2 de dezembro de 2011

Por uma Lei Justa e Adequada

Numa altura em que se discute na Região Autónoma dos Açores a elaboração do decreto legislativo regional que visa determinar o novo regime jurídico da conservação da natureza e da protecção da biodiversidade destas ilhas, somos confrontados, mais uma vez, com o radical extremismo da Associação Ecológica Amigos dos Açores (AEAA)  e com a visão da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) que nos mereceu algumas observações.

Não esquecemos que, no início do corrente ano, foi lançado um “apelo contra a caça da avifauna açoriana”, apresentando como primeiros subscritores, entre outros, o presidente da AEAA, e o coordenador do Clube dos Amigos e Defensores do Património Cultural e Natural (CADEP-CN), que também é membro da AEAA.
Nesse âmbito, o parecer que os ditos amigos dos Açores remeteram à Comissão dos Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho, documento esse também subscrito pelo CADEP-CN, no passado dia 21/08/2011, assenta no mesmo discurso, que nada de novo ou de positivo nos apresenta e que é, como sempre, dirigido contra a caça e contra os legítimos interesses dos caçadores.
Quando o presidente dos tais amigos dos Açores, a entidade que enviou um parecer sobre a legislação em discussão, se me dirigiu, no passado dia 18/10/2010, afirmando que era lamentável que ainda existissem pessoas a pensar como eu, como se fosse preferível o meu desaparecimento a poder pensar de modo diferente dele, e que eu ainda incitava a práticas desrespeitadoras da natureza selvagem e da lei, é com muita apreensão que aguardo, como cidadão de pleno direito e caçador cumpridor dos meus deveres, essa nova legislação que agora se prepara.
Confesso que nutro igualmente uma profunda desconfiança em relação aos verdadeiros motivos e interesses desses alegados ambientalistas, perfeitamente justificada pelas declarações completamente contraditórias do outro subscritor, o tal coordenador do CADEP-CN, que, no dia 13/11/2010, a menos de um mês da apresentação do aludido apelo contra a caça, veio a público, numa estação de rádio, dizer, sobre o turismo na perspectiva ambiental, que a caça poderia ser uma alternativa económica e que era importante que isso fosse para diante!
Não menos impressionado fiquei, quando me deparei com um artigo, datado de 27/10/2011, da autoria do Biólogo Marinho Ricardo Cordeiro - membro da equipa de investigação em paleontologia da Universidade dos Açores, sobre essa mesma pessoa, afirmando que os Açores dispensavam amigos destes, por ter guiado cientistas estrangeiros ao Parque Natural da Ilha de Santa Maria e de lá terem sido furtadas amostras que, agora, se encontram fora do país, desconhecendo-se se alguma vez regressarão ao lugar a que pertencem.

Posição que nos parece mais prudente, é a transmitida pela SPEA, através do seu comunicado de imprensa de 23/11/2011.
Como não podia deixar de ser essa postura é criticada pelos ditos ambientalistas, apesar de ser convergente nalguns pontos com aquilo que defendem, porém, ao contrário da primeira e atendendo ao formato com que nos é apresentada e à pertinência dos temas que aborda e defende, no que à caça diz respeito, é digna de ser registada e analisada.

São então cinco os pontos que a SPEA pretende salvaguardar:
  1. Banir o uso de munições com chumbo em todas as zonas húmidas, para erradicar os problemas do saturnismo;
  2. Suspender a caça aos patos, libertando as zonas húmidas (lagoas e pauis) de uma perturbação e contaminação desnecessárias;
  3. Implementar um sistema de monitorização das populações de codorniz e narceja, semelhantes ao da galinhola, e tornar públicas as estatísticas de abate anual destas espécies cinegéticas;
  4. Banir a introdução na natureza de quaisquer espécies exóticas e a libertação de espécies, ainda que nativas, que provenham de criação em cativeiro com origem fora dos Açores;
  5. Impedir a caça nas imediações dos trilhos pedestres classificados e das Áreas Protegidas e Áreas Importantes para as Aves, permitindo o seu usufruto e utilização por visitantes e turistas em qualquer altura do ano e da semana.

No entendimento da SPEA, se estas acções forem seguidas, os Açores colocar-se-ão na vanguarda da caça sustentável a nível da União Europeia, ao mesmo tempo que tornam os caçadores intervenientes activos na conservação dos valores naturais únicos que temos que continuar a defender.

Estou em crer que os caçadores açorianos desejam contribuir activamente para colocar estas bonitas ilhas na vanguarda da caça sustentável, ao nível dos mais elevados padrões europeus e norte-americanos, e participar energicamente na preservação dos valores naturais únicos que temos que continuar a defender e mais, que o pretendem fazer em parceria com a tutela e com as diversas entidades que a isso também se dedicam, de forma honesta e transparente.
Nesse sentido não se pode compreender a suspensão da caça aos patos e se a mesma é apresentada com base no argumento, sempre discutível, da dificuldade de identificação das espécies a abater, propõe-se então uma formação adequada e uma maior exigência no campo, ao nível da fiscalização e das coimas a aplicar. É assim que se passa, por exemplo, nos Estados Unidos da América, um país que se apresenta na vanguarda da caça sustentável, a mesma que tanto se deseja alcançar e implementar nos Açores.
O quarto ponto nos merece total desaprovação se estiver a referir-se à Perdiz vermelha (Alectoris rufa hispanica), à Perdiz cinzenta (Perdix perdix), à Codorniz (Coturnix coturnix conturbans), ao Pombo-das-rochas (Columba livia atlantis), ao Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica) e ao Pato-real (Anas platyrhynchos).
É completamente desajustado dos interesses dos caçadores e grave, sugerir-se a interdição da caça nas imediações dos trilhos pedestres classificados e das Áreas Protegidas e Áreas Importantes para as Aves, e pode mesmo ser considerado de muito ofensivo alegar-se que é para permitir o seu usufruto e utilização por visitantes e turistas em qualquer altura do ano e da semana, pelo que não nos merece outro comentário que não o da rejeição.
Poder-se-á afirmar que, nestes pontos, pouco difere a posição da SPEA daquela que é defendida pelos ditos amigos dos Açores, mas estou certo que encontraremos uma plataforma de entendimento, no terceiro ponto, até porque se trata de uma medida, há muito, reivindicada pelos caçadores.
Quanto ao ponto primeiro, é minha convicção que os caçadores açorianos, à semelhança do que se passa nos locais que se encontram na vanguarda da caça sustentável e pelos motivos conhecidos, não se oporão à proibição do uso de cartuchos carregados com chumbo, nas zonas húmidas.

