30 de junho de 2009

A Caça à Narceja nos Açores

Divagações e algumas reflexões sobre a sustentabilidade da sua caça no arquipélago.

No início de Junho deste ano, quando regressava aos Açores depois de uma ausência de dois meses, surpreendi-me a pensar que há mais de um mês que não via uma narceja, o que já não me acontecia desde 2004: estar um mês sem observar narcejas…

Nas terras altas da Terceira

Contornando aqui o que esta confissão possa significar no domínio do patológico, depois de uma brevíssima passagem por São Miguel, viajei até à Terceira, em trabalho, e, logo que tive oportunidade procurei as pastagens altas da ilha, para os lados do Pico da Bagacina. Esta é uma zona onde ainda se encontram algumas áreas de pastagens naturais, com interessantes manchas de turfeira e juncos, e solos bastante húmidos, mesmo durante o período estival.

Entrei então numa pastagem que conheço bem, passeando sob o olhar curioso e atento dos touros, um elemento que faz parte da paisagem local. Após prospectar bem o terreno, durante mais de meia-hora, comecei a inquietar-me pela ausência de narcejas e por não lograr um único levante. Mesmo naqueles locais com “bom aspecto”, com juncos e alguma água. Ainda assim continuei. Aproximava-me então dum dos tão característicos – e “amaldiçoados” – muros de pedra solta quando, a cerca de meio-metro dos pés, me salta uma narceja, num “desajeitado voo de ave ferida”, a voar rente ao solo e indo pousar a algumas dezenas de metros de distância. Estaquei de imediato. Um passo a mais poderia significar a morte duma cria ou o esmagamento dum ninho. Com efeito tratava-se dum ninho. Com quatro ovos. E não se tivesse dado o feliz acaso da ave me ter saltado tão próximo, e de ter visto exactamente o local donde havia levantado, nunca teria descoberto este ninho, de tal maneira se encontrava bem escondido e camuflado entre a vegetação. Ali estava, num buraco perfeito entre as ervas, o ninho de narceja mais “invisível” que observei até hoje. Afastei-me do local rapidamente, de modo a não perturbar mais, permitindo que a fêmea regressasse o mais rápido possível à incubação dos ovos. Enquanto me afastava levantei uma segunda narceja, um macho, que ganhando altura se exibiu num ruidoso voo de parada, vocalizando no ar durante alguns minutos. Continuei por mais algum tempo, a procurar na restante área com potencial habitat de reprodução, não voltando a levantar mais nenhuma ave. No entanto, já próximo do carro encontrei os restos duma narceja morta (e predada*). Fiquei então a pairar num misto de exaltação e apreensão pelo que tinha assistido. Saía dali com a certeza de que o local ainda era uma zona de reprodução mas em estado de degradação/decadência. Quando em 2005 ali tinha feito um censo, existiam 2-3 casais de narcejas e agora existia apenas um.

No dia seguinte, uma visita nas pastagens vizinhas mais não fez do que acentuar a minha apreensão. Embora não tendo feito uma busca exaustiva, a observação de apenas mais quatro aves (e ainda os despojos duma segunda ave predada) deixou-me preocupado e a pensar no assunto durante os dias seguintes.

*Um juvenil não-voador e uma fêmea adulta, encontrados numa área relativamente reduzida, fazem adivinhar uma elevada mortalidade durante o período reprodutor, devido à grande vulnerabilidade das fêmeas durante a fase de incubação e às crias/juvenis enquanto estão dependentes dos progenitores.

No Planalto dos Graminhais

Alguns dias depois, já em São Miguel, fui até ao Planalto dos Graminhais, o único sítio nesta ilha onde existe a possibilidade de observar narcejas, durante a época de nidificação. Não visitava o lugar desde o início de Abril e estava com bastante curiosidade, para tentar perceber se eram evidentes os efeitos de uma época de interdição da caça no local. Esta foi a primeira reserva de caça, criada com o propósito de proteger esta espécie, não só nos Açores como a nível nacional. E muito bem, na minha opinião. Com efeito, não fazia sentido continuar a caçar-se a Narceja na única área de reprodução no Grupo Oriental. Menos ainda quando se sabe estarmos na presença duma população reprodutora muito reduzida, de cerca de meia-dúzia de casais (6-7 em 2005; 3-4 em 2008), que tem como zona potencial de nidificação uma área com menos de 100 ha.

Embora durante os meses de Outono e Inverno sejam ali caçadas/observadas, com regularidade, aves oriundas do continente europeu (a Narceja-comum Gallinago gallinago e a Narceja-galega Lymnocryptes minimus) e da América do Norte (a Narceja de Wilson Gallinago delicata), o risco de estarem a caçar- se as aves residentes/potenciais reprodutores era muito elevado e, com a minha experiência pessoal do local e de caça a esta espécie, diria que bastante efectivo. O abate de duas aves ali anilhadas (2007 e 2008), uma a algumas centenas de metros do local onde havia sido anilhada e a outra a poucos quilómetros, na Achada das Furnas, parecem corroborar estes receios.

Mas abandonemos por momentos as reflexões e divaguemos um pouco pelo Planalto dos Graminhais. Que, naquele dia, percorri embevecido e quase em extâse – se a felicidade existe este é o seu estado mais próximo – durante seis horas. Sem parar. Quase sempre envolto por um manto de nevoeiro ou, mais exactamente, pelas nuvens. O lugar é de uma beleza ímpar, coberto por juncos e almofadados montes de musgão, em infinitos tons de verde. E o nevoeiro e tempo chuvoso, que ali encontramos durante grande parte do ano, transmitem ao local uma aura de misticismo únicas. Embora desconhecido é, seguramente, o mais selvagem e belo local de São Miguel e uma das mais originais e antigas paisagens de Portugal. É também uma turfeira e, porventura, a pastagem natural e zona húmida de altitude mais bem conservada do país.

Além do aspecto lúdico e do evidente prazer pessoal que retiro sempre que vou aos Graminhais, esta visita proporcionou-me também, inesperadamente confesso, a confirmação de nidificação de três casais de Narceja: três crias (duas delas já “esvoaçantes”), acompanhadas por adultos, de duas ninhadas diferentes, e um ninho com quatro ovos. Se a descoberta das crias não me surpreendeu muito pela sua localização, pois deu-se na zona onde têm sido localizadas mais aves durante a época de reprodução, a descoberta do ninho deu-se num local “novo” onde, embora habitualmente ali observe uma/duas aves, nunca havia confirmado a sua nidificação. Ainda, o comportamento de algumas das outras aves levantadas/observadas faz-me pensar na forte possibilidade de mais 2-3 casais na zona. Cerca de 14 indivíduos diferentes observados (nunca havia observado tal número durante a época de nidificação) e, embora não tenha feito uma prospecção exaustiva, o que me foi dado observar faz-me pensar na possibilidade, bem real, de 5-6 casais na actualidade, se pensar que podem ter-me passado despercebidas algumas aves (sobretudo alguma fêmea, a incubar ou junto de alguma cria).





No terreno das especulações

Embora avaliando apenas as duas últimas épocas de reprodução, a comparação, talvez prematura, oferece-nos um quadro optimista. Esta avaliação, repito, é no entanto ainda feita “a quente” e, mais do que sustentada por um recenseamento, é resultado da observação directa e do conhecimento empírico que o autor tem da espécie nos Açores e, sobretudo, do estado da sua população no Planalto dos Graminhais.

Assim, este aparente aumento, poderá dever-se à:

- Interdição da caça = estabilidade e incremento da população reprodutora. Com efeito, após uma época sem se caçar na zona, “salvaram-se” não só alguns possíveis reprodutores como – habitat disponível existe –, eventualmente, devido ao sossego agora proporcionado, houve novos indivíduos a estabelecer-se na zona.

Ou, por outro lado a:

- Factores meteorológicos = aumento de habitat disponível e aumento da taxa de sobrevivência das crias. De facto, se chover com maior regularidade as aves poderão sentir-se, por um lado, impelidas a ocupar novos territórios, e por outro, se o clima for mais doce na altura da eclosão dos ovos, a possibilidade de sobrevivência das ninhadas aumenta.

Pessoalmente acredito mais na primeira possibilidade. E se voltar ao início deste texto, à Terceira, os “factos” clarificam-na. Na Terceira, na zona atrás referida (assim como nos restantes territórios de nidificação), está autorizada a caça à narceja. Até ao início da época pré-nupcial. Para se ter uma ideia, no dia 18 de Fevereiro, neste local, ouvi um macho a vocalizar (Chip-call), sendo que a caça a esta espécie havia fechado no fim de semana anterior… Se adicionar-mos o facto de a caça, ao coelho, ter aberto em Agosto, em toda a ilha, e revelarmos que no início de Agosto ainda podem existir crias e juvenis a ensaiar os primeiros voos… Depois, tem havido um aumento do número de caçadores a caçar à narceja e a exercer uma maior pressão sobre a espécie nestas áreas.

