16 de março de 2014

Gastronomia Cinegética

 No dia 14 de Março de 2014, reuniu-se um grupo de amigos na "Casa Açoreana", em Ponta Delgada, para partilharem o gosto pela gastronomia açoriana de elevada qualidade e confeccionada a partir de produtos regionais.
A época cinegética chegou ao fim e é tempo de degustar em franca amizade o produto das jornadas de caça que tanto trabalho nos deu a cobrar na companhia dos outros nossos parceiros venatórios, que são os amigos cães de caça.
Assim, desta vez, o encontro de Gastronomia foi dedicado à caça, tendo sido a mesma magistralmente confeccionada pelos Chefes da "Tertúlia do Petisco" (Paulo Mota, Álvaro Lopes e Walter Franco), e superiormente - moderadamente, acompanhada por excelentes vinhos da casa Arcos do Vinho. 
Da ementa constavam  os seguintes pratos:

Canja de Pombo da Rocha e Codorniz 
Salada de Pombo da Rocha com frutos silvestres
Folhados de Pombo Bravo
Arroz de Coelho Bravo com carqueja e cogumelos
Galinhola de escabeche 

Pudim de Inhame das Furnas 
Leite (dos Açores) Creme 

Durante a refeição foram feitas várias intervenções a valorizar a componente social da caça e a gastronomia açoriana. 
De destacar o discurso do Gastrónomo António Cavaco, que fez um elogio à ligação da caça com a arte de bem cozinhar e degustar as espécies cinegéticas, tendo o mesmo sido escrito e lido em Português "da baixa Idade Média".
Os membros da "Tertúlia do Petisco" homenagearam os caçadores presentes e a sua Confraria com o título de Honorável Petisqueiro "pelo seu desempenho em prol dos bons hábitos e costumes da arte de bem petiscar".
O serão foi animado pelo grande músico e nosso amigo Carlos Galvão.
De salientar que se sentaram à mesma mesa a petiscar, o caçador que cobrou a caça, os cozinheiros e os outros amigos.

Texto da autoria de Gualter Furtado
Fotografias da autoria de António Manuel Silveira

15 de março de 2014

Guia das Aves de Aquilino Ribeiro

Antologia de excertos da obra aquiliniana nos quais se descrevem mais de 60 aves selvagens, seus habitats e relação com o Homem. A compilação é de Ana Isabel Queiroz, que no ensaio introdutório traça o percurso da descrição de aves desde os primeiros "bestiários" até à literatura científica de hoje, passando pela cultura clássica grega, pela tradição popular e pela literatura portuguesa, na qual Aquilino se destaca como verdadeiro naturalista amador. Desperto pela riqueza e variedade das vocalizações das aves e dotado de um ouvido musical que lhe permitiu verter foneticamente as frases escutadas neste processo de comunicação, o escritor revisita na sua obra a produção acústica da vida selvagem, dando-lhe notoriedade.
A acompanhar o livro, ilustrado por dezenas de aguarelas do biólogo e artista plástico Maico (Carlos Pimenta), um CD áudio regista a leitura de 25 desses excertos por Fernando Alves, enriquecidos por gravações de aves do projecto"Paisagens Acústicas Naturais de Portugal" e separados por 16 peças musicais originais de José Eduardo Rocha.

Mais informação em: http://www.boca.pt/guia-das-aves.html

Um dos excertos, que podemos encontrar no livro em questão, sobre a Galinhola...


