29 de setembro de 2011

A Minha Maneira de Sentir a Caça

"O que é a caça, e porque caçamos, são questões que se põem, e a quem muito boa gente não sabe responder. É importante, que pelo menos os caçadores saibam responder às referidas questões.
Na escola onde eu aprendi, há cada vez menos alunos, há outros locais onde há eventuais e potenciais alunos mas não há escola.
Sou defensor de uma “Escola de caça”.

A caça, é muito mais que um divertimento ou passatempo.
A caça nunca deverá ser para o caçador uma distracção, mas sim o exercício da arte da caça.

Ao caçarmos, devemos de o fazer, com amor, paixão, esforço, respeito e dentro da legalidade, só assim estaremos a defender, preservar, e promover a caça.

Antes de escrever mais qualquer coisinha será bom dizer, que sou sempre caçador e estou sempre a caçar.

Para mim, como para muitos, ser caçador é uma maneira de estar, é um estado de espírito.
Há quem diga que é uma doença e que no meu caso se agrava de dia para dia, mas não me parece, pois sinto-me cada vez melhor, que eu saiba a generalidade dos doentes não se sentem bem.

O verdadeiro caçador, é quem caça de uma forma digna e sustentável, com respeito e admiração pelas espécies, persegue-as para as abater, mas também as protege e cuida, para que se conservem e se reproduzam.
Fazer tudo isto é ser um autêntico “senhor” no campo, e um verdadeiro conservacionista.

Para mim, caçar não é matar.
“Não caço para matar, mato porque caço”. 
Não tenho dúvidas nenhumas, que a caça é cultura e tradição, e que é devido à caça e aos nossos antepassados caçadores, que somos aquilo que somos.
Quando caço procuro a qualidade e não a quantidade;
Cada vez mais, dou mais valor aos lances;
Cada vez mais importo-me menos em não matar nada;
Cada vez mais, retiro mais prazer do acto de caçar;
Cada vez mais, sou mais selectivo;
Cada vez mais, estou mais apaixonado pela caça;
Porque temos a “paixão” pela caça?
Cada vez mais, concordo que caçamos por instinto.
Nós caçadores, temos o instinto caça, como o tem o gato, por exemplo, que mesmo sabendo que tem a ração diária de comida à sua espera, não desdenha a oportunidade para apanhar o rato ou a borboleta, muitos até desistem das mordomias e preferem viver da caça.
Depois do instinto, o que pretendemos?
A carne?
Nos dias de hoje, está mais que visto, que não se caça para comer, mas sabe-me muito melhor a caça que abato, do que a abatida pelos outros.
Entre outras, uma das boas maneiras de demonstrar o nosso respeito para com a peça de caça, será comê-la. Simultaneamente, ao recordarmos o lance, estamos a “admirar a peça”. Talvez seja das melhores justificações para a sua morte.
Pois é, além de gostar de caçar também gosto de degustar a caça.
Será pelo troféu? Não me parece, a paixão existe em muito boa gente, que não tem como objectivo o troféu.
Será pelo lance?
Parece-me que sim, logicamente que o lance será tudo o que se fez anteriormente, para conseguir abater a “peça”. Assim sendo, como outros, eu serei um caçador de lances.

Enquanto caçador, gosto de me sentir como um predador ou super predador.
Não consigo renunciar esse papel. Faz parte de mim.
A natureza sente necessidade do caçador e nós dela. Os caçadores fazem parte da natureza.

As espécies cinegéticas têm que ser caçadas, só abatemos os mais fracos, e ao faze-lo, estamos a contribuir para que se defendam melhor, para que apurem, e desenvolvam o instinto de sobrevivência, e assim continuem a dar luta ao caçador e aos restantes predadores.
As espécies cinegéticas precisam de ser caçadas."

Texto e foto da autoria de António Afonso Inácio

28 de agosto de 2011

Caçadas Portuguezas

As palavras que se seguem escorrem da pena de um dos mais ilustres caçadores portugueses, de cuja companhia tenho a felicidade de usufruir – e de partilhar.
Se dos meus livros sobressai uma valiosa colecção de literatura cinegética, a obra que se segue, é, sem dúvida, uma das suas referências, um acrescento de enorme qualidade que muito estimo.
Dá pelo nome de Caçadas Portuguezas, Paizagens – Figuras do Campo, cujo autor se trata de Zacharias d’ Aça, e foi editado no distante ano de 1898, pela Secção Editorial da Companhia Nacional Editora, com sede no Largo do Conde Barão, n.º 50, em Lisboa.

Deixo-vos, então, Duas Palavras, título do preâmbulo que nos introduz à fabulosa leitura do volume supracitado:

Vai correr mundo este livro. Largando-o das minhas mãos, faço votos para que ele não naufrague no mar – umas vezes encapelado, outras vezes morto – da publicidade. Não arvora bandeira de facção literária, não lhe pus divisa, e, apesar do estrondear da fuzilaria, não vai a conquistar; mas o título diz que o anima o espírito da nossa terra – fala de coisas portuguesas.
De tigres e leões poderia eu contar histórias trágicas e horripilantes, mas nunca me defrontei com eles, e não me seduz o papel de cronista inconsciente de alheias proezas. O que se contém nestas páginas são as minhas impressões dum mundo muito próximo de nós, mas de que, quase todos os que escrevemos, andamos muito alheados – o mundo dos campos.
Os capítulos todos deste livro – afora dois ou três – são capítulos da minha vida, e quando os recordo alegra-se-me ainda o coração. E sinal certo de que foram dias bem passados, é que ainda não se me apagou da memória o sol, que os alumiou. Sol que brilha no passado, sol poente hoje para mim!...
Mas as nuvens, que ele doirava nas suas fantásticas evoluções, eram brancas e transparentes; fugitivas, como os sonhos da mocidade, não faziam manchas no céu, como também não me deixaram sombras na vida.
De quantos dias ela se compõe, estes de que aqui falo, e poucos mais, são os únicos que eu quereria reviver. Porque – não te direi, leitor amigo, se não é caçador, que não me entenderias, e aos que me podem entender não é necessário explicar-lho. Os entusiasmos e os arroubos da paixão só os compreende bem quem já os experimentou.
Do nascer ao pôr-do-sol sentimo-nos outros – estamos em contacto íntimo e constante com a natureza. O corpo e a alma têm a consciência, e estão no pleno exercício de todas as suas faculdades, de todas as suas energias; manifestam-se, desenvolvem-se, sem peias, nem constrangimentos. Alegra-se-nos a alma espraiando a vista pela paisagem, e essa alacridade sente-a também o corpo, recebendo, em cheio, as ondas desse banho enorme de luz; aspirando, a plenos pulmões, as largas correntes do ar puro e oxigenado dos campos e das florestas.
Há em todos nós alguma coisa do selvagem, um resto do homem primitivo, e esse, antes de tudo, foi caçador – preou, como quase todos os animais.
O civilizado, com requintes de trajo, de mesa, e de habitação, invenções de artes e ciências, esse fez-se depois – é obra do tempo. Os historiadores relegaram o primitivo para os primórdios da história, e parece-nos, ao lê-los, que o troglodita lá ficou sepultado nas suas cavernas. Mas não – ele vive, e, dentro de nós, como o escravo dos triunfos romanos, vencido e agrilhoado, veio-nos acompanhando, assistindo e resistindo a todas as civilizações. É ele quem faz os caçadores – e é esta a filosofia da caça.
E basta de prefácio e de filosofias, que me poderiam levar longe, e fariam efeito contrário no leitor, que me deixaria ir – sem me acompanhar.
Individualidade complexa, esta do caçador tem algo do soldado, do viajante, do aventureiro e do artista.
De tudo isto parece-me que o leitor encontrará alguns reflexos e vislumbres nas páginas destas narrativas. Quadros, cenas, paisagens, marinhas, figuras – tudo é desenhado ou esboçado do natural, com excepção da Tragédia da caça, que me foi contada por testemunha presencial, que não figura no lance, e do Final d’uma caçada – uma tradição da minha família.
E agora, para terminar esta apresentação, se tu, leitor benévolo, sentires, ao leres estas histórias, não o que eu senti, quando as vivi, porque seria impossível, mas um pouco do prazer que ainda tive ao escreve-las, dar-me-ei por satisfeito e pago do meu trabalho.
Vale.

4 de Junho de 1898

9 de agosto de 2011

V Troféu de Homenagem a Gualter Furtado

Realiza-se no próximo dia 15 de Outubro, o V Troféu de Santo Huberto Dr. Gualter Furtado, na Ilha do Pico, Açores.
A organização deste tradicional evento e de todo um vasto programa que o envolve está mais uma vez a cargo do grande dinamizador desta prova de Santo Huberto com cão de parar, que é o Cremildo Marques, Presidente do Clube de Tiro e Caça da Piedade do Pico.
Esta homenagem ao caçador e ao homem que é Gualter Furtado, já vai na sua V Edição e é cada vez mais um marco na componente social, na gastronomia cinegética e típica dos Açores e de franca amizade, sendo mesmo já uma marca indelével no sector da caça em Portugal, pois envolve participantes de todo o território nacional.
Neste V encontro de caçadores é sempre referida e defendida a necessidade de se garantir a sustentabilidade das espécies cinegéticas e do meio ambiente, sendo este um cunho característico e muito forte desta Homenagem.
Recorda-se ainda que Gualter Furtado conta hoje com um vasto curriculum na escrita sobre caça, quer em revistas da especialidade, quer mesmo em jornais, tendo, inclusivamente, publicado dois livros sobre esta temática que tanto o apaixona, nomeadamente “Um Caçador Açoriano” e “Um Contributo para a Defesa da Caça”.
Votos de muito sucesso!

