7 de maio de 2008

Para Onde Vai a Caça nos Açores?

É uma questão que nos apresenta Gualter Furtado e cujo texto publico abaixo e convido à leitura.

Para onde vai a caça nos Açores?


Em jeito de antecipação de conclusões diria o seguinte : Assim, Assim, já que estamos em presença de uma política cinegética oficial que é um misto de avanços e recuos e de esperança e desilusão .



Pontos positivos :

-A aprovação do decreto Legislativo Regional nº 17/ 2007 /A de 9 de Julho que aprova o novo regime jurídico da caça nos Açores pode-se considerar um avanço já que pela primeira vez se abre a possibilidade de introdução do ordenamento cinegético ainda que numa parte limitada do território da Região Autónoma dos Açores ( até 25 %) . Evidentemente , que neste diploma muitos dos contributos da Federação dos Caçadores dos Açores e precisamente na área do Ordenamento Cinegético foram pura e simplesmente ignorados pelo Departamento Governamental que tutela a Caça nos Açores que é a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas. Não obstante , este reparo , considera-se esta iniciativa positiva já que o estado em que se encontra actualmente a gestão do território cinegético só pode conduzir ao desaparecimento de algumas espécies cinegéticas na nossa Região.
- Um outro ponto positivo foi a realização de um protocolo entre a Direcção Regional e o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Cinegéticos da Universidade do Porto que tem como objectivo o estudo das espécies cinegéticas indígenas e migradoras . É um ponto muito positivo já que a Caça hoje mais do que nunca sem ter aliada uma forte componente científica e ambiental está condenada ao fracasso . Embora também aqui esteja ainda por esclarecer a forma e as razões que levaram ao afastamento do projecto do investigador Carlos Pereira , e cuja capacidade e mais valia para o estudo das aves nos Açores é inquestionável .
-A reprodução em cativeiro de codornizes no posto cinegético das Furnas e a partir de ovos de codornizes selvagens poderia representar um grande contributo para a perenidade desta espécie nobre e rainha dos Açores.
- A participação da Dra Lurdes Lindo e Engª Flor de Lima numa Conferência na Ilha de Santa Maria sobre a nova Lei da Caça é um exemplo positivo do que também pode ser uma função pedagógica e positiva dos Serviços Florestais no diálogo com os Caçadores e sociedade civil.
- A apresentação dos Resultados do estudo da Gestão de espécies cinegéticas no Arquipélago dos Açores também é positiva, embora devesse ser feita com mais frequência e em diferentes Ilhas. A sessão realizada para este efeito em Ponta Delgada no passado dia 7 de Março e com a participação de investigadores do CIBIO da Universidade do Porto e da Direcção Regional dos Recursos Florestais produziu uma informação muito primária e a maioria das questões colocadas pelos representantes dos caçadores ficaram sem resposta ( a galinhola em São Jorge, a perdiz cinzenta, etc) . Sinceramente espera-se que esta situação venha a ser corrigida .

Pontos Fracos :