O Caifaz trouxe-me duas galinholas que fuzilou ontem nos urgueirais da Nave. De ordinário, o camponês não sabe apreciar esta ave migratória, de carne mais perfumada que o faisão. Corta-lhe o bico para espevitar o cerume dos ouvidos – em algumas farmácias vendiam-se ainda recentemente dentro dos boiões de cor a par com as escovas de dentes e zaragatoas – estripa-a, e panela com ela a adubar o caldinho.
Ora para uma espécie desta natureza, que vem lá do Norte, dos países civilizados, carregada de civilização, impõe-se uma receita condigna. Chamei o pessoal a capítulo:
- Como vai vossemecê arranjar as galinholas, Maria Chimborgas?
- Ora como há-de ser?! Depeno-as muito bem depenadas, cato-lhe a penugem muito bem catada, passo-as pela chama...
- E estripa-as muito bem estripadas e atafulha-as no púcaro com um trancanaz de presunto, muito bem apresuntadas... Ora, ora, não ponha mais na carta. Tal qual como para um frango ou qualquer outra relice de capoeira, não é? Minha santa, a galinhola é galinhola, e requer um preparo idóneo, um preparo pelo menos faisanesco, faraónico para quem sabe...
- Faça favor de dizer...
- Antes de mais nada deixa-as macerar duas a três semanas.
- Que horror! Depois não é caça, é um pedaço de carne em putrefacção – atalhou a dona de casa. – E os gusanos? E a vérmina da vareja?
- Não lhe tiram a tripa...
- Adiante, não se lhe tira a tripa, mas extrai-se a moela que retém os restos não assimilados do cibato.
- Dobram-se as asas em forma de triângulo, como de resto para todo o bicho que voa ou desaprendeu de voar; o bico crava-se-lhes de coxa para coxa; cobre-se com uma peliça de toucinho – não é ave dos países frios? – e assa-se a fogo lento no espeto.
- Trata-se, estamos a ver, como os frades de Tarouca e Alcobaça faziam com os bois em seus assadores monumentais. E mirmiton a reverter-lhe para a carcaça o pingue que vai escorrendo, não? Ah! ah! Pois se uma galinhola é uma galinhola, cabe na cova de um dente!
- Uma galinhola, está certo, não é nenhuma adem, mas podem associar-se para comê-la seis pontos. O melhor, porém, é que sejam só três. Três, isto é, a pessoa que a come, ela galinhola, a bem cozinhada, e uma garrafa do Dão.
A galinhola cuja carne seca e quente é geradora de bom sangue, segundo afirma José da Fonseca Henriques, médico do Calígula lusitano, senhor D. João V, na Âncora Medicinal, foi temperada e forjicada ao estilo da lei e não gostaram. A uns cheirava mal; outros tinham presente a imundície acumulada na cloaca; outros paralisava-os o medo de se envenenarem com os possíveis vermes peçonhentos que a ave passara ao estreito, desanichados do toro das urzes, no chão alagadiço e contaminado de anofeles, miasmas, e outros infinitos animálculos que restam para estudo, de modo a que os sábios tenham sempre que fazer. O mais curioso é que a podenga se recusou a comer dela. Acabou por banquetear-se à tripa-forra o gato meio angora, meio maltês, malandrim na quinta casa, que dá pelo nome de Malhadinhas. 

Aldeia  Terra, gente e bichos 283-285

22 de fevereiro de 2014

Binóculos - Alguns conselhos

Os binóculos são algo extraordinariamente necessário, porque extremamente úteis e mesmo imprescindíveis na caça, naturalmente mais nas observações de campo, nas esperas e aproximações.
Normalmente duram uma vida ou duas, se não os perdermos, se não os roubarem e se os tratarmos com algum cuidado.
É daquelas coisas em que devemos investir mesmo.
As armas normalmente são ferros; há umas mais bonitas, umas mais leves, gatilhos mais agradáveis, umas muito caras e outras bastante baratas, enfim, ao gosto de cada um, mas na verdade todas disparam e bem. A diferença está no indivíduo que a dispara e também, muito importante, na óptica que tem montada. Mais uma vez, algo em que se merece investir. Estas coisas têm que ser estudadas.
Uma boa marca, e realmente mais cara, é sempre melhor que uma mais barata e de gama inferior.
Nas lentes creio que não se deve escolher à toa nem poupar demasiado.
Têm que ser bastante luminosas, de grande abertura, de grande qualidade para melhor focagem, contraste e nitidez, de tubo largo para passagem de imagem, leves, resistentes e de fácil encare e operação. Os binóculos também.
A propósito disso, há já uns bons anos, num passeio de observação, na Galiza, com verdadeiros mestres, sorriram quando me viram com uns Tasco de gama superior e quando eu disse que me serviam bem… Depois emprestaram-me os deles para comparar, Leica, Swarosvsky, etc… e aprendi ali uma boa lição com todos os bons conselhos que me deram. Uma semana depois estava a adquirir a um confrade uns Steiner… 
Hoje em dia as marcas apresentam várias gamas.
As marcas têm o seu histórico, o seu prestígio. Devemos escolher uma marca antiga e reputada e decidir-nos por um modelo à nossa medida que encaremos bem.
Oito, nove e dez aumentos são os mais vulgares e adequados para as esperas e aproximações.
Aberturas de quarenta e quatro, cinquenta, cinquenta e seis são as mais normais para o que queremos. Não são desejáveis os de zoom. Há uns que têm o medidor de distância incluído… Óptimo, se forem de boa marca, apesar de mais pesados em tudo, preço principalmente…
Quanto ao peso, que pesa mais nas aproximações, é inversamente proporcional ao preço…
De gama mais baixa, Bushnell; gama média boa, Leupold, Steinner, Zeiss, Kahles; gama alta, Swarosvsky, Leica. Isto sem ir para marcas de guerra, táticas, normalmente não acessíveis no mercado.
Assim, o conselho será para uma boa marca, 8x44 a 10x56, compacto e leve.
Aconselho também a pesquisar o mercado de usados, onde às vezes aparecem excelentes oportunidades a muitíssimo bom preço e também, se não tivermos o dinheiro disponível, a compra a crédito, a prestações, já que há essa possibilidade em muito lado!

