País e de amigos de Mós-do-Douro, já faz parte do património humano, da cinegética nacional e é uma autêntica romaria a um dos locais mais típicos do País onde somos sempre muito bem recebidos e acarinhados pelo Ricardo, Ramiro, Rui, Luís Polido, Presidente da Junta de Freguesia, entre outros.
É claro que a caçada é também um bom pretexto para este reencontro, para saborearmos a fabulosa gastronomia local e encantarmos a vista com a beleza extraordinária que o Douro proporciona a quem com ele se depara.

Este ano fiz-me acompanhar do meu companheiro de sempre o Cremildo Marques, mais conhecido por “Barbas”, e do grande caçador Dr. António Tomás (industrial da famosa fábrica Santana que ao longo dos anos vem produzindo belíssimos azulejos e painéis que muito valorizam o património nacional - mandou fazer um azulejo comemorativo desta Montaria).
O Cremildo com a sua boa disposição e no desempenho de leiloeiro dos javalis cobrados tem constituído uma forte mais valia para a Organização já que os porcos leiloados por ele rendem sempre mais.
Á nossa parte arrematamos 2 porcos (1 pequeno e outro médio) para ajudarmos a Organização e para fazermos um almoço de Javali, que levamos a cabo no dia seguinte, magistralmente cozinhado pelo Luís Polido e sua esposa, que também acabamos por partilhar com o Sr. que teve a amabilidade de nos alojar no anexo das antigas instalações do caminho de ferro de Mós-do-Douro. Ainda sobraram uns pedaços para serem confeccionados em futuros encontros de amigos caçadores.
O dia esteve magnifico, isto depois de um “frio de rachar pedras”, e os cerca de 116 Monteiros, acompanhados por 16 Matilhas, cobraram 16 Javalis, com alguns bons exemplares como o que foi cobrado por um Monteiro sénior (julgo que o seu nome é Marinho) e que se não for uma medalha de ouro fica por lá bem próximo.
A presença de Mulheres Monteiras fez-se também notar, o que enriquece sempre um evento desta natureza, tendo destaque especial a Andreia Catarina.
Figura de relevo foi também a do “Eng.º das navalhas” que este ano nos acompanhou na visita à casa do Sr. Luís Polido e no desmanchar dos javalis. Ele e mais o amigo João Ramiro “fartaram-se de trabalhar”. Esforço altamente apreciado e reconhecido pelo nosso Grupo.
A montaria foi precedida por um esclarecedor discurso do seu Director Pedro Delgado que em breves palavras apelou para o cumprimento das normas fixadas, da segurança, para o espírito desportivo e pela ética. No regresso o almoço foi servido numa sala repleta de gente da caça.
Enquanto observava aqueles caçadores, que ali conviviam em franca amizade, questionava-me sobre o futuro da actividade cinegética a breve prazo, com todas as dificuldades económicas e financeiras porque passa o País e perante as exigências da nova Lei das Armas. Antevejo um futuro muito negro para um sector que quando vivido com ética e segurança é muito enriquecedor.

No dia que se seguiu, e na mesma zona, eu e o Cremildo fomos caçar aos tordos com os “profissionais” Ricardo, João Ramiro, Salgueiro e António Tomás. Segundo estes especialistas o ano está a ser fraco e a culpa é do clima, que está a mudar em todo o mundo, da pressão a que estas aves são sujeitas nos Países onde iniciam a Migração e por onde vão passando antes de chegarem a Portugal, obrigando os tordos a alterar rotas e comportamentos.
Confesso que este tipo de caçada nunca me atraiu muito, já que, para mim, caça que não meta cães é meia caçada, isto não significa que não tivesse apreciado a mestria e a arte de caçar destes nossos amigos e anfitriões.
É impressionante como, com um assobio, trazem eles o tordo lá do alto quase até aos canos da espingarda.
Não era ainda bem meio-dia e para desespero do amigo Tomás já estávamos a abalar para o magnifico almoço de javali que referi. O Tomás bem pregava que estávamos a ir-nos embora na melhor hora - e o Salgueiro bem os derrubava, mas trocar aquele “melrinho”, por um almoço de javali não foi uma decisão difícil, que me perdoe o amigo Tomás (um companheiro formidável).

No fim do almoço ainda tivemos tempo para visitar a igreja de Mós-do-Douro (com um altar em talha de madeira muito bem trabalhada) e tomar um café no estabelecimento local (que o Cremildo muito gosta de visitar) que nos manteve bem acordados até Mação e depois até Lisboa de onde regressamos aos nossos Açores.
Até para o ano Mós-do-Douro e amigos romeiros desta caçaria, isto se a Troika nos deixar regressar para o ano. Se não até um dia qualquer!

Açores 6 de Fevereiro de 2012

Gualter Furtado

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

19 de Janeiro de 2012

Balanço da Época Venatória de 2011/2012

Cada Ilha do Arquipélago dos Açores, com excepção da Ilha do Corvo, tem o seu calendário venatório próprio, razão porque em bom rigor para se fazer um Balanço rigoroso da época de caça que agora findou temos de fazer uma análise Ilha a Ilha e espécie a espécie. No entanto foram verificadas situações transversais a todas as Ilhas que passo a referir.

A primeira é que em matéria de aves de arribação de patos e narcejas o número de exemplares que arribaram nos Açores foram muito poucos, e isto deve-se principalmente a mudanças extraordinárias do clima.
Estas aves tocavam nos Açores de Outubro a Fevereiro quase sempre no seguimento de grandes temporais (fenómeno de dispersão) quando atravessavam o Atlântico, e este ano não tivemos ainda grandes tempestades. Depois nos países onde se inicia este movimento de arribação o clima também está a mudar provocando incertezas num processo que por exemplo no séc. passado era quase constante.
Outro factor comum a todas as Ilhas mas com especial gravidade nas Ilhas de São Miguel, Terceira, Pico e São Jorge são os furtivos, sendo que no Pico e em São Jorge as grandes vítimas são as Galinholas. Sem resolvermos este problema dificilmente a caça nos Açores terá sustentabilidade.
Aspecto muito negativo na Região é o facto da grande maioria dos caçadores açorianos não estarem inseridos no movimento associativo e se encontrarem de costas voltadas para o Departamento do Governo dos Açores (Direcção Regional dos Recursos Florestais) que gere a caça e fixa os Calendários Venatórios.
De realçar ainda que esta época venatória marca o fim do Santo Huberto com cães de parar nos Açores, sobretudo se compararmos o panorama actual com o que existia há meia dúzia de anos atrás, com dezenas de praticantes, dezenas de provas, com campeões nacionais, várias participações no campeonato do mundo e até campeões do mundo! As causas são sempre as mesmas, Caçadores de costas voltadas à Direcção Regional das Florestas, o preço exorbitante a que chegam as perdizes aos Açores, muita burocracia, o consequente desinteresse de novos participantes e o preço proibitivo no transporte dos cães de caça inter-ilhas, para e do Continente.

Indo agora às espécies de caça mais significativas indígenas em todas as Ilhas, pode-se dizer que em São Miguel e no Pico a densidade do coelho bravo é baixa, razão porque o número de capturas foi fixado em São Miguel em 2 coelhos por caçador e 10 por grupo de caça. Quem tem bons cães e teve a sorte de calhar numa zona em que o furtivismo foi menor e foi menos afectada pela hemorrágica fez a conta no curto período de caça que foi apenas de meia dúzia de jornadas nesta temporada. Por outro lado a construção da Scut da Ilha de São Miguel destruiu excelentes locais de caça ao coelho bravo (dizem que é o preço do “progresso”).
Nas restantes Ilhas a época ao coelho bravo foi razoável. De referir que depois das “grandes caçadas “ ao coelho bravo na Ilha de São Jorge a sua população apresenta-se controlada não se justificando agora medidas extraordinárias. Como nota muito positiva nesta época de caça refiro uma caçada ao coelho bravo na Ilha de Santa Maria na companhia dos irmãos Bragas e do Pedro Miguel Silveira, simplesmente inesquecível, pela amizade e pelo trabalho dos nossos cães.

A caça às codornizes desenvolve-se principalmente nas Ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, sendo que em todas elas a sua população selvagem está a diminuir, fruto da agricultura intensiva, do uso de químicos e pesticidas e de maquinaria. Quem tem bons cães de parar, boas pernas e conhece todos os cantos das Ilhas ainda conseguiu fazer a conta que era de 5 aves por caçador em cada um dos 4 domingos em que se podia caçar a esta espécie. De referir como positivo a reprodução de codornizes em cativeiro pelos Serviços Florestais a partir de ovos geneticamente selvagens.

Quanto às Galinholas parece-me que tiveram também um ligeiro decréscimo e a sua principal ameaça é a caça clandestina e principalmente aquela cujo produto é para vender.
Os Caçadores e as Autoridades terão de estar muito atentos à caça furtiva!
Foi possível termos magníficas jornadas de caça a esta espécie em que o número de abates foi o que menos contou tendo sido valorizado muito mais o número de paragens, levantes e a forte componente social e gastronómica que está sempre associada a uma caçada às Galinholas, principalmente na Ilha do Pico com o nosso amigo Cremildo a receber-nos principescamente.

