30 de março de 2009

O Pico da Vara

O Pico da Vara é o ponto mais alto da Ilha de São Miguel com cerca de 1100m de altitude estando localizado no Concelho do Nordeste, embora o concelho da Povoação reevindique também como seu este verdadeiro património natural.
O seu acesso tanto pode ser feito a partir do Nordeste (Achada, Algarvia, Fazenda e Santo António) como a partir da Povoação.

O percurso é difícil e em algumas partes é mesmo perigoso sobretudo no Inverno e quando chove, recomendando-se sempre a presença de um Guia e nunca, mas nunca fazer esta subida sózinho. Por exemplo se escolhermos o percurso a partir da Povoação a sua extensão é de 15,2 Km, e o tempo médio de caminhada é de 05h.
Com partida dos Graminhais ( no cimo da Achada do Nordeste ) caminhando com calma levamos 02h30m até atingir o ponto mais alto, mesmo fazendo muitas paragens a fim de contemplar as maravilhas da Natureza.

Próximo do Pico da Vara localiza-se no Planalto dos Graminhais uma Turfeira magnífica onde vivem e se reproduzem as poucas Narcejas residentes em São Miguel (zona interdita ao exercicio da caça e bem), e do outro lado temos a Tronqueira do Nordeste onde habita o Priolo, ave que só existe na Ilha de São Miguel e nos Concelhos da Povoação e do Nordeste.

Toda a zona do Pico da Vara é palco de vegetação e flora endémica de uma riqueza extraordinária.
Com uma presença importante de Estrelinhas e Tentilhões e alguns Coelhos bravos. Quanto às vistas e quando temos bom tempo são simplesmente espetaculares.

Durante o percurso somos por duas vezes supreendidos por dois marcos a assinalar dois acidentes de aviação ocorridos no Século passado sem sobreviventes, um da Air France e outro da F A P.
São locais de meditação e de profundo respeito por todos aqueles que perderam ali a vida .
Marcel Cerdan o grande boxeur nascido na Argélia, campeão do mundo de pesos médios e que pouco tempo antes de embarcar naquele fatidico vôo da Air France tinha perdido o título mundial para o Jake La Mota, foi um dos que perdeu a vida naquele triste dia de 27 de Outubro de 1949.
Cerdan era um ídolo em França e a sua ligação à grande cantora Edith Piaf inspirou historiadores e escritores (Daniel de Sá escreve um brilhante artigo sobre o Pico da Vara e também sobre este tema), sendo a sua morte chorada em todo o Mundo principalmente em França.
Recorde-se que o objectivo deste avião era fazer escala no Aeroporto de Santa Maria onde nunca aterrou.
Desde criança que ouço esta história e os horrores que se seguiram, que propositadamente omito.
É pois com emoção que nos curvamos junto ao marco que assinala este triste acontecimento.

Passados uns instantes estamos de volta a um meio ambiente deslumbrante, que urge respeitar a todo o custo, e que simboliza o que de melhor existe em São Miguel, nunca sendo de mais lembrar que se trata do único local da ilha em que ainda existe vegetação característica dos primeiros tempos do Povoamento. No minimo exige-se Respeito.

Para a História das nossas vidas fica registado que no Sábado de 28 de Março de 2009 um Grupo de Amigos constituído pelo Octaviano Mota, Gualter Furtado, Joaquim Bensaude, Antonio Serpa, José Raposo, Pedro Fernandes e Carlos Pereira (Guia) subiram o Pico da Vara pelos Graminhais colocando mais um anel na corrente da Defesa da Natureza, o que deve constituir uma prioridade das prioridades nas nossas Ilhas.

Finalmente uma palavra de apreço ao Resturante da Achadinha que mesmo fora do horário normal do almoço nos serviu uns magnificos petiscos e uns torresmos que nos souberam muito bem.
E assim se passou mais um dia nesta época do Defeso da Caça e caçando de uma maneira diferente!


Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

9 de março de 2009

Andaluzia 2009

Decorreu de 11 a 21 de Fevereiro de 2009, a semana Internacional de Andaluzia para todas as raças continentais (ex: Bracos alemães, Drahthaares, Epagneul Bretons, Griffon Korthals, Bracos Italianos).
Nestes dias tiveram lugar o Campeonato da Europa do Epagneul Breton, o Campeonato do Mundo do Braco Alemão e a Copa da Europa de Primavera.
José Matos foi seleccionado para representar Portugal nos 3 Campeonatos.

José Matos, da ilha Terceira, destacou-se naquele que é o troféu mais cobiçado por todos os treinadores a nível mundial:
- A Copa da Europa.
É de salientar que este troféu existe desde o ano de 1985 e é a primeira vez que um português o ganha.
Um feito extraordinário!


A Copa da Europa tem uma particularidade que advém da gravação do nome do cão, do condutor e do país numa taça de prata que no final do ano é entregue no país que organiza a seguinte Copa da Europa, que ocorrerá na Grécia, no ano de 2010.

Critérios de selecção nos dias 11 e 12, bem como nos dias 15 e 16 de Fevereiro, nas provas abertas a todos os concorrentes. Foram seleccionados os melhores cães portugueses ficando assim ordenadas as equipas:
Campeonato da Europa do Epageul Breton: “Ágata dos Malheiros” condutor e treinador José Matos, “Bacardi” condutor João Aguilar treinador José Matos, “Fredi e Cuco” condutor Jorge Piçarra.
Campeonato do Mundo do Braco Alemão: “Íris, Iuri e Vasco” condutor e treinador José Matos.
Copa da Europa para todas as raças continentais “Iuri e Bacardi” condutor e treinador José Matos, “Vénus e Uni” condutor Vítor Silva, reserva “Átomo dos Malheiros” condutor e treinador José Matos.

Os países que já ganharam a Copa da Europa: França 8 vezes, Itália 3 vezes, Bélgica 2 vezes, Dinamarca 1 vez, Espanha 2 vezes, Croácia 1 vez, País basco 3 vezes.
Portugal, apenas 1 vez com o Epagneul Breton, macho, de nome “Bacardi”, com a nota mais alta que um cão pode ter 1º EXCELENTE CACT CACIT.


Texto e fotos enviado por Gualter Furtado

5 de março de 2009

Prova de Santo Huberto

Realizou-se em São Miguel no passado fim-de-semana de 28 de Fevereiro e 1 de Março, a primeira Prova de Santo Huberto com cão de parar sobre perdizes vermelhas tendo como Juíz o Paulo Cruz.

Os primeiros Classificados foram os seguintes :

1º lugar - Paulo Moniz com a Braco Alemã F- Maia

2º lugar - Gualter Furtado com o Epagneul Breton M- Pico

3º lugar – José Teixeira com o Epagneul Breton M –Kikas

De referir e dando cumprimento à nova Lei das Armas os concorrentes foram fiscalizados por uma brigada da PSP que verificou as condições de transporte das armas (caixas e bolsas), o cadeado, toda a documentação(livrete, uso e porte de arma, etc), e o respectivo seguro, enquanto dois guardas florestais no uso das competências respectivas fiscalizaram a carta de caçador, a licença de caça, o chip do cão e licença de caça do mesmo.

Registe-se a boa cooperação entre as duas entidades. Acresce que tudo está encaminhado para que este ano o apuramento da representação dos Açores na final Nacional e à semelhança de todo o País seja realizada a partir de uma prova e organização conjunta da FENCAÇA e da CNCP, que são as duas entidades de cúpula dos Caçadores Portugueses.