Texto e foto de Luis Barata

9 de fevereiro de 2014

Paisagens de Caça

"São deliciosas aquelas caçadas em São Miguel; quase sempre seguidas de um jantar campestre, nalgum daqueles picos, avistando o mar entre os incensos, as faias, os arvoredos de preciosas camélias; o relvão dos campos, viçoso como os prados artificiais de Inglaterra, e que é transportado em talhões para atapetar jardins. As nespereiras japónicas acurvadas de frutos, os morangos bravios, pequenos e aromáticos, nos cabeços do mato, os laranjais murados pelos abrigos, tornam aqueles jantares encantadores, e de verdadeira poesia!
Foi ali, respirando as correntes lavadas do ar do oceano, banhando-me nas suas riquíssimas termas, caçando pelos montes, e no trato de gratíssimos amigos que reconquistei a saúde, guardando na memória, com saudosas lembranças, os dias de São Miguel, dos mais felizes da minha vida."

Bulhão Pato, 20 de Outubro de 1883


Nuno Sebastião (2012). Paisagens de Caça. Gráfica 99.

"Paisagens de Caça", sobre Bulhão Pato, é um livro a não perder.
Ao nível de um "Caça - Memento venator", de Eduardo Montufar Barreiros, de "Caçadas Portuguezas", de Zacharias d'Aça, ou mesmo de "Galinholas", do Fernando de Araújo Ferreira. 
Resulta de um extraordinário esforço de recolha e selecção por parte do Nuno Sebastião, que também redigiu as notas que o preenchem e o enriquecem.
No Prefácio deste livro diz-nos Fernando Seixas sobre o autor que "(...) desenvolve ao mesmo tempo um gosto pela leitura da nossa prosa e poesia cinegética e é assim que depois de ler a obra de Bulhão Pato decide fazer esta colectânea de textos deste fantástico escritor, caçador e gastrónomo, relacionados com a caça e gastronomia."
"(...) Se foi Bulhão Pato que ajudou os portugueses a descobrirem as ameijoas, foi Nuno Sebastião que nos ajudou, com esta colectânea de textos sobre caça, a descobrir este Bulhão Pato escritor, caçador e gastrónomo, desconhecido para tantos de nós."

Trata-se de uma edição patrocinada pela Associação dos Armeiros de Portugal, onde poderá ser adquirido (www.armeiros.org).
No ano de 2011, a mesma associação, lançou e apoiou na Expocaça, a Campanha de Angariação de Dadores de Medula Óssea.

2 de fevereiro de 2014

Companheiros do Defeso

Do Sérgio Paulo Silva, e sobre os seus livros (No rasto da memória; Caça falada; Vadio; O bando e outras penas de caça; Conselhos velhos para caçadores novos; Sal ironias e gabarolice; Ainda o perdigueiro português), este é, para mim, aquele que melhor o caracteriza como caçador e escritor. Talvez porque tenha sido o primeiro que dele adquiri. 
Foi há alguns anos, numa livraria em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel. Fica ao lado duma pastelaria, que também vende revistas, situada numa rua calcetada, próxima do Largo 2 de Março, mesmo defronte dum café que fechou. Foi um tiro de sorte, mas foi um grande tiro! 
A primeira impressão, lembro-me bem, foi não ter gostado da capa: dois tipos a caçar, um deles de semi-automática e ambos de costas! Mas deliciei-me com a frase "caçadores que escrevem/escritores que caçam" e como quem vê caras não vê corações o abri e folheei...
Por sorte, mais uma vez (a primeira foi ter encontrado o livro), me deparo com o Miguel Torga a caçar com uma espingarda de 5 tiros, que deduzi ser a Browning A5. Em que calibre seria? O 16 ou o 12? Talvez o 12, porque teria posses para isso, pensei para comigo. 
De imediato perdoei o caçador que, há pouco, tanto tinha depreciado. E fui lendo até me aperceber que, em face das referências lá existentes e para melhor compreender o que dizia, teria que seguir os trilhos que me ia indicando. Comprei o livro. 
Não me lembro quanto paguei na altura, porque também lhe retirei o preço. Se estivesse manuscrito, ainda o teria deixado ficar, mas era um daqueles autocolantes, impressos e impessoais, feios!
Nestes textos do Sérgio Paulo Silva caço bastante, e tanto que até temos uma foto juntos. 
Se me procurarem na capa, encontram-me mesmo atrás do companheiro que transporta a espingarda ao ombro, os seguindo...
Reportagem sobre Sérgio Paulo Silva
O Sérgio Paulo Silva poderá ser contactado através do endereço: serpaulosilva@gmail.com 