Se agora voltarmos ao Planalto dos Graminhais e pegarmos nas primeiras impressões do autor, depois de uma época em que a caça no local esteve interdita, por muito que nos esforcemos, teremos dificuldade em justificar aqui a manutenção da caça a esta espécie.

Poderemos ainda abordar a questão da ilha do Corvo. A única no arquipélago açoriano onde não se caça. A nenhuma espécie. E, embora com habitats de nidificação semelhantes aos que existem em São Jorge, Pico ou Flores, é a ilha com maior densidade de narcejas ou seja, aquela em que proporcionalmente existem mais narcejas. De longe.

Mas não deixemos aqui espaço para mal-entendidos. Não sou contra a caça à narceja. Pelo contrário. A narceja é uma espécie que, embora tendo sofrido um ligeiro declíneo nos últimos anos, a nível europeu, apresenta um estatuto de ameaça pouco preocupante, estando classificada pela BirdLife International como SPEC 3. E no nosso país, no Continente e nos Açores, é um invernante comum e regular. Apenas não concordo – acho mesmo que não faz sentido – que se autorize a sua caça nos seus territórios de reprodução. Sobretudo em locais onde os factores de ameaça são evidentes, como a degradação do habitat e reduzido número de efectivos populacionais. Penso que em alguns locais, como por exemplo aqueles que são referenciados no texto, não se devia autorizar a sua caça e, em relação às outras espécies, apenas se deveria permitir o exercício venatório entre Outubro e o fim de Janeiro.

Por exemplo, acho de uma imoralidade atroz (e inabilidade na gestão dos recursos cinegéticos) que nas Flores a caça ao coelho esteja aberta durante todo o ano, em todo o lado, e todos os dias. Não pelos coelhos, que são de facto imensos, mas pela perturbação que a sua caça pode causar noutras espécies, como as galinholas e as narcejas, que fazem o ninho no solo. E como estamos no campo da cinegética fiquemo-nos apenas por estas duas espécies.
Também aqui se deveriam proteger algumas zonas, pelo menos durante o período de reprodução.

Penso que no Pico e em São Jorge, devido às especificidades dos terrenos frequentados pelas narcejas (“pantanosos”, ventosos e chuvosos), assim como pelos efectivos existentes no Outono e Inverno, o impacto da caça será menor do que noutras ilhas. E, na verdade, o número de caçadores que ali caçam à narceja é pouco significativo. Por outro lado, em Santa Maria e na Graciosa, por serem ilhas onde a espécie não nidifica, pode-se ser menos escrupuloso com os locais e calendários venatórios.

Tal como para todas as espécies cinegéticas dos Açores, o calendário venatório deve ser feito e ajustado tendo em conta o seu estatuto fenológico e particularidades. Para tal é necessário conhecer bem a dinâmica das populações, em todas as ilhas, não só no período de Outono/Inverno como durante a época de reprodução. Como se sabe, em ilhas pequenas os ecossistemas e o equilíbrio das populações de aves é quase sempre muito frágil. Fazer censos regulares, durante todo o ciclo anual, e estudar a ecologia das espécies, é essencial para que se possa estabelecer um calendário criterioso: a bem da caça e da conservação.


Texto e fotos da autoria de Carlos Pereira

23 de junho de 2009

Apuramento Regional de Santo Huberto na Terceira

Os representantes dos Açores na final nacional de Santo Huberto serão apurados numa prova a realizar na ilha Terceira, nos dias 8 e 9 de Agosto próximo.

A final nacional a realizar no Continente Português, irá ocorrer no mês de Setembro e desta Prova sairão os representantes de Portugal no Campeonato do Mundo de Santo Huberto com cães de parar, o qual já contou, por várias vezes, com a presença de caçadores Açorianos.

Pela Primeira vez a Final Nacional será organizada em conjunto pela FENCAÇA e pela Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP), pondo-se fim a um desentendimento entre estas duas organizações que em nada beneficiava o Santo Huberto.

As inscrições para o Apuramento Regional devem ser feitas no Clube Cinegético e Cinófilo da Ilha Terceira, que será a Capital do Santo Huberto nas Festas da Praia da Vitória.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

26 de maio de 2009

A Caça no Uruguai

A República do Uruguai situa-se na América do Sul e tem como fronteira o Brasil e a Argentina. O País possui 3,3 milhões de habitantes sendo que cerca de 60% da sua população reside na capital que é Montevideu. O seu território apresenta uma área de 176 mil km quadrados isto é quase o dobro do território Português. Os terrenos agrícolas e os pastos são a paisagem dominante, sendo a economia Uruguaia profundamente agrária com predominância para as produções do sorgo, girassol, soja, milho, trigo e gado.

A estrutura agrária assenta em grandes propriedades e por enquanto as técnicas e o maneio utilizado nas produções facilitam a forte reprodução das rolas, perdizes e lebres. Os campos também têm muitas pequenas lagoas e lagoeiros que garantem o habitat adequado às narcejas e fixação dos patos embora sem a expressão que estes têm na Argentina e no Brasil, principalmente nos braços do rio da Prata (Paraná).
As espécies cinegéticas pertencem aos proprietários da terra e só se pode caçar nestes terrenos com a autorização dos donos das mesmas. Não existem Associações de Caçadores nem Zonas de Caça tal qual estão organizadas em Portugal (Continental).
Por conseguinte, para se caçar no Uruguai é indispensável a participação de parceiros locais e conhecedores das extremas das propriedades, caso contrário, arrisca-se a ser autuado e passar um mau bocado. Para um caçador estrangeiro caçar no Uruguai também necessita de uma autorização especial e uma guia provisória de utilização de arma de caça válida para as diferentes espécies cinegéticas a caçar, e por um período determinado (atenção a este pormenor). Esta autorização é passada pelo Chefe de Departamento do Registo de Armas da Republica Oriental do Uruguai que é a autoridade competente no Departamento que caçamos, de nome Flores (a capital é Trinidad).

Munidos das respectivas licenças e autorizações, com guias locais e bons companheiros de caça temos os requisitos mínimos para desfrutarmos de uma semana de caça a sério e muito agradável. A espécie cinegética mais abundante é a rola que existe aos milhões nos campos de sorgo e de girassol, bem como nas dormidas, sendo mesmo considerada uma praga. É pois natural que em 8 dias de caça e apenas em algumas horas (2 a 3 horas) um grupo de 7 caçadores tenha dado 17200 tiros e cobrado 12000 rolas! Este número é extraordinário e pode ser mesmo considerado “ um atentado”, mas garanto que não representa nada, mas mesmo nada, na população de rolas que tem o Uruguai.

Eu que sou um caçador que só sabe caçar com um cão ou cães, não resisti nos intervalos das perdizes e lebres em 6 dias de caça também a ter dado 900 tiros às rolas e cobrado aproximadamente 700 rolas, muito longe dos meus companheiros e em especial do amigo Henrique que foi capaz de numa semana dar 8200 tiros numa recente viagem que fez ao Uruguai e com uma eficácia muito próxima dos 90%, nunca vi ninguém atirar tão rápido. Para quem gosta de atirar e caçar às rolas o Uruguai é um paraíso.
O meu grande Objectivo ao concretizar este sonho de caçar no Uruguai eram as perdizes e as grandes lebres e com o meu próprio cão (foi uma decisão difícil a escolha do cão a levar...), e este foi atingido em pleno. A escolha foi a minha jovem cadela E. Bretão de nome Pipoca (embora no registo conste Flores) com quase 2 anos. Fui o único do nosso grupo de caçadores que levou cão.

Era grande a expectativa que tinha quanto ao seu comportamento na presença das perdizes do Uruguai (parecem-se com codornizes grandes) e das lebres que atingem mais de 6 Kgs de peso, sendo algumas delas quase do tamanho da Pipoca. A Pipoca teve de vencer uma dura viagem de avião de 32 horas (ida e volta com inicio em Ponta Delgada), embora tivesse tido um treino especial e natural para debelar este sacrifício. Chegada ao destino não caçou no primeiro dia pois fazia parte do plano um dia de descanso, mas já no segundo dia e a caçar para 7 espingardas deu para perceber a sua qualidade superior, fruto de muito trabalho, carinho e carga genética dos seus antepassados. Foi extraordinário verificar como aquela cadela fora do seu meio ambiente, com cheiros estranhos, terrenos diferentes, espécies cinegéticas desconhecidas com comportamentos novos, e em pouco tempo se apercebeu da forma como as perdizes utilizavam “artimanhas” para se protegerem dos seus predadores, como fugiam a patas, o mesmo se passando em relação às lebres que enlouqueceram por completo a Pipoca.