Os caçadores são aqueles que mais interesse possuem na elaboração de uma legislação justa e adequada à realidade que se vive nos Açores, porque amam a natureza e trabalham muito para a preservar e desenvolver.
Ao contrário de outros que nada fazem nesse sentido, os caçadores passam inúmeras horas nas suas colectividades e investem uma parte importante dos seus rendimentos na restauração dos habitats, na preservação e no desenvolvimento da fauna e da flora.
Os caçadores afirmam-se como parte integrante da natureza e possuem perfeita consciência do lugar que ocupam e do impacto que provocam no meio ambiente, bem como dos custos que tudo isso comporta.
Por outro lado o caçador nunca deixou de ser um cidadão de pleno direito, que tem vindo a desempenhar inúmeros papéis, alguns de enorme relevo e responsabilidade, numa sociedade cada vez mais exigente, pelo que gostaria de encontrar nessa legislação, que agora se encontra na forja, também o respeito pela sua vontade, que é legítima e muito ajustada.


Artigo publicado no jornal Correio dos Açores, n'O Baluarte e na revista da especialidade Caça & Cães de Caça

24 de novembro de 2011

A Bandoleira

A bandoleira trata-se, essencialmente, de uma correia, fabricada em diversos materiais, que se prende longitudinalmente a uma espingarda e serve para facilitar o seu transporte pelo caçador. 
Apesar da sua importância é também um dos acessórios de que menos se fala.
Para contrariar essa tendência e responder a algumas questões elaborei este pequeno texto.


A bandoleira é montada numa espingarda de caça através de dois zarelhos, peças essas que são colocadas, uma na coronha e outra nos canos, isto nas sobrepostas e nas justapostas, sendo que nas semiautomáticas são visíveis na coronha e na extremidade do fuste. Por sua vez pode ser fixa a esses zarelhos através de um botão em metal, de uma fivela ou de um mosquetão. Depois de engatada a bandoleira é ajustado o seu comprimento de acordo com a vontade do caçador.
Na escolha de uma bandoleira indico o couro e o nylon por serem os materiais mais resistentes e cómodos.
Apesar do botão ser o mais tradicional e o mosquetão o mais prático, aconselho o sistema de fivela, por me parecer o mais seguro.
É igualmente importante considerar a largura da bandoleira, sobretudo na zona que nos irá assentar no ombro, para potenciar o conforto. Nesse sentido devemos também optar por aquelas que nos apresentam um apoio para o polegar.


Se é certo que o uso de uma bandoleira nos exige alguns cuidados, sobretudo em relação ao desgaste e transporte, para que a arma de fogo não nos caia ou se prenda na vegetação, nada existe que nos impeça de usa-la e de usufruir do conforto e do auxílio que nos pode proporcionar, pelo que a utilização deste utensílio deve ser apreciada.

3 de novembro de 2011

Registo e Licenciamento dos Cães de Caça

"Desde o primeiro dia de Junho de 2004 que é obrigatório realizar o registo dos cães utilizados no acto venatório.
O cão deve ser identificado por método electrónico e registado entre os 3 e 6 meses de idade. Para isso deve ser introduzido no animal um micro-chip que contém um código de identificação de leitura óptica, onde consta a identificação do canídeo, do detentor e do médico veterinário e deve ser colocado na parte esquerda do pescoço do cão.

O veterinário que colocar o chip deverá entregar ao caçador o Boletim Sanitário do Cão, onde é aposta uma etiqueta autocolante comprovativa da identificação electrónica e entregar-lhe uma ficha de registo em quadruplicado.
O original e o duplicado ficam com o detentor para colocação no boletim e para entrega na Junta de freguesia no momento em que efectua o registo, enquanto o triplicado é enviado para o SIRA-RAM e o quadruplicado fica com o médico veterinário.

Após identificação por método electrónico, o caçador dispõe de 30 dias para proceder ao registo e licenciamento do cão na Junta de Freguesia da área de residência da área do seu domicílio ou sede. Este procedimento só é efectuado uma só vez na vida do animal.
No acto do registo é obtida a primeira licença do cão.
Anualmente deverá ser então renovada a licença do canídeo na Junta de freguesia onde foi registado.

A omissão dos deveres de registar e licenciar dá lugar à aplicação de coimas aos infractores:
Falta de registo - entre 50,00€ a 3.740,00 (ou 44.890,00, se o detentor for pessoa colectiva);
Falta de licença – entre 25,00 e 3.740,00 (ou 44.890,00, se o detentor for pessoa colectiva).

As licenças e respectivas renovações são emitidas mediante a presentação dos seguintes documentos:
Boletim sanitário do cão;
Prova da identificação electrónica, comprovada pela etiqueta com um número de identificação alfanumérico, no boletim sanitário do cão;
Prova da realização das vacinas declaradas obrigatórias para esse ano, comprovado pelas respectivas vinhetas oficiais;
Exibição da carta de caçador actualizada.

As Juntas de Freguesia devem proceder ao registo do animal na Base de Dados Nacional, designada SICAFE (Sistema de Identificação de Canideos e Felino), cuja gestão está a cargo da Direcção Geral de Veterinária, à qual têm acesso via internet.

