A Doença Hemorrágica Viral atingiu Santa Maria em 2015, reduzindo drasticamente a população de coelho-bravo e impedindo a caça durante várias épocas.
Entre os caçadores marienses persistiu uma suspeita que nunca se confirmou: a mortandade parecia começar, todas as épocas, pela mesma altura e na mesma zona desta ilha. O padrão poderia indiciar uma introduçao criminosa do vírus, mas também ser explicado pela sua permanência no meio e pelo reaparecimento sazonal. A dúvida, no entanto, permanece.
A verdade é que Santa Maria possui uma importante produção de meloa que deve ser protegida e que o nosso coelho-bravo, que está em boa recuperação, não pode atingir densidades capazes de ameaçar essas culturas e que a solução não deve passar pela eliminação criminosa nem total do coelho-bravo. É necessário conservar uma população saudável de coelho, compatível com a caça e com produção de meloa, controlando a presença do coelho-bravo junto das explorações através da monitorização dos seus números e de uma pressão cinegética ajustada. A caça deve fazer parte da solução, nunca do problema!
O recurso à doença seria irresponsável e criminoso! Um vírus não distingue zonas agrícolas de zonas cinegéticas e pode destruir tanto a população de coelhos bravos como a de domésticos durante anos. Defender a meloa e conservar o coelho-bravo não são objetivos incompatíveis. Exigem diálogo, equilíbrio e colaboração entre produtores, caçadores e serviços oficiais.
Os mais antigos, muito mais ligados e dependentes da agricultora do que somos hoje, já diziam que a "caça quer ser caçada!"