*texto e 1ª foto da autoria de Gualter Furtado
2ª foto da autoria de José Carlos

26 de fevereiro de 2009

Uma Caçada Diferente

A Motivação

A caça para mim hoje são os cães de caça, o meio ambiente, as caminhadas, as espécies cinegéticas, as armas, os cartuchos, os amigos, a gastronomia e de preferência a cinegética e a cultura ligada à caça.
Em síntese caçar não é só “puxar o gatilho“, e foi nesta filosofia de vida ligada ao mundo da caça, que numa recente visita a Paris decidi fazer uma caçada diferente, sem arma nem cartuchos, optando por uma visita a um Museu de Caça e da Natureza, um almoço num Restaurante típico de Paris e a conselho do amigo Guy de Brée e uma visita a uma Espingardaria de armas de ocasião (segunda mão).
Antes de entrar propriamente no tema desta crónica não resisto em contar muito resumidamente como conheci o Guy. Um dia desafiei o Manel França para ir caçar comigo aos coelhos na Ilha das Flores e na companhia do Olivio da Terceira e do Cremilde do Pico e com os nossos cães (a Diana, o Leãozinho, o Piloto, o Charuto e o cruzado de Setter Inglês de nome Barbeiro), diga-se de passagem que estes eram apenas uma selecção dos cães que temos, já que transportar cães inter-Ilhas custa uma fortuna, de forma que para obviar este constrangimento escolhemos a máxima eficiência com o menor peso.
O Manel respondeu-me que nos acompanhava com muito gosto nesta caçada nas Flores, mas a arma que ia levar era uma máquina fotográfica, e em contrapartida pediu-me para se fazer acompanhar de um caçador de nome Guy de Brée, a minha resposta e de imediato foi, venha lá este amigo. Entretanto, o Manel alertou-me para planificarmos bem estas datas, já que o Guy fazia questão de ir para e vir das Flores de barco, ao que eu respondi que mesmo em finais de Julho era complicado e barcos com ligação aos Açores com partida do Continente só porta contentores e petroleiros, resposta do Manel, ele desenrasca-se. E assim foi, o Guy lá se fez ao mar em Leixões num navio de transporte de mercadorias. Foram quase 30 dias vinda e volta, já que o barco teve de parar em várias Ilhas para fazer as descargas e as cargas, e não nos esqueçamos que as Flores é a fronteira a Ocidente da Europa.
A tripulação deste navio da Transinsular foi extraordinária com o Guy, com o Imediato e o Comandante a dispensarem-lhe um tratamento excelente e a todos os níveis, mais do que compensando a dureza da viagem. Chegado às Flores o amigo Guy fez questão de cobrar apenas 3 coelhos com a sua calibre 20 e por sinal bem atirados, e depois arrumou a arma e o resto do tempo foi para saborear a gastronomia local e apreciar as paisagens deslumbrantes da Ilha. Que contraste com aqueles matadores que ainda hoje se deslocam às Flores só para fazer números e armazenar carne.
Aqui está a explicação porque decidi seguir os conselhos do Guy na minha “caçada” em Paris, até porque ele fala com um entusiasmo de França e de Paris como eu falo da Ilha do Pico, da Terceira ou de Santa Maria.
Mas voltemos a Paris, Paris é uma cidade grande em tudo, plana, bem desenhada, com as ruas bem assinaladas, e portanto muito fácil para andar a pé (cuidado com os condutores e as passagens nas passadeiras) e localizar objectivos.
Assim, estava facilitada mais uma regra fundamental do tipo de caça que gosto de praticar hoje e que se traduz em “caminhar Kms e correr nem 1 metro”. Não é pois de estranhar que logo no primeiro dia em Paris tenha andado a pé aproximadamente 30 Kms.
Acresce que durante o percurso e em todos os recantos onde existiam árvores, água e relva lá tínhamos uma grande variedade de aves e algumas delas parentes de espécies cinegéticas como era o caso dos pombos torcazes da Bastilha ou dos patos reais junto à Torre Eiffel.

Vamos ao Museu

Museu da Caça e da Natureza
62, Rue des Archives - 75003 Paris
www.chassenature.org
Preço do bilhete: 6 euros
Permitido tirar fotos sem flash
Está aberto de Terça a Domingo

O Museu é constituído por duas Exposições, uma permanente e outra temporária.
A permanente tem 15 salas com temas diferenciados, com destaque para as salas do javali, do veado, do lobo, dos cães, dos cavalos, da falcoaria, das aves, dos troféus, das amostras e chamarizes, das pinturas com motivos de caça, das armas, das louças, dos trajes e dos móveis também com motivos de caça. De referir que na mudança de uma sala para outra somos contemplados com situações extraordinárias como a da raposa a dormir toda enrolada numa cadeira. Quanto à exposição temporária a que tive a oportunidade de visitar era dedicada a duas caçadas ao javali, uma no palanque e a outra de aproximação e no meio de uma tempestade. O realismo era tal que eu tive a sensação de ser o protagonista daquelas caçadas.
Este Museu está intimamente ligado à personalidade de François Sommer e Jaqueline Sommer que foram os fundadores e mecenas deste Museu. São considerados em França como os pioneiros da defesa da fauna e da natureza e da tomada de medidas que regulamentassem o exercício da caça para lhe conferir uma base de sustentabilidade. François Sommer (1904-1973) inspirou o Presidente da Republica Francesa Georges Pompidou na criação do primeiro Ministério do Ambiente em França.
Vale a pena pois visitar este Museu e verificar como é actual e fundamental a sua filosofia de propostas para a defesa da Caça e da Natureza, já que com águas poluídas, matas devastadas, terrenos e pastagens com cargas excessivas de pesticidas e adubos não temos Natureza nem Caça. A este propósito recomendo a compra no museu de uma reprodução do Livro de Caça de Gaston Phébus (apenas 15 euros), escrito à V Séculos, e no qual se pode ler e ver que “a caça é uma actividade tão antiga como a humanidade... e uma fonte de inspiração para as artes e para as letras”.

O Almoço e a Espingardaria

De seguida rumo à Rue de Grenelle (muito próximo dos “Inválidos” onde estão os restos mortais de Napoleão) para almoçar no Restaurante mais antigo de Paris “A La Petite Chaise”, especialmente recomendado pelo Guy e que remonta a 1680.
É um pequeno Restaurante frequentado no passado e no presente por artistas, escritores, caçadores e políticos como François Mitterand que fez deste estabelecimento o seu Quartel General.
Ainda hoje na entrada do Restaurante temos um espelho que ostenta uma pequena cadeira e que é o símbolo e deu o nome ao Restaurante, e que resta da casa original que se estima tenha sido construída em 1610. A comida é de grande qualidade e com destaque para uma fabulosa sopa de cebola com pão e queijo e que é um dos pratos típicos de Paris. O preço não é barato mas também não é exagerado e dias não são dias e depois temos sempre a alternativa de cortar noutras despesas, é tudo uma questão de escolhas e bom senso. Mas valeu a pena.
Terminado o almoço rumo à Espingardaria de armas de ocasião (usadas) do Senhor Gilbert Laurent e que fica na mesma Rue de Grenelle. O Laurent é mesmo um Senhor que sabe receber bem. A Espingardaria não é muito grande mas está recheada de armas de caça com bom aspecto e de boas marcas. Mas o que mais me impressionou foram os preços muito acessíveis. Evidentemente que a minha idade e principalmente a nova Lei das Armas é um travão à aquisição de novas armas de caça, pelo que me fiquei pela agradável conversa com o Sr Laurent e nunca se sabe se algum dia não volte lá, já que aquelas Merkel , Saint Etienne e Darnes são mesmo de encher a vista.

E assim se cumpriu mais uma jornada com "Uma Caçada Diferente!"