Finalmente os pombos-das-rochas, que é a espécie mais abundante nas Ilhas, possibilitou boas jornadas e pratos de gastronomia muito apetitosos.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

4 de Janeiro de 2012

Parecer da Associação dos Cinegeticófilos da Ilha Branca

A Associação dos Cinegeticófilos da Ilha Branca após cuidada análise da petição contra a caça da avifauna açoriana e da proposta de Decreto Legislativo Regional nº 14/2011 – “Regime jurídico da conservação da natureza e protecção da biodiversidade” emite parecer no sentido de se ignorar a petição em causa.

Deixando expresso que todos os nossos associados são óbvia e comprovadamente a favor da avifauna açoriana, o pedido da sua não inclusão na lista de espécies de carácter cinegético parece-nos um infundado e perfeito disparate. Mais ficamos com a impressão que os autores desta petição desconhecem o regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos e os princípios reguladores da actividade cinegética e da administração da caça na Região Autónoma dos Açores, bem como os períodos e calendários venatórios para as diversas espécies cinegéticas e para as ilhas onde esta actividade é permitida.
Duvidamos também que os mesmos senhores tenham considerado duma forma racional o impacto que a proibição da caça à totalidade da avifauna nos Açores traria à nossa Região, quer no incremento dos prejuízos nas culturas agrícolas quer na actividade comercial de armeiros e estanqueiros quer na captação de verbas pelo estado e seguradoras, via licenciamento, quer ainda no turismo cinegético interno e externo, bem como na vida de todos aqueles que duma forma mais ou menos directa estão relacionados com a caça.
Pensamos ser questionável o conhecimento da extensão e abrangência da Proposta de Decreto Legislativo Regional nº 14/2011 pelos senhores peticionários e, estes têm que nos permitir discordar da incompatibilidade do turismo de observação de aves com a actividade cinegética na região.

Analisando em concreto as solicitações da petição:

“A não inclusão das espécies de aves nativas (reprodutoras ou visitantes) na lista de espécies de carácter cinegético dos Açores.” Não percebendo o que denominam de aves nativas visitantes cabe-nos evidenciar que a inclusão de qualquer espécie de ave, quer residente quer migratória ou de arribação, na lista das espécies cinegéticas da Região, não significa de modo algum que a mesma possa ser caçada de forma indiscriminada.
“A não introdução de espécies exóticas, nomeadamente aves, com um propósito cinegético no meio natural dos Açores.” Mais uma vez opomo-nos à petição pois as aves incluídas na lista das espécies de carácter cinegético (Perdix Perdix e Alectoris Rufa) não competem directamente com nenhuma ave nativa existente neste nicho ecológico, além de que no caso da segunda, a sua introdução na maioria das ilhas não mais seria do que um repovoamento pois esta existe ou já existiu nas mesmas. Registe-se pois que para além dos parcos efectivos conhecidos nalgumas outras ilhas (resultado das aves introduzidas e largadas aquando da realização de provas de Santo Huberto) na ilha do Pico ainda existem actualmente em estado verdadeiramente bravio alguns bandos de perdiz vermelha fruto duma introdução mais do que secular.
“ O desenvolvimento dum turismo verde associado à observação de aves que traga vantagens económicas a todas as ilhas açorianas.” Finalmente deparamo-nos com uma aspiração à qual somos favoráveis considerando que o mesmo turismo não é “incompatível com a permissão da caça das espécies da avifauna açoriana” e que imperando o bom senso não se tente praticar as duas actividades, o turismo de observação de aves e a cinegética em simultâneo nos mesmos locais e espaços temporais.
Acreditamos que sendo a caça proibida na ilha do Corvo e que com o contínuo incremento da criação de áreas de reserva integral e parcial de caça nas outras ilhas da região, existe espaço para a prática de ambas actividades.

Analisando duma forma generalizada os seis pontos de chamada de atenção da petição em causa e tendo presente a lista de espécies cinegéticas da Proposta de Decreto Legislativo Regional nº 14/2011 reafirmamos que os actuais caçadores são verdadeiros ambientalistas e cidadãos de direito com a maior ambição na conservação da natureza e na protecção da biodiversidade querendo transmitir este legado da humanidade às gerações futuras.
Somos favoráveis a todos os estudos científicos sobre a biologia e habitats das espécies incluídas na lista da avifauna com carácter cinegético e como sempre pensamos que a caça só deve ser permitida às espécies que apresentem um estatuto de conservação que a suporte.
Quanto às aves aquáticas fomos e somos favoráveis à protecção de algumas zonas de habitat com interesse sendo inclusivamente favoráveis à interdição da caça nos mesmos.
Sendo uma realidade conhecida a disparidade de características geográficas das diversas ilhas e a infelizmente ocorrida degradação de muitas zonas húmidas não cremos que nas poucas áreas onde a caça aos patos ainda é permitida se tenham acumulado quantitativos de chumbo suficientes para despoletarem saturnismo, mas acompanhando uma tendência mundial também não nos opomos à obrigatoriedade da substituição do chumbo por outros materiais nas munições para a caça nas mesmas zonas.
Quanto à dificuldade de identificação dos anseriformes que se incluem na lista das espécies cinegéticas em relação a congéneres americanos, pensamos que este é um fraco pretexto para se pretender a proibição da caça, aceitando de bom grado uma mais exigente formação dos caçadores e guardas e uma fiscalização mais activa e coimas agravadas.
No tocante às narcejas e após os considerandos de um muito curto período de caça, limites de abate bastantes restritivos, desfasamento temporal entre quando lhes é permitida a caça e a posterior chegada de grossos efectivos em fuga da invernada na região Hólartica. O facto de só em 2002 a A.O.U. (American Ornithologists Union) ter reconhecido a comum narceja de Wilson como uma espécie distinta e, da sua rara presença na Europa continental, ter conduzido à ausência na lista das espécies de carácter cinegético de Portugal continental, sendo a lista regional baseada na mesma. Acrescendo a que o número de abates na região tende a ser equitativo se não superior favoravelmente à espécie americana leva-nos a sugerir que ao contrário da proibição da caça à narceja na região seja sim incluída na lista das espécies de carácter cinegético a Gallinago delicata em igualdade com a espécie europeia Gallinago gallinago.
O problema da introdução de espécies exóticas já foi por nós abordado sendo que o alerta dos problemas de hibridismo não se aplica e a introdução de perdizes na região sempre obedeceu ao acompanhamento das necessárias guias de transporte e de certificados fitossanitários.
A aposta no turismo de observação de aves também já foi por nós apreciada sendo que não caindo em extremismos acreditamos firmemente que este tem lugar, mas a nosso ver obviamente o turismo cinegético tem maiores potencialidades sendo de realçar que no nosso País as verbas movimentadas em torno da cinegética já chegaram a ultrapassar os quantitativos dispendidos com a primeira liga de futebol e que em Espanha a caça é tão só a segunda maior fonte de receitas.
Acreditamos nós que havendo um correcto ordenamento e uma gestão racional da caça esta poderá ser uma mais-valia para algumas (se não para todas) das nossas ilhas. Pensamos primeiro na nossa realidade mais próxima, esta segunda mais pequena ilha do arquipélago com cada vez menores índices populacionais e já com algumas das infra-estruturas necessárias ao desenvolvimento dum turismo cinegético ou misto possui felizmente abundantes efectivos de coelho, pombo da rocha e de codorniz.
A aposta na introdução da perdiz vermelha na nossa ilha seria evidentemente um acréscimo bem-vindo e a mesma já foi por diversas vezes solicitada à tutela por esta mesma associação.

Não podemos terminar este nosso texto sem repudiar a iniciativa que lhe deu asso e reafirmar que o extremismo e radicalismo não são filosofias existenciais a considerar.
Os caçadores são cidadãos contribuintes oriundos dos mais diversos estratos sociais unidos precisamente pelo gosto e respeito pela natureza e biodiversidade e que desempenhando as mais diversas tarefas na actual sociedade gostariam de ver reconhecidos os direitos pelos quais pagam.
Concluímos lembrando os senhores peticionários que não fora a recolecção a pesca e a CAÇA à qual são hoje tão adversos muito provavelmente os seus antecessores não os teriam deixado no nosso caminho, que por diferente não aceitamos que seja menos respeitável.

O Presidente da Direcção

Duarte Nuno Rocha da Silveira Santos Costa

3 de Janeiro de 2012

Parecer da Federação de Caçadores dos Açores

Relativamente à elaboração do Decreto Legislativo Regional que determina o novo regime jurídico da conservação da natureza e da protecção da biodiversidade dos Açores, é nosso entendimento que a prática dos calendários venatórios que têm vindo a vigorar nos Açores já salvaguardam a sustentabilidade das espécies.