A caçar comigo ou na companhia dos outros companheiros caçadores a Pipoca portou-se muito bem, de tal forma que chegou ao Uruguai como Estudante e regressou com um Doutoramento com Distinção. Atenção que nem todos os cães que lá vão se portam desta maneira, foram vários os relatos de cães que em outras ocasiões, no Uruguai, vindos de Portugal, do Brasil e da França que ao ouvirem os primeiros tiros nunca mais apareceram.
De referir que em épocas anteriores, a E. Bretão de nome Carpa a caçar com o José Carlos também já tinha tido um excelente comportamento, de tal forma que me perguntavam se a Pipoca era filha da Carpa.
Em síntese, ver trabalhar a Pipoca, os seus cobros em terra e na água foi uma excelente compensação para uma ida às terras do Outro Mundo e que dificilmente se repetirá.

O balanço cinegético foi positivo, a comida com muitos grelhados também, o alojamento muito aceitável, até porque uma Residencial por mais modesta que seja desde que permita que os meus cães durmam no meu quarto passa logo a hotel de 5 estrelas, como foi o caso.
O “Hotel Campo” é uma pequena aldeia turística localizada muito próximo de Trinidad que serve de base aos caçadores, servido por pessoal muito dedicado e com muita higiene. Quem vai à procura de coisas Luxuosas aconselho-o a não fazer o nosso programa, mas se procurar dignidade e a eficiência possível então siga este caminho. Os Companheiros do Grupo garantiram uma forte componente social indispensável na caça, depois rimo-nos muito, o que é excelente para esfrangalhar este stress que vivemos no dia a dia.

Uma palavra de apreço para os representantes Portugueses da organização responsável que nos levou ao Uruguai, os Senhores Ferreira e Celestino, pois esforçaram-se ao máximo para que tivéssemos uma semana com caça e com um bom ambiente.
Quanto aos Guias locais portaram-se muito bem e muito do bom resultado das Caçadas deve-se a eles.
Um outro aspecto foi o que fazer com toda esta caça?
Uma parte importante foi para os nossos Guias, outra era oferecida a pessoas locais que se aproximavam de nós e nos pediam caça, e fizemos também alguns petiscos.
Para as perdizes e lebres tínhamos sempre procura, mas confesso que para as rolas a oferta excedia a procura.

O futuro da caça no Uruguai está muito dependente do que será o futuro da agricultura naquele País e principalmente do comportamento dos proprietários das terras, cuja estrutura tende para uma maior concentração, mais mecanização, utilização de produtos e monda química.
Existe hoje já uma forte presença estrangeira no mundo rural, com uma participação crescente dos Argentinos que vão para o Uruguai ao que me disseram para fugirem da politica fiscal que o governo Argentino está a desenvolver em relação às produções agrícolas e negócio de terras na Argentina, inflacionando o preço da terra no Uruguai o que constitui uma tentação para os locais venderem a estrangeiros este meio de produção, tudo se conjuga pois para uma industrialização da terra com as usuais consequências negativas para as espécies cinegéticas.
Pergunto-me até quando os produtores agrícolas estão dispostos, neste novo cenário, a “ sustentarem “ os milhões de rolas?
É uma interrogação que pode ter várias e antagónicas respostas.
O que eu não tenho dúvida é que a caça tal qual é praticada hoje no Uruguai dificilmente dentro de meia dúzia de anos manterá a mesma quantidade e qualidade que tem hoje.
Ainda que de uma forma informal a caça já representa hoje para o mundo rural e Trinidad em particular uma importância interessante, contribuindo para a criação sazonal de muitos postos de trabalho e receitas para a hotelaria, restauração, aluguer de viaturas, etc.

Finalmente, duas notas que não resisto a relatar.
A primeira diz respeito ao Brasil, e conta-se em poucas palavras: no local onde estávamos a residir tínhamos a companhia de um grupo de caçadores Brasileiros amantes dos cães de parar e que foram ao Uruguai só para caçar perdizes. Perguntei a um deles como é que se encontrava organizada a caça no Brasil, e ele respondeu-me que legalmente não se podia caçar em nenhum Estado do Brasil, já que a caça estava proibida e contou-me que em meados da década de 80 do Século passado o Governo proibiu a caça em todo o Brasil com o argumento que ia proceder a um levantamento exaustivo de todas as espécies cinegéticas e a um Censo que serviria de base a uma nova Lei da Caça no Brasil, resultado foi que o estudo nunca chegou a ser feito (segundo me disse o amigo brasileiro) e que a caça continuava proibida legalmente. E disse-me legalmente, porque todos os anos os caçadores brasileiros continuam religiosamente a fazer as suas aberturas e fecho do período venatório como faziam há 30, 40 ou 50 anos. Mais, fazem todos os anos quase 2000 Kms para irem caçar o Perdigão ao Nordeste brasileiro com os seus pointers e bracos alemães debaixo de uma temperatura de mais de 40 graus centigrados! Aqui fica a minha homenagem aos verdadeiros caçadores Brasileiros que não podem nem devem ser confundidos com outros indivíduos que andam com armas na mão com comportamentos desviantes e que podem ser tudo menos caçadores.

A última nota vai para os estudiosos e amantes das aves. Nunca vi na minha vida tanta variedade de aves e pássaros como no Uruguai!
As suas cores e tamanhos impressionam e mereciam um levantamento e estudo profundo, o que parece não estar concluído. Estas aves mereciam uma atenção e protecção especial pois fazem parte e são Património da Humanidade.

Gualter Furtado, Maio de 2009

14 de maio de 2009

Passo a PassoTiro a Tiro

Recentemente o Dr Ângelo Sequeira editou um Livro sobre a Vida e a Caça com o Titulo “Passo a passo, tiro a tiro".

Trata-se de uma obra de leitura obrigatória pela forma genuína como este Médico e Caçador nascido em Trás-os-Montes descreve a sua paixão.

É importante que relatos como este sejam publicados para que os mais novos e a nossa sociedade compreendam que a caça quando praticada com amizade, amor pelos nossos companheiros cães, respeito pelas espécies cinegéticas e meio ambiente é uma arte nobre que vale a pena viver.

O autor é possuidor de uma das maiores Bibliotecas de Cinegética do País e atrevo-me a dizer do Mundo, demonstrativo da forma como vive a Caça.

Obrigado pois, por mais este contributo para a defesa da Caça.


Texto e fotos enviados por Gualter Furtado

5 de abril de 2009

Santo Huberto em São Miguel

Realizaram-se nos dias 4 e 5 de Abril, na ilha de São Miguel, duas Provas de Santo Huberto com Cão de Parar sobre perdizes vermelhas, julgadas pelo Juíz Paulo Cruz

Decorreram com o tempo magnifico e em terrenos com vistas deslumbrantes!

As Classificações foram as seguintes:

1º lugar - José Moniz - Braco Alemã (F)-Iris
2º lugar - José Teixeira - Epagneul Bretão (M)- Kikas
3º lugar - Gualter Furtado - Epagneul Bretão (M)- Pico

À margem das provas foi discutido com preocupação o facto de terem sido encontrados muitos coelhos bravos mortos na Ilha do Pico, à semelhança do que já aconteceu na costa Norte de São Miguel, desconhecendo-se se se trata de intoxicação alimentar, hemorrágica ou outra origem, aguardando-se pois os resultados e investigação por parte dos Serviços Oficiais.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

31 de março de 2009

FCA - Comunicado

A Federação dos Caçadores dos Açores lamenta profundamente que a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas e em particular a Direcção Regional das Florestas estejam a autorizar “aberturas de caça” em diferentes Ilhas dos Açores ao coelho bravo no período de reprodução da espécie pondo em causa a sua sustentabilidade, quando no período que se deve caçar que é de Outubro a Dezembro foram introduzidas restrições em algumas destas Ilhas como foi o caso de Santa Maria.

A Federação dos Caçadores dos Açores não põe em causa que possam e devam existir correcções do eventual excesso de coelhos neste período, compreende e está solidária com os problemas dos Agricultores, o que não aceita é que estas autorizações estejam a ser dadas sem a explicação fundamentada que se exige e sem ouvir a Federação dos Caçadores dos Açores.
Não contem connosco para avalizar uma politica cinegética feita por tautologia e ao reboque das pressões do momento.