-O primeiro à cabeça é a desunião existente entre os caçadores , dando razão ao ditado muito antigo “ que em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”, é certo e sabido que os primeiros prejudicados deste triste quadro são os próprios Caçadores, situação bem aproveitada pelo poder e por todos os que são contra a caça .
- Uns Serviços Oficiais responsáveis pelo Sector que dialogam e trabalham pouco com os Representantes dos Caçadores , e em nada contribuindo para ultrapassar o que descrevi no ponto anterior .
-Uma política de combate aos furtivos desactualizada , levando mesmo muitos Caçadores dos Açores a advogarem a adopção do modelo que presentemente existe no Continente Português de uma maior intervenção da GNR na prevenção e
combate aos Clandestinos .
-Uma Gestão da caça que é incompleta e ineficiente. Tomemos o exemplo positivo de criação das codornizes no posto cinegético das Furnas , na fase da criação tudo bem , mas depois fazem-se os lançamentos no terreno , e a partir daí as aves ficam por sua conta e risco, não existindo acompanhamento ao nível da alimentação e muito menos o controlo de predadores . Resultado as que escapam às espingardas , às máquinas agrícolas e aos adubos , não tem hipótese de sobrevivência nem contribuem para a sustentabilidade desta espécie rainha e que no passado existia aos milhares nos campos de trigo e nas terras de produtos agrícolas ( tremoço , etc).
- A proposta de Regulamentação da nova Lei da Caça que o Departamento do Governo que tutela o Sector apresentou à Federação dos Caçadores dos Açores e às Associações de Caçadores não agoira nada de bom ao introduzir o Direito à não caça ( que respeitamos) , já que a forma como é apresentado e proposta a sua regulamentação arreda totalmente os Caçadores deste processo e no limite pode conduzir a que todo o território da Região possa ser afecto a este Regime , isto é ,não se possa caçar, evidentemente que tanto quanto sabemos os Representantes dos Caçadores vão dar nesta matéria o seu parecer, resta saber se serão tidos em conta .
- Como se não bastasse o anteriormente descrito , estão a preparar-se Parques Naturais em muitas zonas do Arquipélago , e designadamente na Ilha do Pico , e nas quais é interdita o direito à caça , como se fossem os Caçadores os responsáveis pela degradação do meio ambiente , esta é de bradar aos Céus .
-Total desprezo pelo Santo Huberto com cão de parar , quando poderia ser aproveitado como escola de caçadores , e aqui refiro explicitamente o excelente trabalho desenvolvido na Ilha Terceira, com diversos campeões Nacionais e com títulos Mundiais , e apesar de não terem nenhum poio oficial continuam a trabalhar como é o caso do Ricardo Rodrigues. É pena…e é ver muito curto , já que não colhe o argumento de que são muito poucos e quase uma elite a praticar esta modalidade, quantas coisas no Mundo não começaram por ser uma iniciativa de poucos…?, e se não fosse o contributo destes muito poucos ainda hoje estávamos na idade da pedra.
- Finalmente , também aqui nos Açores a introdução da nova Lei das Armas começa a afastar muitos caçadores e principalmente os mais jovens e os com mais idade, minando assim uma possibilidade de sustentabilidade do exercício Venatório.

Termino como comecei : Para onde vai a caça nos Açores ? respondo : “Assim , Assim”, embora e em coerência me apetecesse dizer : “ Não Sei”.

Gualter Furtado, Março 2008

29 de março de 2008

Narcejas dos Açores

"A narceja, à semelhança do que acontece no continente, é uma espécie cinegética no arquipélago dos Açores. E, sendo os adeptos de Santo Huberto açorianos sobretudo caçadores de coelhos e pombos, é certamente a espécie menos caçada na região. Porém, um número crescente de caçadores tem-se dedicado com maior regularidade à caça da narceja. As razões devem-se sobretudo ao facto de se assistir desde há algum tempo a uma diminuição das populações de Coelho-bravo dos Açores e consequentemente a um período mais curto de caça a esta espécie."

É assim que Carlos Pereira nos introduz na leitura do seu artigo (que poderão aceder clicando nas imagens abaixo), intitulado "As Narcejas Atlânticas", publicado na edição de Abril de 2008, da Calibre 12.
De salientar que o autor esteve nesta ilha de Santa Maria, aquando da comemoração do Dia Mundial das Zonas Húmidas, promovido pela Ecoteca de Santa Maria, com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o estudo das Aves, que também referi neste blogue.





5 de março de 2008

Observação de Avifauna

Decorreram no dia 29 de Fevereiro e 1 de Março de 2008, nesta ilha, um briefing e uma saída de campo para observação de aves, no âmbito da comemoração do Dia Mundial das Zonas Húmidas, promovido pela Ecoteca de Santa Maria, com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o estudo das Aves.
Aqui ficam algumas das aves avistadas:






7 de fevereiro de 2008

Mais Fotos

No topo está o pardal, uma ave introduzida em meados dos anos 80, do século vinte. Seguramente por mãos irresponsáveis e ignorantes, desconhecedoras dos estragos e dos prezuízos que viriam a produzir na frágil economia mariense e na fauna avícola local.
Posteriormente coloquei fotos de um bando, com cerca de 40 indivíduos, que avistei ontem, pelas 18H00, nesta ilha, na freguesia de São Pedro e do qual desconheço a origem e o destino, uma vez que não é aqui residente.








4 de fevereiro de 2008

Fotos dos Patos

Tiradas em finais de 2007.
Retratam os patos mostrados abaixo.
Foi o melhor que consegui, por não me deixarem aproximar mais...
Espero que permitam uma melhor identificação.




24 de janeiro de 2008

A Caça ao Coelho

Foi recentemente publicado o livro "A Caça ao Coelho", de autoria de Eduardo Pombal, um caçador das regiões do Minho e Trás-os-Montes e Beiras.