30 de julho de 2011

Cremildo Marques é o Campeão Regional

Nos passados dias 22 e 23 de Julho, na formosa Ilha do Pico, realizou-se a final Regional do Campeonato dos Açores da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP) de Santo Huberto com cães de parar.

As provas foram julgadas pelo Juiz Internacional José Pedro Leitão, que se deslocou do continente português ao arquipélago açoriano.

O Campeão Regional dos Açores de 2011 foi o Cremildo Marques (o Barbas), que caçou com a Setter Inglesa Fafá e ficou assim  apurado para a final nacional da CNCP a realizar brevemente no Continente Português.









Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

28 de julho de 2011

O Livro da Caça

Gaston Phoebus foi um grande senhor feudal francês, do séc. XIV, tratado por Gaston II, conde de Foix e visconde de Béarn.
Durante a sua existência terrena viveu intensamente a caça, sendo esta a maior das suas paixões, e nesse âmbito, em 1387, escreveu “O Livro da Caça”.
Dessa obra existem 37 manuscritos, embora a maior parte deles já tenha sido escrita no séc. XV.
O Hermitage Museum, de Leninegrado, a Peck Collection, em Nova York, e a Biblioteca Pública de Genébra possuem alguns dos mais belos exemplares, porém é a Bibliothèque Nationale, em Paris, que possui os dois mais bonitos deles todos e as gravuras que constam do livro que utilizo para escrever este artigo, foram retiradas destes dois últimos manuscritos.
A versão que possuo é inglesa, datada de 1987, proveniente da editora Regente Books Hightext Ltd, traduzida que foi por J. Peter Tallon.
Fala-nos sobre os diversos animais da fauna bravia europeia da altura, como o urso, o veado, o javali, a raposa ou o coelho, entre outros, e das técnicas e procedimentos de cada uma dessas caças, mas não só. Aborda igualmente o amanho dos animais caçados, a formação dos caçadores, a gestão dos canis, o treino do cães e isto só a título de exemplo.
Gaston Phoebus nasceu em 1331 e faleceu em 1391, sendo dele, então, a criação de uma das obras literárias mais importantes da cinegética europeia e mundial.
Sobre os canis, diz-nos que devem ter dimensão suficiente para que sejam capazes de albergar diversos cães e ainda possam apresentar espaço livre e que os mesmos devem possuir duas portas: Uma na frente e outra nas traseiras, devendo esta estar sempre aberta, de modo a dar acesso a uma zona solarenga, delimitada por uma vedação, pois os cães necessitam de exercício, enquanto o interior deve ser mantido limpo e dividido em três áreas: A primeira deve estar provida de palha para que os cães nela se possam deitar e dormir; a segunda para os aprendizes dormirem e a terceira deve possuir um soalho formado por varas cobertas por palha, para que os cães ali possam fazer as suas necessidades. Finalmente diz-nos ainda que o canil deve estar equipado com uma lareira para que possa providenciar aquecimento durante os dias mais frios
Ainda no que aos cães diz respeito, transmite-nos que a estes a água deve ser mudada duas vezes ao dia para que esteja sempre fresca e que, para prevenir uma longa lista de doenças, devem fazer exercício regularmente, quer no tal pátio dos canis, quer ainda no campo e nestas saídas devem os tratadores identificar e recolher ervas com efeitos laxativos para que as possam administrar aos cães de modo a possuírem os organismos bem regulados.
O caçador deve ainda, entre outros deveres, conhecer a habilidade e a capacidade de cada cão e trata-lo pelo seu nome. Deve cuidar do canil e tudo fazer para que o soalho se mantenha afastado do solo. Todas as manhãs deve limpar as instalações dos cães e a cada três dias substituir a palha do canil e escovar os animais.
Aquando dos treinos, que devem começar de manhã cedo, o caçador deve servir-lhes uma sopa composta por pão e leite para que os estômagos dos cães não fiquem demasiado pesados e trata-se isto apenas de um pequeno excerto da informação que sobre este assunto contém o livro.
Quanto ao uso da corneta diz-nos que se a matilha seguir um trilho errado, esta deve ser imediatamente reconduzida com o soar de duas notas longas e se o trilho for o correcto devem os caçadores ser informados através de três notas longas. Duas notas curtas significam que os cães perderam a peugada do animal que perseguiam e uma nota longa, seguida por diversas curtas manifesta o sucesso de uma captura. No final do dia, assim que a caçada termina, esta é anunciada por três notas longas.
São 105 páginas ricamente ilustradas e repletas de informação variada e preciosa, muita dela ainda actual e bastante útil que vale a pena aceder.

25 de maio de 2011

A minha homenagem ao Grande Tito

O Tito é um cão, da raça Setter Inglês, de 4 anos de idade, que pertence a um experiente organizador de caçadas no Uruguai. É igualmente um excelente cão de parar às perdizes Uruguaias e um trabalhador incansável que já parou e cobrou milhares de perdizes.


Infelizmente também é um exemplo do mau trabalho realizado pelo homem para contrariar a sua genética, isto é, querer que ele cace curto e faça lances curtos para que se tenha a possibilidade de dar muitos tiros "e se aproveite bem a caça".
Uma coisa é um cão não ter ligação ao caçador e caçar para si (está mal) e outra coisa é um cão fazer lances enquadrados no estalão da raça, mas sempre ligado ao caçador e quando parar, esperar pelo caçador (está bem)!
O Tito, naturalmente, deve ter sido sujeito a choques intensos e sem critério, de tal forma que quando passava nas proximidades de uma vedação eléctrica começava logo a ganir. Pobre bicho!


Acresce que as exigências do seu trabalho de operário não lhe dão possibilidades para ter grandes ligações a alguém. Considerando todos estes constrangimentos o Tito é um Grande cão e com um temperamento formidável. Numas das tardes que dei folga à minha Setter Inglesa, de nome Smart, fui dar uma volta acompanhado por outro caçador e pelo Tito. Deu para constatar tudo o que anteriormente referi.


No Uruguai a caça é dos donos e de quem explora a terra, pelo que, para se caçar num determinado terreno tem de se pagar “uma propina”. Ora, naquela tarde, o Tito parou uma lebre a 5 metros de distância da extrema do terreno, à qual atirei e que foi morrer já na propriedade vizinha, onde não estávamos autorizados a caçar.
O Tito depois de atravessar a extrema alcançou a lebre e quando já estava preparado para a trazer, como se tivesse sofrido um rasgo de inteligência, colocou a lebre no terreno e comeu-a toda. Confesso que fiquei muito contente e disse para comigo …Grande Tito! Acrescentei aos guias, … ninguém bate no cão.


Depois deste lance parou mais umas quantas perdizes impecavelmente!
Estou certo que o amigo organizador de caçadas, que não é o responsável directo pelos referidos choques, melhores dias dará ao Tito, pois ele bem que os merece.


Embora saiba que, na sua maioria, os “Clientes Caçadores” querem é dar tiros e pouco se importam com o estalão e genética da raça do cão, aqui fica então, a minha homenagem a um Grande cão!

Texto e fotografia da autoria de Gualter Furtado

26 de abril de 2011

Comemoração do Dia da Terra

No passado dia 20 de Abril, o Centro de Educação Ambiental da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande e o Consulado dos Estados Unidos da América nos Açores, promoveram uma sessão de comemoração do Dia da Terra, onde participaram dezenas de jovens dos ATL's da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande (SCMRG), instituição que apoia cerca de 600 crianças.
Para esse evento foram igualmente convidados alguns Amigos do Ambiente, entre os quais se contou Gualter Furtado, Presidente da Comissão Executiva do BES dos Açores.

Cabral de Melo, Provedor da SCMRG, deu as boas vindas aos participantes e Gavin Sundwall, Cônsul dos E.U.A., numa intervenção muito pedagógica e partilhada com os jovens presentes, abordou a importância do combate às alterações climatéricas e o contributo positivo da floresta, das energias renováveis e da reciclagem. Por sua vez Renato Calado, Director do Centro de Educação Ambiental, apresentou um trabalho alusivo a algumas acções perpetradas pelo homem que são inimigas do ambiente.

Concluídas as intervenções, seguiu-se a assinatura de um compromisso formal para a defesa da Terra por parte de todos os presentes, com direito a Diploma no final.
A efeméride foi assim celebrada com a plantação de diversas árvores junto às quais foi escrita uma frase alusiva ao Dia da Terra.

O Dia da Terra foi criado no dia 22 de Abril de 1970, por Gaylord Nelson, Senador dos Estados Unidos da América, com o propósito de se defender a biodiversidade, o meio ambiente e combater a poluição e a contaminação dos solos e do ar. Ainda a título de curiosidade, o Consulado dos E.U.A. em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, é o mais antigo que este país da América do norte possui em todo o Mundo.

Texto e fotografia da autoria de Gualter Furtado

28 de fevereiro de 2011

Apresentação do Livro - Um Contributo para a Defesa da Caça

Decorreu no passado dia 26 de Fevereiro, pelas 17H00, na Academia da Juventude da Ilha Terceira, na Praia da Vitória, o lançamento do livro UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA.