27 de janeiro de 2014

Encerramento da Época Cinegética de 2013 / 2014

Hoje, dia 26 de Janeiro de 2014, encerrou a época cinegética em São Miguel, sendo permitido neste dia caçar apenas ao Pombo-da-rocha, uma vez que a caça às outras espécies cinegéticas já se tinha encerrado nesta Ilha em Dezembro passado (coelho bravo e codornizes) e no primeiro Domingo de Janeiro (narcejas e patos).
Na Ilha  do Arcanjo é proibido caçar às Galinholas.
Em algumas das outras Ilhas Açorianas a caça ao Pombo-da-rocha permanece aberta até ao último Domingo de Fevereiro e nas Ilhas das Flores e de São Jorge a caça ao coelho bravo é legalmente permitida do nascer ao pôr-do-sol durante todo o ano, todos os dias, e sem limite de peças, não se respeitando o período de reprodução destas espécies que é mais relevante nestes primeiros meses do ano, e, até à Primavera. Esta excepção só se aceitaria se estivéssemos perante uma explosão da dimensão demográfica do coelho bravo naquelas Ilhas que pusesse em causa a sustentabilidade das explorações agrícolas, situação que carece de fundamentação e demonstração.
Da minha experiência no acto venatório na Região Autónoma dos Açores, nesta época de 2013/2014 e dividindo os Açores em 2 áreas: São Miguel e as Outras Ilhas, e utilizando um Índice composto por diversas variáveis com diferentes ponderadores que reflectem a minha valorização do que eu entendo ser a caça nos dias de hoje:

- Abundância e variedade de espécies cinegéticas (25%);
- Trabalho dos cães de caça (25%);
- Beleza dos terrenos e enquadramento paisagístico (15 %);
- Número de espécies cobradas (10 %);
- Componente social e confraternização com os caçadores locais e população (25 %), atribuo a seguinte classificação:

- Ilha de São Miguel: Suficiente menos;
- Outras Ilhas: Muito Bom.

Resta-nos neste Defeso, na Ilha de São Miguel e em matéria venatória, a companhia dos nossos cães e esperar que o Conselho  Cinegético de Ilha (se existir) e a Secretaria Regional dos Recursos Naturais, de uma forma esclarecida, criem as condições para que possamos dar uso aos nossos cães de caça de coelhos ainda que de uma forma controlada e limitada, mas evitando um longo período de inactividade.

Gualter Furtado, 26 de Janeiro de 2014

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

9 de dezembro de 2013

Um Relato da Ilha de São Miguel

São Miguel não é como as outras Ilhas em matéria cinegética, pois apresenta-se muito mais fraca, diria mesmo fraquíssima em capital cinegético, face ao número de caçadores existente, mas ainda assim vai dando para cobrarmos alguma coisa  e vivermos esta paixão.
Ontem foi o último dia de caça ao coelho-bravo na Ilha de São Miguel, razão que me levou a concentrar os meus esforços nesta espécie cinegética (só é permitido caçar 2 coelhos por caçador em São Miguel), e como a caça às codornizes só começa às 9h e termina às 12h, quando acabei a caça aos coelhos já me sobrou pouco tempo para as codornizes. Depois, como desconheço em absoluto onde os Serviços Florestais têm vindo a lançar codornizes em São Miguel e faço mesmo questão em desconhecer, o resultado foram 4 codornas abatidas  (infelizmente uma não recuperada, mas que faço questão de contar para os meus limites), isto é, uma a menos do que é permitido no calendário venatório.
Esta jornada pautou-se pelo cobro de 2 coelhos, 3 pombos-da-rocha e 3 codornizes.
Faltam mais dois Domingos para caçar à codorniz.

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado.
A fotografia resulta de uma jornada às codornizes, ocorrida esta época, na Ilha Terceira, com dois caçadores e dois cães de parar.