A Federação dos Caçadores dos Açores também lamenta que, excedidos todos os prazos, a SRAF não consiga Regulamentar a nova Lei da Caça, convertendo este instrumento de gestão da caça numa total inutilidade. Nenhuma complexidade jurídica justifica tal demora.

Açores, 31 de Março de 2009

Paulo Cruz - Presidente da Direcção

Gualter Furtado - Presidente da Assembleia Geral

As Palavras Leva-as o Vento

Finalizou no passado dia 29 de Março de 2009, o período de caça ao coelho sem limite em Santa Maria.
Essa medida tinha por base combater a praga que representava o coelho, disso alegava e fazia questão de acusar a associação de agricultores desta ilha.

Apraz-me enaltecer a atitude muito digna da esmagadora maioria dos caçadores marienses que, numa demonstração de elevado sentido de cidadania, de profundo respeito pelas espécies cinegéticas e por esta arte, se abstiveram de cometer tais atrocidades e não caçaram!

De acordo com uma reportagem publicada no muito ilustre e nobre mensário desta terra "O Baluarte", na sua edição de Março, refere que, no dia 26 de Fevereiro do corrente ano, realizou-se uma reunião com o objectivo de "pensar o sector da caça, numa perspectiva de ilha", nas palavras do deputado regional, Duarte Moreira.

Nesta reunião estiveram presentes, além do mencionado, o Director Regional dos Recursos Florestais, José Mendes, elementos das associações de caçadores e de agricultores, bem como das entidades governamentais ligadas aos sectores agrícola, da caça e do turismo, refere o mesmo jornal.

Poderá ler-se igualmente que o Eng.º José Mendes, afirma que a regulamentação da lei caça para os Açores está quase a ser publicada e que a mesma prevê a criação de zonas de caça regionais, associativas e turísticas. Que, para além disso, disponibiliza "todo o apoio técnico e jurídico".
Enalteceu o facto de ser "um projecto com bastante interesse para a ilha e que poderá gerar mais valências económicas a nível turístico".

Em geito de conclusão o Eng.º Duarte Moreira acrescenta que "compete aos interessados directos neste assunto, caçadores e agricultores, discutir o assunto e daqui sair uma zona de caça, que tenha mais valias económicas para a ilha de Santa Maria, sem descurar a protecção ambiental e a preservação dos recursos cinegéticos".

É imperativo e de primordial importância que seja regulamentada a lei da caça, quanto antes.
Não faz qualquer sentido manifestar todas estas boas intenções no dia 26 de Fevereiro de 2009 e publicar no dia 12 Março de 2009 as normas que permitiram dar caça ao coelho sem limite de peças em Santa Maria na segunda quinzena desse mês, acção totalmente contrária ao que foi proclamado inicialmente.
Esta situação é muito preocupante, porque as pessoas mais atentas poderão começar a duvidar da veracidade das afirmações e das verdadeiras intenções por detrás das palavras anunciadas, pois não faz sentido num dia dizer uma coisa e noutro fazer outra.

É de realçar a iniciativa extremamente positiva de juntar as diferentes partes para se encontrar um consenso - é este o caminho -, mas também é necessário dar continuidade a esse importante esforço, para que não se fique apenas pelas palavras e boas intenções.

30 de março de 2009

O Pico da Vara

O Pico da Vara é o ponto mais alto da Ilha de São Miguel com cerca de 1100m de altitude estando localizado no Concelho do Nordeste, embora o concelho da Povoação reevindique também como seu este verdadeiro património natural.
O seu acesso tanto pode ser feito a partir do Nordeste (Achada, Algarvia, Fazenda e Santo António) como a partir da Povoação.

O percurso é difícil e em algumas partes é mesmo perigoso sobretudo no Inverno e quando chove, recomendando-se sempre a presença de um Guia e nunca, mas nunca fazer esta subida sózinho. Por exemplo se escolhermos o percurso a partir da Povoação a sua extensão é de 15,2 Km, e o tempo médio de caminhada é de 05h.
Com partida dos Graminhais ( no cimo da Achada do Nordeste ) caminhando com calma levamos 02h30m até atingir o ponto mais alto, mesmo fazendo muitas paragens a fim de contemplar as maravilhas da Natureza.

Próximo do Pico da Vara localiza-se no Planalto dos Graminhais uma Turfeira magnífica onde vivem e se reproduzem as poucas Narcejas residentes em São Miguel (zona interdita ao exercicio da caça e bem), e do outro lado temos a Tronqueira do Nordeste onde habita o Priolo, ave que só existe na Ilha de São Miguel e nos Concelhos da Povoação e do Nordeste.

Toda a zona do Pico da Vara é palco de vegetação e flora endémica de uma riqueza extraordinária.
Com uma presença importante de Estrelinhas e Tentilhões e alguns Coelhos bravos. Quanto às vistas e quando temos bom tempo são simplesmente espetaculares.

Durante o percurso somos por duas vezes supreendidos por dois marcos a assinalar dois acidentes de aviação ocorridos no Século passado sem sobreviventes, um da Air France e outro da F A P.
São locais de meditação e de profundo respeito por todos aqueles que perderam ali a vida .
Marcel Cerdan o grande boxeur nascido na Argélia, campeão do mundo de pesos médios e que pouco tempo antes de embarcar naquele fatidico vôo da Air France tinha perdido o título mundial para o Jake La Mota, foi um dos que perdeu a vida naquele triste dia de 27 de Outubro de 1949.
Cerdan era um ídolo em França e a sua ligação à grande cantora Edith Piaf inspirou historiadores e escritores (Daniel de Sá escreve um brilhante artigo sobre o Pico da Vara e também sobre este tema), sendo a sua morte chorada em todo o Mundo principalmente em França.
Recorde-se que o objectivo deste avião era fazer escala no Aeroporto de Santa Maria onde nunca aterrou.
Desde criança que ouço esta história e os horrores que se seguiram, que propositadamente omito.
É pois com emoção que nos curvamos junto ao marco que assinala este triste acontecimento.

Passados uns instantes estamos de volta a um meio ambiente deslumbrante, que urge respeitar a todo o custo, e que simboliza o que de melhor existe em São Miguel, nunca sendo de mais lembrar que se trata do único local da ilha em que ainda existe vegetação característica dos primeiros tempos do Povoamento. No minimo exige-se Respeito.

Para a História das nossas vidas fica registado que no Sábado de 28 de Março de 2009 um Grupo de Amigos constituído pelo Octaviano Mota, Gualter Furtado, Joaquim Bensaude, Antonio Serpa, José Raposo, Pedro Fernandes e Carlos Pereira (Guia) subiram o Pico da Vara pelos Graminhais colocando mais um anel na corrente da Defesa da Natureza, o que deve constituir uma prioridade das prioridades nas nossas Ilhas.

Finalmente uma palavra de apreço ao Resturante da Achadinha que mesmo fora do horário normal do almoço nos serviu uns magnificos petiscos e uns torresmos que nos souberam muito bem.
E assim se passou mais um dia nesta época do Defeso da Caça e caçando de uma maneira diferente!


Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

9 de março de 2009

Andaluzia 2009

Decorreu de 11 a 21 de Fevereiro de 2009, a semana Internacional de Andaluzia para todas as raças continentais (ex: Bracos alemães, Drahthaares, Epagneul Bretons, Griffon Korthals, Bracos Italianos).
Nestes dias tiveram lugar o Campeonato da Europa do Epagneul Breton, o Campeonato do Mundo do Braco Alemão e a Copa da Europa de Primavera.
José Matos foi seleccionado para representar Portugal nos 3 Campeonatos.

José Matos, da ilha Terceira, destacou-se naquele que é o troféu mais cobiçado por todos os treinadores a nível mundial:
- A Copa da Europa.
É de salientar que este troféu existe desde o ano de 1985 e é a primeira vez que um português o ganha.
Um feito extraordinário!


A Copa da Europa tem uma particularidade que advém da gravação do nome do cão, do condutor e do país numa taça de prata que no final do ano é entregue no país que organiza a seguinte Copa da Europa, que ocorrerá na Grécia, no ano de 2010.

Critérios de selecção nos dias 11 e 12, bem como nos dias 15 e 16 de Fevereiro, nas provas abertas a todos os concorrentes. Foram seleccionados os melhores cães portugueses ficando assim ordenadas as equipas:
Campeonato da Europa do Epageul Breton: “Ágata dos Malheiros” condutor e treinador José Matos, “Bacardi” condutor João Aguilar treinador José Matos, “Fredi e Cuco” condutor Jorge Piçarra.
Campeonato do Mundo do Braco Alemão: “Íris, Iuri e Vasco” condutor e treinador José Matos.
Copa da Europa para todas as raças continentais “Iuri e Bacardi” condutor e treinador José Matos, “Vénus e Uni” condutor Vítor Silva, reserva “Átomo dos Malheiros” condutor e treinador José Matos.