O evento, que contou com a presença surpresa do humorista Fernando Mendes, foi também acompanhado por  cerca de 90 pessoas, e presidido pelo Exmo. Senhor Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita, Representante da República para a Região Autónoma dos Açores.

No final foi servido um repasto, digno da ocasião, que contou com onze pratos de caça, confeccionados pela Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores, dos quais saliento - apenas para nomear três, Galinholas à Clube Cinegético e Cinófilo, Alcatra de Coelho e Feijoada de Lebre.

Na fotografia, da esquerda para a direita:
Sr. Dr. Gualter Furtado, o autor deste blogue, Senhor Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita, Sr. Eng.º Joaquim Pires, Sr. Vereador Messias e o Sr. Olívio Ourique.

Deixo-vos o texto da apresentação do livro.

Exmo. Sr. Presidente, Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita, Exmos. Srs. Eng.º Joaquim Pires, em representação do Secretário da Agricultura e Florestas; Vereador Messias, em representação do presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória; Olívio Ourique, presidente do Clube Cinegético e Cinófilo e da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores, Dr. Gualter Furtado, ilustres convidados, minhas Senhoras e meus Senhores, é com enorme prazer, que tenho a honra de vos apresentar o mais recente trabalho, da autoria do Dr. Gualter Furtado, editado pela Gráfica Açoreana, Lda., intitulado “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”.

Gualter Furtado nasceu no mês de Fevereiro de 1953, no formoso Vale das Furnas, na Ilha de São Miguel, neste Arquipélago dos Açores.
Lugar edílico e pátria de flores, é ladeado por imponentes montanhas e por uma Lagoa que já foi uma das mais belas do mundo.
Nas suas margens e aproveitando o calor da Terra, confeccionam-se os deliciosos cozidos das Furnas.
Com as suas manifestações vulcânicas, variadas e ricas águas, o Vale é o cenário ideal para uma grande cumplicidade com a natureza e com a caça.

Foi aceite na escola primária com cinco anos de idade, situação que colocava alguns riscos à sua professora, de tal forma que sempre que batiam à porta da sala de aulas, tinha de se refugiar debaixo da secretária para não ser detectado.
Este comportamento revelou-se de muita utilidade aquando da ocorrência dum grande sismo que danificou seriamente o estabelecimento de ensino que frequentava.

Felizmente não sofreu qualquer ferimento, graças ao treino intensivo que, entretanto, tinha acumulado.

Aos 12 anos publicou pela primeira vez um trabalho escrito, desta feita no Açoriano Oriental, a defender a constituição de uma casa museu do Armando Côrtes-Rodrigues, distinto escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que, por sinal, foi inaugurada em Janeiro de 2007.

Profissionalmente é economista e, entre outras actividades, já foi Monitor e Assistente no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, tendo também leccionado na Universidade dos Açores. Paralelamente tem desenvolvido um intenso trabalho na Banca. Primeiro na Caixa Económica da Misericórdia de Ponta Delgada e mais recentemente no Banco Espírito Santo dos Açores. Participou no Governo dos Açores como Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.
Ao longo dos anos tem colaborado com artigos e comunicações relacionadas com a manifestação social e cultural que é a caça, com os cães de caça, as armas de caça e a sustentabilidade do meio ambiente e das espécies cinegéticas.
Nesse âmbito publicou em 2006 “Um Caçador Açoriano”.
No Mundo da Caça esteve ligado à fundação da Federação de Caçadores dos Açores e é actualmente o Presidente da Assembleia-geral da Associação Nacional dos Caçadores de Galinholas e da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores.
É caçador desde que se conhece, prática que considera uma paixão, muito influenciada que foi pelo meio ambiente que o viu crescer, pelo seu avô paterno e por alguns dos seus companheiros da escola primária.
Foi homenageado nos Estados Unidos da América pela Associação dos Amigos das Furnas.
A Câmara Municipal da Povoação também o distinguiu com uma condecoração de Mérito Profissional.
Na Ilha do Pico já foi várias vezes homenageado como Homem e como Caçador, realizando-se todos os anos naquela singular ilha açoriana um Troféu de Santo Huberto que ostenta o seu nome.

Dos Açores, poucos são os trabalhos publicados sobre a tradicional e envolvente temática da actividade venatória desenvolvida neste Arquipélago Açoriano, dos quais destaco os mais importantes:
Os primeiros de que há memória datam do séc. XVI e são provenientes da pena de Gaspar Frutuoso, narrados que se encontram n’ AS SAUDADES DA TERRA.
Mais tarde, em meados da década de trinta, do séc. XX, podemos encontrar o jornal mensário “CAÇA”, cujo redactor, editor e proprietário se tratou de Eduíno Botelho.
No início deste novo milénio, mais concretamente em 2002, foi publicado “RECORDAÇÕES” da autoria do Sr. João Gago da Câmara, sendo seguido em 2006 pela edição d’ UM CAÇADOR AÇORIANO, escrito pelo Dr. Gualter Furtado.

De carácter científico, constam os estudos “A GALINHOLA NOS AÇORES – ILHAS DO PICO E SÃO MIGUEL”, editado em 2004, pela Direcção Regional dos Recursos Florestais, e a “GESTÃO DOS RECURSOS CINEGÉTICOS NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES – A GALINHOLA”, datado de 2008, realizado pela Direcção Regional dos Recursos Florestais em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto.

O livro “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”, da autoria do Dr. Gualter Furtado, editado pela Gráfica Açoreana, Lda., numa tiragem de 500 exemplares, apresenta uma capa ilustrada, assinada pela artista plástica Maria José Cardoso de Souza, autora reconhecida internacionalmente pela arte animalística que produz, com especial relevo para a cinegética, sendo mesmo uma criadora preferida por muitos coleccionadores de diversos países da Europa, Estados Unidos e Brasil.
Retrata uma jornada de caça à galinhola na Ilha do Pico, tendo, como pano de fundo, a imponente Montanha que lhe caracteriza e dá o nome.
Além da visível cumplicidade existente entre o caçador e o seu cão, nela também constatamos a profunda relação com a natureza e com a biodiversidade, representada através da figura do caçador, parcialmente coberta pela vegetação, e da presença do coelho, da codorniz e da própria galinhola, símbolos incontestáveis da fauna bravia açoriana.
Encerra o fruto da enorme paixão que o autor sente pela natureza, retratada através de 215 páginas ilustradas por mais de 150 fotografias.
Trata-se, porém, de uma análise bastante racional e objectiva sobre o estado da actividade cinegética nos Açores, no continente português e nalguns países do mundo.

Transmite-nos a mensagem que a caça quando praticada com amizade, espírito de entreajuda, respeito pelo próximo, pela natureza e pelos animais é um acto social valioso, de cultura e muito importante.

Demonstra-nos que o caçador é um defensor leal da natureza, um respeitador das espécies cinegéticas, que possui uma grande relação de proximidade e de cumplicidade com os seus cães, os quais trata muito bem e não abandona como alguns teimam em afirmar.

Que o caçador colabora e promove na recuperação dos habitats, de tal forma que, se não fosse a prática venatória e este intenso empenhamento que só os caçadores conseguem demonstrar e realizar, muitas das espécies animais, cinegéticas e não cinegéticas, com particular destaque para as aquáticas e migratórias, já estariam, há muito, extintas.

Numa altura em que a actividade venatória foi novamente escolhida como alvo por um conjunto de gente da nova doutrina urbana e civilizacional, que pretende julgar como selvagens a caça e os caçadores ou mesmo bani-los face à lei; Pessoas essas que desprezam os campos e os seus costumes face ao brilho multicolorido, distante e insensível das cidades, que falam do que não sabem e do que não percebem.

Como disse a grande poetisa Sophia de Mello Breyner, “são pessoas sensíveis que detestam ver matar galinhas, mas que adoram canja de galinha”!

Num momento da história em que se apela teimosamente contra a caça, e mais do que nunca, valendo-se essas petições de quase tudo - até de meias verdades, e da mentira gratuita se necessário, como se não existisse pensamento critico que as distinguisse da verdade, em que o objectivo não é outro senão o da manutenção de emoções fortes e excitadas, a necessidade de manterem um agente catalisador e um alvo para o¬nde possam direccionar e arremessar alguns dos sentimentos que os alimentam, como a angústia, a frustração ou mesmo o ódio.

O propósito é manterem o caldeirão em permanente ebulição, porque fazem dos conflitos que criam um modo de vida, de projecção social e política, mais uma maneira de pagarem as contas do mês.

Não é a destruição do ambiente e das espécies animais que realmente temem, mas sim a liberdade, a liberdade que caracteriza os verdadeiros Caçadores.

O Caçador autêntico … é LIVRE!

O facto de ser livre não significa que infrinja os códigos existentes, bem pelo contrário, são cidadãos de pleno direito. Alguns com enormes responsabilidades sociais!
Quando se verifica o surgimento de medidas cada vez mais restritivas da prática da caça, em que até surge um partido politico que se assume frontalmente contra a caça e contra os caçadores, numa manifestação sem paralelo na sociedade portuguesa; em que a caça foi seleccionada como alvo a abater, a publicação deste livro, do que ele contém e transmite, é um chamamento aos homens de boa vontade e um contributo inegável para a afirmação dos elevados valores que só a caça pode proporcionar.