A obra que tem prefácio do Dr. Vítor Veiga, presidente do Clube do Podengo Português, inclui sete capítulos que percorrem todos os aspectos ligados a esta popular modalidade de caça - o coelho-bravo, os cães que devem ser usados, o ensino e treino dos cachorros, a composição e treino das matilhas, as armas e munições mais apropriadas, os vários aspectos das caçadas, os aspectos ambientais e as questões de segurança.

Segundo o autor, esta obra pretende preencher uma falha que se nota bastante na literatura de caça, pois o coelho é a mais praticada de todas as modalidades de caça, seja pelo número de caçadores, seja pelo número de peças abatidas.

21 de janeiro de 2008

Ricardo Rodrigues Campeão

"Realizou-se nos dias 19 e 20 de Janeiro a final do Campeonato Regional de Santo Huberto tendo-se sagrado Campeão Regional de Santo Huberto com cão de parar Ricardo Rodrigues da Ilha Terceira a caçar com o seu braco alemão GUGU, em segundo lugar ficou José Nascimento da Ilha Graciosa acompanhado de outro braco alemão de nome Colin e no terceiro lugar classificou-se Olivio Ourique da Terceira a caçar com o pointer BUDA."

Fotografia e excerto da autoria de Gualter Furtado, retirado do Portal Santo Huberto, cujo artigo poderá ser lido na integra AQUI

14 de novembro de 2007

Licença Para Caçar do Ano de 1964

Trata-se da licença para caçar, que a Câmara Municipal de Vila do Porto cedeu a meu pai em 1964.

Hoje, é concedida pelos serviços florestais deste concelho e note-se que era válida em todo o país, sendo actualmente organizada em "Ilha","Regional" e "Nacional", não podendo a de "Ilha" caçar noutra ilha do arquipélago, que não a de emissão, e à "Regional" caçar no continente ou na madeira, sendo apenas válida para os Açores.

12 de novembro de 2007

Dois Cães

Relembro dois cães que, nas décadas de 50 e 60, do século XX, palmilharam os terrenos de caça de Santa Maria, dando a tiro muitas perdizes, codornizes e coelhos que o meu avô e o meu pai umas vezes faziam o favor de acertar e outras falhar...

Da perdigueira, acima, adquirida a um oficial da força aérea dos Estados Unidos, em serviço na base, aqui existente à data dos factos, recordo uma multa, de 480$00, que meu pai teve que pagar na Esquadra da PSP do Aeroporto - isto em 1962 -, por ter parado algumas perdizes destinadas ao director do aeroporto.

Sobre esta "aventura", há cerca de 10 anos, tive a oportunidade de ler o auto de transgressão, manuscrito ainda, e com muita pena minha não me lembrei de solicitar uma cópia, afinal também faz parte destas recordações.

11 de novembro de 2007

Álbum de Fotografias

O meio de transporte tem sofrido enormes alterações desde a invenção da roda, mas nenhuma foi tão significativa como a que ocorreu no séc. XX e o mesmo aconteceu com as idas e vindas das jornadas de caça ao longo da história.

As fotografias retratam o MG TC Midget, de 1947, e o motociclo do fabricante BSA, de 500cc, que conduziram o meu pai nas suas expedições venatórias por esta ilha de Gonçalo Velho, até aos inícios da década de 70, da última centúria.



Ao lado, e abaixo, está retratado o meu avô com o Morris e o Ford, respectivamente.











Actualmente estão em voga os veículos todo-terreno, de vários modelos e feitios, mas certamente, e concordará o leitor comigo, sem a classe e o estilo doutros tempos.

5 de novembro de 2007

Abertura Novembro de 2007

Ontem, finalmente, celebrou-se a abertura geral da caça que nos permite exercer o acto venatório em toda a ilha. Assim ditou o calendário para o dia de ontem.

Escusado será dizer que a noite de véspera foi muito mal dormida e que, apesar de saber de antemão com que condições climatéricas nos iamos deparar, a chuva que caia pelas 22H00, não me deixava sossegar e apesar de ter colocado o despertador para as 05H15, muito antes já me encontrava a pé e reforçado o quebra jejum.
Quando saí, o céu encontrava-se escuro, coberto e carregado, quase a sufocar não fosse o vento moderado, de leste, que se fazia sentir, por vezes com rajadas. O panorama não era animador, pois havia chovido durante a noite e o vento era novo.

No dia anterior estacionei o atrelado em frente ao canil, pelo que os cães, adivinhando uma data especial, também me esperavam com ansiedade. Não levei a Giesta nem a filhota, que fará no dia 7 três meses, porque esta última desenvolveu uma técnica que lhe permite transpor a rede do canil sem muita dificuldade, bastando-lhe meter a cabeça e rodar as patas traseiras. Pensei que se levasse a mãe, teria vontade de nos perseguir, o que não seria do meu agrado, nem tão pouco prende-la. A minha mulher, no regresso, disse-me que a Giesta havia uivado o que lhe tinha parecido estranho, pois nunca o tinha feito...