Os países que já ganharam a Copa da Europa: França 8 vezes, Itália 3 vezes, Bélgica 2 vezes, Dinamarca 1 vez, Espanha 2 vezes, Croácia 1 vez, País basco 3 vezes.
Portugal, apenas 1 vez com o Epagneul Breton, macho, de nome “Bacardi”, com a nota mais alta que um cão pode ter 1º EXCELENTE CACT CACIT.


Texto e fotos enviado por Gualter Furtado

5 de março de 2009

Prova de Santo Huberto

Realizou-se em São Miguel no passado fim-de-semana de 28 de Fevereiro e 1 de Março, a primeira Prova de Santo Huberto com cão de parar sobre perdizes vermelhas tendo como Juíz o Paulo Cruz.

Os primeiros Classificados foram os seguintes :

1º lugar - Paulo Moniz com a Braco Alemã F- Maia

2º lugar - Gualter Furtado com o Epagneul Breton M- Pico

3º lugar – José Teixeira com o Epagneul Breton M –Kikas

De referir e dando cumprimento à nova Lei das Armas os concorrentes foram fiscalizados por uma brigada da PSP que verificou as condições de transporte das armas (caixas e bolsas), o cadeado, toda a documentação(livrete, uso e porte de arma, etc), e o respectivo seguro, enquanto dois guardas florestais no uso das competências respectivas fiscalizaram a carta de caçador, a licença de caça, o chip do cão e licença de caça do mesmo.

Registe-se a boa cooperação entre as duas entidades. Acresce que tudo está encaminhado para que este ano o apuramento da representação dos Açores na final Nacional e à semelhança de todo o País seja realizada a partir de uma prova e organização conjunta da FENCAÇA e da CNCP, que são as duas entidades de cúpula dos Caçadores Portugueses.

*texto e 1ª foto da autoria de Gualter Furtado
2ª foto da autoria de José Carlos

26 de fevereiro de 2009

Uma Caçada Diferente

A Motivação

A caça para mim hoje são os cães de caça, o meio ambiente, as caminhadas, as espécies cinegéticas, as armas, os cartuchos, os amigos, a gastronomia e de preferência a cinegética e a cultura ligada à caça.
Em síntese caçar não é só “puxar o gatilho“, e foi nesta filosofia de vida ligada ao mundo da caça, que numa recente visita a Paris decidi fazer uma caçada diferente, sem arma nem cartuchos, optando por uma visita a um Museu de Caça e da Natureza, um almoço num Restaurante típico de Paris e a conselho do amigo Guy de Brée e uma visita a uma Espingardaria de armas de ocasião (segunda mão).
Antes de entrar propriamente no tema desta crónica não resisto em contar muito resumidamente como conheci o Guy. Um dia desafiei o Manel França para ir caçar comigo aos coelhos na Ilha das Flores e na companhia do Olivio da Terceira e do Cremilde do Pico e com os nossos cães (a Diana, o Leãozinho, o Piloto, o Charuto e o cruzado de Setter Inglês de nome Barbeiro), diga-se de passagem que estes eram apenas uma selecção dos cães que temos, já que transportar cães inter-Ilhas custa uma fortuna, de forma que para obviar este constrangimento escolhemos a máxima eficiência com o menor peso.
O Manel respondeu-me que nos acompanhava com muito gosto nesta caçada nas Flores, mas a arma que ia levar era uma máquina fotográfica, e em contrapartida pediu-me para se fazer acompanhar de um caçador de nome Guy de Brée, a minha resposta e de imediato foi, venha lá este amigo. Entretanto, o Manel alertou-me para planificarmos bem estas datas, já que o Guy fazia questão de ir para e vir das Flores de barco, ao que eu respondi que mesmo em finais de Julho era complicado e barcos com ligação aos Açores com partida do Continente só porta contentores e petroleiros, resposta do Manel, ele desenrasca-se. E assim foi, o Guy lá se fez ao mar em Leixões num navio de transporte de mercadorias. Foram quase 30 dias vinda e volta, já que o barco teve de parar em várias Ilhas para fazer as descargas e as cargas, e não nos esqueçamos que as Flores é a fronteira a Ocidente da Europa.
A tripulação deste navio da Transinsular foi extraordinária com o Guy, com o Imediato e o Comandante a dispensarem-lhe um tratamento excelente e a todos os níveis, mais do que compensando a dureza da viagem. Chegado às Flores o amigo Guy fez questão de cobrar apenas 3 coelhos com a sua calibre 20 e por sinal bem atirados, e depois arrumou a arma e o resto do tempo foi para saborear a gastronomia local e apreciar as paisagens deslumbrantes da Ilha. Que contraste com aqueles matadores que ainda hoje se deslocam às Flores só para fazer números e armazenar carne.
Aqui está a explicação porque decidi seguir os conselhos do Guy na minha “caçada” em Paris, até porque ele fala com um entusiasmo de França e de Paris como eu falo da Ilha do Pico, da Terceira ou de Santa Maria.
Mas voltemos a Paris, Paris é uma cidade grande em tudo, plana, bem desenhada, com as ruas bem assinaladas, e portanto muito fácil para andar a pé (cuidado com os condutores e as passagens nas passadeiras) e localizar objectivos.
Assim, estava facilitada mais uma regra fundamental do tipo de caça que gosto de praticar hoje e que se traduz em “caminhar Kms e correr nem 1 metro”. Não é pois de estranhar que logo no primeiro dia em Paris tenha andado a pé aproximadamente 30 Kms.
Acresce que durante o percurso e em todos os recantos onde existiam árvores, água e relva lá tínhamos uma grande variedade de aves e algumas delas parentes de espécies cinegéticas como era o caso dos pombos torcazes da Bastilha ou dos patos reais junto à Torre Eiffel.

Vamos ao Museu

Museu da Caça e da Natureza
62, Rue des Archives - 75003 Paris
www.chassenature.org
Preço do bilhete: 6 euros
Permitido tirar fotos sem flash
Está aberto de Terça a Domingo

O Museu é constituído por duas Exposições, uma permanente e outra temporária.
A permanente tem 15 salas com temas diferenciados, com destaque para as salas do javali, do veado, do lobo, dos cães, dos cavalos, da falcoaria, das aves, dos troféus, das amostras e chamarizes, das pinturas com motivos de caça, das armas, das louças, dos trajes e dos móveis também com motivos de caça. De referir que na mudança de uma sala para outra somos contemplados com situações extraordinárias como a da raposa a dormir toda enrolada numa cadeira. Quanto à exposição temporária a que tive a oportunidade de visitar era dedicada a duas caçadas ao javali, uma no palanque e a outra de aproximação e no meio de uma tempestade. O realismo era tal que eu tive a sensação de ser o protagonista daquelas caçadas.
Este Museu está intimamente ligado à personalidade de François Sommer e Jaqueline Sommer que foram os fundadores e mecenas deste Museu. São considerados em França como os pioneiros da defesa da fauna e da natureza e da tomada de medidas que regulamentassem o exercício da caça para lhe conferir uma base de sustentabilidade. François Sommer (1904-1973) inspirou o Presidente da Republica Francesa Georges Pompidou na criação do primeiro Ministério do Ambiente em França.
Vale a pena pois visitar este Museu e verificar como é actual e fundamental a sua filosofia de propostas para a defesa da Caça e da Natureza, já que com águas poluídas, matas devastadas, terrenos e pastagens com cargas excessivas de pesticidas e adubos não temos Natureza nem Caça. A este propósito recomendo a compra no museu de uma reprodução do Livro de Caça de Gaston Phébus (apenas 15 euros), escrito à V Séculos, e no qual se pode ler e ver que “a caça é uma actividade tão antiga como a humanidade... e uma fonte de inspiração para as artes e para as letras”.