É comum dizer-se que raramente se vêm dois Caçadores de acordo sobre os seus problemas, e é bem verdade, mas porque têm opinião e discutem-na com a sinceridade e a frontalidade que caracteriza quem nada tem a esconder.
Que se desengane aquele que pensa que não chegam a consenso e muito menos que não se conseguem mobilizar por uma causa nobre ou justa.

Os caçadores numa tentativa de melhor explicarem porque caçam, optam por reduzir os seus motivos ao que é tangível para o cidadão comum, como o trabalho dos cães, o contacto com a natureza ou simplesmente ao sentimento de aventura, apesar de saberem perfeitamente que as causas que os estimulam e os levam a caçar são muito mais complexas do que as que escolheram para transmitir porque caçam.

Por outro lado, os críticos da caça, apesar de serem mais objectivos, são totalmente incapazes de compreender a existência da profunda ligação pessoal que o caçador possui com o mundo e com as espécies que caça, cujo sentimento advém do desenvolvimento da relação entre este e a presa, fruto da experiência acumulada e da reflexão.
Preferem eles, por oposição, observar a natureza de bem longe e sem a tocar, de preferência através de binóculos, delegando nos outros as suas responsabilidades, enquanto o Caçador procura integrar-se e deixar-se absorver.

Tal e qual um mergulho solitário, numa lagoa isolada, de águas calmas, em que depois do impacto e do estrondo fica o corpo totalmente submerso e se formam à superfície círculos que se afastam e que afectam a tranquilidade do local. Nestas circunstâncias, mesmo parados e depois de algum tempo, a presença do caçador continua a ser anunciada através da projecção dessa ondulação, até que cessa finalmente e as águas regressam à sua tranquilidade original.
Nessa altura o caçador ou é aceite ou recusado e dessa dúvida nunca estará seguro até sentir que a caçada tem finalmente o seu início, através do reaparecimento dessa ondulação misteriosa, mas desta vez na parte de trás do pescoço, através da garganta seca e da tomada de consciência de que não está só.

A Caça coloca em confronto emoções intensas e profundas, desperta-nos o intelecto para o mistério que envolve a nossa existência!

Poderá afirmar-se que a caça é criticada na base emocional e que é nesse mesmo alicerce que é geralmente defendida.
Melhor será se for escolhida uma postura bem mais firme!

Não podem os caçadores ser condenados, quando demonstram que a actividade cinegética assenta na gestão racional dos recursos, na sustentabilidade das espécies e do meio ambiente, numa elevada demonstração de ética e de respeito pela Terra.

O que mais deseja o Caçador é tornar ao que é natural e verdadeiro e dar o seu válido contributo para o equilíbrio do ecossistema o¬nde todos existimos e nos relacionamos.

Pergunta-se, porque é que o Homem caça?
Que resposta se há-de dar ao inexplicável?

Porém, poder-se-á afirmar que a caça é intrínseca e que se encontra gravada bem fundo na génese e na formação inicial do ser humano, impossível de ser clinicamente identificada e examinada, mas que é afortunado e feliz aquele que a pratica.

É neste contexto, de ofensiva sem paralelo contra os caçadores e contra a actividade venatória, que surge “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”!

Do livro em referência seleccionei e realço as seguintes passagens que constam da sua Nota Introdutória, sintomáticas que são da estimulante leitura que precedem:

Diz-nos então Gualter Furtado:

“ Nos últimos anos tenho publicado dezenas de artigos no blogue Ribeira Seca, no Portal Santo Huberto, no sítio da Associação Nacional de Caçadores de Galinholas, na revista Calibre 12, na revista Caça & Cães de Caça, nos jornais Correio dos Açores, Diário Insular e Açoriano Oriental.
Outros trabalhos apresentei em fóruns, nos quais a caça e as armas de caça foram o tema central, com especial relevo para o seminário promovido pelo Comando Regional dos Açores e Direcção Nacional da PSP sobre o novo regime jurídico das armas e suas munições.
Animado pelo acolhimento dado a “Um Caçador Açoriano”, incentivado por alguns amigos e tendo consciência da necessidade de se escrever a favor da caça com ética e desportivismo decidi outorgar mais este contributo, seleccionando para isso uma parte dos artigos publicados por mim nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, bem como algumas das entrevistas concedidas.
Numa fase em que o movimento associativo está muito mal nos açores e a nova lei da caça e do ordenamento cinegético regional marca passo, gostaria que esta publicação fosse percebida como um incentivo ao debate construtivo, de que o sector da caça muito carece, e um válido contributo para o surgimento de caçadores esclarecidos e mais exigentes.
A sustentabilidade e a defesa das espécies cinegéticas bravias dos açores deveria e deverá ser uma tarefa partilhada entre as entidades oficiais, científicas e de caçadores.
As causas para o declínio das espécies cinegéticas são as mais variadas, com destaque para as alterações climáticas, erosão dos solos, mudanças nos habitats, incêndios florestais, práticas agrícolas agressivas com recurso intensivo ao uso de químicos e pesticidas altamente tóxicos, falta de gestão cinegética.
A caça produzida em cativeiro apresenta-se como uma alternativa e é cada vez mais utilizada. Coelhos, perdizes e codornizes com esta origem são a regra, sendo a excepção a caça bravia. Esta é uma realidade que se vive por toda a Europa e se assim não fosse o sector da caça já tinha acabado em muitos lugares.
Nos Açores a caça a espécies indígenas e sedentárias resume-se ao coelho bravo, codorniz, pombo da rocha e galinhola. É uma variedade muito reduzida quando comparada com outras regiões europeias que chegam a ter trinta e mais espécies cinegéticas de caça menor e maior, mas os Açores possuem uma riqueza extraordinária quando se compara o estado de bravura destas espécies cinegéticas. É neste campo que se exige por parte dos Serviços Oficiais e dos Caçadores um trabalho sério para a sustentabilidade deste extraordinário património natural, de enorme qualidade, mas limitado na sua quantidade.
Em alguns dos artigos que seleccionei neste trabalho chamo a atenção para o pântano em que nos encontramos. Mas a caça não se resume apenas a estes aspectos sombrios e, apesar de tudo, tem características muito positivas.
Faço questão em evidencia-las também para atrair para o mundo da caça novos caçadores e caçadoras.
A nova lei das armas e o contexto em que nos encontramos jogam a favor da expulsão e redução dos caçadores actuais e da limitação da entrada de novos praticantes. Bem sei que não é uma tarefa fácil, mas compete-nos tudo fazer para contrariarmos esta tendência.
A caça encerra uma componente formativa, cívica, social e gastronómica muito importante que devemos enaltecer e divulgar ao resto da sociedade.
Os valores do mundo urbano, certamente importantes, não podem anular as virtudes e a grandeza do mundo rural, por afinidade mais relacionado com a actividade venatória.
A caça não é só dar tiros e a qualidade do atirador nem sequer deve ser a mais importante no caçador, porque a plenitude da caça também pode ser praticada e vivida sem armas. Através de um passeio pedestre na companhia dos nossos cães e o seu treino, de uma visita a um museu de caça, na degustação de um bom prato de gastronomia cinegética na companhia dos nossos amigos, de um lance ganho ou perdido, são todos momentos altos na vida do caçador.
A perenidade da caça exige organização, diálogo, participação activa dos caçadores, cooperação com os Serviços Oficiais, auxílio da ciência, trabalho, combate ao furtivismo e uma forte componente social e gastronómica.
É esta forma de encarar a caça que procurarei transmitir nestes meus artigos e que seleccionei para este trabalho.”

“UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA” alerta para a necessidade da participação activa dos caçadores nas associações do sector, no fomento de parcerias entre as mesmas e para a possibilidade da realização de alianças com entidades externas relacionadas com a agricultura, com a criação de animais ou com a investigação científica, entre outras. As possibilidades são imensas.

Sugere que, em vez dos caçadores optarem pelas mesmas vias de acção dos seus acusadores, correndo o risco de serem identificados pela sociedade como “anti-direitos-dos-animais”, devem antes pugnar pelo debate aberto e frontal; que o recurso aos meios de informação e à internet, não deve fazer-se apenas para narrar histórias de caça ou divulgar artigos técnicos, mas também para ajudar o caçador e a população em geral a desenvolver um pensamento crítico sobre esta temática e confrontar pela mesma via os responsáveis por notícias e artigos de opinião que têm por objectivo denegrir a imagem do caçador e desacreditar o papel que este deve assumir na sociedade moderna;

Propõe o desenvolvimento de actividades na natureza, concursos e demonstrações abertas à comunidade para, desta forma, dar a conhecer as diferentes vertentes que compõem a actividade cinegética e assim despertar a curiosidade e o interesse dos visitantes;

Alude para a recepção dos homens e das mulheres que tenham gosto em aprender sobre a caça e para a sua orientação nas boas práticas cinegéticas, ajudando-os no acesso aos meios e na prática, permitindo igualmente a participação adequada dos seus filhos e para a necessidade de se trabalhar com as escolas no desenvolvimento de actividades didácticas conjuntas, sobre a preservação do meio ambiente e a importância da gestão dos recursos naturais;

Evidencia a partilha, a amizade e o convívio como características próprias do caçador e encoraja a promoção destas qualidades, que poderá ser através de campanhas de solidariedade ou de angariação de fundos com objectivos sociais, tão necessárias nestes tempos atribulados.

E tudo isto nos demonstra o autor que é possível realizar.