Cabe às Juntas de Freguesia realizar o seguinte:
Inserir os dados na base de dados nacional informática;
Fazer transferência de titular de registo, mediante requerimento do novo detentor, procedendo ao seu averbamento no Boletim Sanitário do cão;
Alteração de morada dos detentores;
Dar baixa dos animais declarados como mortos;
Inscrever "ANIMAL PERDIDO – PROCURA-SE" na zona de observação da ficha animal sempre que o detentor declare o desaparecimento do seu cão.

Em Portugal existem duas bases de dados de registo que não estão interligadas:
O SICAFE cuja gestão está a cargo da Direcção Geral de Veterinária sendo a actualização responsabilidade das Juntas de Freguesia, cabendo a estas últimas proceder ao registo do animal nessa base, depois do titular aí ter procedido ao registo do animal;
SIRA (Sistema de Identificação de Registo Animal), a mais antiga, que é administrado pela Ordem dos Médicos Veterinários. Legalmente, depois do cão ser "chipado", o médico veterinário deve proceder ao registo do cão nesta base de dados.

Caso o seu cão se PERCA ou lhe seja FURTADO, para tentar recuperá-lo deverá confirmar se o mesmo se encontra registado nas DUAS bases de dados, mas terá de faze-lo por intermédio da Junta de Freguesia e do seu médico veterinário, pois não tem acesso directo, às bases de dados.

Para mais informações consulte a FENCAÇA"


Texto da autoria de Paula Simões

31 de outubro de 2011

Caçada em Santa Maria

"Recordação de uma caçada ao Coelho Bravo, realizada na Ilha de Santa Maria, no dia 30 de Outubro de 2011, na companhia dos “Irmãos Braga”, nomeadamente dos meus amigos de longa data José Braga, de 76 anos, e de António Braga, com 79 anos, a que se juntou o Pedro Miguel Silveira.

A caçada foi extraordinária com lances muito bonitos, onde não foi falhado um único coelho e com os cães a portarem-se à altura das imensas dificuldades que o terreno nos impunha, tendo começado pouco depois do nascer do sol e terminado às 08H25.
Com três armas, cobramos 15 coelhos, máximo permitido por lei, pois estipula o calendário
venatório o limite de 5 peças por caçador.

No final, juntou-se-nos outro grupo e dessa reunião surgiu a fotografia que acompanha estas linhas.
Seguiu-se então o convívio, que foi extraordinário, acompanhado por pratos típicos da Ilha de Santa Maria e queijos dos Açores, a que não faltaram as cantigas ao desafio com o António Joaquim, figura incomparável pela sua boa disposição, eu próprio e o Senhor José Braga a fazerem umas rimas de improviso que deixaram o pessoal ainda mais bem disposto.

Ponto negativo foi mesmo o martírio que tivemos de passar no aeroporto com algumas funcionárias da SATA a demonstrarem falta de capacidade para lidarem com o transporte dos cães de caça, situação que se traduziu num autêntico inferno, mas, mesmo assim, incapaz de anular esta magnífica caçada ao coelho, cuja raça e bravura representa ainda um verdadeiro expoente máximo da riqueza que caracteriza o património cinegético dos Açores e da Humanidade"

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

30 de outubro de 2011

II Feira da Caça de Mértola

"Decorreu em Mértola, nos dias 21 a 23 de Outubro, a segunda edição da Feira da Caça.
Jorge Rosa, presidente da Câmara de Mértola, realçou o facto do certame promover e divulgar o concelho, enquanto território por excelência para a prática cinegética.
Jacinto Amaro, presidente da FENCAÇA considerou este certame como o maior evento sectorial do Sul de Portugal, quer na qualidade das actividades cinegéticas desenvolvidas, quer pelo número de expositores que rondaram os 70 e pelos 10 000 visitantes recebidos.
Destacamos a inauguração do monumento “Mértola capital da Caça” da autoria dos escultores Francisco e António Charneca, cuja inauguração esteve a cargo do Secretário de Estado das Florestas Eng. Daniel Campelo, que igualmente inaugurou a Feira da Caça.

Tal como no ano anterior, a Feira apresentou um vasto programa de actividades para os visitantes e expositores, onde se destacou o Colóquio sobre Caça, cuja organização esteve a cargo da Câmara Municipal (CM) de Mértola, FENCAÇA e ANPC, onde foram abordados os seguintes temas:  “A perdiz vermelha”, moderado por Eduardo Oliveira e Sousa (presidente da ANPC), que teve como oradores Javier Viñuela (IREC- Instituto de Investigação em recursos Cinegéticos, Espanha) e Jacinto Amaro (presidente da FENCAÇA), e “Panorama da Caça em Portugal”, moderado por Arlindo Cunha (vice-presidente da FENCAÇA), com os oradores Paula Simões (jurista da FENCAÇA) e João Carvalho (Secretário-geral da ANPC).
A 2ª Prova de Santo Huberto - Mértola, organizada pela FENCAÇA e pela CM Mértola, decorreu na ZCT de Dorde, em terrenos com aptidões excelentes para a prática da modalidade, que apurou como vencedor da prova Nuno Godinho, que se fez acompanhar de um braço alemão, de nome Sevilha. De realçar os excelentes resultados alcançados na Montaria, onde se cobraram 11 javalis e 18 veados (cinco dos quais possuíam entre 15 a 17 pontas), realizada na Zona de Caça Turística da Herdade de Pau de Canoa, que contou com a participação de 60 monteiros.

Foi sem dúvida um certame vivo em termos cinegéticos, onde não faltaram as demonstrações de cães de parar, caça ao coelho com cães, falcoaria, entre outras. 
Decerto um evento  que está a consolidar a imagem de “Mértola capital da Caça”.

Texto e foto da autoria de Paula Simões

27 de outubro de 2011

Portugal Campeão do Mundo de Santo Huberto

Decorreu nos dias 13 a 16 de Outubro, em França, Cazalis - Gironde, mais um campeonato do mundo de Cães de Parar e Santo Huberto, onde estivemos representados pela Selecção Nacional de Santo Huberto, composta pelos Srs Vítor Maurício e Mário Brito, que se fizeram representar acompanhados por dois Perdigueiros Portugueses.