O Almoço e a Espingardaria

De seguida rumo à Rue de Grenelle (muito próximo dos “Inválidos” onde estão os restos mortais de Napoleão) para almoçar no Restaurante mais antigo de Paris “A La Petite Chaise”, especialmente recomendado pelo Guy e que remonta a 1680.
É um pequeno Restaurante frequentado no passado e no presente por artistas, escritores, caçadores e políticos como François Mitterand que fez deste estabelecimento o seu Quartel General.
Ainda hoje na entrada do Restaurante temos um espelho que ostenta uma pequena cadeira e que é o símbolo e deu o nome ao Restaurante, e que resta da casa original que se estima tenha sido construída em 1610. A comida é de grande qualidade e com destaque para uma fabulosa sopa de cebola com pão e queijo e que é um dos pratos típicos de Paris. O preço não é barato mas também não é exagerado e dias não são dias e depois temos sempre a alternativa de cortar noutras despesas, é tudo uma questão de escolhas e bom senso. Mas valeu a pena.
Terminado o almoço rumo à Espingardaria de armas de ocasião (usadas) do Senhor Gilbert Laurent e que fica na mesma Rue de Grenelle. O Laurent é mesmo um Senhor que sabe receber bem. A Espingardaria não é muito grande mas está recheada de armas de caça com bom aspecto e de boas marcas. Mas o que mais me impressionou foram os preços muito acessíveis. Evidentemente que a minha idade e principalmente a nova Lei das Armas é um travão à aquisição de novas armas de caça, pelo que me fiquei pela agradável conversa com o Sr Laurent e nunca se sabe se algum dia não volte lá, já que aquelas Merkel , Saint Etienne e Darnes são mesmo de encher a vista.

E assim se cumpriu mais uma jornada com "Uma Caçada Diferente!"

Gualter Furtado

Paris, Fevereiro de 2009


texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

10 de fevereiro de 2009

X Montaria ao Javali de Mós do Douro 07FEV09

Organização:
- Associação de Caçadores das Encostas do Douro
Local:
- Zona de Caça Associativa de Mós do Douro
Director da Montaria:
- Gualter Furtado

Nº de Postos: 110
Nº de Matilhas: 15
Nº de Tiros: 100 (valor aproximado )
Nº de Javalis Cobrados: 16 (dezasseis)

Dia magnífico ,mancha localizada junto ao Douro numa paisagem deslumbrante ,com vinhas , oliveiras , amendoeiras em flor ,etc,. Organização bem preparada e sublinhe-se o facto de estarmos em presença de caçadores jovens como os Engenheiros Agrícolas Ricardo Carvalho e o Rui e uma vasta equipe de participantes locais e todos eles "amadores".
Um excelente almoço com uma sopa à lavrador e uns rojões de comer e chorar por mais .
Mós do Douro está de parabéns.

Depois de bem almoçados procedeu-se ao leilão dos javalis com a receita a reverter para a Organização e como contributo para fazer face a parte das despesas. E aqui começou um outro momento alto da montaria com o meu amigo Cremilde Marques , que se deslocou comigo dos Açores de propósito para participarmos nesta montaria e no Domingo encerrarmos a época de caça aos tordos em Trás os Montes na Quinta do Barracão da Vilariça . Quando o Cremilde (o Barbas do Pico) começou o leilão os caçadores e habitantes da terra ficaram impressionados com a sua capacidade de mobilizar os presentes e fazer subir o preço dos porcos de tal forma que já o queriam contratar para ir fazer os leilões em montarias no Minho e no Centro do País.

Ficámos satisfeitos por darmos uma ajuda à Organização que bem merecia , e por outro lado ,cumprímos com um dos Objectivos que prosseguimos quando vamos a estas caçadas que é valorizar a componente social e honrar o nome dos Açores.

Como notas à margem sublinho a presença de Monteiras e de Matilheiras que muito valorizaram a montaria , a forma superior como nos receberam e a prova dos excelentes vinhos do Douro em casa do Senhor Luis Polido .

Finalmente registo a honra com que aceitei o convite do Dr Antonio Graça para ser o Director da Montaria e sublinho que durante a oração recordamos o nosso companheiro recentemente falecido João Brito Fontes (Grande Monteiro).
Aqui fica a minha homenagem às Gentes das encostas do Douro que à custa de muito trabalho transformaram uma encosta bela mas muito dura e difícil de trabalhar num produto sem paralelo que são os vinhos do Douro e do Porto.


No Domingo a história foi outra , com poucos tordos mas muita alegria e um aproveitamento máximo das especiarias da Região ( Alheiras , azeite , pão no forno de lenha , queijos, etc ).




Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

28 de janeiro de 2009

Manutenção da Espingarda de Caça

Após uma jornada de caça, além do resguardo e alimentação dos cães, do amanho das peças abatidas, o caçador deve também preocupar-se em realizar uma cuidada limpeza e manutenção da sua espingarda.

Geralmente, a maior parte de nós, quando chega a casa cansada, sequiosa e com fome, a primeira coisa que faz é colocar os cães no canil, depositar a caça num canto e encostar o "ferro".
As peças ficam assim para serem limpas durante o serão, e, a espingarda à espera da próxima jornada.

Cuidar da limpeza e manutenção da espingarda de caça é uma tarefa de primordial importância, tanto para a segurança do portador, como para o bom funcionamento da mesma. No entanto o tema passa algo desapercebido e muitas das vezes é mesmo descurado.
Não há nada pior do que fazer uso de uma arma que apresenta um comportamento defeituoso e instável em virtude de uma má manutenção.

Uma espingarda de caça, daquelas que usámos na caça menor, é composta essencialmente por dois tipos de material. São eles o aço e a madeira.
A chapa de coice ou calço da coronha, varia entre a madeira, nas mais nobres, no plástico, na borracha e nos seus derivados, na generalidade das restantes.
Há também um conjunto de peças móveis, em aço, quer no interior da báscula, no sistema de gatilho, no fuste e na entrada dos canos.

No final da jornada:

Devem ser realizados todos os procedimentos de segurança para evitar algum disparo acidental; proceder-se à limpeza exterior da arma, através de um pano limpo, a qual visa remover a maior parte da sugidade, nomeadamente os pós, terra, lama, salpicos de sangue, gordura e suor das mãos, bem como a humidade, no caso de ter apanhado uma molha. Em acto seguido: desmontar a arma; bloquear o gatilho e deposita-la no seu estojo.
De referir que uma simples gotícula de sangue é suficiente para danificar a protecção dos metais e criar um ponto de ferrugem.

Em casa, na mesma data:

Canos

- Retirar os canos e fazer várias passagens pelo seu interior (câmara de detonação, almas, "chokes") com um pano ou escova de pêlo para retirar os vestígios de pólvora e chumbo que possam estar soltos e facilmente removíveis;
- De seguida pulveriza-los com WD40 para fazer o mesmo procedimento, mas desta vez já com um escovilhão de aço. Não esquecer que devem insistir na zona da câmara, na boca dos canos ou nas proximidades dos "chokes", se esta tiver choques intermutáveis, que deverão estar montados e devidamente instalados, para não danificar a rosca;
- Feito isto, passar um pano até que saia completamente limpo. Aqui, há quem o faça com água quente e sabão ou com gasóleo;
Colocam água quente com sabão ou apenas gasóleo num contentor e lavam os canos desta maneira. Como a vareta faz um efeito de sucção através do seu movimento, provoca a renovação constante do líquido e uma limpeza bem eficaz;
- Assim que os canos estão limpos e apresentam o aço brilhante, sem qualquer réstia de pólvora e chumbo, pulveriza-los com WD40;
- Limpar e secar muito bem o WD40, tanto o que se encontra no exterior dos canos como no seu interior;
- Deitar umas gotas de óleo fino, daquele que se usa para olear as máquinas de costura, por exemplo "Singer", num pano limpo e deixar um película de pouca espessura no interior e pincelar o exterior com o mesmo óleo.

Quanto aos choques amovíveis, depois de limpos os canos, devem ser removidos e continuada a sua operação de limpeza, sem esquecer a rosca existente nos canos. Finalizada esta acção, deverão os mesmos ser recolocados, depois de lubrificados, no seu local original, mas não totalmente apertados.
A fita, por sua vez, requer uma atenção redobrada e se for "ventilada", mais ainda, porque é um local propício ao alojamento de todo o tipo de detritos. O mesmo cuidado requerem os canos se também forem "ventilados".
Existem óleos próprios para este tipo de operação, vendidos nas espingardarias, mas sempre utilizei o "Singer". Fica ao critério do leitor a escolha, mas não aconselho o uso daqueles que servem exclusivamente para remover mais facilmente as manchas de chumbo, porque são extremamente abrasivos.
Poderão encontrar nos armeiros estojos de limpeza bastante completos e sugiro a adição ao conjunto de um pincél e de uma escova de dentes.
O WD40 não serve para lubrificar, embora seja um excelente auxiliar na limpeza, pelo que nunca deve ser utilizado como lubrificante.

Fuste

- Limpar muito bem o fuste de modo a que todas as suas partes móveis fiquem sem mácula;
- Colocar umas gotas de óleo nas molas e nas partes metálicas articuladas.