Concluo esta apresentação com a leitura do prefácio de “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”.
Poderão pensar que se trata de um paradoxo terminar esta exposição, precisamente com a narrativa do começo, mas asseguro-vos do contrário.
Trata-se antes de mais de uma sugestão, sobretudo de um convite que vos faço, para que partam à descoberta desta obra singular.

“Um livro pode ser considerado um conjunto de folhas de papel ordenado, escritas ou impressas, soltas ou cosidas, em brochura ou encadernadas, mas um livro de Caça é muito mais do que isso, é diferente!
Não por abordar o especial tema da arte venatória, mas por ter sido escrito por um Caçador, por aquele que viveu e sentiu o momento preciso que descreve e não por uma terceira pessoa que o concebe na imaginação.
Este é um livro sobre Caça, sobre o que ela é e sobre o que representa nas suas múltiplas facetas.
Integra e exprime uma corrente de opinião cada vez mais sólida, extensa e poderosa.
O homem é um comunicador e um ser social por natureza, tendo essa habilidade nascido e sido desenvolvida na caça e para a caça, na definição de estratégias para actuar em grupo, para subsistir e para poder deixar uma herança preciosa aos vindouros, sendo as pinturas rupestres um valioso testemunho dos ritos, dos animais, das caçadas, de uma ligação cultural tão poderosa e tão natural que ainda hoje nelas nos situamos e revemos sem esforço.
Na leitura deste livro estamos perante um Caçador esclarecido, que lê, que se preocupa, que pensa sobre a caça e que permanece disposto a aprender, a partilhar e a evoluir, que sabe o que faz, como deve faze-lo e porquê, e que tudo isso assume sem preconceitos.
Encontramos um comunicador nato que nos descreve experiências e sensações numa obra digna de um letrado, mas sem adornos ou prosas buriladas e através de um discurso despretensioso e directo.
Exprime-nos que a caça necessita de impulso, de gente nova, da participação activa de homens e de mulheres nos mais diversos eventos que a integram, diversificam, enriquecem e que fortalecem os laços de união e de amizade entre as pessoas.
Que o adequado aproveitamento dos meios de comunicação e da internet é fundamental para formar os caçadores, para informar uma sociedade cada vez
mais distante dos valores ancestrais da partilha e da confraternização, para sensibilizar os governantes para a necessidade da sustentabilidade das espécies cinegéticas e para a importância da actividade venatória como condições indispensáveis na promoção de um meio ambiente sadio e vigoroso.
Que o ordenamento cinegético é essencial para a valorização desta região insular, mas pouco representará se não for disponibilizada informação actual e rigorosa sobre as espécies cinegéticas e os seus habitats e se não houver alterações no modelo regional de combate à caça furtiva, pelo que insiste numa maior intervenção e participação dos responsáveis governativos, mas também dos caçadores, salvaguardando sempre a realidade e as necessidades das diferentes ilhas do Arquipélago dos Açores.
Que o caçador é um cidadão de pleno direito, participativo e empreendedor, consciente e responsável que merece respeito e atenção.
À semelhança do que fizeram os nossos antepassados nas paredes das grutas que lhes davam abrigo, as páginas que se seguem encerram e transportam o registo do nosso tempo, um legado de inestimável valor.
Por tudo isto o Gualter Furtado está de parabéns, porque nos soube transmitir exactamente o que pretendia, porque veio partilhar com quem com ele outrora repartiu e porque a todos nos tocou por igual, na esteira da mais nobre e genuína tradição da arte venatória e dos homens de bem.”


Bibliografia:

AGUILAR, António (1935). Aventuras de Caça. Tipografia Artes & Letras.
ANDRADE, Francisco (1983). Geada no Restolho.
BARREIROS, Eduardo Montufar (1900). Caça – Memento Venator. A Liberal Officina Typographica.
BARROSO, Padre Domingos. Conselhos Velhos para Caçadores Novos. Edição do coordenador (Silva, Sérgio Paulo).
BOTELHO, Eduíno G. (1936). Caça. Tipografia “O Açoriano Oriental”.
BRAVO, João Maria (1965). Caça – Elementos para uma futura lei. Tipografia Mourão, Lda.
BRAVO, João Maria. Caça Coutos Caçadores. Dinapress.
CÂMARA, João Gago da (2002). Recordações. Gráfica Açoriana, Lda.
DUARTE, Francisco (1969). Caça e Caçadores. Atlântida Editora S.A.R.L.
FERREIRA, Fernando de Araújo (1949). Galinholas. A Gráfica.
FLORES, Francisco Moita (2010). Em Defesa da Festa Brava. Petição Pública.
FURTADO, Gualter (2006). Um Caçador Açoriano. Gráfica Açoriana, Lda.
GASSET, José Ortega y (1989). Sobre a Caça e os Touros. Edições Cotovia, Lda.
KARASOTE, Ted (1994). Bloodties. Kodansha.
LEOPOLD, Aldo (2001). A Sand County Almanac. Oxford
PETERSEN, David (2000). Heartsblood. Island Press.
PETERSEN, David (1997). A Hunter’s Heart. Holt.
SEQUEIRA, Ângelo (2009). Passo a passo, Tiro a tiro. Mil@ Editores (de prosas e tradições, Lda).
SHEPARD, Paul (1998). Coming Home to the Pleistocene. Island Press.
SHEPARD, Paul (1996). The Only World We’ve Got. Sierra Club Books.
SHEPARD, Paul (1973). The Tender Carnivore & the Sacred Game. Georgia.
SWAN, James A. (1994). In Defense of Hunting. Harper One.
SWAN, James A. (1999). The Sacred Art of Hunting. Willow Creek.
TAVARES, Miguel Sousa (2009). Outono - Elogio da Caça. Expresso
VIDAL, Marques (1998). Estórias bem Caçadas. Joartes – Artes Gráficas, Lda.

9 de fevereiro de 2011

Manifestação em Fátima - Opinião

Opinião de António Luiz Pacheco, sobre manifestação em Fátima, por alegados maus tratos a animais no Santuário.