As provas decorreram em terrenos de Pinhal com exemplares de diversas idades, e a presença de matos densos e restos de ramadas de pinheiros cortados, o que dificultou o percurso dos cães e dos caçadores.

Os participantes foram distribuídos por 3 séries, duas das quais foram ganhas pelos atletas portugueses, ficando Mário Brito com 97 pontos e Vítor Maurício com 61 pontos. 
A terceira serie foi ganha por um atleta Italiano.
A “Barrage” foi disputada a entre o atleta português Mário Brito e o atleta italiano D´Amrosio Massimo, tendo este ficado em primeiro lugar, e o nosso participante em segundo.
O atleta Vítor Maurício, foi excluído da Barrage, já que na série em que participou não houve abate e cobro de nenhum faisão.
Foi ainda disputado o terceiro lugar (segundo o regulamento) pelos participantes que ficaram em segundo lugar nas séries com abate.

O resultado final do Campeonato, foi o seguinte:

CAMPEÃO DO MUNDO - D´Amrosio Massimo - Italiano
VICE-CAMPEÃO DO MUNDO - Mário Brito - Português
3º CLASSIFICADO Jimmy Johansson - Sueco

Por equipas, a Selecção Portuguesa foi imparável, obtendo a soma final de 2 pontos atribuídos pelos dois primeiros lugares das duas séries. 

Os resultados finais por equipas foram:

1º PORTUGAL - 2 Pontos
2º CROÁCIA - 5 pontos
3ª DINAMARCA - 7 pontos

Os nossos parabéns aos novos Campeões do Mundo de Santo Huberto - por equipas, que durante um ano irão, com todo o mérito, ostentar esse título.

Texto e foto da autoria de FENCAÇA

21 de outubro de 2011

V Aniversário

Faz hoje cinco anos que iniciei este blogue.
Na altura escrevi que a caça era uma manifestação da mais autêntica tradição, um legado dos pais aos filhos, uma herança que nos tinha sido transmitida desde os tempos primórdios, desde a alvorada da própria humanidade e que poderia ser um motor de desenvolvimento económico na actual e frágil economia mariense, se recebesse dos verdadeiros Caçadores e das competentes entidades públicas e privadas a atenção e o investimento de que era justa merecedora.

Disse ainda que este sítio pretendia chamar a atenção e sensibilizar os diversos actores para a nova realidade que enfrentávamos.

Desejava, acima de tudo, defender o património natural e cultural que nos identificava e distinguia como povo, promover a harmonização dos diferentes interesses em jogo, para que fosse possível preservar o que ainda possuíamos, fomentar a actividade cinegética como um recurso valioso e como um factor de desenvolvimento importante, sem que deixasse de ser um blogue de caça de, e, para Caçadores, para aqueles que albergavam em si o "fogo sagrado"!

Passado todo este tempo, mantenho essa vontade e reforço esse compromisso, sendo disso prova a licença de caça que fui pagar e levantar hoje.

Ao longo destes cinco anos contribuímos para alterar comportamentos e vimos textos aqui publicados surgirem em jornais e revistas, como "O Baluarte", "O Templário", a "Calibre 12", a "Caça & Cães de Caça" ou a "Caça Maior & Safaris".
Estivemos na capa da "Calibre 12".
Tivemos a enorme honra de redigir o prefácio do livro "Um Contributo para a Defesa da Caça" e de apresenta-lo publicamente.
Fizemos amigos!

Aproveito para agradecer, penhorado, toda a amizade, apoio e colaboração do Dr. Gualter Furtado, do Carlos Pereira, do Nuno Sebastião, do António Luiz Pacheco, do António Inácio e do Isaías Piçarra, sem os quais este seria, certamente, um lugar bem mais pobre.
A todos os meus amigos e visitantes deste espaço, um abraço rijo e votos de muitas e boas caçadas!

20 de outubro de 2011

A Minha Homenagem ao Rei dos Matilheiros Portugueses

Estava eu no Aeroporto das Lajes, na Ilha Terceira, de regresso à Ilha de São Miguel, depois de ter feito a Abertura às Galinholas na Ilha do Pico, quando recebi um telefonema do Conde de Murça, Jorge Maria de Melo, a comunicar-me a triste notícia do falecimento do nosso amigo Tio Joaquim Casaleiro.
O Tio Joaquim caçou quase até aos 90 anos e foi, de facto, o Rei dos Matilheiros de Portugal.

A sua mestria na condução dos podengos anões e a forma superior como se relacionava com eles era reconhecida por todos os apaixonados e entendidos na caça ao coelho bravo que tiveram a felicidade de ter caçado com o Tio Joaquim.
Caçamos juntos na Ilha das Flores, no Continente Português e em Espanha. 
Estive com ele e outros amigos no dia em que celebrou os seus 70 anos, isto no Arrepiado, em Abrantes.
Tanto na sua vida do dia-a-dia, como na caça este Senhor impressionava qualquer um pela sua energia e elevada ética.

O Jorge perdeu um segundo Pai e os seus amigos um Grande Companheiro.
O mundo da caça ficou bem mais pobre.
A esposa e família perderam um Pai exemplar.
Tio Joaquim, até sempre e vai preparando a matilha aí em cima, porque é certo e sabido que nos havemos de reencontrar.
Gualter Furtado, 17 de Outubro de 2011

19 de outubro de 2011

Abertura às Galinholas na Ilha do Pico

No dia 17 de Outubro abriu a caça às Galinholas na Ilha do Pico. 

A Galinhola é uma ave sedentária nos Açores e um autêntico tesouro da região. 

A abertura a esta espécie cinegética é sempre uma festa e um momento único para saborearmos lances extraordinários na companhia dos nossos companheiros e dos nossos cães de parar. 

Este ano estive a caçar com o Zé Carneiro, um Jovem, Engº Civil de formação, oriundo da Ilha das Flores e que conheço desde os 4 anos de idade. 