Gualter Furtado

Paris, Fevereiro de 2009


texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

10 de fevereiro de 2009

X Montaria ao Javali de Mós do Douro 07FEV09

Organização:
- Associação de Caçadores das Encostas do Douro
Local:
- Zona de Caça Associativa de Mós do Douro
Director da Montaria:
- Gualter Furtado

Nº de Postos: 110
Nº de Matilhas: 15
Nº de Tiros: 100 (valor aproximado )
Nº de Javalis Cobrados: 16 (dezasseis)

Dia magnífico ,mancha localizada junto ao Douro numa paisagem deslumbrante ,com vinhas , oliveiras , amendoeiras em flor ,etc,. Organização bem preparada e sublinhe-se o facto de estarmos em presença de caçadores jovens como os Engenheiros Agrícolas Ricardo Carvalho e o Rui e uma vasta equipe de participantes locais e todos eles "amadores".
Um excelente almoço com uma sopa à lavrador e uns rojões de comer e chorar por mais .
Mós do Douro está de parabéns.

Depois de bem almoçados procedeu-se ao leilão dos javalis com a receita a reverter para a Organização e como contributo para fazer face a parte das despesas. E aqui começou um outro momento alto da montaria com o meu amigo Cremilde Marques , que se deslocou comigo dos Açores de propósito para participarmos nesta montaria e no Domingo encerrarmos a época de caça aos tordos em Trás os Montes na Quinta do Barracão da Vilariça . Quando o Cremilde (o Barbas do Pico) começou o leilão os caçadores e habitantes da terra ficaram impressionados com a sua capacidade de mobilizar os presentes e fazer subir o preço dos porcos de tal forma que já o queriam contratar para ir fazer os leilões em montarias no Minho e no Centro do País.

Ficámos satisfeitos por darmos uma ajuda à Organização que bem merecia , e por outro lado ,cumprímos com um dos Objectivos que prosseguimos quando vamos a estas caçadas que é valorizar a componente social e honrar o nome dos Açores.

Como notas à margem sublinho a presença de Monteiras e de Matilheiras que muito valorizaram a montaria , a forma superior como nos receberam e a prova dos excelentes vinhos do Douro em casa do Senhor Luis Polido .

Finalmente registo a honra com que aceitei o convite do Dr Antonio Graça para ser o Director da Montaria e sublinho que durante a oração recordamos o nosso companheiro recentemente falecido João Brito Fontes (Grande Monteiro).
Aqui fica a minha homenagem às Gentes das encostas do Douro que à custa de muito trabalho transformaram uma encosta bela mas muito dura e difícil de trabalhar num produto sem paralelo que são os vinhos do Douro e do Porto.


No Domingo a história foi outra , com poucos tordos mas muita alegria e um aproveitamento máximo das especiarias da Região ( Alheiras , azeite , pão no forno de lenha , queijos, etc ).




Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

28 de janeiro de 2009

Manutenção da Espingarda de Caça

Após uma jornada de caça, além do resguardo e alimentação dos cães, do amanho das peças abatidas, o caçador deve também preocupar-se em realizar uma cuidada limpeza e manutenção da sua espingarda.

Geralmente, a maior parte de nós, quando chega a casa cansada, sequiosa e com fome, a primeira coisa que faz é colocar os cães no canil, depositar a caça num canto e encostar o "ferro".
As peças ficam assim para serem limpas durante o serão, e, a espingarda à espera da próxima jornada.

Cuidar da limpeza e manutenção da espingarda de caça é uma tarefa de primordial importância, tanto para a segurança do portador, como para o bom funcionamento da mesma. No entanto o tema passa algo desapercebido e muitas das vezes é mesmo descurado.
Não há nada pior do que fazer uso de uma arma que apresenta um comportamento defeituoso e instável em virtude de uma má manutenção.

Uma espingarda de caça, daquelas que usámos na caça menor, é composta essencialmente por dois tipos de material. São eles o aço e a madeira.
A chapa de coice ou calço da coronha, varia entre a madeira, nas mais nobres, no plástico, na borracha e nos seus derivados, na generalidade das restantes.
Há também um conjunto de peças móveis, em aço, quer no interior da báscula, no sistema de gatilho, no fuste e na entrada dos canos.

No final da jornada:

Devem ser realizados todos os procedimentos de segurança para evitar algum disparo acidental; proceder-se à limpeza exterior da arma, através de um pano limpo, a qual visa remover a maior parte da sugidade, nomeadamente os pós, terra, lama, salpicos de sangue, gordura e suor das mãos, bem como a humidade, no caso de ter apanhado uma molha. Em acto seguido: desmontar a arma; bloquear o gatilho e deposita-la no seu estojo.
De referir que uma simples gotícula de sangue é suficiente para danificar a protecção dos metais e criar um ponto de ferrugem.

Em casa, na mesma data:

Canos

- Retirar os canos e fazer várias passagens pelo seu interior (câmara de detonação, almas, "chokes") com um pano ou escova de pêlo para retirar os vestígios de pólvora e chumbo que possam estar soltos e facilmente removíveis;
- De seguida pulveriza-los com WD40 para fazer o mesmo procedimento, mas desta vez já com um escovilhão de aço. Não esquecer que devem insistir na zona da câmara, na boca dos canos ou nas proximidades dos "chokes", se esta tiver choques intermutáveis, que deverão estar montados e devidamente instalados, para não danificar a rosca;
- Feito isto, passar um pano até que saia completamente limpo. Aqui, há quem o faça com água quente e sabão ou com gasóleo;
Colocam água quente com sabão ou apenas gasóleo num contentor e lavam os canos desta maneira. Como a vareta faz um efeito de sucção através do seu movimento, provoca a renovação constante do líquido e uma limpeza bem eficaz;
- Assim que os canos estão limpos e apresentam o aço brilhante, sem qualquer réstia de pólvora e chumbo, pulveriza-los com WD40;
- Limpar e secar muito bem o WD40, tanto o que se encontra no exterior dos canos como no seu interior;
- Deitar umas gotas de óleo fino, daquele que se usa para olear as máquinas de costura, por exemplo "Singer", num pano limpo e deixar um película de pouca espessura no interior e pincelar o exterior com o mesmo óleo.

Quanto aos choques amovíveis, depois de limpos os canos, devem ser removidos e continuada a sua operação de limpeza, sem esquecer a rosca existente nos canos. Finalizada esta acção, deverão os mesmos ser recolocados, depois de lubrificados, no seu local original, mas não totalmente apertados.
A fita, por sua vez, requer uma atenção redobrada e se for "ventilada", mais ainda, porque é um local propício ao alojamento de todo o tipo de detritos. O mesmo cuidado requerem os canos se também forem "ventilados".
Existem óleos próprios para este tipo de operação, vendidos nas espingardarias, mas sempre utilizei o "Singer". Fica ao critério do leitor a escolha, mas não aconselho o uso daqueles que servem exclusivamente para remover mais facilmente as manchas de chumbo, porque são extremamente abrasivos.
Poderão encontrar nos armeiros estojos de limpeza bastante completos e sugiro a adição ao conjunto de um pincél e de uma escova de dentes.
O WD40 não serve para lubrificar, embora seja um excelente auxiliar na limpeza, pelo que nunca deve ser utilizado como lubrificante.

Fuste

- Limpar muito bem o fuste de modo a que todas as suas partes móveis fiquem sem mácula;
- Colocar umas gotas de óleo nas molas e nas partes metálicas articuladas.

Báscula

- Com um pano limpo, esfregar e limpar muito bem toda a superfície da báscula para que fique imaculada;
- Cuidar para que todos os orifícios, nomeadamente dos trincos, percutores, gatilho, alavanca de abrir, patilha de segurança e patilha selectora fiquem livres de quaisquer resíduos;
- pincelar toda a superfície com um óleo fino;
- colocar umas gotas desse óleo em todas as partes móveis, de tempos a tempos, sem exageros.

Não aconselho ninguém, a não ser que tenham recebido formação adequada, a desmontar as platinas.
Esta operação deve ser realizada por um técnico especializado, sempre que disso haja necessidade.