30 de setembro de 2013

A Agricultura e a Caça

A caça nos Açores só tem futuro sustentável se houver uma forte aliança entre os Agricultores, os Caçadores e as entidades públicas por forma a articularem ações que sejam benéficas para todos. E tenham sempre presente que o rendimento dos Agricultores tem de ser preservado.
Com um rolo de erva a servir de abrigo e posteriormente de mesa, com uma vista deslumbrante, assim se passou uma manhã  de caça muito agradável ao Pombo-da-rocha  na Ilha de São Miguel  e sempre acompanhados da simpatia do Lavrador que recentemente tinha semeado os terrenos onde improvisamos o nosso abrigo. 
A caça ao Pombo-da-rocha na Ilha de São Miguel, de 22 de Setembro a 3 de Novembro, só é permitida apenas aos Domingos, das 9 horas  às 15 horas e 12 Pombas por caçador. 
De 10 de Novembro a 26 de Janeiro é permitida a caça a esta espécie do nascer do sol até às 15 horas, permanecendo inalteradas as outras  condições .
Uma boa caçada ao Pombo-da-rocha exige  um local de comida onde esta espécie esteja fixada, vento de sentido contrário à rocha onde vivem as Pombas, por exemplo, se estivermos a caçar na costa Norte o ideal é estarmos com vento Sul, boas negaças, um abrigo para nos escondermos com boa visão, sendo preferível um que seja natural ou os rolos de relva, uma vez que já fazem parte da paisagem Açoriana, uma arma de caça com cargas adequadas (usamos sempre as calibres 20, com  71 cm de cano, com 2 estrelas no cano esquerdo e 4 estrelas no cano direito e cargas de chumbo nº 7 e 6) e  que garantem tiros desportivos.
O Pombo-da-rocha permite a confeção de pratos de gastronomia cinegética extraordinários e está o segredo na cozedura prévia das pombas para ficarem tenras e depois é dar azo à imaginação com os temperos adequados. 
O Pombo-da-rocha bem confecionado não fica nada atrás  da Perdiz vermelha.


Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

26 de setembro de 2013

Calendário Venatório para Santa Maria - Época 2013/2014

Data de 26 de Junho de 2013, o edital emanado da Direcção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), serviço dependente da Secretaria Regional dos Recursos Naturais (SRRN), que veio regulamentar a caça na Ilha de Santa Maria para a presente época (2013/2014).
Este documento entrou em vigor a 01 de Julho de 2013 e terminará o seu prazo a 30 de Junho de 2014.
À semelhança do decretado nas anteriores, divide a ilha em duas partes sensivelmente iguais e define duas zonas de caça, nomeadamente uma “zona alta” e uma “zona baixa”, através de uma linha traçada de Sul/Norte.
Para oriente nos deparamos com a “zona alta”, que se distingue por ser montanhosa, de terrenos irregulares, rasgados por vales verdejantes e cursos de água, sendo marcada pela prática da agricultura e pecuária.
Para ocidente vislumbramos a “zona baixa”, mais plana e seca, com escassa cobertura vegetal, onde as pastagens se sobrepõem aos terrenos agrícolas.

Permite a caça ao Coelho (Oryctolagus cuniculus), Pombo-da-rocha (Columba livia), Pato-real (Anas platyrhynchos), Marrequinha (Anas crecca) e Piadeira (Anas penelope).
Interdita a caça à Codorniz (Coturnix coturnix) e à Perdiz-vermelha (Alectoris rufa).
Relativamente a estas duas últimas espécies, se são poucos os exemplares de codorniz observados, a Perdiz-vermelha é praticamente inexistente. A haver, serão mesmo muito poucos indivíduos e provenientes das provas de Santo Huberto, realizadas no passado, no entanto será mais adequado dá-los por extintos do que por sobreviventes.
Relativamente ao uso da foice na caça ao coelho, que se trata de um utensílio com enorme tradição na caça desta Ilha, o diploma apresenta uma evolução bastante positiva, pois, ao contrário do precedente, que impedia totalmente o uso de quaisquer instrumentos cortantes para a limpeza da vegetação onde a caça se pudesse refugiar, este já não o faz, situação que vem evitar a perda de coelhos mortalmente feridos no interior de silvados impenetráveis ou noutros locais de densa vegetação onde o trabalho da foice se apresenta de extrema utilidade.

Quanto às aves, apenas se permite a sua caça na “zona baixa”, de 6 de Outubro a 12 de Janeiro, somente aos domingos, do nascer-do-sol às 12H00, pelo processo de Espera e de Salto e num limite diário de 3 peças por caçador. 
Exceção feita para a caça ao Pombo-da-rocha, que decorre de 4 de Agosto a 23 de Fevereiro, em ambas as zonas, aos domingos e feriados, no mesmo horário que as restantes, pelo processo de Espera e num limite diário de 20 peças por caçador.
Relativamente ao edital anterior mantém-se inalterável o estabelecido para o Pombo-da-rocha e aumenta-se um dia de caça aos patos.