A caça aos patos de arribação na maioria das Ilhas ocorre do primeiro Domingo de Novembro ao primeiro Domingo de Janeiro, trata-se pois de um período muito curto que não põe em causa a sobrevivência destas espécies. Acresce que neste período ninguém vem aos Açores observar aves. Depois a própria lei, mesmo neste restrito período de caça, já coloca diversas limitações ao exercício venatório das aves junto às Lagoas. Quanto aos lagoeiros e poços são cada vez em menor número.
O problema do uso dos cartuchos de aço em detrimento dos de chumbo para não prejudicarem as espécies e o meio ambiente cheira-nos ao velho argumento que serviu de base para se interditar o campo de tiro aos pratos na saudosa lagoa das Furnas quando, de facto, a eutrofização da referida lagoa se deveu e se deve aos adubos e químicos (embora não façamos desta questão um tabu nem tenhamos uma posição irredutível).
Abolir a caça às aves classificadas como espécies cinegéticas e designadamente aos patos é contrariar um prática com séculos de existência nos Açores.

Em Países como a Inglaterra, a França, os Estados Unidos da América e o Canadá a caça aos patos tem milhares e milhares de praticantes e não consta que tenham posto em causa a sustentabilidade destas espécies, antes pelo contrário pois foram os caçadores que mais contribuíram para recuperar habitats degradados.
Em síntese a observação das aves é perfeitamente compatível com o exercício da caça com regras e ética.

Gualter Furtado
(Presidente em exercício da Assembleia Geral da Federação dos Caçadores dos Açores)

30 de Dezembro de 2011

Uma Homenagem aos Irmãos Braga

Poderá ler-se na edição mais recente da Calibre 12, o seguinte texto, em "Notícias dos Açores":

No passado e já distante dia 6 de Novembro, abriu a caça aos coelhos bravos, na Ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores. As caçadas realizadas excederam as expectativas pois, mau grado o furtivismo, que infelizmente se faz sentir durante os 12 meses do ano, houve muitos caçadores que atingiram o limite diário de 2 coelhos por caçador.
Há ainda que salientar as alterações verificadas nos habituais campos de caça pela construção de uma moderna e polémica SCUT.

Em contrapartida, na Ilha de Santa Maria os coelhos deram azo a dias bem passados, isto apesar da falta de profissionalismo dos funcionários do aeroporto que dificultaram o transporte e desembaraço dos cães que viajavam com os caçadores provenientes de outras ilhas do arquipélago.

Figuras incontornáveis da caça em Santa Maria, especialistas na caça ao coelho com pau, os irmãos "Braga", José com 76 anos e António com 79, voltaram a marcar presença nos campos dessa ilha açoriana, acompanhados por um grupo de caçadores seus amigos que até lá se deslocaram.
Com tais conselheiros, o grupo no qual se incluía Gualter Furtado, chegou rapidamente ao limite legal de 5 coelhos por caçador, não tendo falhado nenhum tiro.
Seguiu-se um animado almoço, com iguarias típicas e cantares ao desafio, nos quais José Braga voltou a mostrar boa disposição, um espírito jovial e competência.

18 de Dezembro de 2011

Caça – Pureza Sublime

É o título do primeiro livro de Miguel Pereira, de quem António Luiz Pacheco diz ser um Caçador Tomarense, originário de uma cidade pequena, mas berço de alguns dos grandes! E acrescenta: Nascido, criado, feito Homem e Caçador no Grupo de Caça dos Pereiras, sob a batuta do capitão Pereira e ao lado do mano António, com a ajuda de outros comparsas tão marcantes como o “Perdido”.
Foi menino, sonhou com caça, caçadores e caçadas, imaginando desde logo aquilo que queria um dia perseguir. As sensações sublimes da caça!
Aprendeu que caçar é ter as pernas doridas e cheias de picos de tojo, braços arranhados das silvas, pés moídos e o corpo encharcado do suor ou da chuva… que se ignora frio, calor ou cansaço, fome e sede, que não há matos impenetráveis, barrancos que não se pulem nem ladeiras que não se galguem!
Que um dia é da caça e outro do caçador… e esta é para perseguir e amar, matá-la é uma consequência e faz parte do jogo da vida e da morte! Mas que depois se come em partilha velha como o Mundo, pelo meio de histórias, na alegria sã entre Homens que comungam dos mesmos gostos pela liberdade e pelo campo.
Que na caça se mostra o melhor de cada um e isso se deve cultivar como uma religião, com o mesmo respeito e cerimónia.
Que as armas são capazes de ganhar alma… e os cães esses a têm por certo bem mais do que muita gente.
Os amigos são para sempre! E a família é como que a nossa matilha…
Do que foi vivendo e ouvindo, juntou tudo, e, com a sensibilidade sublime de caçador criou esta obra, talvez menos literária mas certamente de carisma e alma cinegética…
Assim é ser Caçador, assim é ser-se um Pereira!
Esteja ele onde estiver, cace onde e com quem caçar… até no papel! Fim de citação.