Madeira da Coronha, Fuste e Calço da Coronha

- Devem ser muito bem secas com um pano e o recartilhado muito bem limpo através de uma escova;
- Poderão passar uma película de óleo muito fina, do mesmo que mencionei acima, mas não convém exgerar na quantidade;
- É muito importante que estejam sempre bem secas quando se faz essa operação, ou então não se faz.

Semiautomáticas

Este tipo de mecanismo requer uma manutenção e limpeza mais extensa, nomeadamente em relação à mola recuperadora, à limpeza do pistão e da válvula de escape.
Enquanto não é necessária a sua substituição a mola deve estar bem limpa e encontrar-se devidamente lubrificada, como o pistão. Por sua vez a válvula exige que os seus orifícios se encontrem desimpedidos, pelo que também devem ser alvo de uma limpeza e lubrificação constantes.

Conclusão

Finalizadas todas as operações supramencionadas, a espingarda de caça está pronta para ser novamente montada e aguardar o surgimento de uma nova jornada.
Convém salientar que, no momento em que é guardada, o óleo não deve escorrer em momento algum, pelo que deve haver cuidado na colocação da película final, para que cubra toda a superfície, mas na quantidade suficiente para tal e só.
Aconselho guardarem a espingarda desmontada em caixa própria, mas se o fizerem montada e na vertical, devem cuidar para que o óleo não escorra e que vá introduzir-se, p.e., nos orifícios dos percutores ou ir alojar-se noutro local.
Nas operações de limpeza devem usar-se sempre panos limpos e para a protecção das mãos um par de luvas.
Mesmo limpa e devidamente guardada, devemos manter-nos atentos em relação ao aparecimento de manchas e surgimento de pontos de ferrugem, pelo que convém renovar a película de óleo de tempos a tempos.
Quanto maior for o indíce de humidade relativa do ar, como acontece nesta região insular, mais atento deve estar o responsável pela sua conservação, pelo que é preferível manter este tipo de equipamento numa divisão da casa bem seca e sujeita à presença de um desumificador.

Como caçadores e portadores de armas de fogo, devemos preocupar-nos por manter limpas e funcionais as espingardas, seja por uma questão de desempenho, por segurança e para a longevidade dos materiais, mas sobretudo pelo respeito que tais artigos nos devem merecer.
Cuidar da limpeza de uma arma é uma prática inteligente e de fácil execução que muito nos pode dizer sobre a personalidade e responsabilidade de um caçador.

25 de janeiro de 2009

Observação de Aves

"Os Açores não sendo ricos na diversividade de Aves tem uma densidade muito boa que aliada às aves de arribação e as que procuram refúgio no Arquipélago no seguimento de fenómenos de dispersão em relação às suas rotas de emigração e que ocorrem no período dos temporais ,fazem dos Açores uma Região extraordinária para a observação de Aves .









A SPEA e o Centro de Estudo e Apoio ao Desenvolvimento do Priolo (ave originária e que só existe na Ilha de São Miguel) no dia 24 de Janeiro realizaram um passeio à lagoa das Sete Cidades ( paisagem única no Mundo e que urge perservar a todo o custo)e aos Mosteiros para observarmos aves que nos visitam ou se reproduzem nos Açores .

Tendo por cenário uma paisagem deslumbrante foi possível observar diversas espécies de patos como a Frisada ,Arrábio , Pato-escuro Americano, Colhereiro e outas aves como a Garça-real, Galeirões, Galinhas de àgua e a rola do mar.




Esta actividade é muito procurada e praticada por cidadãos dos Países Desenvolvidos e de pessoas com uma consciência civíca desenvolvida."








Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

22 de janeiro de 2009

Dos Cães e dos donos

Um bidão de 200 litros, deitado, velho, castanho da ferrujem e da terra que o cobria, esburacado, a desfazer-se, ao qual havia sido retirado o tampo, para que, dali, se pudesse fazer alguma coisa parecida com uma porta para o pobre cachorro entrar e sair, também ele castanho, da cor da lama...

Ainda há quem os mantenha assim, sem dignidade, desconhecendo que merecem, pelo menos, uma casota de madeira, impermeável e de tamanho suficiente, onde possam encontrar refugio e fazer o seu ninho;
Ainda há quem os prive de comida, de água fresca e de liberdade;
São grandes, médios, pequenos, de orelhas afitadas, descaídas, de uma só para cima, de várias cores e feitios, de bom sangue, de raça e sem raça nenhuma, e, ainda há quem desconheça tudo isto.

Pobre do cachorro que lhe calhe um dono destes na rifa!

Encontra-mo-nos numa estação de dias frios, ventosos e de chuva.
Não custa nada proporcionar ao nosso cão um abrigo seguro e confortável, bem como a quantidade diária de comida.
Esqueçam os bidões de chapa que são frios e húmidos de Inverno, quentes e sufocantes no Verão e façam por colocar um estrado de madeira no interior da casota para que não entrem em contacto com o chão frio e molhado quando repousam.

A altura da alimentação é uma excelente oportunidade para brincar com eles, passar algum tempo, reafirmar os laços de amizade.
Mantenham um vestuário de parte para esse fim, para que possam toca-los e deixarem-se tocar sem receio de sujar ou de rasgar a roupa, porque os cães gostam de correr, de saltar, de mordiscar, de lamber, mas sobretudo de atenção.
Experimentem falar com os vossos cães, como falam normalmente, e não se surpreendam se ele vos tentar responder.

Um cão não é só para o dia da caça, nem possui um interruptor que o liga e desliga.
Trata-se sim, de uma autêntica e surpreendente força da natureza, tenha o caro leitor pernas para o acompanhar e a sensibilidade para o respeitar.

17 de janeiro de 2009

Qualidade ou Quantidade

É certo que o edital de caça impõe um limite de peças a cobrar, mas infelizmente há sempre algum pateta ignorante que o desrespeita por puro egoísmo ou por outras razões menores e insignificantes.

Fará sentido, nos dias de hoje, julgar o sucesso de uma jornada pela quantidade de peças cobradas?
Há idiotas que acreditam que sim, que a classificação do resultado de uma jornada é achado em função do que mataram e que quanto maior for esse número, melhores caçadores serão!

A realidade cinegética que vivemos em Santa Maria, exige-nos que sejamos comedidos nas capturas e inteligentes para encontrar uma saída do marasmo em que nos encontramos.

O que devemos retirar de uma jornada de caça é óbviamente o produto do nosso esforço, mas também o trabalho dos nossos cães, o lance que vivemos.
Quantas vezes não recordámos só esta parte em detrimento da caça que foi abatida?
Lembrá-mo-nos de um belo tiro, da façanha de um cão, mas e quantas vezes não acabámos por esquecer a quantidade em favorecimento do coelho que nos proporcionou "aquele momento"?

Pergunto-vos se existe necessidade de matar todos os coelhos e mais alguns sempre que existe essa possibilidade, infrigir a lei para ultrapassar a conta, inclusivé?
Ninguém gosta mais de saborear um bom coelho do que eu, mas convenhamos e tenhamos bom senso!

8 de janeiro de 2009

As Galinholas nos Açores

"Resultante da cooperação desde 2000 entre o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade de Porto e a Direcção Regional dos Recursos Florestais dos Açores, têm sido desenvolvidos estudos sobre as várias espécies cinegéticas do arquipélago.

Na sequência da publicação de 2004, em 2008 foram publicados os resultados dos trabalhos desenvolvidos, em particular no Pico e São Miguel em 2007, relativos às galinholas. As outras espécies-alvo são o coelho bravo, a codorniz, a perdiz-cinzenta e a narceja."


Fonte: Calibre 12 ( a revista do caçador português )
Texto: Portal Santo Huberto

7 de janeiro de 2009

Astra 89 de Canos

Ao revolver documentos antigos deparei-me com uma licença para uso e porte de arma de caça, referente à Astra, calibre 12, que possuia a particularidade de apresentar um par de canos com 89 cms de comprimento, à qual fiz menção há alguns dias.