Por sua vez a caça ao coelho se estende por três períodos:
O primeiro na “zona alta”, pelo processo de Corricão e Cetraria, de 4 de Agosto a 15 de Setembro, apenas no 1º e 3º domingo de cada mês, das 08H00 às 12H00, no limite de 2 peças por caçador;
O segundo decorre nas duas zonas, pelos processos de Salto, Espera, Espreita, Batida e Corricão, de 6 de Outubro a 8 de Dezembro, apenas aos domingos, do nascer-do-sol às 12H00, no limite diário de 4 peças por caçador;
O terceiro período apenas na “zona alta”, pelo processo de Corricão e Cetraria, de 15 de dezembro a 19 de Janeiro, apenas no 1º e 3º domingo de cada mês, das 08H00 às 12H00, no limite de 2 peças por caçador.
Comparativamente ao calendário da época passada, veio este antecipar o término da caça ao coelho, uma vez que o anterior permitia a realização de jornadas até ao final da época, na “zona alta”, pelo processo de corricão, o que facultava exercício físico e treinamento aos cães.

Retirando esta interdição, e na globalidade, me parece um documento adequado à realidade da caça na Ilha de Santa Maria, pois veio corrigir uma falha, relativamente ao uso da tradicional foice, e se mantém compreensivelmente conservador em todos os seus limites, na medida em que fomos fustigados, no final de 2011 e inícios de 2012, pela Doença Hemorrágica Viral (DHV), no entanto urge descortinar uma solução para a paragem dos cães a partir de meados de Janeiro.

Com base no exposto foi contactada a DRRF, que nos remeteu a seguinte consideração:

A ocorrência de um surto da Doença Hemorrágica Viral (DHV) na ilha de Santa Maria, em finais de 2011, teve como repercussão uma expressiva redução da densidade populacional do coelho-bravo.
A monitorização da população do coelho-bravo, a partir da realização mensal de censos populacionais, realizados pelo serviço florestal local, permitiu constatar uma fraca capacidade de recuperação da espécie, a partir da época de reprodução de 2012, o que, de certa forma, terá sido natural, se tivermos em conta que o efetivo reprodutor disponível para essa época de reprodução havia sido fortemente afetado pelo surto da DHV.
Deste modo, aquando do equacionamento do calendário venatório para a época de 2013/2014, para a ilha de Santa Maria, entendeu-se que seria importante que a época de reprodução do coelho-bravo, relativa ao ano de 2013, decorresse sem a pressão da atividade cinegética, por forma a promover a recuperação da espécie, pelo que se procedeu à interdição do exercício da caça ao coelho-bravo, em toda a ilha, do dia 19 de janeiro até ao final da época venatória de 2013/2014. A análise do impacto desta medida, ao nível da evolução populacional do coelho-bravo na “zona alta” da ilha de Santa Maria, será naturalmente tida em conta no equacionamento do calendário venatório para a próxima época.
Relativamente aos cães de caça, a legislação da caça prevê duas formas para a sua utilização, nomeadamente para o exercício da caça ou para o treino em campos de treino devidamente constituídos para o efeito e que permitem o treino dos cães durante todo o ano, possibilitando deste modo que os cães sejam exercitados ou treinados fora do período venatório. Como tal, seria importante que os caçadores locais tentassem promover a criação de um campo de treino de caça, a partir de um movimento associativo. Fim

Por se apresentar pertinente a solução proposta pela DRRF, consultei o Decreto Regulamentar Regional n.º 4/2009/A, onde a existência e funcionalidade do Campo de treino de caça se encontram preconizadas no Art.º 36.º, do aludido diploma e nos números que se transcrevem:

1 – Por portaria do membro do Governo com competência em matéria cinegética, pode ser autorizada a concessão a associações de caçadores, a clubes de canicultores, clubes de tiro e a entidades titulares de zonas de caça a instalação de campos de treino de caça destinados ao exercício de tiro com armas de caça, treino de cães de caça e provas de caça, nos termos a definir por portaria.
2 – Nos campos de treino de caça apenas é permitida, mediante autorização do dirigente do serviço operativo de ilha com competência em matéria cinegética, a largada de espécies cinegéticas criadas em cativeiro.
3 – Nos campos de treino de caça pode ser autorizada a formação ou avaliação de indivíduos inscritos para exame de carta de caçador, quando inseridas em curso aprovado pelo serviço do departamento do Governo com competência na matéria.
4 – Sem prejuízo do estabelecido no n.º 2, a prática das actividades de carácter venatório em campos de treino de caça só é permitida a caçadores titulares dos documentos legalmente exigidos para o exercício da caça, com excepção da licença de caça.
5 – As entidades gestoras de campos de treino de caça devem assegurar a recolha dos resíduos resultantes das actividades neles desenvolvidas, após o seu término.
6 – A instalação de campos de treino de caça em áreas classificadas carece de parecer favorável do departamento do Governo com competência em matéria de ambiente.
7 – Os campos de treino de caça devem estar devidamente sinalizados, nos termos de portaria do membro do Governo com competência em matéria cinegética.