Caçamos com a minha Bretã Espanhola, de nome Pipoca, de 4 anos de idade, e com a jovem Smart, uma Setter Inglesa  que ainda não fez 2 anos de idade. 

O Tempo esteve bom e a paisagem, como sempre magnífica, permitiu lances muito bonitos.

Quanto à densidade de galinholas, e apesar de não se ter caçado numa parte da ilha durante a época passada, eu e todos os caçadores com quem falei, achamos que era inferior do que há dois anos atrás.

Certamente que este quadro de menor número de Galinholas se deve, em parte, ao facto dos terrenos onde se caçam Galinholas, embora estivessem interditos à caça da Dama dos Bosques, permitirem a caça ao coelho bravo. É realmente uma situação triste.

Os Serviços Oficiais da Caça e os Caçadores devem unir-se para por fim a esta situação, sob pena de se hipotecar o futuro do maior tesouro cinegético dos Açores.




Texto e fotos de Gualter Furtado

18 de outubro de 2011

José Moniz vence V Troféu Gualter Furtado

No dia 15 de Outubro de 2011,  na Ilha do Pico, realizou-se o V Troféu Gualter Furtado de Santo Huberto com Cão de Parar sobre Perdizes Vermelhas.
Este evento insere-se na homenagem anual que os caçadores fazem a Gualter Furtado, através da atribuição do seu nome a esta prova de caça. 

Os concorrentes foram julgados pelo juiz internacional de provas de cão de parar, José Pedro Leitão e ainda pelo juiz Paulo Filipe. 

O Tempo esteve muito bom e os terrenos adequados à prática desta modalidade de caça. 
As provas decorreram com muito desportivismo e, como sempre, acompanhadas por uma forte componente social, superiormente orientada pelo Cremildo Marques e toda a sua vasta equipa, esforço esse que se traduziu numa organização impecável e na apresentação de diversos pratos típicos de caça maior e menor. 



Concluídas as provas os resultados finais ficaram ordenados pela seguinte forma:

1º lugar - José Moniz (São Miguel ) com a Braco Alemã Iris
2º lugar -Vitor Inácio ( Pico ) com o Bretão Espanhol Maçarico
3º lugar - António Tomás ( Continente ) com a Perdigueira Nacional Tucha
4º lugar - José Carlos Correia
5º lugar - Gualter Furtado
6º lugar - José Teixeira 
7º lugar - Mário Sequeira
8º lugar - Zé Carneiro
9º lugar - Luís Faria
10º lugar - Cremildo Marques
11º lugar - António Leal
12º lugar - José Pedro Pacheco
13º lugar - Valério
14º lugar - Rodrigo Sousa
15º lugar - Rui Costa (desistiu devido a força maior )
16º lugar - Duarte Évora (desistiu devido a força maior )

Como nota muito positiva regista-se o elevado grau de profissionalismo dos Serviços Florestais da ilha do Pico, quer na forma como desempenharam as suas funções, quer no acompanhamento realizado durante o desenrolar das provas e de todo o evento. De sublinhar ainda a presença e participação de um concorrente oriundo da Ilha das Flores, o Zé Carneiro, que, na sua primeira prova de Santo Huberto, teve um excelente desempenho, tanto no aspecto desportivo como ao nível da segurança.

Na cerimónia de entrega dos prémios e de homenagem ao Caçador Gualter Furtado  marcaram presença o Deputado Regional Comandante Lizuarte, o Presidente da Junta de Freguesia da Piedade, a responsável dos Serviços Florestais da Ilha do Pico, Engª Margarida, os concorrentes, os seus familiares e muitos amigos do Gualter Furtado e do Cremildo Marques.

Foi ainda deliberado pela Organização prosseguir com o evento nos próximos anos já que os custos da realização são reduzidos, devido à oferta de produtos, do trabalho desinteressado de muitos amigos comuns e ao  voluntariado  dos Colaboradores do Cremildo Marques, resistindo assim esta prova de caça a todas as dificuldades e às medidas da Troika.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

11 de outubro de 2011

A Caça no Portugal insular do séc. XIX - Ilha do Faial

Podemos encontrar dois importantes testemunhos da caça praticada nos Açores do séc. XIX, mais concretamente na bonita ilha do Faial, nos dois livros que se seguem.

São eles "Os Cantos - A tragédia de uma família açoríana", da autoria de Maria Filomena Mónica, e a "Família Dabney", do escritor João A. Gomes Vieira.




No primeiro, que retrata a história da ilustre família José do Canto, figura de primordial importância nos Açores do séc. XIX, podemos encontrar, na pág. 79ª, uma carta, na qual o próprio José do Canto convida o seu irmão, de nome André, para ir ter com ele à Ilha do Faial, justificando tal apelo com a "quantidade de codornizes, coelhos e galinholas prontas a serem caçadas". 









No seguinte, escrito por volta de 1885, encontramos um quadro de caça, retrato tirado nas paisagens rurais da ilha do Faial, na qual os dois irmãos Dabney, Ralph e Charles, se fazem fotografar no final de uma jornada às galinholas (Scolopax rusticola).




Pretendem estas notas, nada mais do que homenagear as distintas personalidades nela mencionadas e dar a conhecer mais uma das variadas e valiosas facetas da caça que se vêm praticando nestas ilhas atlânticas ao longo dos tempos.

Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

29 de setembro de 2011

A Minha Maneira de Sentir a Caça

"O que é a caça, e porque caçamos, são questões que se põem, e a quem muito boa gente não sabe responder. É importante, que pelo menos os caçadores saibam responder às referidas questões.
Na escola onde eu aprendi, há cada vez menos alunos, há outros locais onde há eventuais e potenciais alunos mas não há escola.
Sou defensor de uma “Escola de caça”.

A caça, é muito mais que um divertimento ou passatempo.
A caça nunca deverá ser para o caçador uma distracção, mas sim o exercício da arte da caça.

Ao caçarmos, devemos de o fazer, com amor, paixão, esforço, respeito e dentro da legalidade, só assim estaremos a defender, preservar, e promover a caça.