Chegados ao local pré-estabelecido, ainda escuro e frio, ameaçando chuva, procurámos por coelhos e acabámos por confirmar os nossos receios, que já eram certos, mas, mesmo assim, esperamos convictos e esperançosos, pelas 08H00.
Ouvimos um tiro 5 min antes e o primeiro cerca de 10 minutos depois.
A estouraria que caracteriza o dia não se realizou e os disparos eram poucos, dispersos e espaçados. Em duas horas não ouvimos nenhum e dois caçadores de espreita passaram por nós, de regresso, a zero!
Quem diz que há coelhos é tolo ou mentiroso, apesar de sabermos que naquelas condições vêem-se poucos, mas nunca tão poucos!

Apesar de termos atingido o limite -10/2-, sabemos de grupos que não conseguiram e dos que se dedicam á espreita foram menos ainda.

Fomos devidamente fiscalizados a meio da manhã e com agrado verificamos o detector de chips em funcionamento. Uma mais valia!

Satisfeitos, arrumámos as escopetas por volta das 12H00, com a conta feita e muito cansaço, mas não se iluda o leitor, porque nem por isso deixamos de sentir preocupação e apreensão com a falta de coelhos, que já é muito grave e com o pouco, ou mesmo nenhum esforço realizado para evitar ou minorar esta situação degradante. É revoltante!

Á Polícia Florestal desejamos um bom trabalho e a todos os caçadores responsáveis e cumpridores votos de uma excelente abertura!

21 de outubro de 2007

I Aniversário

E já se passaram doze meses desde o primeiro artigo...
Obrigado a todos os que nos visitaram!

9 de setembro de 2007

Ave Migratória

Esta ave, forasteira, na companhia de mais duas da mesma espécie, foi avistada hoje, no lugar de Acácias. Muito provavelmente foram desviadas da sua rota de migração por ventos fortes.

30 de agosto de 2007

Óculos de Protecção

Todos os anos tomamos conhecimento de acidentes com armas de caça, seja através de contactos inter-pessoais, quando nos relatam situações na primeira pessoa ou através dos meios de comunicação.

Não menos grave, nem de menor importância são as consequências que poderão advir para a integridade física da vítima. Sabemos, dadas as características das armas de caça, daquelas vulgarmente denominadas "caçadeiras", desde que nenhum órgão vital seja danificado, haverão sempre probabilidades de sobrevivência. Porém, mesmo a distâncias muito largas, quando os olhos são atingidos pelos pequenos bagos de chumbo, a cegueira será tão certa como a deterioração posterior da qualidade de vida do acidentado, pelo que a adopção de comportamentos de segurança deverá ser uma realidade em cada caçador, que deve incorporar, a par de vestuário e calçado adequados, óculos fabricados propositadamente para utilização na caça, com capacidade para proteger a vista de projectéis directos ou de ricochetes tão comuns nos terrenos rochosos.

São vários os modelos colocados à venda, sobretudo nas espingardarias e também diversas as soluções, mesmo para lentes graduadas.
A armação é usualmente de plástico e as lentes são fabricadas numa resina extremamente durável e resistente, denominada EPOXY, proveniente da tecnologia espacial, como testemunha a imagem do lado, resultado de um teste que efectuei numas lentes com as características mencionadas, disparando uma carga de 32grs, de chumbo n.º5, a dez passos de distância.
Dada a violência do impacto só consegui recuperar as peças que constam, por ter perdido rasto das restantes, porém permanece bem visível a capacidade do material.

Precavendo-nos e diminuindo o risco de acidentes evitaremos acusações e críticas negativas que, nos tempos actuais, nos são bastante prejudiciais e pugnamos pelo desenvolvimento desta actividade que acarinhamos.
Não esqueçam os óculos de protecção!

24 de agosto de 2007

Gestão da Codorniz em São Miguel

Em 2006, na Ilha de São Miguel, efectuou-se um repovoamento de 2738 codornizes, produzidas no Posto Cinegético das Furnas, e que 10% das aves caçadas naquela ilha foram provenientes do projecto de reprodução de codornizes em cativeiro, que os Serviços Florestais dos Açores têm vindo a desenvolver neste arquipélago.