Finalizo reafirmando que me afigura estarmos perante um calendário venatório ajustado à realidade da Ilha de Santa Maria e concluindo que o Campo de treino de caça, se apresenta como uma solução viável e de extrema utilidade, pelo que mais não nos restará do que assumir a responsabilidade que nos cabe e diligenciar nesse sentido.

25 de setembro de 2013

A "caça" em São Miguel

No dia 22 de Setembro, na ilha de São Miguel, abriu a "caça" ao Coelho bravo, sem espingarda e só com cães, e ao pombo-da-rocha, das 9 horas  às 15 horas. Sem o brilho de outros tempos em que havia caça na Ilha de São Miguel, a data da abertura, apesar de tudo, permanece um dia de festa, mesmo que esta celebração ocorra em crise e sem foguetes.

Como factor muito positivo, saliento a mobilização de alguns jovens para um desporto e um acto de cultura que, quando praticado com ética e segurança, é amigo da sustentabilidade das espécies cinegéticas, já que não fora a acção dos caçadores e muitas delas já se tinham extinguido.

Como factores negativos, permanece a opção de muitos indivíduos em persistirem “caçar” aos  pombos-da-rocha praticamente nos quintais das pessoas, como acontece para as bandas da Rua da Piedade,  na freguesia dos Arrifes. Que se cuidem os torcazes e os doentes do Hospital de Ponta Delgada!
Outro factor menos abonatório advém da escolha recorrente de matilhas numerosas para se “caçar” em zonas muito fraquinhas, em que bastava um cão ou dois para se fazer aquele papel. Enfim!

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

1 de agosto de 2013

Homenagem ao meu Amigo Cremildo

"Normalmente em Portugal só se fazem Homenagens depois de uma pessoa morrer, isto é,  a titulo póstumo. Quebrando esta regra nacional resolvi homenagear em vida o meu amigo Cremildo  Marques e a razão porque o faço prende-se com o facto do Cremildo ser um Caçador que tem contribuído, como poucos, para a divulgação, promoção e defesa do cão de parar nos Açores e no resto do País!
É  verdade que nesta nobre missão tem contado com a firme ajuda do Vitor e do Russo, para já não falar da sua esposa e mesmo da Senhora do Vitor, que estão sempre disponíveis para os acompanhar em tudo, mas é o Cremildo a alma desta empreitada.
Caçamos juntos há muitos anos aos coelhos bravos, às galinholas, às codornizes, às perdizes e aos pombos e, em todas estas modalidades de caça e de espécies cinegéticas tão diferentes e em terrenos também muito distintos e variados,  ele utiliza sempre, mas sempre, os cães de parar.
O seu aspeto com aquelas Barbas compridas e que o irão acompanhar até à cova, já que prometeu cortá-las só quando o Benfica for campeão europeu, escondem um bom amigo, um caçador disciplinado, confiante e muito pontual, que nunca chega um minuto atrasado a um compromisso assumido, e sempre  de um trato superior na relação com os seus amigos cães  e com os outros companheiros caçadores.
O seu canil tem hoje 13 cães com predominância das raças Epagneul Bretão e Setter Inglês e já teve cães de caça e de parar extraordinários, como foi o caso do Epagneul Bretão Scotch, que o levou a sagrar-se Campeão Nacional de Santo Huberto, mas não só, pois na minha presença e num dia de caça o Scotch chegou a parar cerca de 30 galinholas! Também já teve cães de menores aptidões cinegéticas, mas o que eu acho excepcional neste bom amigo é que ele sente e dedica o mesmo carinho a todos por igual.
A sua paixão pelo cão de parar é sincera e vai ao ponto dele e do Vítor irem com frequência à Ilha de São Jorge e mesmo na sua Ilha de residência,  que é o Pico, fazer demonstrações gratuitas das capacidades do cão de parar, aliás, o Cremildo, que me recordo, nunca vendeu um cão que fosse.
Acresce referir que o Cremildo é um cozinheiro fantástico e da mais elevada mestria na distinta arte da gastronomia cinegética. A sua canja de pombas, as galinholas à moda do Pico, as codornizes alagadas ou os tordos  grelhados, são os seus pratos mais afamados e reconhecidos e, justiça lhes seja feita, quem os provar nunca mais deles se esquece,... como também nunca mais se esquece da adega dele! 
Dotado de uma simpatia e disposição fora do comum, que a todos contagia pela sua espontaneidade, sempre que participa numa caçada ou numa Prova de Santo Huberto é a segura garantia de muita alegria e de boa disposição.
Com o Cremildo tenho a sorte de partilhar alguns segredos e cumplicidades que jamais esquecerei, como não esqueço a sua paixão pela caça e pelo cão de parar.
Obrigado amigo Cremildo!"