Começar a Caçar

É na verdade um processo apaixonante que dura eternamente sempre que qualquer caçador reencontra os terrenos da sua predilecção para mais uma jornada. Graças aos Céus que terrenos da nossa predilecção temos muitos neste cantinho à beira-mar plantado. Mesmo os caçadores com 40 ou 50 anos de caça continuam a aprender e ser confrontados com novas descobertas – faz parte da tal magia que se fala incessantemente entre os devotos de Santo Huberto. Não exige estudo especial, é algo relativamente conhecido e quando não é inato adquire-se pela convivência e prática.
Fora da convivência e prática o aspirante a caçador deve procurar ler o mais possível sobre o tema e ir formando a sua biblioteca de caça. Há livros e autores que não podem lá faltar. No meu modesto entendimento são fundamentais: “Sal ironias e gabarolices” e “O perdigueiro português” do Padre Domingos Barroso, “A propósito de caça” de João Maria Bravo, “A técnica do tiro de caça a chumbo” e “Caça… uma saudade” do Coronel Júlio de Araújo Ferreira, ou até “Bichos” de Miguel Torga. Momentos inolvidáveis esperam os jovens Confrades que os queiram ler, não darão o seu tempo por mal empregue. Alguns destes livros já custam a encontrar, relatam muitas vivências do período de ouro da caça em Portugal, o tempo não passa por cima dos seus grandes ensinamentos.
Mas sem dúvida que o mais importante destes livros é darem a conhecer a perspectiva do caçador verdadeiro, genuíno, sem sofreguidão naquilo que faz, desportista, respeitador. Neles se aprende o sentido, a coerência, a magia, a beleza e a dignidade do acto. São deliciosos os bocadinhos em que se lêem, a forma como facilmente o leitor se identifica com o que vale a pena na caça, mas também no que deve a evitar a todo o custo.
É essencial ao debutante que se inicia na caça, controlar os seus nervos e permanecer imune ao pior dos contágios: A ambição e a inveja. A irritação que floresce a partir da inveja conduz aos grandes fracassos e a uma neurose doentia. Esta combinação traz, em regra, grandes males e complexos. Pretender imitar os Mestres muito antes de aceitar qualquer desafio ou competição não é uma fraqueza, antes um sinal de inteligência para auferir mais rapidamente dos seus sábios ensinamentos e prática.
Um pormenor não menos importante na caça de salto – a regra de caçar a sós sempre que possível. Homem e cão não serão dominados pela ambição, haverá harmonia e o resultado da jornada, ainda que parco, não será desanimador por inexistência de termos de comparação.
Quando ainda estamos a aprender o básico não faz sentido a pretensão de apresentar números de abates ou grande nível nos lances. Sabemos que existem sempre alguns predestinados por aí perdidos, mas esses serão sempre a excepção e não a regra, mas até eles precisam de tempo para se fazerem verdadeiramente.
Daí que recomende vivamente a quem está a começar para não se deixar arrastar para as grandes confusões onde se aglomeram muitos caçadores como passagens de tordos, pombos ou nas largadas de perdizes e faisões. Nesses ambientes aprendem-se, e adquirem-se, alguns dos piores vícios da caça dos nossos dias: A soberba do número, o desleixo pela caça e pelo meio ambiente, a bazófia parola em tudo o que se diz para impressionar os pares, muita falsidade, e, de uma forma geral, pouco bom senso. Não tenha o jovem Confrade muita pressa em começar a dar muitos tiros, para isso tem os stands e campos de tiro.
São estes os palcos privilegiados onde também se inventam os maiores disparates no que diz respeito às capacidades de cartuchos e das armas. Algumas destas modas, quando bem vendidas por quem o costuma fazer, induzem mesmo o caçador menos experiente a comportamentos de risco completamente inaceitáveis, quase sempre porque se quer gozar a caça sem se reflectir nas suas consequências. Depois com facilidade se verifica quase como que uma histeria colectiva na escalada para determinadas barbaridades.
Ao debutante não devem causar irritação os tiros errados nas primeiras saídas ao terreno de caça. Este é um aspecto primordial na educação desportiva do caçador. Só os caçadores medíocres, invejosos e insensatos, censuram os erros dos seus companheiros e os comentam inconvenientemente em frente de estranhos. Com isso apenas abalam a sua reputação de homens educados e jamais conseguirão encobrir a sua natural falta de habilidade e insegurança, os principais motivos dos seus comentários desagradáveis e complexos.
Há legitimidade em questionar um companheiro sobre uma peça atirada simultaneamente ainda que tenhamos plena convicção que a abatemos? Não poderia o companheiro, eventualmente um atirador teoricamente menos dotado, ter feito daquela ocasião melhor trabalho que nós? Ir pesquisar na peça abatida se a chumbada está do lado esquerdo ou direito, por detrás ou pela frente, não será problemático, mas igualmente infantil e até absurdo?
Como tão bem diz, e exemplifica, o Confrade Manuel Mucharreira em “Cartucheira de recordações” - «Muitas vezes penso no tempo dos “atrasados”… Quando dois “patetas” atiravam em simultâneo à mesma perdiz e ficavam calmos, sem nenhum deles gritar: “É minha”».
Actualmente existe alguma preocupação em atrair mais jovens caçadores ao mundo da caça e quais os melhores incentivos para o conseguir. Os caçadores jovens simbolizam uma herança e um futuro. Na minha opinião um dos melhores incentivos que se poderia dar para aparecimento de jovens caçadores seria desligar o “botão do complicómetro” no acesso á documentação legal para alguém se poder tornar caçador. Libertar todo o processo legal da dificuldade e dos irritantes prazos dilatados de execução era um passo em frente para trazer mais jovens à caça.
Também se aponta invariavelmente o preço das armas como outro desincentivo. Não considero os preços das armas muito elevados, as taxas das licenças de uso e porte de armas, as licenças de caça e os seguros de caça é que se estão incomparavelmente a tornar mais caros. Quando olho para o que uma arma (nova) hoje traz consigo, em termos de tecnologia e provas de banco, percebe-se facilmente que, comparativamente há 15/20 anos atrás estamos a pagar menos por uma arma e que a fiabilidade das armas, de uma forma geral, aumentou consideravelmente, bem como as suas performances – e não é preciso ir para modelos muito elaborados para o notar. Mas há algo que se alterou substancialmente na forma de começar a lidar com armas nos jovens de hoje. No meu tempo de debutante da caça começávamos a caçar sempre com pequenos calibres antes de passarmos para o calibre 12.
Hoje começa-se logo com a de calibre 12, pessoalmente considero a calibre 12 “um canhão”. Não precisamos de tanta potência de fogo (com os anos talvez se venha a perceber melhor esta minha posição). Deve-se começar primeiro com uma arma barata e com poucas prestações, antes de passar para os “canhões”, se se quer aprender a sério.
A redução do valor das quotas pagas pelos jovens caçadores nas zonas de caça associativas e municipais, também daria uma ajuda, mas este teria de ser um esforço colectivo e unanimemente cumprido sem excepções.
Outra forma de incentivar os jovens para a caça passa também por termos mais jovens com condições para ter cães em sua casa e usufruírem da sua companhia. O debutante deve também aprender como ensinar o seu cão a caçar e no início vai certamente deparar-se com algumas dificuldades em conter os cães novos de algumas raças. Alguns exemplos, os Pointers, Bracos e Setters são autênticos cavalos de corrida no primeiro ano. Nas ocasiões em que eles façam esses arranques há que os fazer parar. Fazê-lo de uma forma autoritária, mas sem agressividade. Caso contrário o cão ficará confuso e tudo se complica ainda mais. Após conseguir pará-los é fundamental fazer-lhes festas, dar-lhes mimos. Isto não pode acontecer algumas vezes, tem de acontecer sempre – é um processo de persistência, até o cão perceber.
Caso ele persista obstinadamente no mesmo comportamento então nalguns dias há que lhe aplicar um correctivo para perceber que quem manda é o caçador e que a disciplina é uma coisa muito bonita se efectivamente querem os dois “trabalhar juntos e fazer uma equipa”. Os correctivos devem ser aplicados com muito aparato e pouca dor. A sugestão e o receio de não tornar aumentam mais assim. Um ramo com muita folhagem ou o velho pedaço de jornal enrolado costuma fazer muito bem nestes casos. Isto é para aplicar na caça e fora dela, todos os dias.
Sobre as coleiras eléctricas desaconselho. São para cães de mau temperamento e índole. Foram desenvolvidas essencialmente para controlar cães nos campos de treino em muitas coisas que não propriamente caçar. Um cão de caça é demasiado meigo, sensível e inteligente para o submetermos a isso. Nunca coloquei uma coleira destas nos meus cães. O tempo e a paciência ainda são, nos cães como na caça, duas variáveis imprescindíveis para corrigir e apreciar o que quer que seja, não se deve forçar se podemos fazer as coisas a bem.
Vamos agora à parte mais desagradável do processo. Começar a parar os cães jovens e imaturos, pode implicar que o caçador tenha mesmo de largar a espingarda para ir apanhar o cão, prejudicando muitos lances nos dias de caça. Mas é um investimento que se deve fazer quando se gosta do nosso cão e se o queremos “recuperar”. Naqueles dias em que o parceiro do lado atira e o Confrade tem de segurar o animal, deixando passar sem atirar às perdizes e a alguma lebre que foram direitinhas a si, custa um bocado. Aconselha-se, nesta fase da correcção do animal, a que o jovem debutante se coloque numa das pontas do grupo para prejudicar ao mínimo a jornada de caça. Muitas vezes terá necessidade de parar, enquanto os outros prosseguem e conter o animal também será mais fácil se ele deixar de ter contacto visual com as outras pessoas e cães. Com tudo “normalizado” o Confrade rapidamente se volta a juntar ao grupo um pouco mais à frente.
Daqui para a frente há que procurar estar muito mais vezes com o cão. O período do defeso deve, verdadeiramente, ser aproveitado para isso, com a vantagem de a parelha passar a estar mais vezes a sós um com o outro. Aí vai verdadeiramente construir-se a relação de cumplicidade total com o cão. Nessa altura deve também fazer-se a “apresentação formal” do cão às codornizes (a espécie cinegética de excelência para ensinar um cão de parar a caçar). Irá verificar-se que no início da época de caça, o animal está muito mais controlado, e ele no seu processo natural de crescimento vai também começando a ter mais maturidade. Pessoalmente considero que a generalidade dos cães alcança essa maturidade a partir dos dois anos e, aí, é que muitas coisas começam realmente a ficar interessantes para a parelha, também é verdade que as cadelas costumam ser um pouco mais precoces nisso comparativamente aos cães.
Outro grande incentivo para qualquer iniciado na caça é a possibilidade e sorte de conhecer e poder beneficiar da companhia de um Mestre Caçador – um mentor. Os Mestres Caçadores são indivíduos especiais, que no início custam sempre a conquistar, mas quando percebem que há fogo sagrado nas intenções dos jovens aspirantes a caçador ajudam como mais ninguém.
Por último mas não menos importante, era desejável que mais jovens tivessem a possibilidade de poder viver no campo em vez de na cidade. Nos dias de hoje é muito difícil inverter esta tendência porque o mundo é como é. Mas o contacto permanente com o campo desde a infância, passando pela adolescência, é o melhor dos incentivos para atrair jovens para o mundo da caça.

Pereira, Miguel (2011). Caça - Pureza Sublime (pág. 58 a 61).

Trata-se de um livro de 2011, proveniente de uma edição de autor com 300 exemplares, impressos que foram na Tipomar, Lda – Tomar, apresentando capa e gravuras por Alexandre Fernandes.
Nas suas 268 páginas somos confrontados com uma forma moderna e actual de pensar e viver a caça, repleta de conteúdo, personalidade e autenticidade.

Para mais informações: mpereira.inysq@gmail.com

14 de Dezembro de 2011

Encerramento da Época de Caça à Galinhola

Recolho sempre um enorme prazer das caçadas que faço com o meu amigo Cremildo Marques, residente no Pico, e o encerramento ali, naquela bonita Ilha, da presente época de caça à galinhola, não foi excepção.
A componente social, como sempre, foi extraordinária e englobou, inclusivamente, uma matança de porco na Manhenha, na casa do nosso amigo José Cebola.
Sexta à noite fomos recebidos com um magnífico caldo de peixe à moda do Pico e no sábado com uma fritada de pombos e tordos magistralmente confeccionada pelo Cremildo. Acabamos por encerrar no Domingo com um Cozido à Regional.
Tecnicamente o encerramento da caça às Galinholas na Ilha do Pico será apenas no dia 18 de Dezembro, mas por impossibilidade da minha parte optei por antecipa-lo para o passado dia 11 do corrente mês.

Em termos globais poderei afirmar que a presente época até foi razoável, embora com menos Galinholas do que na época passada, a que não deve ser estranho o facto de se poder caçar ao coelho, durante quase todo o ano, precisamente nos mesmos bosques onde buscamos a nossa tão desejada Dama. Para agravar esta situação, também nos chegaram informações muito preocupantes da Galinhola Açoriana estar a ser alvo de furtivismo desenfreado para posterior venda no Continente. As autoridades Regionais e os Serviços Florestais estão devidamente alertados para a existência deste inquietante caso.
Apesar do panorama bastante preocupante é sempre um privilégio podermos caçar às Bicudas com os nossos cães e amigos, já que esta ave misteriosa e de olhos de veludo - na descrição de Fernando de Araújo Ferreira, autor do livro "Galinholas", nos proporciona lances de caça singulares e extraordinários, acrescidos de pratos de gastronomia cinegética não menos fabulosos.
Naquele domingo, eu e o Cremildo depois de muito andarmos, de subirmos e descermos, de calcorrearmos a montanha daquela maravilhosa terra conseguimos cobrar 4 Galinholas. Quando demos com elas já era tarde! Aqui reside parte do encanto com que esta ave misteriosa nos teima em presentear, pelo que mais ficaram para daqui a 2 anos já que na próxima época não se poderá caçar nos mesmos terrenos (fica um ano a descansar). Pelo menos assim será para aqueles que vivem esta arte com honestidade e cumprem escrupulosamente a lei venatória, porque para os clandestinos, como sabemos, não existe rotatividade nem pousio...