"Há agora um grupo de pessoas que se dizem partido político… dos animais! Bem, de facto ele há muita besta na política… mas um partido dos animais é daquelas coisas que custam um bocado a perceber cá ao meu bestunto de barrão, inculto e ao que parece incivilizado… pelo menos segundo os padrões daqueles.
Este partido, julgo que a evolução da “senhora dos gatos” passada do acto de dar milho aos pombos na praça à acção política, pretende tornar melhor o nosso país por via desta política dita dos animais! Na minha pobreza de espírito, não vislumbro como, pois francamente não vejo o “timpanas” presidente da junta, nem o “fandango” deputado…
Bom, na minha assumida ignorância destas coisas da governação, seja ela animal ou humana, me pergunto se para o país ser deveras melhor não seria antes de olhar para as pessoas e a forma como são tratadas? Eles afirmam que um país pode ser avaliado pela forma como trata seus animais… é capaz… mas e a forma como trata dos velhos? Dos doentes? Das crianças? Dos contribuintes e cidadãos em geral… não seria melhor começar primeiro por aí? Enfim, creio que teríamos depois tempo e oportunidade de se chegar aos animais… e falo daqueles de 4 patas, como costuma dizer-se!
Se calhar eu até sou um dos tais rústicos que segundo eles precisamos de facto de ser educados, civilizados e ajudados a evoluir, aceito que sim! Julgar que não, seria fazer como eles que se presumem o topo da evolução humana, e o demonstram aliás na sua cuidada apresentação, de barbas e cabelos artisticamente do mais ou menos desgrenhado ao totalmente pelado (neste caso sempre dificulta a proliferação dos ectoparasitas, vulgo pulgas e piolhos…), através de estéticos piercings e tatuagens, naquelas roupas do mais puro bom-gosto e fino corte de costureira de sacas, e nas idéias elevadas advindas do consumo de alucinogénios, não se coibindo de desejar mal, a punição física ou mesmo a morte aos que como eles não pensam! Verdadeiros modelos e exemplo da cultura e civilidade que pretendem possuir, só igualadas pela tolerância demonstrada…
Esta a forma em que julgo se consubstancia, à primeira vista, a afirmação absoluta dessa sua superioridade civilizacional. Assim sendo, reconheço totalmente o meu atraso e a minha incultura, que me levam a aparar a barba e a pentear o cabelo, a vestir-me de modo a que as pessoas não se sintam tentadas a dar-me esmola quando se cruzam comigo, que justifico assim não fora e provávelmente a minha mulher me mandaria dormir lá para fora com a malta canina! Seria sem dúvida muito bem-recebido por todos eles, mas confesso que se arriscava a ser incómodo… para mim que não sou animal!
E por isso, sendo apenas humano e um barrão embrutecido não me posso impedir de perguntar, nessa ignorância destas coisas e causas elevadas:
- Então e vão fazer uma manifestação para o Santuário de Fátima? Coisa que nem os comunistas mais ímpios ou empedernidos se atreveram a fazer nunca… uma manifestação pelos animais num local sagrado e de fé? Onde vibram e foram depositados os sentimentos mais profundos de milhares de pessoas por várias dezenas de anos, as suas mágoas e esperanças? Pode nem se acreditar ou mesmo não se sentir, mas num local de fé… uma manifestação pelos animais?
Esta gente será boa da cabeça? Ou sou eu que estou de facto cego por 55 anos de viver sob princípios falsos… Ou terão eles já passado ao estatuto de besta, directamente?
Aquilo não é afinal prova de insensibilidade profunda e desrespeito total pelos outros humanos, de tão devotados aos animais? Acaso algum deles será capaz de ao menos respeitar, já nem digo sentir, o desespero de uma mãe que tenha prometido dar voltas de joelhos pela salvação dum filho e que num extremo de fé e dor o vai cumprir… ao lado de alguém que está ali a marcar presença por causa da captura de cães vadios? Algum deles alguma vez conheceu uma aflição verdadeira, que não seja a falta de cigarros…
Ainda por cima exigem que a Igreja Católica dê o exemplo… e manifestam-se ali, livremente… pergunto-me o que aconteceria se fossem fazer o mesmo, lá num local sagrado para os muçulmanos? Querem prova maior de civilidade e tolerância do que o não terem sido logo ali e sumariamente apedrejados até à morte?
Ou seja, serei mesmo eu, barrão, inculto e ignorante, com princípios que me levam a respeitar as crenças alheias, quem precisa dessa “civilidade”? Francamente, não me parece… e julgo que à “binga”, ao “panda”, à “lola” e à “pigui” tal não faça diferença. Ali a “gatilda”, boceja e espreguiça-se… é, acho que ela tem razão!
A fechar e se me derem a oportunidade, aproveitando a paciência deste jornal e a benevolência de quem me leia, atrevia-me nessa minha enorme ignorância quiçá ingenuidade aldeã de barrão, a propor algo que de facto melhorasse o nosso país e fizesse dele um lugar mais evoluído. Algo que está ao alcance de todos nós, e é apenas uma questão de atitude, de percebermos que não viémos ao Mundo para dificultar a vida aos outros… e que se corra esse risco de embora podendo parecer “totós”, sermos um bocadinho melhores, no nosso dia-a-dia, em pequeninas coisas… boa-vontade, diria!
Quando estacionamos o carro, o façamos de modo a deixar espaço para que outro que venha a seguir possa estacionar também! Demos um minuto do nosso dia para deixar passar o velhote que arranca hesitante e com o carro aos soluços… aliviemos o pé do acelerador para diminuir a marcha e deixemos entrar na bicha aquele carro que está ali à espera… de ceder a nossa vez na fila do supermercado a duas pessoas que estão atrás de nós com poucos artigos, quando temos o carrinho cheio com as compras do mês!
Porque não havemos de nos dirigir com delicadeza e urbanidade ao funcionário no balcão dos correios ou das finanças? Desculpar alguma lentidão ao atendimento no café? Sorrir para a caixa que tenta desesperadamente registar a nossa compra num sistema informático criado por um tresloucado que nunca esteve atrás de uma registadora?
Que tal ajudar um idoso a descer o passeio ou a sair do carro? Dar um telefonema àquela tia viúva que vive sózinha e de quem nada sabemos faz meses… ajudar a vizinha antipática e feia a carregar o saco das compras, pensando que já lhe basta o fardo de ser assim… Ir ao hospital saber daquele conhecido que até nem tem muita gente… oferecermo-nos para trazer da escola o miúdo vizinho cujos pais trabalham até tarde e têm de se desdobrar… ou levá-lo ao hóquei com o nosso?
Não comprar artigos feitos em países e regimes que exploram e oprimem outro seres humanos, produtos esses tornados baratos pelo desrespeito dos seus direitos mais elementares, que têm como garantia o nosso egoísmo consumista de democratas evoluídos e ciosos desses direitos…
Há MILHARES destes pequenos gestos que podíamos experimentar praticar de modo espontâneo, sem esperar nada em troca salvo a felicidade de nos irmos tornando aos poucos em pessoas melhores, e então sim o país se tornaria melhor… porque umas coisas levam às outras!
Enfim, fica o desafio, sejam criativos… arranjem essas pequeninas formas, gestos e acções que os farão sentir melhor e verão que também o Mundo melhora! Para todos, incluindo os animais… até as vizinhas ficando mais simpáticas serão menos feias!
E deixem Fátima para as manifestações de fé…"


Texto da autoria de António Luiz Pacheco

29 de janeiro de 2011

Gualter Furtado - A Caça Açoriana na Escrita

No passado dia 27 de Janeiro de 2011, o Correio dos Açores publicou um artigo, da autoria do jornalista Afonso Quental, intitulado "Tertúlia Açoriana - Gualter Furtado e a literatura: A caça açoriana na escrita".
Trata-se de uma entrevista ao Caçador Açoriano Gualter Furtado, sobre a publicação do seu novo livro "UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA", que tomei a liberdade de transcrever:

"Livro «UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA», de Gualter Furtado, na impressão: «Defendo que a caça, quando praticada com desportivismo, amizade, lealdade, segurança, respeito pelos nossos amigos cães, respeito pela natureza e pelas espécies cinegéticas e numa aliança com a ciência e a investigação, é um verdadeiro acto de cultura».

Correio dos Açores - Nome, naturalidade, cidade e país onde reside?
Gualter José Andrade Furtado, natural do Vale das Furnas, resido presentemente nos Arrifes, concelho de Ponta Delgada, nos Açores.

O Primeiro livro que leu?
História do Vale das Furnas do Urbano de Mendonça Dias.

Quando começou a sentir a paixão pela leitura e pela caça?
Comecei a ler desde muito novo, os livros de aventuras foram sempre uma presença constante na minha juventude, depois conheci na Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada dois Professores que nos incentivavam a ler e a escrever que foram o Dias de Melo e o Jacinto Soares Albergaria. O primeiro artigo que escrevi com cerca de 12 anos foi um pequeno trabalho que publiquei no Açoriano Oriental a defender a constituição de uma casa museu do Armando Cortes Rodrigues, e muito influenciado pelo Dr Jacinto Soares de Albergaria que para além de ser meu professor era também meu vizinho durante as férias grandes no Vale das Furnas. Acresce que convivi intensamente com amigos Furnenses que estudavam no Seminário e durante as férias quase se sentiam na obrigação de nos transmitir conhecimentos. Depois a nossa família era muito amiga do saudoso padre Afonso Quental, com quem também aprendi muito e fui um grande amigo. Quanto à caça esta é uma Paixão que tenho desde que me conheço, muito influenciada pelo meio ambiente, pelo meu avô, por alguns dos meus companheiros de escola primária como seja o António Manuel Galante e por um pescador da Ribeira Quente que foi o Manuel Caranguejo.

Qual é o seu género literário preferido?
Didáctico.

Na escola primária era habitual ter boas classificações nas redacções?
Sim, sem falsas modéstias fui um BOM aluno. Quando fui para a escola primária com 5 anos já levava a lição bem estudada, as minhas vizinhas, muito cultas para a época, tinham autênticas escolas nas suas casas, e entretinham-se a ensinar alguns dos miúdos da nossa rua, eu fui um deles. Quando fui para a primeira classe não tinha a idade oficial para frequentar a escola, a minha professora, aceitou-me na escola correndo alguns riscos, de tal forma que sempre que batiam à porta da sala de aulas eu corria logo para debaixo da secretária de madeira, o que se revelou muito útil num grande sismo que danificou seriamente a nossa escola, na ocasião eu não sofri nada graças ao meu treino intensivo de me esconder sempre que sentia qualquer barulho. Esta situação fez que eu para fazer a quarta classe tivesse de vir realizar o exame a Ponta Delgada. Enfim outros tempos.

Quais os livros que mais o marcaram?
Os livros que mais me marcaram foram “Os bichos” de Miguel Torga e o “Cão como nós” do Manuel Alegre.

Indique-me um livro de um escritor açoriano de que gostaria de ter sido o autor?
Gostaria de ter escrito muitos e de diversos escritores, mas refiro o “Pastor das Casas Mortas” do Daniel de Sá.

Convive normalmente com escritores, poetas, e cantadores açorianos. Que é que mais admira nessas expressões de cultura?
Tenho amigos escritores que muito prezo como são o Daniel de Sá e o Onésimo de Almeida, como também conheci Poetas Açorianos, mas foram os Cantadores ao Desafio que mais me marcaram. Em todos eles o que mais admiro sãos os seus conhecimentos e o seu carácter genuíno. A afirmação dos Açores sem nunca perder a universalidade é o que mais admiro na cultura.

Já escreveu um livro sobre caça. Sabemos que em breve irá lançar outro. Que espaço geográfico e social caracteriza nesse livro.
A parte substancial do Livro «UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA» é dedicada aos Açores, mas a minha reflexão ultrapassa a nossa Região, até porque a Caça não tem fronteiras e é hoje um problema global. Defendo que a caça, quando praticada com desportivismo, amizade, lealdade, segurança, respeito pelos nossos amigos cães, respeito pela natureza e pelas espécies cinegéticas e numa aliança com a ciência e a investigação, é um verdadeiro acto de cultura.
Não fora a acção de protecção e recuperação de habitats feita por muitos caçadores por este mundo fora e muitas espécies consideradas cinegéticas já tinham visto a sua dimensão demográfica ter sido reduzida substancialmente, ou estariam extintas, refiro-me por exemplo às aquáticas.
A mudança dos habitats, as doenças e os vírus, a mudança do clima, a utilização de químicos e pesticidas, os furtivos, matam muito mais do que os Caçadores. Por conseguinte, este livro é um contributo para a sustentabilidade da caça e um elogio à componente social e gastronómica que deve presidir ao acto da caça.