Antes de escrever mais qualquer coisinha será bom dizer, que sou sempre caçador e estou sempre a caçar.

Para mim, como para muitos, ser caçador é uma maneira de estar, é um estado de espírito.
Há quem diga que é uma doença e que no meu caso se agrava de dia para dia, mas não me parece, pois sinto-me cada vez melhor, que eu saiba a generalidade dos doentes não se sentem bem.

O verdadeiro caçador, é quem caça de uma forma digna e sustentável, com respeito e admiração pelas espécies, persegue-as para as abater, mas também as protege e cuida, para que se conservem e se reproduzam.
Fazer tudo isto é ser um autêntico “senhor” no campo, e um verdadeiro conservacionista.

Para mim, caçar não é matar.
“Não caço para matar, mato porque caço”. 
Não tenho dúvidas nenhumas, que a caça é cultura e tradição, e que é devido à caça e aos nossos antepassados caçadores, que somos aquilo que somos.
Quando caço procuro a qualidade e não a quantidade;
Cada vez mais, dou mais valor aos lances;
Cada vez mais importo-me menos em não matar nada;
Cada vez mais, retiro mais prazer do acto de caçar;
Cada vez mais, sou mais selectivo;
Cada vez mais, estou mais apaixonado pela caça;
Porque temos a “paixão” pela caça?
Cada vez mais, concordo que caçamos por instinto.
Nós caçadores, temos o instinto caça, como o tem o gato, por exemplo, que mesmo sabendo que tem a ração diária de comida à sua espera, não desdenha a oportunidade para apanhar o rato ou a borboleta, muitos até desistem das mordomias e preferem viver da caça.
Depois do instinto, o que pretendemos?
A carne?
Nos dias de hoje, está mais que visto, que não se caça para comer, mas sabe-me muito melhor a caça que abato, do que a abatida pelos outros.
Entre outras, uma das boas maneiras de demonstrar o nosso respeito para com a peça de caça, será comê-la. Simultaneamente, ao recordarmos o lance, estamos a “admirar a peça”. Talvez seja das melhores justificações para a sua morte.
Pois é, além de gostar de caçar também gosto de degustar a caça.
Será pelo troféu? Não me parece, a paixão existe em muito boa gente, que não tem como objectivo o troféu.
Será pelo lance?
Parece-me que sim, logicamente que o lance será tudo o que se fez anteriormente, para conseguir abater a “peça”. Assim sendo, como outros, eu serei um caçador de lances.

Enquanto caçador, gosto de me sentir como um predador ou super predador.
Não consigo renunciar esse papel. Faz parte de mim.
A natureza sente necessidade do caçador e nós dela. Os caçadores fazem parte da natureza.

As espécies cinegéticas têm que ser caçadas, só abatemos os mais fracos, e ao faze-lo, estamos a contribuir para que se defendam melhor, para que apurem, e desenvolvam o instinto de sobrevivência, e assim continuem a dar luta ao caçador e aos restantes predadores.
As espécies cinegéticas precisam de ser caçadas."

Texto e foto da autoria de António Afonso Inácio

28 de agosto de 2011

Caçadas Portuguezas

As palavras que se seguem escorrem da pena de um dos mais ilustres caçadores portugueses, de cuja companhia tenho a felicidade de usufruir – e de partilhar.
Se dos meus livros sobressai uma valiosa colecção de literatura cinegética, a obra que se segue, é, sem dúvida, uma das suas referências, um acrescento de enorme qualidade que muito estimo.
Dá pelo nome de Caçadas Portuguezas, Paizagens – Figuras do Campo, cujo autor se trata de Zacharias d’ Aça, e foi editado no distante ano de 1898, pela Secção Editorial da Companhia Nacional Editora, com sede no Largo do Conde Barão, n.º 50, em Lisboa.

Deixo-vos, então, Duas Palavras, título do preâmbulo que nos introduz à fabulosa leitura do volume supracitado:

Vai correr mundo este livro. Largando-o das minhas mãos, faço votos para que ele não naufrague no mar – umas vezes encapelado, outras vezes morto – da publicidade. Não arvora bandeira de facção literária, não lhe pus divisa, e, apesar do estrondear da fuzilaria, não vai a conquistar; mas o título diz que o anima o espírito da nossa terra – fala de coisas portuguesas.
De tigres e leões poderia eu contar histórias trágicas e horripilantes, mas nunca me defrontei com eles, e não me seduz o papel de cronista inconsciente de alheias proezas. O que se contém nestas páginas são as minhas impressões dum mundo muito próximo de nós, mas de que, quase todos os que escrevemos, andamos muito alheados – o mundo dos campos.
Os capítulos todos deste livro – afora dois ou três – são capítulos da minha vida, e quando os recordo alegra-se-me ainda o coração. E sinal certo de que foram dias bem passados, é que ainda não se me apagou da memória o sol, que os alumiou. Sol que brilha no passado, sol poente hoje para mim!...
Mas as nuvens, que ele doirava nas suas fantásticas evoluções, eram brancas e transparentes; fugitivas, como os sonhos da mocidade, não faziam manchas no céu, como também não me deixaram sombras na vida.
De quantos dias ela se compõe, estes de que aqui falo, e poucos mais, são os únicos que eu quereria reviver. Porque – não te direi, leitor amigo, se não é caçador, que não me entenderias, e aos que me podem entender não é necessário explicar-lho. Os entusiasmos e os arroubos da paixão só os compreende bem quem já os experimentou.
Do nascer ao pôr-do-sol sentimo-nos outros – estamos em contacto íntimo e constante com a natureza. O corpo e a alma têm a consciência, e estão no pleno exercício de todas as suas faculdades, de todas as suas energias; manifestam-se, desenvolvem-se, sem peias, nem constrangimentos. Alegra-se-nos a alma espraiando a vista pela paisagem, e essa alacridade sente-a também o corpo, recebendo, em cheio, as ondas desse banho enorme de luz; aspirando, a plenos pulmões, as largas correntes do ar puro e oxigenado dos campos e das florestas.
Há em todos nós alguma coisa do selvagem, um resto do homem primitivo, e esse, antes de tudo, foi caçador – preou, como quase todos os animais.
O civilizado, com requintes de trajo, de mesa, e de habitação, invenções de artes e ciências, esse fez-se depois – é obra do tempo. Os historiadores relegaram o primitivo para os primórdios da história, e parece-nos, ao lê-los, que o troglodita lá ficou sepultado nas suas cavernas. Mas não – ele vive, e, dentro de nós, como o escravo dos triunfos romanos, vencido e agrilhoado, veio-nos acompanhando, assistindo e resistindo a todas as civilizações. É ele quem faz os caçadores – e é esta a filosofia da caça.
E basta de prefácio e de filosofias, que me poderiam levar longe, e fariam efeito contrário no leitor, que me deixaria ir – sem me acompanhar.
Individualidade complexa, esta do caçador tem algo do soldado, do viajante, do aventureiro e do artista.
De tudo isto parece-me que o leitor encontrará alguns reflexos e vislumbres nas páginas destas narrativas. Quadros, cenas, paisagens, marinhas, figuras – tudo é desenhado ou esboçado do natural, com excepção da Tragédia da caça, que me foi contada por testemunha presencial, que não figura no lance, e do Final d’uma caçada – uma tradição da minha família.
E agora, para terminar esta apresentação, se tu, leitor benévolo, sentires, ao leres estas histórias, não o que eu senti, quando as vivi, porque seria impossível, mas um pouco do prazer que ainda tive ao escreve-las, dar-me-ei por satisfeito e pago do meu trabalho.
Vale.