Um abraço para todos os Caçadores, em especial para aqueles que se dedicam à Galinhola, e Votos de um Bom Ano Novo repleto de saúde e de muita caça de qualidade, se os fundamentalistas anti-caça e os políticos o permitirem.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

13 de Dezembro de 2011

A Guerra contra a Caça - Perspectivas de África

O texto que se segue, no seu título original "The War on Hunting – Perspectives from Africa", é da autoria de Willem P. Frost.
Dele traduzi alguns excertos que, espero, vos suscite o interesse para o lerem em toda a sua extensão.

"A fraternidade anti-caça pode ser dividida em quatro escolas diferentes, nomeadamente:
- Activistas pelo bem-estar animal: Preocupam-se em evitar a crueldade animal e aceitam que o homem possa utilizar os animais, desde que o façam humanamente;
- Activistas pelos direitos dos animais: Acreditam que os animais possuem os mesmos direitos que o homem e que a exploração de uma espécie por outra é moralmente indefensável. O autor alerta-nos para a importância de verificar a diferença de ideologia existente entre esta escola e a dos activistas pelo bem-estar animal;
- Activistas pela emancipação animal: Crêem que é justificado o uso de violência para libertar os animais. Alguns destes extremistas lunáticos pensam que a humanidade já ultrapassou o seu tempo de existência no planeta e que a Terra deve ser devolvida aos animais. Devido a esta ideologia, algumas agências de segurança ocidentais receiam que estes e os “terroristas verdes” possam tornar-se no maior flagelo terrorista do séc. XXI.
- Falsos profetas conservacionistas: Afirmam-se conservacionistas, mas não antevêem o papel construtivo que a caça desempenha na conservação. Confrontam os caçadores com declarações do tipo “matas aquilo que pretendemos preservar”. Centram-se nos grandes mamíferos e relegam para um plano inferior a conservação dos ecossistemas ou os efeitos causados pela sobrepopulação de espécies destrutivas, tais como a dos elefantes. Pretendem sobretudo que os animais não sejam caçados, mas pouco se manifestam sobre a existência do furtivismo e dos horrores do negócio ilegal da carne.
Inseridos neste grupo também se encontram os anti-caça, que não possuem qualquer objecção em comer bife, carne de carneiro ou de porco comprada no talho, mas que são frontalmente contra a caça de animais selvagens para consumo. Apesar de não possuírem nenhuma base moral ou intelectual sobre a qual possam sustentar os seus melhores argumentos, não devem ser ignorados pela capacidade que apresentam em influenciar aqueles que não são caçadores e que não possuem qualquer opinião formada sobre a caça e a conservação."

"Os movimentos anti-caça degeneram geralmente em ideologia agressiva que não respeita os diferentes pontos de vista.
Apesar de se debruçarem sobre a erosão dos solos, a destruição de habitats por espécies com populações sobredimensionadas, plantas invasoras ou pela poluição, afastam-se desse caminho e retratam os caçadores como cruéis, inumanos e contra a conservação. Nesse processo fazem mais mal do que bem ao ambiente."

E conclui o autor assim:

"A vida selvagem africana está a atravessar problemas bastante graves; grande parte das espécies animais encontra-se em declínio na maior parte daquele continente, que se encontra a saque, devido ao furtivismo, perda de habitats, do aceleramento da colonização humana, da má administração e da falta de recursos para implementar benéficas e sensatas políticas nessa área.
A África do Sul, por sua vez, desenvolveu um excepcional e bem sucedido modelo nacional de gestão da vida selvagem, que assenta na propriedade privada e no princípio da conservação através do uso sustentado pela prática da caça.
Deste modo a caça contribui de forma muito significativa para o bem-estar do homem e da natureza, para além de se apresentar de vital importância para o futuro das populações e da vida selvagem em todo o continente africano.
A Fraternidade anti-caça, pelo contrário, é comandada por estranhas e desvairadas ideologias que representam uma enorme ameaça para o desenvolvimento da vida selvagem africana e para a sobrevivência do homem no planeta Terra. Contudo, tais organizações sabem como ser persuasivas. São um cancro de uma estirpe bastante grave num mundo já de si doente, pelo que é do melhor interesse para o homem livrar-se, de forma permanente, dessas tresloucadas ideologias."


The War on Hunting – Perspectives from Africa
By Willem P. Frost

The conflict over hunting

Throughout the Western civilisation a profound debate over hunting has escalated into an aggressive verbal brawl that is leading nowhere.
Hunting is often criticised by the animal rights- and anti-hunting fraternity as “unacceptable human behaviour” and as “a threat to conservation”. They portray hunting as barbaric, unnecessary, wasteful, devoid of merit and without any deep meaning. These activists usually do not recognise the differences between the various forms of hunting and poaching. They also refuse to accept the concept of “conservation through sustainable utilisation”.
Hunters and conservationists, on the other hand, find it rather astonishing that there are still people who do not understand the vital role of hunting in conservation and preservation of biodiversity in 21st century Africa. The anti-hunting activists are often accused of not understanding the real threats to conservation in a continent characterised by poverty, weak governments, mismanagement, corruption, etc., etc. Point is, however, that anti-hunters are usually not interested in the merits of hunting as a conservation tool or the fact that it provides healthy protein to many people or that it generates wealth in rural communities. The hunters often argue that it is their rights, and not the animal‟s rights, that are to prevail, and that since hunting does not harm fellow man, but benefits many, hunting should not be interfered with. Arguments that sustainable utilisation of wildlife in the form of hunting is beneficial for conservation, and for mankind, seem to make no impression on the anti-hunting fraternity. Most anti-hunters seem to be more interested in the „suffering‟ on a single animal, i.e. the animal being hunted, than in the well being of the total population.
The conflict between hunters and non-hunters is thus serious and the respective positions seem irreconcilable. As will be shown hereunder, the value systems and/or beliefs of hunters and anti-hunters seem to be so far apart that reconciliation is probably not a realistic expectation in the near future.
Yet, hunters cannot afford not to put their case forward in the public arena. It is however no good to simply portray anti-hunters as misguided extremists whose bizarre views will cause grave harm to mankind should they be allowed to prevail (even though it is often true). Hunters would be well advised to take their case beyond the benefits that could be derived for conservation and man; they should also put more effort into answering the fundamental question: “Why do I hunt?” If the deeper meaning of hunting cannot be explained, then hunters should not be surprised if the negative public opinion against hunting continues to gain momemtum.

The anti-hunting fraternity

The animal activist movement can be divided into four different schools, namely:
Animal welfarists. They focus on the prevention of cruelty to animals and accept that man may make use of animals, provided it is „humane‟.
Animal rightists. They believe that animals have inherent rights analogous to human rights and that the exploitation of one species by another is morally indefensible. It is important to note the difference in ideology between animal welfarists and animal rightists.
Animal liberationists. They believe that violence in order to „liberate‟ animals is justified. Some of these extreme nut-cases apparently believe that man has outlived his welcome on planet earth and that the globe needs to be turned back over to the animals. Some western security agencies already fear that animal liberationists and „green terrorists‟ may become the main terrorist scourge of the 21st century.
False conservation prophets. They claim to be conservationists but do not see the constructive role that hunting has to play in conservation. They often confront hunters with statements such as “...you kill the exact things we want to preserve”. They focus mostly on large mammals and do not concern themselves too much with the conservation of eco-systems or with the effects of over-populations of destructive species such as elephants. Their main concern is that animals are not hunted, yet they often have little to say about poaching and the horrors of the bush meat trade.
Included in this group are anti-hunters who have no objection to eating beef, mutton and pork bought from a butchery, but who are strongly opposed to harvesting game animals in order to consume the meat. Although they have no intellectual or moral base from which to argue their case, they should not be ignored as they may influence those non-hunters who currently do not have an objection to hunting and conservation.
Whilst the animal welfare movement is about 150 years old, the animal rights movement only gained momentum when the Australian, Peter Singer, published his book “Animal Liberation” in the mid-1970s. The animal rights philosophy goes much further than being just against hunting; all use of animals by man is regarded as morally unacceptable. By “equal rights for animals”, the animal rightists do not mean “equal treatment in all respects” but rather “equal consideration”. In other words, the rights of animals require the same consideration as those of man and exploitation of animals by man is simply not acceptable. When animal rightists refer to an animal‟s rights, they usually refer to the right to life; the right to live free from human involvement; and the right to equal treatment. Singer states:
“If a being suffers, there can be no moral justification for refusing to take that suffering into consideration. No matter what the nature of that being, the principle of equality requires that its suffering be counted equally with the suffering of any other being”.
Animal activists have adopted an extreme set of values that is not shared by the majority of people in the counties where they operate. Yet they are however skilled in the techniques of using the media to promote their cause and they consequently have the ability to influence large numbers of people who are currently not opposed to conservation and wildlife management.
The anti-hunting movements often degenerate into aggressive ideology that does not respect the views of others. Whilst they seldom have a view on soil erosion; habitat destruction by over-populations of certain species; invasion of alien plants; or pollution, they go out of their way to portray hunters as cruel, inhumane and contra-conservation. In the process they do more harm than good to the environment.
The International Union for the Conservation of Nature and Natural Resources (“IUCN”) adopted the World Conservation Strategy (“WCS”) in 1980. This document,
can be regarded as a blueprint for the survival of mankind on planet earth. Most sovereign states are members of the IUCN and these member states obligated themselves to model their National Conservation Strategies (“NCSs”) on the WCS template. Thus the objectives of the WCS also became those of South Africa‟s NCS and of many other countries.
The three principle objectives of what the WCS calls “Living Resource Conservation” are:

• To maintain essential ecological processes and life support systems;
• To preserve genetic diversity (i.e. to stop extinctions); and
• To ensure the sustainable utilization of species and ecosystems (notably fish and other wildlife, forests and grazing lands) which support millions in rural communities as well as major industries.

Animal rights organizations are constantly striving to undermine the efforts of responsible governments to achieve the objectives of its NCS and are thus working against the better interests of mankind – bearing in mind that the WCS is a blueprint for the survival of man on planet earth. The public should take note of this!
The post-modern civilised world can at times only be described as bizarre. Most people now live their lives without being part of the food chain except as consumers. They live oblivious of the fact that man is an omnivore at the top of the food chain, but an omnivore that needs meat as a basic source of protein. It is indeed bizarre that post-modern man can gorge himself on virtual violence in movies and video games, but
is horrified by sport hunting. Likewise man has the ability to turn a blind eye to genocide in far-off third world places, but sustainable utilisation of wildlife resources causes him to protest loudly. We live in a pluralistic, multi-cultural, multi-religious world where we tolerate a lot; yet some of us find hunting unacceptable social behaviour that cannot be tolerated - bizarre indeed. We also live in a world characterised by hypocrisy. The only people with some moral ground to argue against hunting are the true vegans, all other anti-hunters are tainted by varying degrees of hypocrisy.
It should also be noted that hunting in general has been recognised by the major international conservation agencies as a legitimate form of conservation through sustainable utilisation. All hunting associations also subscribe to the principles of fair chase, hunting ethics and conservation of biodiversity. Yet hunters are constantly required to defend and explain their position on hunting.
It is often said that anti-hunters, especially animal rightists and animal welfarists, should have the democratic right to argue their case. If that is the case, and bearing in mind the grave harm that animal rightists intend for man as a result of their bizarre ideologies, then it may also be argued (as Ron Thomson did in an article in African Indaba) that paedophiles, rapists, murders and other criminals should have the same democratic right to argue the case for their heinous activities.

21st century Africa

Africa went through a phenomenal transformation over the last 150 years. Much of the continent used to be characterised by massive wildlife populations and relatively low human populations that had little effect on the natural environment. Wildlife populations were kept in balance with the carrying capacity of the habitat by natural cycles of drought, diseases and predation. When the continent was colonised by the European powers and the white population of the Cape migrated northwards, the vast herds of springbok and other free roaming antelopes had to make way for modern cities and towns, roads, railways, agricultural development and human settlement at an unprecedented scale. The growth in human population exploded and the conflict for „lebensraum‟ between modern man and wildlife became intense.
Today Africa is characterised by small pockets of natural eco-systems in an ocean of urban, semi-urban and agricultural development. All wildlife species and subspecies are showing a declining trend in numbers – with one exception: the springbok of Southern Africa. Some species are already extinct (such as the bubal hartebeest, the quagga, the Barbary and Cape lions, the Kenya oribi and Roberts‟ lechwe) whilst others are on the brink of extinction (such as Aders‟ and Jentink‟s duikers, the northern white rhino, the mountain bongo, the giant sable, the West African giraffe, the Swayne‟s and Tora hartebeests, the Soemmering‟s gazelle, the Beira antelope, etc., etc.).
Not only have numbers of game animals been depleted, but the ancient migration routes have also been blocked by modern developments. It is thus no longer possible for wildlife to exist without managerial intervention by man. It is important to recognise that man is still dependant on animal life, plant life, water and soil to provide in his daily needs. These resources must now be managed in a holistic approach to ensure sustainable utilisation. It is simply not possible to manage one resource independent of the others.
Conservation is not only about the protection of wild animals; it is about the conservation of bio-systems to ensure responsible, sustainable utilisation by man of all renewable resources. Hunting has an important role to play in 21st century conservation – as will be explained hereunder.
Today there are only 23 countries in Africa that still offer trophy hunting. Countries such as Ethiopia and Malawi used to be regarded as wildlife paradises with vast game numbers. Today there is hardly any wildlife left; it has all disappeared into the cooking pots of the hungry masses in the absence of effective wildlife management programmes. Do not expect too much, if any, wildlife on a visit to Ethiopia‟s game reserves. In Malawi there is not much outside of the Liwonde and the Nyika, and all large predators are gone. There is not one Nyasa wildebeest (Connochaetes taurinus johnstoni) left in Malawi (formerly known as Nyasaland). Many other African countries are no different.
Kenya has banned all hunting in 1977 as a result of pressure by animal rights groups. The wildlife numbers in Kenya has since been on a steady decline and is currently crashing at an alarming rate. It is estimated that Kenya may have lost as much as 70% of its wildlife since the ban on hunting. The reasons are simple: unprecedented human population growth; people settlement in wildlife areas; overgrazing by domestic
stock; loss of habitat; poaching and poisoning of predators (particularly of lions); and the fact that wildlife is of no value to the local peasant subsistence farmer and is seen as only a nuisance and a threat.
The international animal rights and animal welfare movements, spearheaded by the International Fund for Animal Welfare (“IFAW”), are reacting vociferously against any move to reintroduce hunting in any form back into Kenya. They have embarked on a very efficient publicity campaign in newspapers, radio, and television, and are cleverly playing the race card by arguing that the only beneficiaries of hunting would be rich, white landowners who had anyway stolen their land (and the wildlife on it) from Africans. They are also masters of misleading politicians and government officials up to the highest levels. An unholy alliance developed between local animal welfare and land reform groups and it has been reported that they resolved that were hunting to be reintroduced into Kenya then they would arm bands of local militias to shoot to death the hunters in the field. The IFAW has a very major influence on the country‟s wildlife policies. Consequently, Kenya‟s wildlife populations continue to fade away.
Fact is that Africa cannot continue with the current level of mismanagement of its wildlife resources. Many things will have to change, most notably attitudes, effective law enforcement, and wise land-use policies. Fundamental to the future of Africa‟s wildlife, however, is sustainable tourist or conservation hunting and sustainable village subsistence hunting. Much can be learned from the South African wildlife management model.

The South African wildlife management model

Whereas property rights are either non-existent or very weak in most of Africa, the situation in South Africa is different – at least so far. Not only do we have private property ownership in South Africa, but individual landowners are also the owners of the wildlife on their property. This is the result of a far sighted decision by the government in the 1960‟s to privatise wildlife ownership. Many landowners have refrained from, or turned away from, stock and/or crop farming and are currently operating private game reserves or game ranches on their land. Some of these properties are quite large and run into the tens of thousands of acres. The wildlife have become a very valuable commodity and is expertly managed and protected. Consequently, most of South Africa‟s wildlife is to be found on private land. This is particularly true of some rare species such as sable, roan and tsessebe. It is estimated that there are currently more than 9000 private game ranches in the country and this industry is growing by roughly 300 000 hectares per annum. Privately owned wildlife ranches also by far exceed the extent of public owned parks and reserves. The value of land containing wildlife has also risen markedly. Privately owned game ranches today cover an area of more than 20 million hectares as opposed to national and provincial parks that jointly cover 7,5 million hectares . In addition, the number of game animals on private property is almost double that of the game in the country‟s national parks. Taking into account that there is an estimated 60% more game in South Africa today than in the mid-1900s, the success of private game ranching speaks for itself. South Africa has indeed become a world leader in extensive wildlife ranching on fenced properties.
But these private conservation efforts will not be successful without the income from hunting safaris. Enter the international trophy hunter. He provides the critical funds to keep the conservation efforts going. Without his support the land will simply have to be turned into more profitable crop or stock farming. The international trophy hunter thus has reason to be proud of his contribution towards conservation in Africa. Visiting hunters from overseas are usually referred to as sport hunters, international hunters, or trophy hunters. A more appropriate term might be conservation hunters due to their contribution to private conservation efforts.
Those landowners that have attempted non-consumptive eco-tourism have found that it is extremely difficult to turn this into a profitable operation on privately owned land – especially if the property is not large enough to support viable populations of the „big six‟. Non-consumptive eco-tourism is quite a capital intensive business and an adequate return on investment is seldom realisable. It also leaves a much bigger footprint – in terms of infrastructure, vehicles, roads, waste disposal, etc. - on the environment than is the case with hunting which requires less infrastructure and fewer visitors.
Non-consumptive eco-tourism can however work on public land if the concession costs are not prohibitive. It should be noted that the fees payable by visitors to the game lodges on public land in most African countries is largely a function of the concession fees charged by the government and is invariably on the stiff side.
The South African wildlife management model has been hugely successful and has ensured the survival of game species such as the black wildebeest, bontebok, Cape mountain zebra, etc. It has also ensured that wildlife is still an important feature of the present day South African landscape. Nature and man is clearly benefitting in a material way from this unique management model – the most successful model so far on the African continent. Without private ownership and sustainable offtake in the form of hunting, this model would however not have succeeded.