É um apaixonado pela Caça. Como tem sido a sua actividade nesse desporto.
A minha participação no Mundo da Caça tem sido constante, naturalmente com alguns erros que procuro corrigir, mas sempre de uma forma activa e transparente.
A caça sem cães e sem os outros amigos não faz sentido. Sou, presentemente, o presidente da Assembleia Geral da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores, a primeira do país nesta vertente, o que muito me honra.
Escrevo em revistas nacionais de caça e procuro ter uma presença regular na imprensa escrita açoriana. Sempre que tenho oportunidade faço passeios pedestres em locais em que as espécies cinegéticas estão presentes, e visito museus de história natural.
Em síntese, a caça não é só matar, cada vez mais isto é o que me interessa menos."

26 de janeiro de 2011

Caçadas aos Javalis

Em 1959, através da Casa Véritas – Guarda, e da autoria do Dr. Francisco Maria Manso, foi publicado “CAÇADAS AOS JAVALIS – Pelo DR. FRAMAR”.
Trata-se de uma obra de referência sobre a caça maior em Portugal que, à semelhança de outras que por aqui venho reproduzindo alguns episódios quando o tempo me sobra, deve fazer parte de qualquer biblioteca cinegética que se preze.
Neste livro também encontramos, além de muitas fotografias, diversas referências ao uso da buzina e da corneta nos diversos momentos das caçadas, que o autor aqui designou por campanhas.
Transcrevo então, para memória futura e deleite dos leitores, o texto da convocatória para a Campanha Sétima, onde acabaram por comparecer duas dezenas de espingardas, e a conclusão da narrativa da Campanha Oitava.

"Para conhecimento geral dos apaixonados destas guerras, se mandou lavrar a presente circular, encerrando os dez mandamentos que constituem o regulamento - lei das nossas caçadas:

Caçada aos javalis na Quinta do Major

1. É preciso considerar que os javalis não vivem em bandos… e para caçar com fidalguia, se devem alvejar com bala única, para matar… ao estribo com punhos de renda.
2. Não se vai caçar em coutada. A região é muito extensa, ondulada, com matos de toda a ordem e, porque é extensa, acidentada e coberta de matos, ali se têm acoutado javalis dos primitivos tempos e os actuais, seus descendentes, consta que vivem orgulhosos do seu puro-sangue.
3. São precisos três dias de batidas e mesmo assim não se bate a décima parte dos terrenos onde se acoitam, motivo porque vivem lá ainda, LOBOS, LINCES e JAVALIS… e como eles são pouco curiosos e não vêem observar-nos de perto… vemo-nos obrigados a procura-los, sem que nos digam onde estão… o que é sempre uma trabalheira dos diabos… e às vezes sem sorte nenhuma para dar com eles.
4. Donde se deduz, que se aparecerem e se alvejarem dois ou quatro daqueles «CATEDRÁTICOS» é já andar com muita sorte e aqui fica a prevenção para os que pensam fazer cintos de javalis, como se fazem de codornizes…
5. O regime da caçada não tem similar na Europa. Quem tudo manda é o director. A ele todos devem pedir e ele a todos servir.
6. O caçador não tem direito a quarto, nem cama, nem roupa, nem talher, nem mesa… Mas há-de ficar debaixo de telha, comer, deitar-se e dormir provavelmente… Deve, pois, fazer-se acompanhar de talher, dois pratos de alumínio ou esmaltados, guardanapo (se não achar supérfluo), um copo, toalha e sabão, se quiser lavar-se, porque não é obrigatório… Trazer cobertores, um ou dois, conforme o frio que quiser passar.
7. O custo da caçada, por «cabeça» com pagamento a 50 batedores, quatro dias, aluguer de montadas «puro-sangue» de Malcata, com vitela abatida à vista do hóspede, diária no «PALACE DAS SELVAS» e o mais que não se imagina… deve dar uma conta aproximada entre 600$00 a 800$00.
8. O caçador que abater, a tiros de espingarda, a peça de caça procurada, LOBO, LINCE ou JAVALI, tem direito à cabeça e à pele da vítima… A carne e os ossos pertencem ao resto do exército, que tudo dividirá em partes iguais.
9. Carregar a espingarda só depois de destinada a porta. Preferir bala de chumbo. As portas são sorteadas dia a dia.
10. O que faltar nesta legislação é resolvido livremente pelo director da caçada e, da sua sentença, não cabe apelação para nenhum tribunal nem mesmo para a O.N.U."


Como referi acima e para concluir, deixo-vos os dois últimos parágrafos da Campanha Oitava:

"Entrada triunfal na freguesia de Quadrazais e Vila do Sabugal com visitas obrigatórias das crianças das escolas, de mistura com adultos, ao belo exemplar abatido… Abraços de despedida e até para o ano.
Como recordação, conservo ainda a cabeça do javali, embalsamada, e a pele cerdosa e escura, é o tapete que piso todos os dias, ao sentar-me à minha secretária… e assim a caçada continua!"

25 de janeiro de 2011

Um Contributo Para a Defesa da Caça

"Um Contributo para a Defesa da Caça" é o título do mais recente livro da autoria de Gualter Furtado.
Embora seja o fruto de uma enorme paixão, nas 215 páginas ilustradas pelas mais de 150 fotos que o compõem constata-se a realização de uma análise bastante objectiva sobre o estado da caça nos Açores, no continente e em alguns países do Mundo onde o autor teve a oportunidade de exercer o acto venatório.

Transmite-nos a mensagem que a caça, quando praticada com desportivismo, amizade, espírito de entreajuda, respeito pelo próximo, pela natureza e pelos animais é um acto social valioso, de cultura e muito importante.
Demonstra-nos que o caçador é um defensor da natureza, que respeita as espécies cinegéticas e que possui uma grande relação de cumplicidade com os seus cães, os quais trata muito bem e não abandona, razão porque, neste quadro aqui exposto, defender a caça é uma atitude muito positiva que a ninguém deve envergonhar.
Diz-nos ainda que o caçador colabora e promove a recuperação dos habitats de tal forma que, por este mundo fora, se não fosse a actividade venatória e este intenso empenhamento que só os caçadores conseguem demonstrar, muitas espécies animais, cinegéticas e não cinegéticas, com particular destaque para algumas aquáticas, já estariam extintas.
Numa altura em que a actividade venatória foi novamente escolhida como alvo a abater por alguns grupos radicais e extremistas ditos amigos dos animais e ambientalistas sedentos de protagonismo fácil, a publicação deste livro, do que ele contém e transmite é um apelo aos homens de boa vontade e um contributo para a afirmação dos valores e da cultura que só a caça e a sua envolvência social e cultural poderão proporcionar.

O lançamento desta obra impar da literatura cinegética insular e nacional, cuja capa foi pintada pela reconhecida artista plástica Maria José Cardoso de Souza, terá lugar no próximo dia 26 de Fevereiro, pelas 17H00, na Academia da Juventude da Ilha Terceira, numa sessão presidida pelo Senhor Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita.

15 de janeiro de 2011

Outono - Elogio da Caça

"Dantes, aos primeiros sinais de Outono, eu entrava em depressão. Mais do que a chegada do Outono, o que me deprimia era o fim do Verão, pois que sempre fui devoto dessa verdade enunciada por Rilke: "só o Verão vale a pena". Imaginar um longo ano pela frente sem as praias e os banhos de mar, sem as noites quentes nos terraços e pátios, as noites em que o luar atravessa a sombra dos pinheiros e vem pousar no chão do quarto onde dormimos de janela aberta, a maresia trazida pelo vento de sueste nas manhãs marítimas, as frutas de Verão nos mercados, o peixe fresco brilhando ainda com luminosidades de prata, as vozes que se transmitem ao longe, dobrando esquinas e ruelas do que resta dos nossos souks em aldeias ou até em Lisboa, tudo isso, imaginar um ano inteiro sem tudo isso, deixava-me irremediavelmente triste e desamparado, como se as marés de equinócio tivessem varrido todas as possibilidades de alegria, todos os dias felizes. Se o Verão morria assim, eu morria também com ele, de cada vez.

Mas, há uns anos, tudo mudou. Alguns amigos começaram a levar-me à caça e eu descobri que, além do mar, também havia a terra, e depois do Verão havia o Outono: foi uma descoberta tardia, mas decisiva, como se tivesse descoberto uma quinta estação do ano e, mais do que isso, um novo pretexto para a felicidade. Rapidamente tomei a minha decisão e resolvi tornar-me caçador. Comecei pelo princípio, passo por passo, e são muitos: as aulas e o exame para obtenção da carta de caçador, aprendendo coisas para mim inteiramente desconhecidas, como o ciclo de vida e hábitos dos animais, modalidades de caça, princípios de balística, como criar e treinar cães de caça, etc.; depois, atravessei todo o imenso processo burocrático para a concessão de licença de porte de arma, escolhi as armas (que ainda hoje são as mesmas), experimentei vários tipos e marcas de cartuchos até perceber com quais me dava melhor e fiz um mínimo de aulas de tiro; finalmente, experimentei dois cães - um tão bom, que mo roubaram, o outro tão mau que foi dispensado e hoje é um urbano-depressivo, cheio de doenças e tiques de personalidade.