Infelizmente essa indicação não consta das características mencionadas no quadro respectivo.

Por curiosidade, o preço desta licença no ano de 1965, foi de 45$00 (quarenta e cinco escudos) e podia ser emitida tanto pelo Comandante da Polícia de Segurança Pública da localidade, pelo comandante de secção ou pelo vice-presidente da câmara, neste caso foi pelo presidente.

6 de janeiro de 2009

A razão de ser RIBEIRA SECA

Há dois anos que tenho o imenso prazer de gerir e desenvolver este blogue.

Independemente das opiniões diversas que, eventualmente, possa gerar ou suscitar há uma questão comum, frequentemente colocada.

Qual a razão de se chamar "Ribeira Seca"; porque foi que escolhi esse nome para o identificar?

Certo é que corre uma ribeira com esse nome nesta ilha, no lugar de Campo Pequeno, no sentido Norte/Sul, indo desaguar no mar, na costa adjacente ao Ilhéu da Vila. Todos sabemos o quão previligiada é essa zona em densidade de caça, mas a razão de ter escolhido tal designação para o blogue também é mais uma.

Sir Thomas More, um inglês do séc. XVI, escreveu uma obra a que chamou "Utopia".
Num jogo de palavras inteligente, descreve aquela que seria a sociedade ideal, caracterizada pela liberdade, respeito, partilha, bom senso.
De salientar que criou "utopia" a partir de duas palavras gregas que significam lugar inexistente.
A sua história é-nos contada por um português, Rafael Hitlodeu de seu nome, que a conheceu numa das suas muitas viagens. A palavra "hitlodeu" também tem a sua origem no grego que significa palavras ocas ou sem sentido.
Trata-se da história de um lugar que não existe, cujo conteúdo cabe a cada leitor, no seu íntimo, avaliar a importância!

Passados quinhentos anos, na aurora do séc. XXI, continuamos a sonhar com uma sociedade mais livre, fraterna e igual.
Tanta falta que ainda fazem o respeito e o bom senso na actividade venatória!

Acresce dizer que possuia um rio, de nome Anidro que, tal como os nomes anteriores, advém da junção de duas palavras gregas e significa que não contém água.
Um rio sem água tal e qual uma Ribeira Seca que pretende proporcionar um lugar aprazível num deserto de idéias e de acções.

2 de janeiro de 2009

Pombo-Torcaz

Cada vez torna-se mais difícil de avista-lo em Santa Maria, trata-se de uma ave que me maravilha toda a vez que tenho a sorte de a ver voar.

Não é todos os dias que temos a possibilidade de encontrar o Pombo-Torcaz (Columba palumbus), mas esta manhã tive um desses momentos.

Por sorte vi-o planar num vôo majestoso, bem à minha frente, a cerca de 15 metros. Fiquei estupefacto, pois esta ave seduz-me devido ao seu tamanho, bem maior do que o pombo-da-rocha ou doméstico, e às riscas bem delineadas e características que ostenta nas asas.
Foi pousar uns metros mais à frente e aproveitei para ir buscar a máquina e tirar as fotografias que ilustram este texto.

Representa uma ave cada vez mais rara nesta ilha.
Embora não existam quaisquer dados científicos, estimo que a sua densidade não ultrapasse as poucas dezenas.
Pela mesma altura, no ano passado, eram duas destas que sobrevoavam estas bandas.

Espero que não acabem por desaparecer tal como sucedeu a uma ave de rapina, semelhante ao nosso milhafre, mas um pouco maior e de cabeça branca, na primeira desratização com veneno, que se realizou nesta ilha, no início da década de 80 do século XX.

31 de dezembro de 2008

Fecho de 2008

Numa altura em que se reorganiza o espaço, fecham-se e arquivam-se pastas, abrem-se outras, enfim prepara-se caminho para mais 12 meses, que se desejam produtivos, é perfeitamente lógico aplicar um comportamento semelhante à caça, embora nesta o período temporal se distribua por épocas, intercaladas nos anos, como este que agora termina.

A título particular não tive tantas jornadas como aquelas que desejava, situação influenciada por diversos factores.
As que vivi no corrente ano, descrevo-as honestamente como sendo umas do caçador e outras da caça, pois dias tive melhores do que outros, aliás como considero natural.

Recordo-me certa vez de estar num local por mim muito bem trilhado e ver caça rebentar em lugares por desta nunca dantes percorridos e ainda por cima fora de tiro para meu grande desgosto e desalento dos canídeos, já desesperados com a minha azelhice.
Noutro dia, em zona quase desconhecida vi-os passar, por três vezes, a espaços de poucos minutos, um de cada vez. Os sacanas dos coelhos raspavam-se pelo mesmo sítio, lá ao longe e, mais uma vez, fora de alcance dos cartuchos de 30grs que me alimentam os canos e avivam o espírito com tamanha eficácia.
Antes que os muito dignos e nobres cães que me acompanham, me começassem a escarnecer e chamar todo o tipo de nomes, muita razão teriam para fazê-lo, lá me coloquei a modos de surpreender algum no tal espaço por onde se esgueiravam. O ardíl tanto resultou que naquela desalmada correria nem se apercebeu o que lhe acertara entregando sem mais tropelias a alma ao criador e o corpo a um daqueles guisados de comer e chorar por mais, degustado na terra e abençoado nos céus.
A receita ainda é da minha avó, que nas suas 98 primaveras recorda-se perfeitamente do preparo e tempêro dos pobres caçapos que meu avô lhe levava, fazendo uso de uma Astra de 89 cms de canos, mais ou menos justa, devido às cargas personalizadas que tragava.

Uma palavra de reconhecimento bem merecida ao excelente trabalho e companhia que os meus cães, cada um a seu modo é bem verdade e é justo que se diga, me proporcionam, tornando cada jornada, independentemente da sorte que me calha, um enorme prazer e uma renovada vontade de continuar!

Desejo que 2009 seja um ano de Paz e que a nossa caça recolha algum carinho por parte daqueles que assumiram o seu destino, que também lhes ilumine a consciência e mostre o caminho para que os enormes sacrificíos que todos estamos a fazer valham realmente a pena.

29 de dezembro de 2008

Caça - um balanço da época 2008/2009 nos Açores

Convido-vos à leitura deste artigo, da autoria de Gualter Furtado, no qual transmite a sua opinião sobre a presente época venatória no arquipélago ao mesmo tempo que nos coloca, enquanto caçadores marienses, uma importante questão.

"Pode-se dizer que esta época venatória praticamente acabou no dia 28 de Dezembro já que espécies como a Galinhola ( fechou em finais de Novembro), o coelho bravo e a codorniz ( fecharam no último domingo de Dezembro ) já não se podem caçar nos Açores com excepção do coelho para a Ilha do Pico e para a Ilha das Flores e num processo que envolve muitas dúvidas e pode mesmo por em causa a sustentabilidade de outras espécies como seja a Galinhola da Ilha Montanha , já que manter aberta a “ caça “ ao coelho no Pico todo o ano e todos os dias é uma decisão muito pouco acertada.

Nesta época venatória a Ilha Terceira voltou a destacar-se como a Ilha mais equilibrada e diversificada em matéria de disponibilidade de recursos cinegéticos , ao ponto de , caso os furtivos e os “caçadores” que não respeitam os limites fixados nos calendários venatórios fossem convenientemente controlados poder-se-ia considerar esta Ilha como um verdadeiro paraíso para a caça com ética e desportiva.

Em São Miguel e embora longe dos tempos gloriosos da caça assistiu-se a uma ligeira recuperação do coelho bravo e do efectivo de codornizes , embora à custa dos lançamentos de codornizes criadas em cativeiro , e cuja capacidade de reprodução no terreno de caça carece ainda de muito estudo e acompanhamento. Quanto às narcejas e outras aves de arribação como os patos tem sido cobrados praticamente em todas as Ilhas encerrando o período de caça às narcejas este mês de Janeiro e aos patos em Fevereiro como é o caso da Ilha Terceira , como é sabido , a disponibilidade destas espécies depende muito dos temporais e do fenómeno de dispersão.