Why I hunt

Man has been created as an omnivore and has hunted since time immemorial. He hunted in order to defend himself and to feed himself. It is also noteworthy that, like all other predators, the eyes of man are located in the front of the head. That makes him by nature a hunter; it is part of his ancient biological and cultural heritage.
It must be conceded that since those early days when man developed a conscience, and learned to use tools and fire, he has however altered his environment to such an extent that it is no longer necessary to hunt in order to keep body and soul together. Although twenty first century man developed a post-modern set of values and although the practice of hunting is increasingly questioned in the Western civilisation by animal rights activists in particular, hunting is still popular and widely practiced by people from all walks of life. Four types of consumptive utilisation of wildlife are recognised:

(i) Trophy hunting, mainly by international sport hunters
(ii) Hunting for meat by „biltong‟ or meat hunters
(iii) Commercial harvesting of antelopes by game farmers (although this not really hunting)
(iv) Uncontrolled hunting for the bush meat trade, which is usually simply poaching.

Poaching, however, should not be regarded as hunting. Hunting is a legal, controlled and sensible activity, whilst poaching is illegal, uncontrolled, destructive and indefensible.
Whilst primitive man‟s survival depended on his hunting skills, the 21st century hunter is hunting for the pleasure of it, to collect trophies and/or meat (usually to add a healthy variety to the meat he is buying from his butcher), and to enjoy the totality of the hunting experience.
In an article “Hunting for the truth: why rationalizing the ritual must fail”, published in African Indaba, Volume 2, Issue 6, the biologist/hunter/philosopher Shane Mahoney explained hunting as follows:
“Hunting is not simple. It is the generator of our human condition, the crucible of intellect, and the fire of creativity. It is our mirror of the world, the image maker of wild creation; it has defined how we see, literally and figuratively. It is the only absolute rediscovery mechanism available to human beings; the mind-body fusion of all meditative, spiritual experience is derived from its pasturage. Those who return there know full well the sense of universal intimacy it gives over. Explaining this odyssey is our greatest challenge; but succeeding will be our greatest achievement. The world remains perpetually absorbed by this search, yet hunters know the way. Hunting is a deliberate journey to the union of birth and death; it cannot but create a deeper perspective and appreciation for the glorious importance of both.
Like it or not we have to search deep within us, journey to the place where the mind is floating free. We have to voice what is silent; capture what is shadow. The hunt is a universe of emotion that overwhelms, scatters all notions of other preoccupations, and delivers the persona complete. Hunting is a love affair; turbulent, gnawing, and all possessing. It is composed of lives, but it has a life of its own; a life held precious by the participant who, in part, creates it. It is an affair of the heart; and like all such affairs it drags the mind along, a great force subjugated by the senses engaged to their fullest; but alive just the same, and capturing memories and creating fantasies that are nearly one and the same. Hunting is an emersion; a drowning on connectedness that squanders pride and privilege; the true hunter is the humble man, the enthralled child, and the knowing prince. All is ready, nothing is restive; all is rhythm, nothing is friction.
Hunting is knowing why the senses were made! It displaces both the practical and the excess. It represents evenness, oneness and the knowledge of self. Hunting is a cataclysm of inward progress. We hunt for spiritual reasons; we hunt to find inner peace; we hunt to understand the world. Hunting is our first great myth! The true hunter is both the alert and the meditative man. Thought and action combined in purpose; a hymn for the unity of world and self. Hunting is a search for all.”
Peter Shroedter described the rationale for hunting as follows in an article, “Joy of the hunt: Why can’t postmodern society acknowledge its inner wild man?”, African Indaba, Volume 6, Number 2:
“The act of hunting in the pure sense of the word is a communion with nature and an acknowledgement of our species‟ past and its enduring dependency on the environment for survival. The fact human beings are genetically programmed to hunt should be enough reason to acknowledge that hunting is part of being human. It is the act of hunting that connects us to the essence of our existence and our dependency on our environment.”

The real threats to African wildlife

It has been shown over and over again that in the modern day controlled sport hunting (either for trophies or meat) poses no threat to Africa‟s wildlife populations. It is an effective counter to poaching as the outfitters patrol their concessions on a regular basis and poaching subsequently decreases substantially. In Southern Africa, wildlife is flourishing on privately owned „hunting ranches‟ and it is believed that there is now more game on private land than at any time during the last 150 years. So, hunting is having a positive impact on wildlife.
The main threats to Africa‟s wildlife today are habitat loss (mostly as a result of human settlement, over-grazing by domestic livestock, urban development and deforestation); weakened gene pools as a result of animals being confined to relatively small conservation areas; and poaching of which there are three types.
Most of Africa is extremely poor and a single family can include several wives, many children, grandparents, etc. There are very limited job opportunities for these rural people and poaching plays an important role in keeping body and soul together. This subsistence poaching is however not the worst kind.
The second type of poaching is the organized poaching for rhino horn and ivory. This industry is largely controlled by unscrupulous operators from the Far East and corrupt officials in the African governments, especially those in the wildlife departments and the military. But it seems that the CITES convention, and anti-poaching efforts in countries like Botswana, Namibia and Tanzania, is having an effect and poaching of rhino and elephant has been reduced. At the time writing rhino poaching has however escalated dramatically and the Vietnamese seem to have become major players in rhino poaching.
The third type of poaching is the organized commercial poaching for the bush meat trade. This form of poaching is indiscriminate and everything is killed – females, males, young and old. And no species are spared. Poachers kill everything they can find where after they dry or smoke the meat for sale to a huge market all over Africa. The bush meat trade is having such a devastating effect on Africa‟s wildlife that it warrants more in depth discussion hereunder.
Man and wildlife used to co-exist in sub-Sahara Africa for thousands of years and wildlife have always been regarded as a free and readily available source of protein. Hunting has always been for subsistence purposes and African hunters took just enough for their own subsistence. The offtake by subsistence hunters did not have much of an impact on the masses of wildlife which were abundant everywhere. With the colonization of Africa in the 19th century by the European powers, everything started to change. The white man brought with him modern medicine, new technology and new legal and administrative systems. Within a hundred years most of Africa was transformed from rural tribal societies living in a very traditional way to modern countries with cities and towns, roads and railways, airports, hospitals, schools, etc., etc. One of the major consequences of the African transformation was a human population explosion that put the natural environment under severe pressure. People started to leave the traditional villages to settle in towns and cities in an attempt to find a better life. But to this day traditional hunting is regarded as an absolute right throughout East, Central and West Africa.
In the modern Africa man not only hunts for subsistence purposes: hunting has become a full time commercial occupation for many in the absence of other job or career opportunities. In many villages most of the able men hunt regularly – some more than others. Modern Africa is putting immense pressure on humans to earn cash to pay for food, school fees, rent, clothes, medicines, transport, etc. The hunting pressure increased not only as a result of the rapid growth in human populations, but also as a result of access to modern firearms and ammunition, as well as access to areas that have hitherto been difficult to exploit. The development of new roads built by logging and mining companies into once inaccessible forests has contributed in no small way to the decline of wildlife – particularly the forest duikers and primates. Not only are the logging companies overexploiting pristine forest, they provide hunters/poachers easy access to pristine wilderness areas. It is now also easier to transport the meat back to the towns and cities.
Today, uncontrolled commercial hunting is taking place at an unprecedented scale, particularly in West and Central Africa and parts of East Africa. The offtake is not nearly sustainable and it would be very naïve to expect the wildlife populations to withstand this serious onslaught and over utilization. All wild animals are harvested for the bush meat trade: bovines, primates, birds, rodents, reptiles – everything is killed and
consumed. Throughout much of Africa, but particularly West and Central Africa and up into the Horn of Africa, the bush meat trade is having a devastating effect on wildlife. Although many scientific papers have been published over the years, nothing is changing: Africa is devouring its wildlife heritage and in the not too distant future there may be nothing left.
The current uncontrolled over exploitation wildlife in the form of bush meat is in sharp contrast to the South African wildlife management model and cannot continue at the current level. It is only a matter of time before Central and West Africa, at least, will be without any wildlife. To make matters worse, the forests are also disappearing fast as timber is shipped to first world countries. Africa is heading towards a calamity, a disaster of grotesque proportions. Hunting and game ranching, however, could make a substantial difference.
Most countries have the necessary legislation in place to control the bush meat trade. The real problem, however, is law enforcement. Most governments do not have the capability or the will to enforce the legislation. And the hunters, middle men and butchers know that. De facto it is a „free for all‟. It is thus not surprising that many national parks throughout Africa are subjected to ongoing poaching. Huge quantities of meat are flowing out the National Parks and other conservation areas into the urban cooking pots.
Whether Africa will be able to manage the consumption of game meat down to sustainable levels remains to be seen. The challenge for Africa is to transform the current destructive poaching culture into a culture of sustainable utilization. Human populations are still growing and the need for sensible land use practices and rational harvesting of wildlife is critically important for the survival of rural people as well as wildlife. Unfortunately, the sustainable utilization of wildlife and natural resources is not always high enough on the political agendas.