4 de Junho de 1898

9 de agosto de 2011

V Troféu de Homenagem a Gualter Furtado

Realiza-se no próximo dia 15 de Outubro, o V Troféu de Santo Huberto Dr. Gualter Furtado, na Ilha do Pico, Açores.
A organização deste tradicional evento e de todo um vasto programa que o envolve está mais uma vez a cargo do grande dinamizador desta prova de Santo Huberto com cão de parar, que é o Cremildo Marques, Presidente do Clube de Tiro e Caça da Piedade do Pico.
Esta homenagem ao caçador e ao homem que é Gualter Furtado, já vai na sua V Edição e é cada vez mais um marco na componente social, na gastronomia cinegética e típica dos Açores e de franca amizade, sendo mesmo já uma marca indelével no sector da caça em Portugal, pois envolve participantes de todo o território nacional.
Neste V encontro de caçadores é sempre referida e defendida a necessidade de se garantir a sustentabilidade das espécies cinegéticas e do meio ambiente, sendo este um cunho característico e muito forte desta Homenagem.
Recorda-se ainda que Gualter Furtado conta hoje com um vasto curriculum na escrita sobre caça, quer em revistas da especialidade, quer mesmo em jornais, tendo, inclusivamente, publicado dois livros sobre esta temática que tanto o apaixona, nomeadamente “Um Caçador Açoriano” e “Um Contributo para a Defesa da Caça”.
Votos de muito sucesso!

30 de julho de 2011

Cremildo Marques é o Campeão Regional

Nos passados dias 22 e 23 de Julho, na formosa Ilha do Pico, realizou-se a final Regional do Campeonato dos Açores da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP) de Santo Huberto com cães de parar.

As provas foram julgadas pelo Juiz Internacional José Pedro Leitão, que se deslocou do continente português ao arquipélago açoriano.

O Campeão Regional dos Açores de 2011 foi o Cremildo Marques (o Barbas), que caçou com a Setter Inglesa Fafá e ficou assim  apurado para a final nacional da CNCP a realizar brevemente no Continente Português.









Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

28 de julho de 2011

O Livro da Caça

Gaston Phoebus foi um grande senhor feudal francês, do séc. XIV, tratado por Gaston II, conde de Foix e visconde de Béarn.
Durante a sua existência terrena viveu intensamente a caça, sendo esta a maior das suas paixões, e nesse âmbito, em 1387, escreveu “O Livro da Caça”.
Dessa obra existem 37 manuscritos, embora a maior parte deles já tenha sido escrita no séc. XV.
O Hermitage Museum, de Leninegrado, a Peck Collection, em Nova York, e a Biblioteca Pública de Genébra possuem alguns dos mais belos exemplares, porém é a Bibliothèque Nationale, em Paris, que possui os dois mais bonitos deles todos e as gravuras que constam do livro que utilizo para escrever este artigo, foram retiradas destes dois últimos manuscritos.
A versão que possuo é inglesa, datada de 1987, proveniente da editora Regente Books Hightext Ltd, traduzida que foi por J. Peter Tallon.
Fala-nos sobre os diversos animais da fauna bravia europeia da altura, como o urso, o veado, o javali, a raposa ou o coelho, entre outros, e das técnicas e procedimentos de cada uma dessas caças, mas não só. Aborda igualmente o amanho dos animais caçados, a formação dos caçadores, a gestão dos canis, o treino do cães e isto só a título de exemplo.
Gaston Phoebus nasceu em 1331 e faleceu em 1391, sendo dele, então, a criação de uma das obras literárias mais importantes da cinegética europeia e mundial.
Sobre os canis, diz-nos que devem ter dimensão suficiente para que sejam capazes de albergar diversos cães e ainda possam apresentar espaço livre e que os mesmos devem possuir duas portas: Uma na frente e outra nas traseiras, devendo esta estar sempre aberta, de modo a dar acesso a uma zona solarenga, delimitada por uma vedação, pois os cães necessitam de exercício, enquanto o interior deve ser mantido limpo e dividido em três áreas: A primeira deve estar provida de palha para que os cães nela se possam deitar e dormir; a segunda para os aprendizes dormirem e a terceira deve possuir um soalho formado por varas cobertas por palha, para que os cães ali possam fazer as suas necessidades. Finalmente diz-nos ainda que o canil deve estar equipado com uma lareira para que possa providenciar aquecimento durante os dias mais frios
Ainda no que aos cães diz respeito, transmite-nos que a estes a água deve ser mudada duas vezes ao dia para que esteja sempre fresca e que, para prevenir uma longa lista de doenças, devem fazer exercício regularmente, quer no tal pátio dos canis, quer ainda no campo e nestas saídas devem os tratadores identificar e recolher ervas com efeitos laxativos para que as possam administrar aos cães de modo a possuírem os organismos bem regulados.
O caçador deve ainda, entre outros deveres, conhecer a habilidade e a capacidade de cada cão e trata-lo pelo seu nome. Deve cuidar do canil e tudo fazer para que o soalho se mantenha afastado do solo. Todas as manhãs deve limpar as instalações dos cães e a cada três dias substituir a palha do canil e escovar os animais.
Aquando dos treinos, que devem começar de manhã cedo, o caçador deve servir-lhes uma sopa composta por pão e leite para que os estômagos dos cães não fiquem demasiado pesados e trata-se isto apenas de um pequeno excerto da informação que sobre este assunto contém o livro.
Quanto ao uso da corneta diz-nos que se a matilha seguir um trilho errado, esta deve ser imediatamente reconduzida com o soar de duas notas longas e se o trilho for o correcto devem os caçadores ser informados através de três notas longas. Duas notas curtas significam que os cães perderam a peugada do animal que perseguiam e uma nota longa, seguida por diversas curtas manifesta o sucesso de uma captura. No final do dia, assim que a caçada termina, esta é anunciada por três notas longas.
São 105 páginas ricamente ilustradas e repletas de informação variada e preciosa, muita dela ainda actual e bastante útil que vale a pena aceder.