Báscula

- Com um pano limpo, esfregar e limpar muito bem toda a superfície da báscula para que fique imaculada;
- Cuidar para que todos os orifícios, nomeadamente dos trincos, percutores, gatilho, alavanca de abrir, patilha de segurança e patilha selectora fiquem livres de quaisquer resíduos;
- pincelar toda a superfície com um óleo fino;
- colocar umas gotas desse óleo em todas as partes móveis, de tempos a tempos, sem exageros.

Não aconselho ninguém, a não ser que tenham recebido formação adequada, a desmontar as platinas.
Esta operação deve ser realizada por um técnico especializado, sempre que disso haja necessidade.

Madeira da Coronha, Fuste e Calço da Coronha

- Devem ser muito bem secas com um pano e o recartilhado muito bem limpo através de uma escova;
- Poderão passar uma película de óleo muito fina, do mesmo que mencionei acima, mas não convém exgerar na quantidade;
- É muito importante que estejam sempre bem secas quando se faz essa operação, ou então não se faz.

Semiautomáticas

Este tipo de mecanismo requer uma manutenção e limpeza mais extensa, nomeadamente em relação à mola recuperadora, à limpeza do pistão e da válvula de escape.
Enquanto não é necessária a sua substituição a mola deve estar bem limpa e encontrar-se devidamente lubrificada, como o pistão. Por sua vez a válvula exige que os seus orifícios se encontrem desimpedidos, pelo que também devem ser alvo de uma limpeza e lubrificação constantes.

Conclusão

Finalizadas todas as operações supramencionadas, a espingarda de caça está pronta para ser novamente montada e aguardar o surgimento de uma nova jornada.
Convém salientar que, no momento em que é guardada, o óleo não deve escorrer em momento algum, pelo que deve haver cuidado na colocação da película final, para que cubra toda a superfície, mas na quantidade suficiente para tal e só.
Aconselho guardarem a espingarda desmontada em caixa própria, mas se o fizerem montada e na vertical, devem cuidar para que o óleo não escorra e que vá introduzir-se, p.e., nos orifícios dos percutores ou ir alojar-se noutro local.
Nas operações de limpeza devem usar-se sempre panos limpos e para a protecção das mãos um par de luvas.
Mesmo limpa e devidamente guardada, devemos manter-nos atentos em relação ao aparecimento de manchas e surgimento de pontos de ferrugem, pelo que convém renovar a película de óleo de tempos a tempos.
Quanto maior for o indíce de humidade relativa do ar, como acontece nesta região insular, mais atento deve estar o responsável pela sua conservação, pelo que é preferível manter este tipo de equipamento numa divisão da casa bem seca e sujeita à presença de um desumificador.

Como caçadores e portadores de armas de fogo, devemos preocupar-nos por manter limpas e funcionais as espingardas, seja por uma questão de desempenho, por segurança e para a longevidade dos materiais, mas sobretudo pelo respeito que tais artigos nos devem merecer.
Cuidar da limpeza de uma arma é uma prática inteligente e de fácil execução que muito nos pode dizer sobre a personalidade e responsabilidade de um caçador.

25 de janeiro de 2009

Observação de Aves

"Os Açores não sendo ricos na diversividade de Aves tem uma densidade muito boa que aliada às aves de arribação e as que procuram refúgio no Arquipélago no seguimento de fenómenos de dispersão em relação às suas rotas de emigração e que ocorrem no período dos temporais ,fazem dos Açores uma Região extraordinária para a observação de Aves .









A SPEA e o Centro de Estudo e Apoio ao Desenvolvimento do Priolo (ave originária e que só existe na Ilha de São Miguel) no dia 24 de Janeiro realizaram um passeio à lagoa das Sete Cidades ( paisagem única no Mundo e que urge perservar a todo o custo)e aos Mosteiros para observarmos aves que nos visitam ou se reproduzem nos Açores .

Tendo por cenário uma paisagem deslumbrante foi possível observar diversas espécies de patos como a Frisada ,Arrábio , Pato-escuro Americano, Colhereiro e outas aves como a Garça-real, Galeirões, Galinhas de àgua e a rola do mar.




Esta actividade é muito procurada e praticada por cidadãos dos Países Desenvolvidos e de pessoas com uma consciência civíca desenvolvida."








Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

22 de janeiro de 2009

Dos Cães e dos donos

Um bidão de 200 litros, deitado, velho, castanho da ferrujem e da terra que o cobria, esburacado, a desfazer-se, ao qual havia sido retirado o tampo, para que, dali, se pudesse fazer alguma coisa parecida com uma porta para o pobre cachorro entrar e sair, também ele castanho, da cor da lama...

Ainda há quem os mantenha assim, sem dignidade, desconhecendo que merecem, pelo menos, uma casota de madeira, impermeável e de tamanho suficiente, onde possam encontrar refugio e fazer o seu ninho;
Ainda há quem os prive de comida, de água fresca e de liberdade;
São grandes, médios, pequenos, de orelhas afitadas, descaídas, de uma só para cima, de várias cores e feitios, de bom sangue, de raça e sem raça nenhuma, e, ainda há quem desconheça tudo isto.

Pobre do cachorro que lhe calhe um dono destes na rifa!

Encontra-mo-nos numa estação de dias frios, ventosos e de chuva.
Não custa nada proporcionar ao nosso cão um abrigo seguro e confortável, bem como a quantidade diária de comida.
Esqueçam os bidões de chapa que são frios e húmidos de Inverno, quentes e sufocantes no Verão e façam por colocar um estrado de madeira no interior da casota para que não entrem em contacto com o chão frio e molhado quando repousam.

A altura da alimentação é uma excelente oportunidade para brincar com eles, passar algum tempo, reafirmar os laços de amizade.
Mantenham um vestuário de parte para esse fim, para que possam toca-los e deixarem-se tocar sem receio de sujar ou de rasgar a roupa, porque os cães gostam de correr, de saltar, de mordiscar, de lamber, mas sobretudo de atenção.
Experimentem falar com os vossos cães, como falam normalmente, e não se surpreendam se ele vos tentar responder.

Um cão não é só para o dia da caça, nem possui um interruptor que o liga e desliga.
Trata-se sim, de uma autêntica e surpreendente força da natureza, tenha o caro leitor pernas para o acompanhar e a sensibilidade para o respeitar.

17 de janeiro de 2009

Qualidade ou Quantidade

É certo que o edital de caça impõe um limite de peças a cobrar, mas infelizmente há sempre algum pateta ignorante que o desrespeita por puro egoísmo ou por outras razões menores e insignificantes.

Fará sentido, nos dias de hoje, julgar o sucesso de uma jornada pela quantidade de peças cobradas?
Há idiotas que acreditam que sim, que a classificação do resultado de uma jornada é achado em função do que mataram e que quanto maior for esse número, melhores caçadores serão!

A realidade cinegética que vivemos em Santa Maria, exige-nos que sejamos comedidos nas capturas e inteligentes para encontrar uma saída do marasmo em que nos encontramos.

O que devemos retirar de uma jornada de caça é óbviamente o produto do nosso esforço, mas também o trabalho dos nossos cães, o lance que vivemos.
Quantas vezes não recordámos só esta parte em detrimento da caça que foi abatida?
Lembrá-mo-nos de um belo tiro, da façanha de um cão, mas e quantas vezes não acabámos por esquecer a quantidade em favorecimento do coelho que nos proporcionou "aquele momento"?

Pergunto-vos se existe necessidade de matar todos os coelhos e mais alguns sempre que existe essa possibilidade, infrigir a lei para ultrapassar a conta, inclusivé?
Ninguém gosta mais de saborear um bom coelho do que eu, mas convenhamos e tenhamos bom senso!

8 de janeiro de 2009

As Galinholas nos Açores

"Resultante da cooperação desde 2000 entre o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade de Porto e a Direcção Regional dos Recursos Florestais dos Açores, têm sido desenvolvidos estudos sobre as várias espécies cinegéticas do arquipélago.

Na sequência da publicação de 2004, em 2008 foram publicados os resultados dos trabalhos desenvolvidos, em particular no Pico e São Miguel em 2007, relativos às galinholas. As outras espécies-alvo são o coelho bravo, a codorniz, a perdiz-cinzenta e a narceja."


Fonte: Calibre 12 ( a revista do caçador português )
Texto: Portal Santo Huberto

7 de janeiro de 2009

Astra 89 de Canos

Ao revolver documentos antigos deparei-me com uma licença para uso e porte de arma de caça, referente à Astra, calibre 12, que possuia a particularidade de apresentar um par de canos com 89 cms de comprimento, à qual fiz menção há alguns dias.

Infelizmente essa indicação não consta das características mencionadas no quadro respectivo.

Por curiosidade, o preço desta licença no ano de 1965, foi de 45$00 (quarenta e cinco escudos) e podia ser emitida tanto pelo Comandante da Polícia de Segurança Pública da localidade, pelo comandante de secção ou pelo vice-presidente da câmara, neste caso foi pelo presidente.