In summary

Africa‟s wildlife is in serious trouble; populations of almost all species are declining across most of the continent. The continent is plagued by poaching, loss of habitat, accelerating human settlement, mismanagement and a lack of resources to implement wise and beneficial wildlife policies.
South Africa, however, has developed an exceptionally successful national wildlife management model that relies on private ownership and the principle of conservation through sustainable utilization by way of hunting. Hunting contributes significantly to the well-being of man and nature and has a vital role to play in the future of man and wildlife in Africa.
The anti-hunting fraternity, on the other hand, is driven by weird and senseless ideologies that pose a major threat to Africa‟s wildlife and the survival of man on planet earth. These organizations are however influential and masters at misleading decision makers and playing the media. They have developed into a serious cancer in an already sick world and it is in man‟s best interests to permanently rid him of these weird ideologies.

References and further reading

1. Therese Race Thompson; “Issues Management Handbook”; International Association of Fish and Wildlife Agencies, Washington, January 1994
2. Donald R Liddick; “Eco-Terrorism: Radical Environmental and Animal Liberation Movements”, Praeger; Westport, Connecticut, London; 2006
3. Christopher Manes; “Green Rage: Radical Environmentalism and the Unmaking of Civilization”; Little, Brown and Company; Boston, Toronto, London
4. Steven Best; “Igniting a Revolution: Voices in Defense of the Earth”; AK Press; Edinburgh; 2006
5. Gerhard R Damm; “Laikipia Wildlife forum shows the way for Kenya”; African Indaba e-Newsletter, Vol 2, No 2
6. Gerhard R Damm; “Hunting behind high fences”; African Indaba e-Newsletter, Vol 2 No 3
7. Ian Parker; “No progress in Kenya”; African Indaba e-Newsletter, Vol 3, No 1
8. Jeff Sayer; “Hunting for conservation in Cameroon”; African indaba e-Newsletter, Vol 3, No 2
9. Simon Milledge; “Tourist hunting: how Tanzania can benefit from SADC best practices”; African Indaba e-Newletter, Vol 3, No 3
10. Gerhard R Damm; “Hunting in South Africa: facts, risks, opportunities”; African Indaba e-Newletter, Vol 3, No 4; Vol 3, No 5
11. Fred Nelson, Mike Jones & Andrew Williams; “Hunting, sustainability, and property rights in East and Southern Africa”; African Indana e-Newsletter, Vol 3, No 4
12. Rael Loon; “Tackling the ethical component in the hunting debate: a „Snapper‟s perspective”; African indaba e-Newsletter, Vol 4, no 2
13. Ian Parker; „Kenya: the example not to follow”; African Indaba e-Newsletter; Vol 4 No 3
14. P. A. Lindsey; „Hunting and conservation: an effective tool or a contradiction in terms?”; African indaba e-Newsletter, Vol 4, No 4
15. Gerhard R Damm; “Hunters and conservationists are natural partners”; African indaba e-Newsletter, Vol 4, No 5
16. Dieter Schramm; “Trophy hunting: how I see it”; African Indaba e-Newsletter, Vol 5, No 3
17. Kyle Green; “Should trophy hunting be allowed in Kenya in order to save the Masai Mara?”; African Indaba e-Newsletter; Vol 7, No ½
18. Barney Dickson, Jonathan Hutton & Bill Adams; “Recreational hunting, conservation and rural livelihoods”; Wiley-Blackwell, United Kingdom, 2009
19. Ron Thomson; “ A game warden‟s report”; Magron Publishers
20. Ron Thomson; “Mahohboh”; Africa Safari Press, South Africa, 1997
21. Vivian J. Wilson; “Duikers of Africa”; Zimbi Books, South Africa, 2005

11 de Dezembro de 2011

O Final de Uma Etapa

Dita o Calendário Venatório para a Ilha de Santa Maria, em vigor na presente época de 2011/2012, que termina hoje, neste segundo domingo de Dezembro, o 2.º período de caça ao coelho, o qual admite a caça a esta espécie em toda a ilha, desde o nascer do sol até às 12h00, com o limite de 5 peças por caçador.
Assim, a partir de amanhã, só será permitida a caça ao coelho na que é denominada de Zona Alta (dividindo a ilha, de norte a sul, em duas metades, a parte alta será a que fica para este), desde as 08h00 até às 12h00, e apenas pelo processo de corricão, do 1.º domingo de Fevereiro até ao 3.º domingo de Junho, no 1.º e 3.º domingo de cada mês. Para além deste horário, ficaremos igualmente sujeitos ao limite máximo de 3 peças por caçador.
Apesar das restrições que se avizinham, é com enorme satisfação que termino mais esta etapa da caça ao coelho, a qual aproveitei o mais que pude, pelo que, hoje, também não foi nenhuma excepção.

Comecei o dia pelas 06h30 e, uma vez que já tinha tudo preparado de véspera, às 06h50 já estava a caminho.
O Gatilho e o Gavião, ao contrário das outras vezes, já aguardaram por mim junto da porta do canil para que os fosse colocar na carrinha e, em vez de se deitarem no fundo da caixa, já foram em pé, de focinho no ar como os grandes.
Cheguei ao destino 10 minutos depois e ainda tive tempo para me preparar calmamente enquanto aguardava o nascer do sol e o começo de mais um belo dia de caça.
Assim que o sol nasceu abri a caixa dos cães e deixei-me levar, tanto por eles, como por mim.
Mesmo no princípio o Galileu levantou um, que abati, e a Galiza surpreendeu outro na cama.
Minutos depois de ter começado já os cães me traziam dois coelhos ao mesmo tempo!

Quando estávamos a seguir pelos juncos, que ladeavam um ribeiro, na esperança que mais algum nos saltasse, fomos surpreendidos por dois aguaceiros (sem chuva não é dia de caça) e mais à frente desviamos para uma parede de pedra seca que prometia. A meio desta a Galiza dá com outro. Estava bem coberto, pelo que o deixei ficar para a próxima época. Já antes tinha falhado um que me saiu aos pés e não atirado a outro que vira bem determinado e fora de tiro. Posteriormente falhei mais um enquanto cobrava os restantes, tendo atingido a conta pelas 09h20. A seguir retirei os cartuchos da espingarda e chamei os cães.
Rumámos de imediato ao ponto de partida e sem sequer olhar para trás, mas fi-lo com uma imensa vontade de ficar e de continuar.


E assim terminou mais esta fase, pelo que é com enorme ansiedade que aguardo a próxima etapa, não só para assistir à evolução dos dois cachorros, que se estão fazendo na arte da caça, mas sobretudo para praticar aquilo que realmente gosto, que é caçar na companhia dos meus cães.

Sobre o blogue

Contacto: ribeira-seca@sapo.pt
número de visitas

1 - Este blogue pertence-me e é pessoal;

1.1 - Assino os textos fazendo uso do meu nome e sobrenome.

1.2 - Não ganho dinheiro com ele.

2 - Transmite a minha opinião, o que eu penso, e dedico-o à Caça e aos Verdadeiros Caçadores;

3 - Os trabalhos publicados são da minha autoria ou então foram-me cedidos para esse fim;

4 - Poderei publicar textos de outros Caçadores, mas se o fizer é porque estarei devidamente autorizado a fazê-lo;

5 - Desde que permaneçam actuais e suscitem o debate também reproduzirei artigos, mas quando isso suceder identificarei o autor e a fonte dos mesmos;

6 - Trata-se de uma cruzada em defesa da Caça e dos Verdadeiros Caçadores - daqueles que têm em si o "Fogo Sagrado";

7 - Sempre que existirem dúvidas ou questões relacionadas com a Caça, poderão contactar-me através do endereço de e-mail indicado acima e tentarei ajudar no que puder;

8 - Detectada alguma imprecisão da minha parte, agradeço o favor de ma assinalarem, a fim de poder emenda-la;

9 - Solicito que me informem sempre que pretenderem fazer uso do conteúdo deste blog e não permito a utilização do mesmo para fins comerciais sem a devida autorização;

9.1 - Os prevaricadores serão caçados!

10 - Este blogue existe desde o dia 21 de Outubro de 2006.

Pedro Miguel Pereira da Silveira

Arquivo