25 de maio de 2011

A minha homenagem ao Grande Tito

O Tito é um cão, da raça Setter Inglês, de 4 anos de idade, que pertence a um experiente organizador de caçadas no Uruguai. É igualmente um excelente cão de parar às perdizes Uruguaias e um trabalhador incansável que já parou e cobrou milhares de perdizes.


Infelizmente também é um exemplo do mau trabalho realizado pelo homem para contrariar a sua genética, isto é, querer que ele cace curto e faça lances curtos para que se tenha a possibilidade de dar muitos tiros "e se aproveite bem a caça".
Uma coisa é um cão não ter ligação ao caçador e caçar para si (está mal) e outra coisa é um cão fazer lances enquadrados no estalão da raça, mas sempre ligado ao caçador e quando parar, esperar pelo caçador (está bem)!
O Tito, naturalmente, deve ter sido sujeito a choques intensos e sem critério, de tal forma que quando passava nas proximidades de uma vedação eléctrica começava logo a ganir. Pobre bicho!


Acresce que as exigências do seu trabalho de operário não lhe dão possibilidades para ter grandes ligações a alguém. Considerando todos estes constrangimentos o Tito é um Grande cão e com um temperamento formidável. Numas das tardes que dei folga à minha Setter Inglesa, de nome Smart, fui dar uma volta acompanhado por outro caçador e pelo Tito. Deu para constatar tudo o que anteriormente referi.


No Uruguai a caça é dos donos e de quem explora a terra, pelo que, para se caçar num determinado terreno tem de se pagar “uma propina”. Ora, naquela tarde, o Tito parou uma lebre a 5 metros de distância da extrema do terreno, à qual atirei e que foi morrer já na propriedade vizinha, onde não estávamos autorizados a caçar.
O Tito depois de atravessar a extrema alcançou a lebre e quando já estava preparado para a trazer, como se tivesse sofrido um rasgo de inteligência, colocou a lebre no terreno e comeu-a toda. Confesso que fiquei muito contente e disse para comigo …Grande Tito! Acrescentei aos guias, … ninguém bate no cão.


Depois deste lance parou mais umas quantas perdizes impecavelmente!
Estou certo que o amigo organizador de caçadas, que não é o responsável directo pelos referidos choques, melhores dias dará ao Tito, pois ele bem que os merece.


Embora saiba que, na sua maioria, os “Clientes Caçadores” querem é dar tiros e pouco se importam com o estalão e genética da raça do cão, aqui fica então, a minha homenagem a um Grande cão!

Texto e fotografia da autoria de Gualter Furtado

26 de abril de 2011

Comemoração do Dia da Terra

No passado dia 20 de Abril, o Centro de Educação Ambiental da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande e o Consulado dos Estados Unidos da América nos Açores, promoveram uma sessão de comemoração do Dia da Terra, onde participaram dezenas de jovens dos ATL's da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande (SCMRG), instituição que apoia cerca de 600 crianças.
Para esse evento foram igualmente convidados alguns Amigos do Ambiente, entre os quais se contou Gualter Furtado, Presidente da Comissão Executiva do BES dos Açores.

Cabral de Melo, Provedor da SCMRG, deu as boas vindas aos participantes e Gavin Sundwall, Cônsul dos E.U.A., numa intervenção muito pedagógica e partilhada com os jovens presentes, abordou a importância do combate às alterações climatéricas e o contributo positivo da floresta, das energias renováveis e da reciclagem. Por sua vez Renato Calado, Director do Centro de Educação Ambiental, apresentou um trabalho alusivo a algumas acções perpetradas pelo homem que são inimigas do ambiente.

Concluídas as intervenções, seguiu-se a assinatura de um compromisso formal para a defesa da Terra por parte de todos os presentes, com direito a Diploma no final.
A efeméride foi assim celebrada com a plantação de diversas árvores junto às quais foi escrita uma frase alusiva ao Dia da Terra.

O Dia da Terra foi criado no dia 22 de Abril de 1970, por Gaylord Nelson, Senador dos Estados Unidos da América, com o propósito de se defender a biodiversidade, o meio ambiente e combater a poluição e a contaminação dos solos e do ar. Ainda a título de curiosidade, o Consulado dos E.U.A. em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, é o mais antigo que este país da América do norte possui em todo o Mundo.

Texto e fotografia da autoria de Gualter Furtado

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