Finalmente a pomba da rocha e com muitos cruzamentos com aves de pombal foi e é a espécie cinegética mais abundante nas Ilhas proporcionando boas caçadas e excelentes pratos de gastronomia.

Em termos de síntese pode-se dizer que esta época foi muito razoável , proporcionando momentos de convívio muito agradáveis e sempre com a caça como factor aglutinador de amizades que duram uma vida.

Espera-se que este ano de 2009 seja marcado por um continuado combate aos furtivos e que finalmente seja publicada a regulamentação da nova Lei da Caça dos Açores , e sem a qual este diploma não serve de nada .

E em Santa Maria será que o encerramento na presente Época Venatória dos Anjos , Risco , etc teve algum impacto na recuperação do coelho bravo?

Votos de Um Bom Ano Novo Cinegético

Gualter Furtado"

18 de outubro de 2008

Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores

"O Clube Cinegético e Cinófilo da Ilha Terceira e o seu Presidente Olívio Ourique estão já a preparar a “Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores”, colmatando assim uma lacuna existente na Caça nos Açores.

Esta Confraria irá materializar a confecção de pratos gastronómicos à base de espécies cinegéticas que vivem nos Açores e de arribação. Um dos outros objectivos é fazer o levantamento e a recolha deste património cinegético que se encontra disperso pelas diferentes Ilhas do arquipélago. Existem já caçadores de outras Ilhas dos Açores que estão entusiasmados com esta iniciativa que é importante para valorizar o papel do caçador, dar vida à componente social da caça e afirmar esta actividade na sua vertente cultural."

Artigo e foto, da autoria de Gualter Furtado, retirado do Santo Huberto, o Portal do Caçador.

O leitor poderá aceder ao artigo completo clicando AQUI

13 de outubro de 2008

Postal Para Um Amigo Ausente

Trata-se de um texto, e de uma foto, da autoria de Gualter Furtado, sobre a abertura geral na ilha de São Miguel, "enviado a um amigo Caçador que partiu para muito longe."

"Caro Amigo,

Lá se cumpriu mais uma abertura de caça na Ilha de São Miguel no Domingo dia 12 de Outubro. Mas longe do entusiasmo de outros tempos , já que a Hemorrágica, os furtivos e a gestão Oficial da Caça a tal nos obriga . Consegui fazer a conta dos Coelhos bravos , isto é , 2 coelhos por caçador ( imagina ao que chegamos) . Os meus cães de coelhos tal como eu avançam para a terceira idade a uma velocidade impressionante , mas por enquanto, o que nos falta em rapidez , felizmente que ainda nos sobra em experiência, valha-nos isto . Já me ia esquecendo , depois dos Coelhos fizemos uma bonita caçada às pombas da rocha que existem este ano em boa quantidade a que pode também não ser alheio o aumento do cultivo do milho para o Gado , já que os cereais para os humanos também já não se produzem na nossa Ilha. Um abraço, e recorda o passado já que o presente não é nada animador.

GF"

28 de agosto de 2008

Os Furtivos

O texto que se segue foi-me enviado por mail e aborda, sem complexos, a necessidade dos caçadores chamarem, a si, e quanto antes, a gestão das zonas de caça, pelo que vos convido a uma leitura atenta.

"Prometi a mim mesmo nos próximos tempos não voltar a falar nem escrever sobre a matança de coelhos bravos feita pelos clandestinos e furtivos . Mas face à tomada de posições das Associações de Caçadores do Pico , da Terceira , de São Miguel e também de alguns caçadores Marienses que se preocupam com a defesa da caça e da sua sustentabilidade resolvi voltar ainda que levemente ao assunto.Convinhamos que este problema dos furtivos e negociantes de carne de coelho bravo é recorrente e quanto a mim não tem solução enquanto os caçadores não forem uma parte activa na resolução do problema , isto é, não se unirem em torno das suas Associações de Caçadores e não avançarem para o Ordenamento da Caça. A reaccionária, velha e caduca ideia de que a Caça Ordenada e as Reservas e as Associativas só " servem para os ricos " e a prevalecer nos Açores a prazo só pode conduzir ao aumento dos furtivos e à redução progressiva das espécies cinegéticas e principalmente do coelho bravo.
Sem uma cumplicidade activa entre Governo, Agricultores e Caçadores, dificilmente temos caça.

Por conseguinte, caros confrades Caçadores, enquanto não for aprovada e publicada a regulamentação da nova Lei da Caça ( e que prevê apenas 25 % para território ordenado nos Açores-muito pouco)e os Caçadores organizadamente com este instrumento legal não avançarem para a caça ordenada, vamos continuar a lamentar-nos dos furtivos, do governo , etc, e continuaremos a assistir à delapidação do nosso património Cinegético.

G Furtado"

São Mais de Metade

"Em vésperas da abertura do calendário venatório, a 24 de Agosto, os caçadores defendem a valorização de uma modalidade que poderá ser uma aposta para o turismo na ilha Terceira.

A Associação Terceirense de Caçadores queixa-se de uma lei pouco severa e da falta de apoio governamental para formar e investir na caça.

Coelho, codorniz e galinhola são os animais de caça mais prejudicados pelos caçadores furtivos que abatem aquelas espécies fora da época venatória. Em conversa com o nosso jornal, o presidente da Associação Terceirense de Caçadores (ATC) alerta para a necessidade “urgente” da regulamentação da nova lei regional da caça.

“Actualmente a lei não considera crime abater animais de caça fora de tempo, apenas é contra-ordenação”, revela João Vicente. E continua: “As multas acabam por ser baratas e compensatórias, pois com 100 coelhos caçados fica tudo pago”.

A opinião é partilhada por Eduardo Leal Luís, presidente do Clube de Caça das Fontinhas (CCF), acrescentando que os caçadores “não se respeitam uns aos outros”.

“O caçador que está a caçar coelho, por exemplo, não deve abater tudo o que lhe aparece à frente. Uma espécie pode estar dentro da época mas a outra não”, explica.

Questionados sobre o eventual número de caçadores furtivos na ilha Terceira, ambos responderam prontamente que “são mais de metade”. A qualidade do coelho bravo e por conseguinte a sua procura para consumo e venda são os principais motivadores.

“A sorte é ser abundante na ilha devido às características vulcânicas e vegetação da Terceira. Noutras ilhas com pouca quantidade, como São Miguel ou Pico, o coelho já teria desaparecido”, considera o responsável pela ATC.

Em termos de atracção turística a caça constituiria uma “aposta” nos Açores. João Vicente acredita que no caso da ilha Terceira a abundância do coelho bravo, a nova lei regulamentada e o apoio do Governo Regional formariam as garantias necessárias para investimento no sector.

“O nosso coelho é muito conhecido no continente e isso motiva os caçadores a viajarem até à ilha. Hoje com os custos das passagens e das estadias, as associações não têm possibilidades financeiras para apoiar a vinda de caçadores aos Açores”, conclui João Vicente."

Artigo publicado n´A União, de Quarta-Feira, dia 20 de Agosto de 2008, em Actualidade.


NOTAS


- A caça furtiva é uma realidade mais do que evidente nesta região, não é só característica de uma ou outra ilha em particular.

- Continuamos a desconhecer a razão da discrepância existente no tratamento do furtivo, visto que no continente é crime e neste arquipélago não passa de uma simples contra-ordenação.