Muito embora o campo não me fosse propriamente estranho, eu não sabia como eram os campos de caça. Não fazia ideia do mundo novo, primordial e deslumbrante, que iria encontrar. Não imaginava as manhãs de geada ou de orvalho suspenso nos arbustos e nos ramos das árvores, as manhãs de frio polar ou as de chuva e lama, onde nos enterramos até à alma e maldizemos a decisão de ter saído da cama - que logo depois bendizemos, assim que os primeiros raios de sol rompem as nuvens e o frio ou que a primeira peça de caça tomba no chão. Não imaginava as longas caminhadas por cabeços ou planícies, por leitos secos de rios ou através da água, o cheiro a esteva e a giesta, ou as longas emboscadas, atento a todos os ruídos, ao simples agitar de uma folha, adivinhando a presença próxima dos animais antes de os ver. As esperas silenciosas à beira de um riacho, molhando a cara na água cristalina, aproveitando para colher poejos ou beldroegas tardias, aproveitando para pensar na vida, no essencial, no que verdadeiramente importa. A sós, com os três maiores luxos que um homem pode ter: espaço, tempo e silêncio. Porque aqui não há multidões nem urbanizações turísticas, não há pressa nem vozearia de conversas inúteis.

E não sabia que os 'selvagens dos caçadores' (que os há, como em tudo o resto), também conseguem, outras vezes, reunir um grupo de amigos que tudo pode separar à partida, mas que finalmente se encontram unidos por essa paixão primitiva e talvez inexplicável da caça. Gosto especialmente dos jantares que antecedem as manhãs de caça, das conversas soltas e sem pressa, das anedotas que dão a volta e regressam no final da época. Há quem imagine que as conversas dos caçadores são sobre futebol, mulheres e política. Pois lamento desiludi-los: são sobre armas, cartuchos, cães, viagens, o estado dos campos e das culturas e as memórias antigas de 'lances' de caça, umas vezes inventadas, outras reais, que cada um guarda consigo e a que só a um outro caçador vale a pena contar. E gosto muito das pequenas pensões ou hotéizinhos manhosos de província, onde se joga cartas à lareira do salão (a inevitável 'sueca') e onde os quartos têm pesados armários antigos de madeira e uma casa de banho 'moderna' enxertada no meio do quarto, com o polibã para poupar espaço. Gosto de passar em revista e preparar todo o 'material' de véspera: verificar se as armas estão bem limpas, se os cartuchos escolhidos são os melhores para o que se vai caçar, se a roupa e tudo o resto estão preparados para não perder tempo de manhã, em que cada minuto conta. E depois é tentar adormecer cedo - o que nem sempre é fácil, porque a adrenalina e a excitação já começam a fazer-se sentir. E, se o sono vier cedo, hei-de adormecer feliz, pensando que no dia seguinte vou à caça, enquanto tantos outros, lá na cidade, vão gastar a noite e a madrugada em bares, discotecas, festas e concertos onde se atropelam para atrair as atenções dos fotógrafos das revistas sociais. E,quando eles, se calhar, ainda nem vão no primeiro sono, já eu estou sentado à mesa (trôpego de sono, é verdade) para algum extraordinário pequeno-almoço, como, por exemplo, açorda alentejana com ovo e bacalhau.

"Ah", dirão vocês agora, "e o prazer sádico em matar animais - disso não fala?". Falo sim, para dizer que não existe tal coisa como o prazer de matar. Existe, sim, o prazer de acertar, que é uma consequência lógica do prazer de atirar. Nenhum caçador gosta de errar o tiro ou, pior ainda, de errar parcialmente e deixar um animal ferido, em vez de morto redondo. É por isso que a ética exige que, no caso da caça grossa, que pode resistir muito tempo a um ferimento, o caçador vá atrás da peça ferida até lhe poder dar o chamado tiro de misericórdia. E é por isso, também, que nenhum caçador que se preze atira a uma ave que não esteja em voo ou a um coelho ou uma lebre que não esteja em corrida. Claro que há caçadores que o fazem, mas eu não caço com eles e os meus amigos também não. Também não caçamos o que não comemos e fazemos questão de saber cozinhar uma canja de pombo, uma perdiz de escabeche ou um arroz de tordos. E de nos sentarmos todos à mesa, terminada a 'jornada', e ficarmos à conversa pela noite adentro, moídos de cansaço e de felicidade tranquila, de bem com a consciência, de bem com a natureza e as suas leis, em paz contra as imperfeições do mundo, as suas falsidades e fúteis aparências.

E se me deu para escrever este texto é, não só porque abriu a época de caça, mas também por outras duas razões. Uma, porque amanhã, diz a lei, é 'período de reflexão' e eu mantenho a tradição de não falar de política antes de eleições. Outra, porque a caça é um grande tema de reflexão e uma grande escola de vida e de valores - de companheirismo, de fairplay, de conhecimento e respeito pela natureza, de paciência, persistência, de reaprendizagem de coisas primordiais e evidentes por si mesmas. E, por isso, antes que a multidão politicamente correcta da nova doutrina urbana e 'civilizacional' queira julgar como selvagens a caça e os caçadores, ou mesmo bani-los face à lei, convinha que a sua arrogante ignorância ficasse a saber que falam do que não sabem e não percebem, e que, para infelicidade sua, jamais entenderão."


Texto da autoria de Miguel Sousa Tavares, publicado na edição do Expresso de 9 de Outubro de 2009, aqui transcrito com a devida vénia.
Fotografia retirada da internet, sem autor identificado.

9 de janeiro de 2011

Apelo Contra a Caça - Resposta

No passado dia 01 de Janeiro de 2011, alegados defensores e amigos dos animais, como o Teófilo José Chaves de Braga e o Sérgio Diogo Caetano, entre outros, lançaram um apelo público contra a caça às aves migratórias neste arquipélago açoriano, mais concretamente contra a caça às galinholas, narcejas e patos, de modo a pressionarem e condicionarem o desempenho do Governo dos Açores na elaboração do Regime Jurídico da Protecção da Biodiversidade.
Alegam que “em todo o mundo a caça está a sofrer uma enorme pressão por parte de uma nova geração mais sensibilizada para a defesa do património natural, sendo cada vez maior o número de caçadores desportivos que têm trocado a caça pela observação de aves, pela “caça” fotográfica ou pela realização de filmagens. Que, de igual modo, em todo mundo, em substituição da caça as pessoas optam pelo pedestrianismo, que tem mais de 15 milhões de participantes, e pelo Birdwatching ou Observação de Aves com mais de 80 milhões praticantes”.
Apesar do abundante chorrilho de afirmações que compõem contra a caça, não indicam qualquer fonte fidedigna que as possam sustentar como reais e verídicas. Pelo que aqui fica o desafio para que o façam, para que nos demonstrem que o que afirmam é verdade e que são sinceros.

Os nomes dos subscritores desse documento constam do Correio dos Açores, de 05/01/2011, e o segundo dos signatários chama-se José de Andrade Melo.

Em Santa Maria também temos um José de Andrade Melo conotado com grupos ditos ambientalistas, que se diz coordenador do Clube dos Amigos e Defensores do Património Cultural e Natural de Santa Maria, membro dos Amigos dos Açores e é um activo escrevinhador na coluna ambiental d’O Baluarte de Santa Maria.
Esse senhor, no passado dia 20/11/2009, n’O Baluarte, e através do artigo intitulado “Os Cagarros estão de partida – salvemos os nossos primeiros habitantes”, da sua autoria, chamou todos os caçadores de criminosos, porque, na sua concepção, eram os caçadores que apanhavam essas aves e que depois as vendiam à margem da lei a quem as quisesse comer.
Cerca de um ano depois, no passado dia 13/11/2010, na estação de rádio do Clube Asas do Atlântico, no decurso de um programa que teve como tema a Caça e onde participei, o mesmo José de Andrade Melo já teve o cuidado de fazer a distinção entre o caçador com o “C”, o “c” e o furtivo, afirmou que não era contra a caça e que não a abominava, nem a hostilizava. Que reconhecia inclusivamente, vantagens e benefícios no campo do lazer, económico e ecológico.
Mais, que a caça promovia a saúde, o convívio e auxiliava as famílias menos favorecidas e tudo isso depois de afirmar, no dia 11/10/2010, pelo dia mundial do animal, n'O Baluarte, que "os animais são seres sencientes e que sentem como gente"!
Referiu ainda nesse programa de rádio, de 13/11/2010, que, no ano de 2001, num encontro que teve lugar no mesmo clube, sob a temática da diversificação económica da ilha, tinha versado sobre o turismo na perspectiva ambiental e referido que a caça poderia ser uma alternativa económica e que era importante que isso fosse para diante.
Com base nisto tudo enviei-lhe um correio electrónico a solicitar que me indicasse se era ele o segundo subscritor desse apelo, porque não fazia qualquer sentido mudar de opinião tantas vezes, tão radicalmente e em tão pouco tempo; dizer que se defende uma coisa num dia e fazer outra, completamente oposta, noutra altura, mas optou por não me responder. Lá saberá o porquê ou então não saberá!...

O Teófilo Braga, assim que nos fizer o favor de informar onde foi buscar a informação que utiliza para fundamentar o seu apelo, cuja veracidade urge corroborar com urgência, sob pena de tudo parecer um falso motivo para se declarar mais uma crise onde ela não existe, que nos indique também quem são, concretamente, os seus apoiantes, se é que o pode fazer...
Até um melhor esclarecimento por parte dos visados, decidirá o leitor a qualidade e o valor a atribuir a este "apelo".

Relacionado:
O Novo Terrorismo Ecológico, de Victor Pires

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