Informação retirada do portal Santo Huberto

18 de junho de 2007

II Prova de Santo Huberto

Nos dias 6, 7 e 8 de Julho terá lugar a segunda edição da prova de Santo Huberto, nesta ilha, levada a cabo pela associação de caçadores local, com o apoio de diversas entidades públicas e privadas.

PROGRAMA

6 de Julho

21H00, Hotel Santa Maria
- Sorteio das Séries
- Jantar* de recepção aos concorrentes

7 de Julho

07H30, Caminho Velho de Santana/Risco
- Concentração dos concorrentes no local da prova
08H00
- Início
13H30
- Almoço*, Copeira de São Pedro
18H30, Hotel Santa Maria (Entrada Livre)
- Conferência sobre a nova lei da caça nos Açores, pelas oradoras Dr.ª Lurdes Lindo, Adj.ª do Gabinete do Secretário Regional da Agricultura e Florestas e Eng.ª Helena Lima, Chf. Divisão Caça, Pesca e Parques da Direcção Regional dos Recursos Florestais
- Conferência sobre o novo regime de uso e porte de arma de caça, pelo orador Dr. Carlos Ferreira, Comissário da PSP

8 de Julho

07H30
- Concentração dos concorrentes no local da prova
08H00
- Início da prova
14H00, Hotel Santa Maria
- Almoço*
- Entrega dos troféus

*O valor da inscrição, que inclui o jantar de recepção aos concorrentes, a participação na prova, o almoço e a cerimónia de entrega de troféus, é de €80, acrescidos de €30 se houver acompanhante.

Quem desejar apresentar-se somente nas refeições, paga o mesmo e dá-se como desistente da prova, o que não possui qualquer nexo, afastando deste modo o caçador mariense do convívio, que o vê cada vez mais como uma actividade elitista e desinteressante, contrária á mensagem que deveria transmitir, que seria de sensibilização para a perdiz vermelha, aprendizagem, convívio e sã camaradagem.

Se no ano passado falhou gravemente a divulgação e este apresenta-se assim é porque deve ser mesmo só para alguns,... Será?

25 de maio de 2007

Aprovado Regime Jurídico

O Parlamento açoriano aprovou hoje, na especialidade, o diploma que estabelece nos Açores o regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos.

Proposto pelo Governo Regional, este novo regime jurídico, que vem substituir legislação de 1994, dispõe, igualmente, sobre a conservação e fomento dos recursos cinegéticos e os princípios reguladores da actividade e da administração da caça nos Açores.

Com esta iniciativa, o executivo pretende, antes de mais, adequar a legislação às “necessidades emergentes da realidade cinegética da Região, potenciando uma actuação mais eficaz por parte de todos os agentes intervenientes no mundo cinegético”.

Segundo o diploma, os terrenos de caça no arquipélago podem ser sujeitos quer ao regime ordenado quer ao regime não ordenado, sendo também reconhecido nas ilhas o “direito à não caça” nos termos a definir em regulamentação posterior.

O texto determina, também, que no ordenamento dos recursos cinegéticos deverá observar-se os “princípios da sustentabilidade e da conservação da diversidade biológica e genética”, sendo certo que a sua exploração ordenada, por constituir um factor de riqueza regional e de valorização do mundo rural, “deve ser estimulada em toda a Região”.

Este Decreto Legislativo Regional consagra, igualmente, o princípio de que os recursos cinegéticos, enquanto património natural renovável, “estão sujeitos a uma gestão optimizada e ao uso racional com vista a assegurar uma produção sustentada”, no respeito pela conservação da natureza e do equilíbrio biológico.

Notícia retirada do Portal Santo Huberto

18 de maio de 2007

Cães Selvagens

*

É assim que a população mariense denomina os vários cães, não menos de sete, que habitam, vivem e reproduzem na orla costeira ocidental da ilha, desde os Cabrestantes, a Norte, até ao Campo Pequeno, a Sul, passando pelo Campo Grande, a Oeste.

São rafeiros, traçados, cruzados provenientes de várias raças, pintados de várias cores e feitios diferentes, que deambulam numa área geográfica perfeitamente definida, que engloba igualmente a pista e a placa do aeroporto da ilha, alimentando-se de restos de comida, ouriços cacheiros e doutros animais de pequeno porte, como o Coelho Bravo - peça cinegética base da caça em Santa Maria, e, importante recurso económico - que caçam em matilha e com elevada habilidade, sem desprezarem os ovos do Cagarro e os juvenis desta espécie, quando não assaltam ovinos e bovinos, originando graves prejuízos, ou mesmo pessoas, como já aconteceu por diversas vezes.