- A caça pode muito bem ser um factor de desenvolvimento local e regional importante, mas apresenta-la como quem tira um coelho da cartola, sem um plano devidamente estruturado, em que a exploração racional deste recurso seja o culminar de um esforço crescente e gradual na organização dos terrenos, desenvolvimento de habitats e da biodiversidade que interessa salvaguardar, não fará melhor do que o pior dos furtivos!

23 de agosto de 2008

Borrelho-de-Coleira-Interrompida

Fotos de 1 adulto e de de algumas crias de Borrelho-de-coleira-interrompida, Charadrius alexandrinus, anilhados na última viagem de Carlos Pereira à ilha Terceira, no final do mês passado.
Trata-se de uma das três limícolas residentes nos Açores (as outras são as nossas amigas bicudas).

Como têm um voo todo "escangalhado", alguns confundem-nos por vezes com narcejas (caçarretas dum raio!)...





*Texto e fotografias de Carlos Pereira, cuja reprodução é interdita, recebidos por mail e adaptados a este post.

21 de agosto de 2008

Parque Natural de Santa Maria

Em sessão extraordinária, realizada de 1 a 3 de Julho do corrente ano, o Parlamento Açoriano aprovou o diploma que cria o Parque Natural de Santa Maria, o qual integra e classifica diversas áreas terrestres e marítimas da ilha.

Em reunião de 18 de Julho passado, o Conselho de Ilha emitiu um parecer favorável em relação ao documento supracitado e sugeriu a representação rotativa da Associação Agrícola de Santa Maria e da Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, por entender existirem assuntos que directamente se relacionam com a actividade destas associações.

A foto e a informação que ilustram o texto acima foram retiradas do jornal mensal "O Baluarte", da sua edição de Agosto de 2008.

NOTAS


- De referir que uma área importante na zona da Ribeira Seca, bem como outra, que parte do Lugar de Piedade, Malbusca, até ao Farol da Maia, é considerada área protegida para a gestão de habitats ou espécies e que Feteiras de Baixo, na freguesia de São Pedro, até ao lugar de Norte, na freguesia de Santa Bárbara, é identificada com a classificação de área de paisagem protegida.

De salientar que os locais supramencionados são conhecidos por todos os caçadores como essenciais para a prática da actividade venatória

16 de agosto de 2008

Caça e Segurança

Nunca é demais repetir que se devem respeitar todas as normas de segurança aquando do manuseamento de armas de fogo, como as espingardas de caça, mesmo as mais simples e básicas.

Felizmente que o transtorno ocorrido no passado dia 15 de Agosto, em pleno acto de caça, nesta ilha, não assumiu contornos mais graves, apesar de, mesmo assim, ser necessário proceder-se à evacuação do jovem acidentado, por via aérea para a vizinha ilha de São Miguel, a fim de receber os necessários e urgentes cuidados médicos.
Desejamos-lhe que tudo corra pelo melhor, que a convalescença seja rápida e que recupere totalmente!

Ninguém se encontra imune, pelo que todo o cuidado continua a ser pouco, sendo que nunca é demais repetir, relembrar e reler os conceitos que se seguem:

A arma de fogo só deve ser manipulada por quem se encontra na plena posse das suas faculdades, pelo que o caçador deve cuidar de si e alertar prontamente todos aqueles que não cumprem as mais elementares regras de segurança.

O caçador deve manter uma atitude crítica e permanentemente observadora da sua actuação, aquando do uso de armas de fogo e não esquecer que o excesso de confiança está muitas vezes na origem dos acidentes.

São 10 as regras básicas que se seguem e que devem ser cumpridas:

1. Abra a arma sempre que lhe pegar.
2. Mantenha a arma aberta sempre que estiver na presença de outras pessoas.
3. Nunca aponte a arma na direcção de alguém, mesmo que esta se encontre sem munições.
4. Antes de proceder ao municiamento da arma, verifique se os canos estão desobstruídos.
5. Mantenha os canos sempre em direcção segura.
6. Desmunicie a arma sempre que passar qualquer obstáculo.
7. Nunca dispare sem identificar claramente o alvo.
8. Antes de disparar verifique o que está para além do alvo.
9. Não utilize armas muito usadas sem submetê-las primeiro a uma verificação realizada por um armeiro competente.
10. Quando manusear armas não ingira bebidas alcoólicas.

Mesmo que pensem encontrar-se a espingarda desmuniciada só ficarão com a certeza disso se a verificarem pessoalmente.

Não permaneçam na presença de alguém com a vossa espingarda fechada, no caso das paralelas ou sobrepostas, ou com a culatra à frente nas semiautomáticas, porque provoca receio e desconfiança, um mal-estar desnecessário e prejudicial.

Não apontem a arma na direcção de outra pessoa, porque poderá estar municiada, apesar de vos sugerir o contrário.

Devido a quedas ou impurezas de qualquer natureza os canos poderão encontrar-se obstruídos, pelo que é necessário verificar o seu estado de limpeza antes de colocar qualquer munição.
O disparo efectuado numa arma com o cano obstruído desenvolve pressões altissímas que poderão acabar por rebentá-lo com graves prejuízos para a integridade física do portador e acompanhantes próximos.

Não raras as vezes as armas são transportadas com os canos na horizontal. Trata-se de uma prática incorrecta e grave, pois podem disparar acidentalmente e atingir alguém. Os canos devem estar sempre apontados para o chão, desde que não haja perigo de ricochetes, ou então para cima.

Devem retirar as munições da câmara de detonação sempre que pretendam ultrapassar um obstáculo uma vez que o perigo de queda é real e em resultado a arma poderá disparar-se.

Disparar sem identificar claramente o alvo é uma grande irresponsabilidade.
Muitas vezes a chumbada não se detém no alvo e segue o seu percurso, pelo que é importante verificar o que está para além da peça de caça de modo a evitar atingir bens, animais domésticos ou mesmo outras pessoas.

Armas muito usadas são um perigo para o utilizador e para aqueles que se encontrem nas proximidades, ou porque têm folgas, ou não garantem chumbadas perfeitas, ou podem rebentar.
Os canos defeituosos podem originar a formação de cachos que atingem distâncias longas e seguem trajéctorias irregulares.

A ingestão de alcool em excesso, além de ser uma prática ilegal na caça e severamente punida, não traz bem nenhum e muito menos para o sucesso do acto venatório.
É de uma total irresponsabilidade e falta de respeito.

Em casa as armas não devem ficar ao alcance das crianças.
Uma arma é sempre motivo de curiosidade e de brincadeiras que podem ser trágicamente fatais.

Devem manter as armas desmontadas e trancadas à chave em espaço próprio e em local separado do das munições, num ambiente fresco e seco para que não se deteriorem.

Os cartuchos de calibres e comprimentos diferentes não devem ser misturados para não serem utilizados erradamente.
Lembrem-se de que um cartucho de calibre 20 sela perfeitamente o cano de um calibre 12, sem que se note a sua presença e sem ocupar espaço na camara de detonação.

Antes de sairem para a caça devem efectuar uma limpeza geral na espingarda de modo a assegurarem-se de que se encontra em perfeito estado de conservação.

O transporte das armas de caça no automóvel ou em outros veículos, deve ser efectuado com as espingardas descarregadas, desmontadas, alojadas em estojo próprio e com um sistema bloqueador do gatilho.
As munições devem estar acondicionadas e protegidas dos raios solares para evitar o desenvolvimento pressões exageradas e perigosas.

Assim que cheguem ao local de caça, retirem a arma do estojo e nunca a apoiem de forma, ou em lugar, onde possa tombar, escorregar ou cair. Além dos danos exteriores, outros mais graves poderão acontecer no interior, que impossibilitem o uso da espingarda com a devida segurança.

Verifiquem sempre se os canos estão desobstruídos, se a arma ficou bem montada, se funciona correctamente e se as munições são do mesmo calibre e adequadas à caça a praticar.

Segurem sempre a arma de modo a que a boca dos canos nunca esteja virada para qualquer pessoa.