6 de janeiro de 2009

A razão de ser RIBEIRA SECA

Há dois anos que tenho o imenso prazer de gerir e desenvolver este blogue.

Independemente das opiniões diversas que, eventualmente, possa gerar ou suscitar há uma questão comum, frequentemente colocada.

Qual a razão de se chamar "Ribeira Seca"; porque foi que escolhi esse nome para o identificar?

Certo é que corre uma ribeira com esse nome nesta ilha, no lugar de Campo Pequeno, no sentido Norte/Sul, indo desaguar no mar, na costa adjacente ao Ilhéu da Vila. Todos sabemos o quão previligiada é essa zona em densidade de caça, mas a razão de ter escolhido tal designação para o blogue também é mais uma.

Sir Thomas More, um inglês do séc. XVI, escreveu uma obra a que chamou "Utopia".
Num jogo de palavras inteligente, descreve aquela que seria a sociedade ideal, caracterizada pela liberdade, respeito, partilha, bom senso.
De salientar que criou "utopia" a partir de duas palavras gregas que significam lugar inexistente.
A sua história é-nos contada por um português, Rafael Hitlodeu de seu nome, que a conheceu numa das suas muitas viagens. A palavra "hitlodeu" também tem a sua origem no grego que significa palavras ocas ou sem sentido.
Trata-se da história de um lugar que não existe, cujo conteúdo cabe a cada leitor, no seu íntimo, avaliar a importância!

Passados quinhentos anos, na aurora do séc. XXI, continuamos a sonhar com uma sociedade mais livre, fraterna e igual.
Tanta falta que ainda fazem o respeito e o bom senso na actividade venatória!

Acresce dizer que possuia um rio, de nome Anidro que, tal como os nomes anteriores, advém da junção de duas palavras gregas e significa que não contém água.
Um rio sem água tal e qual uma Ribeira Seca que pretende proporcionar um lugar aprazível num deserto de idéias e de acções.

2 de janeiro de 2009

Pombo-Torcaz

Cada vez torna-se mais difícil de avista-lo em Santa Maria, trata-se de uma ave que me maravilha toda a vez que tenho a sorte de a ver voar.

Não é todos os dias que temos a possibilidade de encontrar o Pombo-Torcaz (Columba palumbus), mas esta manhã tive um desses momentos.

Por sorte vi-o planar num vôo majestoso, bem à minha frente, a cerca de 15 metros. Fiquei estupefacto, pois esta ave seduz-me devido ao seu tamanho, bem maior do que o pombo-da-rocha ou doméstico, e às riscas bem delineadas e características que ostenta nas asas.
Foi pousar uns metros mais à frente e aproveitei para ir buscar a máquina e tirar as fotografias que ilustram este texto.

Representa uma ave cada vez mais rara nesta ilha.
Embora não existam quaisquer dados científicos, estimo que a sua densidade não ultrapasse as poucas dezenas.
Pela mesma altura, no ano passado, eram duas destas que sobrevoavam estas bandas.

Espero que não acabem por desaparecer tal como sucedeu a uma ave de rapina, semelhante ao nosso milhafre, mas um pouco maior e de cabeça branca, na primeira desratização com veneno, que se realizou nesta ilha, no início da década de 80 do século XX.

31 de dezembro de 2008

Fecho de 2008

Numa altura em que se reorganiza o espaço, fecham-se e arquivam-se pastas, abrem-se outras, enfim prepara-se caminho para mais 12 meses, que se desejam produtivos, é perfeitamente lógico aplicar um comportamento semelhante à caça, embora nesta o período temporal se distribua por épocas, intercaladas nos anos, como este que agora termina.

A título particular não tive tantas jornadas como aquelas que desejava, situação influenciada por diversos factores.
As que vivi no corrente ano, descrevo-as honestamente como sendo umas do caçador e outras da caça, pois dias tive melhores do que outros, aliás como considero natural.

Recordo-me certa vez de estar num local por mim muito bem trilhado e ver caça rebentar em lugares por desta nunca dantes percorridos e ainda por cima fora de tiro para meu grande desgosto e desalento dos canídeos, já desesperados com a minha azelhice.
Noutro dia, em zona quase desconhecida vi-os passar, por três vezes, a espaços de poucos minutos, um de cada vez. Os sacanas dos coelhos raspavam-se pelo mesmo sítio, lá ao longe e, mais uma vez, fora de alcance dos cartuchos de 30grs que me alimentam os canos e avivam o espírito com tamanha eficácia.
Antes que os muito dignos e nobres cães que me acompanham, me começassem a escarnecer e chamar todo o tipo de nomes, muita razão teriam para fazê-lo, lá me coloquei a modos de surpreender algum no tal espaço por onde se esgueiravam. O ardíl tanto resultou que naquela desalmada correria nem se apercebeu o que lhe acertara entregando sem mais tropelias a alma ao criador e o corpo a um daqueles guisados de comer e chorar por mais, degustado na terra e abençoado nos céus.
A receita ainda é da minha avó, que nas suas 98 primaveras recorda-se perfeitamente do preparo e tempêro dos pobres caçapos que meu avô lhe levava, fazendo uso de uma Astra de 89 cms de canos, mais ou menos justa, devido às cargas personalizadas que tragava.

Uma palavra de reconhecimento bem merecida ao excelente trabalho e companhia que os meus cães, cada um a seu modo é bem verdade e é justo que se diga, me proporcionam, tornando cada jornada, independentemente da sorte que me calha, um enorme prazer e uma renovada vontade de continuar!

Desejo que 2009 seja um ano de Paz e que a nossa caça recolha algum carinho por parte daqueles que assumiram o seu destino, que também lhes ilumine a consciência e mostre o caminho para que os enormes sacrificíos que todos estamos a fazer valham realmente a pena.

29 de dezembro de 2008

Caça - um balanço da época 2008/2009 nos Açores

Convido-vos à leitura deste artigo, da autoria de Gualter Furtado, no qual transmite a sua opinião sobre a presente época venatória no arquipélago ao mesmo tempo que nos coloca, enquanto caçadores marienses, uma importante questão.

"Pode-se dizer que esta época venatória praticamente acabou no dia 28 de Dezembro já que espécies como a Galinhola ( fechou em finais de Novembro), o coelho bravo e a codorniz ( fecharam no último domingo de Dezembro ) já não se podem caçar nos Açores com excepção do coelho para a Ilha do Pico e para a Ilha das Flores e num processo que envolve muitas dúvidas e pode mesmo por em causa a sustentabilidade de outras espécies como seja a Galinhola da Ilha Montanha , já que manter aberta a “ caça “ ao coelho no Pico todo o ano e todos os dias é uma decisão muito pouco acertada.

Nesta época venatória a Ilha Terceira voltou a destacar-se como a Ilha mais equilibrada e diversificada em matéria de disponibilidade de recursos cinegéticos , ao ponto de , caso os furtivos e os “caçadores” que não respeitam os limites fixados nos calendários venatórios fossem convenientemente controlados poder-se-ia considerar esta Ilha como um verdadeiro paraíso para a caça com ética e desportiva.

Em São Miguel e embora longe dos tempos gloriosos da caça assistiu-se a uma ligeira recuperação do coelho bravo e do efectivo de codornizes , embora à custa dos lançamentos de codornizes criadas em cativeiro , e cuja capacidade de reprodução no terreno de caça carece ainda de muito estudo e acompanhamento. Quanto às narcejas e outras aves de arribação como os patos tem sido cobrados praticamente em todas as Ilhas encerrando o período de caça às narcejas este mês de Janeiro e aos patos em Fevereiro como é o caso da Ilha Terceira , como é sabido , a disponibilidade destas espécies depende muito dos temporais e do fenómeno de dispersão.

Finalmente a pomba da rocha e com muitos cruzamentos com aves de pombal foi e é a espécie cinegética mais abundante nas Ilhas proporcionando boas caçadas e excelentes pratos de gastronomia.

Em termos de síntese pode-se dizer que esta época foi muito razoável , proporcionando momentos de convívio muito agradáveis e sempre com a caça como factor aglutinador de amizades que duram uma vida.

Espera-se que este ano de 2009 seja marcado por um continuado combate aos furtivos e que finalmente seja publicada a regulamentação da nova Lei da Caça dos Açores , e sem a qual este diploma não serve de nada .

E em Santa Maria será que o encerramento na presente Época Venatória dos Anjos , Risco , etc teve algum impacto na recuperação do coelho bravo?

Votos de Um Bom Ano Novo Cinegético

Gualter Furtado"

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