A existência destes canídeos, há mais de duas décadas, advém daqueles que Gualter Furtado refere no seu livro "Um Caçador Açoriano" e apelida de "vadios", desresponsabilizando os cães do seu destino e culpabilizando os "donos" e alguns ditos "caçadores", sobretudo de fora, que os trazem com 4 a 6 meses e aqui ficam "esquecidos" por falta de aproveitamento.

Embora de raça indefenida, apuraram um conjunto de características que os tornaram predadores invulgares e temidos, tomando um território e tudo o que nele se encontra como seu.
A capacidade de adaptação que demonstram não me deixam indiferente.

Ainda está bem viva na memória a contestação que sofreu a medida da A.N.A. em promover uma sessão de tiro ao Milhafre(Buteo buteo) na área do Aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, apesar de ser uma espécie protegida, como medida preventiva de acidentes aéreos, pelo que urge encontrar um consenso com todas as partes interessadas, e onde os caçadores devem fazer-se representar, para que não aconteça o mesmo neste.

Em Santa Maria os cães selvagens depredam a fauna, como o Cagarro, que é uma espécie protegida e nos Açores representa cerca de 74% da população mundial da subespécie Calonectris diomedea borealis e 52% da espécie Calonectris diomedea, o coelho bravo, que é uma espécie cinegética importante, que urge preservar e proteger, a propriedade privada e representa um perigo para a livre circulação de pessoas que se aventuram nos seus domínios, bem como para o tráfego aéreo, na aterragem e descolagem das aeronaves, pelo que existe a necessidade em encontrar uma solução que passe pela sua captura, quanto antes e antes que seja tarde.

*Fotografia recente, cedida por autor que deseja preservar a sua identidade

10 de abril de 2007

Reforço de Espécies Cinegéticas

O GaCS/AP, em nota informativa de 04ABR07, informou que o Governo Regional vai enviar ao Parlamento açoriano uma proposta de diploma que pretende reforçar o povoamento da Região em espécies cinegéticas e aperfeiçoar e clarificar a regulamentação sobre o exercício da caça nas ilhas.

De igual modo, referiu que a iniciativa legislativa do executivo de Carlos César foi aprovada no Conselho do Governo de terça-feira e tem em vista a criação de condições para a dinamização da caça e para o aparecimento de novas oportunidades de organização associativa e de exploração dos recursos cinegéticos regionais.

Na elaboração da proposta que remeteu ao Parlamento, o Governo ouviu os vários parceiros do sector, terminou salientando o referido comunicado.

Veremos o que irá acontecer, no futuro imediato, com a norma que permite a caça ao coelho na Ilha do Pico e na ilha das Flores, ao candeio e sem limite, porque não fará qualquer sentido, por um lado, apresentar medidas no papel, para reforçar as populações cinegéticas, enquanto, na realidade, por outro, pratica-se o seu extermínio.

4 de abril de 2007

Atribuição de Terreno

Na edição mensal d"0 Baluarte", datado de 3 de Abril, vem publicado um artigo intitulado "Caçadores Marienses Satisfeitos Com Governo Regional".

O contentamento, e não é para menos, advém da atribuição, por parte do executivo açoriano, à Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, de um terreno com 1290m2, sito no lugar de Salvaterra - Vila do Porto, para a construção da nossa sede social, conforme refere o comunicado do Conselho do Governo.
É uma excelente novidade proveniente do G.R., que aguardamos com ansiedade a sua realização fisíca!

No texto mencionado, vem ainda referido que será efectuada a segunda edição da Prova de Santo Huberto, bem como a execução de um festival de caça genuína e uma vontade expressa de levar as coisas avante: "vamos fazer como as outras associações e clubes, vamos pedir apoios e patrocínios", afirmou o presidente da associação, que caracteriza o momento como "este novo ciclo, esta nova viragem".

Aves Migratórias

São fotos, obtidas na zona do Aeroporto, ao longo de 15 dias, no mês passado, de algumas aves - não de todas - que, devido a razões de ordem variada, sobretudo ventos fortes e contrários, demandam esta terra de Gonçalo Velho ao longo de todo o ano, embora se registe uma maior afluência na estação de Inverno.

25 de fevereiro de 2007

Piedade 2005

No seguimento do "post" abaixo, em que venho recuperando alguns textos passados, deixo este também, produto de uma jornada ocorrida há dois anos atrás, em meados do mês de Setembro.