Na caça procedam ao municiamento da espingarda somente quando estiverem afastados dos companheiros e fechem a arma de modo a manter os canos virados para baixo em vez de ficarem na horizontal. Por defeito mecânico a arma poderá disparar ao fechar.
Para evitarem acidentes ao fecharem a espingarda paralela ou sobreposta, em vez de levantarem os canos, levantem a coronha. Assim manter-se-ão apontados para uma zona segura.
A coronha é que deve fechar a arma e não os canos!

Não devem confiar totalmente no mecanismo de segurança da espingarda.
Uma arma travada pode disparar devido a uma pancada, queda ou deficiência mecânica.

O guarda mato, a peça que protege o gatilho, não assegura uma protecção integral. É necessário tomarem atenção para que nada lhe toque acidentalmente.

Quando caçarem com matilha devem evitar colocar a arma no chão, porque algum animal poderá embater na espingarda e provocar o seu disparo. Sempre que disso tiverem necessidade, deverão proceder ao seu desmuniciamento.

Apesar de útil, a bandoleira pode prender-se em qualquer objecto, ramo, vegetação, pelo que o seu uso requer uma atenção maior.

Nunca passem um obstáculo com a arma municiada.
Valas, vedações, muros devem ser transpostos com a arma aberta e sem munições. Mesmo parecendo desnecessário, nunca deixem de fazê-lo.

Verifiquem sempre se os canos ficaram obstruídos depois de uma passagem difícil, tropeção, queda.
Depois do disparo, antes de municiarem, verifiquem o interior dos canos, porque podem ficar obstruídos com qualquer componente do cartucho.

Nunca devem transportar a arma com o dedo no gatilho, mas sim encostado ao guarda-mato. Só deverão fazê-lo no momento imediato que antecede o disparo.

Devem abrir e desmuniciar a arma sempre que alguém se aproxima.

Assinalem a vossa posição aos seus companheiros e nunca corram a mão na direcção deles, nem disparem para a vegetação que mexe.

No momento do tiro nunca atirem na direcção de alguém, mesmo que pareça fora de alcance e façam-no na certeza de que a chumbada é parada pelo terreno imediatamente a seguir ao alvo.

Nunca atirem sobre o mato ou vegetação que mexe, porque desconhecem o que pode estar no interior e atrás. Poderá tanto ser um animal como uma pessoa.

O disparo só deve ser efectuado a uma peça de caça perfeitamente visível e identificada.

Quando seguirem a caça com a espingarda, tenham atenção ao que possa estar na linha de tiro e para além dela, porque poderão encontrar-se cães ou outros caçadores.

O risco de ricochete é uma realidade em terrenos pedregosos, planos e duros e não façam tiros rasantes sobre a água pelas mesmas razões.

Recolham do chão os cartuchos disparados, trata-se também de uma medida de preservação ambiental e previne que sejam engolidos por animais que se alimentam da vegetação rasteira.

Depois da jornada de caça procedam ao desmuniciamento da arma de fogo.
A sua limpeza deve ser efectuada quanto antes e se ficou molhada deve ser bem seca antes de guardada.

O uso de vestuário apropriado também é uma medida preventiva.
Na caça, porque estamos expostos às diferentes condições climatéricas a escolha de vestuário e calçado adequado e resistente, que nos proporcione liberdade de movimentos, sejam frescos no verão, quentes e impermeáveis no inverno, permite-nos um melhor aproveitamento das jornadas. Protege-nos a integrídade física e a saúde.

Para uma melhor identificação e localização no terreno de caça, principalmente em dias de chuva ou nevoeiro, é preferível o uso de vestuário de cor fluorescente amarela, laranja ou vermelha.

A escolha de óculos protectores e protecções para os ouvidos também não deve ser descurada.

Existem óculos resistentes a impactos próprios para caça que serão óptimas aquisições para defender a visão.

Para prevenirem os danos na audição provocados pelo ruído da detonação de uma munição, o uso de protectores auricolares é a melhor opção que um caçador pode fazer.

Verifiquem se possuem as vacinas actualizadas e façam-se acompanhar por um pequeno estojo de primeiros socorros.
Se não vos for útil poderá sê-lo para cuidar dos seus companheiros.

Aquando da realização do seguro de caçador, escolham uma modalidade que cubra convenientemente qualquer contrariedade.

Não deixem de manter uma atitude crítica e permanentemente observadora da vossa actuação.
Lembrem-se que o excesso de confiança é um passo em frente para a ocorrência de um acidente de caça, que pode ter consequências pessoais fatais e dramáticas para os vossos familiares.
Na caça, os comportamentos de segurança de nada valem se não forem aplicados instintivamente, pelo que devem ser treinados.

Em matéria da segurança devemos dúvidar sempre de nós próprios e dos outros de modo a podermos reduzir e a evitar situações que poderão colocar-nos em perigo.

A prevenção continua a ser a melhor estratégia quando a vida humana não é objecto de brincadeira.

Agradecendo o precioso tempo dispendido na leitura deste longo texto, finalizamos com votos de excelentes jornadas para todos os caçadores amigos, responsáveis e cumpridores.

4 de junho de 2008

Saberes Antigos, Maleitas Actuais

A utilização de plantas medicinais acompanha-nos desde os primórdios da humanidade. Não me perguntem, porque desconheço qual o método de observação que utilizavam, mas seria seguramente empírico e desenvolvido numa base de tentativa e erro, talvez, e se assim fosse, azar de quem errasse!

Acontece é que os nossos cães, sem outro apoio, que não o dos genes mais primitivos que lhes integra o ADN, sabem muito bem reconhecer aquelas que lhes aliviam o mal-estar e não é incomum observa-los de vez em quando a mascar, mastigar e engolir uma erva, toda verde e suculenta, que ele próprio escolheu e seleccionou e vai que dar à cauda que a folia contínua, porque já se faz tarde.

Nós, senhores da técnica e de todo o conhecimento que a suporta, disso não somos capazes, porque evoluímos, porque esquecemos ou porque deixámos de dar importância a estas coisas, simples.
Temos a tendência para complicar e quando queremos compôr ainda mais dizemos que a coisa é complexa. Também é da nossa natureza ser assim e não há quem nos valha!

Numa das minhas jornadas encontrei duas plantas que reconheci e colhi, porque delas quiz fazer uso.
Aqui são conhecidas, uma por Auzaidela ou Uzaidela e a outra por Malva.

FOTO DA UZAIDELA




















FOTO DA MALVA




Estamos numa época do ano em que a vegetação apresenta-se-nos exuberante e o ar encontra-se saturado de pólenes e outras particulas que acabam por se alojar nas pálpebras e nos olhos dos cães, com tal quantidade que ás vezes até os impedem de abri-los. A vegetação, por sua vez, também é utilizada para suporte e base de lançamento de diversos parasitas, como as pulgas e carraças que encontram no pêlo um excelente aliado e no sangue um bom conduto e meio de disseminação de doenças e infecções, pelo que não foram recolhidas por mero acaso, nem pelas suas belas formas e cores, mas sim pela sua utilidade.

Pois bem, nestes casos reza o saber antigo que ferver em água as folhas de Malva serve esta para lavar e desinfectar os olhos, enquanto a Uzaidela, no mesmo método, é utilizada para eliminar pulgas e carraças quando lavado o animal, e se ingerida, numa pequena dose, como a de meia chávena de chá, elimina as lombrigas.

Com isto não pretendo impôr qualquer comportamento, mas apenas e só partilhar convosco o que antes me deram a conhecer e que nos vem de tempos imemoriais.
Por outro lado, para aqueles que não se sentem à vontade com este tipo de remédios caseiros, dispomos de outros mais actuais e seguros, na sua qualidade e quantidade científica que nos disponibiliza o médico veterinário, que é a quem devemos sempre recorrer.

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