Pus-me a caminho por volta das 05H45. Era ainda noite e o céu apresentava-se encoberto, enquanto a temperatura permanecia amena. A humidade do ar era sufocante, característica daquela época.

Cheguei ao terreno passados 45 min., depois de percorrer, no final do percurso, uma estrada de terra batida, em muito mau estado, numa extensão aproximada de 1km.
A última vez que tinha caçado no sopé do Pico da Piedade foi há 3 anos, pelo que esperei que amanhecesse para observar melhor o espaço circundante e, daí, poder partir à procura de indícios que me ajudassem a compreender, de algum modo, os hábitos da população de coelhos lá residente.
Sentado numa encosta, aguardei pelo testemunho do novo dia.

Os cartuchos que levei, tinha-os há um bom par de anos e eram destinados aos patos que fazem a sua aparição anual nos poços da costa Oeste de Outubro a Dezembro. Ainda me sobravam duas caixas deles e pensei usa-los, pois alguns já apresentavam focos de ferrugem na copela, que limpei de véspera com um pouco de óleo e palha d'aço. Ficaram a brilhar, melhor do quando novos!
Nascido o dia e depois do cão dar umas corridas, esticar as patas e mudar a água às azeitonas, fomos procurar vestígios da presença de coelhos e sinais dos seus comportamentos. Num barreiro de terra vermelha, tivemos a sorte de encontrar alguns indícios que nos proporcionaram bons rastos e, depois de seguidos, bons tiros.

O vento era velho, de três dias, e fraco. Então, com calma e sem pressa, acabámos por bater toda a área com alguns sucessos e outros nem por isso.

Arrumámos a trouxa por volta das 11h30, com o sol a pino e regressámos cansados, mas satisfeitos por mais uma jornada!

24 de fevereiro de 2007

Coelho Trepador

Passou-se numa distante Quinta-feira, do mês de Agosto de 2005.
Acordei pelas 05h30. Já tinha o material todo preparado de véspera, pelo que, da cama para o terreno de caça, pouco demorei.
No local, cheguei a tempo de vislumbrar os primeiros raios de sol, que acabavam de despontar.

Esperei que passassem mais alguns minutos e assim que entendi, montei a espingarda, engatei o cinturão, soltei o Roquete e libertei o espírito ao mesmo tempo que me deixei envolver na imensidão de montes e vales, repletos de cores, de cheiros e sons que o Roquete investigou minuciosamente, esquadrinhando todos os recantos da paisagem.

Num silvado, situado num canto duma pastagem, bem protegido dos elementos por muros de pedra seca e bem exposto ao calor dos primeiros raios de sol, o cão ladrou, ganiu, saltou e por fim decidiu-se a mergulhar no emanharado de folhas, ramos e espinhos, que balançaram para todos os lados, devido ao drama do predador e da presa que se desenrolava no interior. Coloquei-me em posição, que até era boa, e esperei inquieto e suspenso.

Tratava-se de um terreno, numa encosta, que descia em escada até chegar a um precipício, de basalto negro e de terra vermelha, que caía na vertical em direcção ao mar. Era também rasgado por um ribeiro, mas não lhe perdia a vista sobre toda a sua extenção do lugar onde estava. Só não vislumbrava para lá da parede de pedra, que era alta e bem fechada, que protegia a moita, mas que o coelho não conseguiria, jamais, transpor. Asseverava eu!
Só poderia correr para mim ou para baixo e, em ambas as situações, conseguiria atirar bem e com êxito, disto me convencia, pelo que me deixei permanecer e aguardei inquieto e suspenso.

Finalmente saiu do silvado, sustendo tão desalmada correria a um metro da sarça e bem à minha frente, a cerca de 10 metros. Por detrás estavam as silvas e nelas o Roquete que lhe seguia o rasto frenética e ruidosamente. De imediato e sem pensar alinhei-o com 30gr de chumbo, mas optei por não arremessa-las. Não seria justo, nem seguro para o podengo, que não tardaria em aparecer e é de bom sangue fuzilar o coelho daquela maneira.

O tempo parou e, nesse instante, que se fosse transposto para o tempo dos relógios, duraria, bem à vontade, uma hora, o coelho olhou para mim e com um salto apoiou-se numa pedra, depois noutra e assim foi subindo o muro até transpor completamente tal obstáculo de pedra, que tinha bem mais de um metro de altura, embora não fosse exemplo do melhor prumo, e que pensei ser suficiente para desencorajá-lo a seguir naquele sentido.
Tão surpreso fiquei que acabei por não disparar e pelo receio que tive da chumbada poder fazer ricochete naquela parede velha e lá se foi o coelho, que também era velho, e que naquela manhã foi mais sabido do que eu!

Mais à frente, na margem do ribeiro, rebentou outro levantado pelo Roquete que o seguiu. Decidi atirar. Se acertasse, segurava-o com o segundo, mas falhei e acabei por conservar um cartucho. Foi uma boa decisão, porque a espoleta acabou por ter melhor destino, mais tarde, nessa mesma manhã.

Levei da Browning Cinergy, que me cativou desde o lançamento, mas por muita qualidade e boniteza que exibisse, nunca me permitiu o gozo e as alegrias que tive com a Beretta 686, anterior, e que tanto me arrependi de tê-la vendido. Acabei por ceder a Cinergy, porque detestei a assistência da marca e nunca me avezei àquela coronha (tipo lombo de javali), que me surpreendia toda a vez que disparava, pois desconhecia sempre a direcção e o desfecho da chumbada.

Já não recordo a espingarda nem possuo o cão que me acompanhou, mas esse coelho ainda vive e é bem real na minha memória, devido ao lance e à qualidade da lição que me deixou!

21 de fevereiro de 2007

Coelho vs Horta

O agricultor que, depois de muito esforço e investimento na realização da sua cultura, vê-a danificada ou destruída devido aos coelhos, concerteza que não ficará satisfeito, pelo que devemos compreender e desenvolver energias para evitar esse prejuízo, em vez de olhar para o lado e fazer de conta que não nos diz respeito.
É em virtude deste comportamento ou de outros semelhantes que, de há cerca de 2 anos, somos pressionados e prejudicados nos nossos interesses.

Dirão alguns, e com razão, que parte importante da responsabilidade dos danos, advêm dos próprios lavradores que, desleixados, não limpam a vegetação e os entulhos das orlas, das cercas, gerando condições propícias para o estabelecimento e desenvolvimento dos coelhos.
A outra parte surge do facto das batidas serem solicitadas aos serviços competentes quando as culturas estão a emergir do solo, apresentando os rebentos suculentos que os coelhos tanto adoram. Autorizadas as batidas, estas são quase ou tão nefastas para as plantas e para os vegetais quanto os coelhos, em razão da acção dos cães e dos caçadores, que acabam por esmagar, espezinhar e partir o que se encontra à superfície.

Porque parece que persistem os actos e os seus efeitos, acima descritos, foi introduzido, o n.º1, do Art.º 3º, no actual calendário venatório, que permite caçar o coelho nas Quintas-Feiras, Domingos e Feriados Nacionais e Regionais, desde o nascer do sol até ao pôr do sol, com o limite de 15 (quinze) peças por dia e por caçador.
O raciocíno subjacente foi: se matar 7 não resultou, matar 15 já deve resultar e para a nova época tudo parece indicar que será: se 15 não resultou, veremos se com 30 e assim por diante, enquanto, muitas das vezes, a perca que se verificou numa horta foi provocada por apenas uma coelha, que ali encontrou as condições ideais para construir a sua lura e alimentar a prole.
O pior é que só se chega a essa conclusão, como já se chegou muitas vezes, depois de autorizada e realizada uma autêntica carnificina!

20 de fevereiro de 2007

Os Coelhos da Ilha

Nesta tarde aproveitei para verificar a veracidade do que me têm contado sobre a inexistência de coelhos na zona de Cabrestantes, o que infelizmente acabei por verificar no local. Só tive a oportunidade de avistar um coelho ao longe o qual, em virtude de manifestar um comportamento nervoso, denotou não desfrutar de uma vida tranquila, apesar do local estar interdito à caça desde o fim do ano passado.

Parece que há alguém que caça entre o lugar do Polígono e dos Anjos com alguma regularidade e suspeita-se que a jantarada recentemente realizada, para os lados do Aeroporto, foi feita com coelhos caçados furtivamente na área da Mobil.
Se souberem alguma informação relativa a esses bandidos, por favor enviem-ma para o e-mail.

Em contraste com o panorama desolador da ilha, e a título de curiosidade, este grupo, com cerca de uma dúzia (+/-) de indivíduos, vive em paz e prospera bem próximo de uma urbanização, onde os furtivos não se atrevem.

Desta simples comparação poderíamos facilmente concluir que a caça furtiva se apresenta como uma das principais causas da diminuição, desaparecimento e mortandade da comunidade de coelhos bravos desta terra. O problema é que não se consegue quantificar e qualificar o prejuízo que os furtivos provocam!

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