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

7 de julho de 2013

Aos Javardos pela Força do Calor - Que Saudades!

Há muitos anos, quando a idade era outra e o entusiasmo maior, havia cá neste cantinho do Alentejo um grupo que gostava de caçar javardos, mas gostavam mesmo de caçar porcos esta gente! 
Gostavam tanto que aproveitavam estes dias assim mais quentes, para cima dos 40º, e juntavam-se dois ou três, por vezes com um canito daqueles escolhidos, bem rijos, e iam-se aos porcos...
Caçar com estes calores é duro, muito duro, mas esta rapaziada malina fazia ainda questão de esperar que o dia aquecesse mais, que o chão e as sombras ficassem abrasando e depois lá iam pé ante pé bater barrancos com silvados ou nos acamadoiros do mato, onde poderiam estar os porcos. É claro que era uma temeridade, mas um cantil com água, um chapéu largo e umas polainas chegavam para se sentirem estes jovens caçadores preparados para enfrentar até o inferno... o que faz a juventude!
Os bichos, amagados, esmagados com o calor tremendo, nem acreditavam que ali viesse nada nem ninguém apoquentá-los e saiam mesmo pelas últimas, de mau humor, olhando e escutando tão inusitadas visitas. Saiam-nos debaixo dos pés, de contra vontade, andavam um bocado e paravam na barreira incrédulos. Até as raposas e gatos monteses quase se deixavam apanhar à mão! 
Que saudades! Que saudades do meu valente Dom Brás e dos pequenos Pantufas, que saudades do Rufia e do Farrusco!
Que saudades de após termos um ou dois porcos, cansados, exaustos, nos pormos a pensar então como os iríamos carregar e tirar daqueles infernos...
Que saudades de tais tempos e de tais companheiros!

Texto e foto de João Acabado

6 de julho de 2013

Vivendo e Aprendendo

Numa noite, depois de uma belíssima caçada  aos coelhos, na companhia dos meus podengos e cruzados, estava eu a jantar na Residencial Califórnia, lá na Ilha de São Jorge, com o Celestino, quando um Senhor, que mais tarde vim saber chamar-se Manuel Capitão,  chegou ao pé de nós e perguntou: “Os Senhores são caçadores?"
Acrescentou de seguida: "É que hoje aconteceu-me uma coisa que nunca mais me esqueço. Estava  a trabalhar nas infra-estruturas do Cemitério da Beira, quando comecei a ouvir, lá ao longe, um caçador a cantar e a falar para os cães e eu disse ao meu colega, aqueles homens ou estão malucos ou bêbados logo de manhã! É que eu para matar um coelho não faço barulho nenhum. Eles, com toda aquela algazarra, não matam nada! 
Perante aquela cantoria paramos de trabalhar e fomos espreitar aquela maluqueira, mas depois começamos a verificar que  eles cobravam  mesmo muitos coelhos e que os cães quase que os levavam aos canos das espingardas. Os Senhores  acham isto possível ou nós é que estamos apanhados pelo clima desta bonita terra?”
O meu companheiro de caça, o Celestino, tomou a palavra e respondeu-lhe: “Caro amigo isto é tão possível que o Senhor até veio falar com os malucos que viu esta manhã, sendo que a berraria que ouviu, na Ilha de São Miguel, chama-se "falar aos cães" e o autor da cantoria é o Parceiro aqui do lado (Gualter Furtado). 
O Senhor Manuel Capitão rematou a conversa dizendo : "O Mundo é mesmo pequeno e vivendo e aprendendo!..."

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

27 de maio de 2013

Um Passeio Pedestre pela Sustentabilidade

No seguimento de uma escalada à Montanha do Pico, de uma subida ao Pico da Vara e da realização de um percurso pedestre ao Sanguinho, chegou a vez de um grupo de Colaboradores do BES dos Açores, da Tranquilidade e do Grupo Bensaúde fazerem no dia 25 de Maio, do corrente ano, um passeio pedestre pelos trilhos do Vanzinho e da cascata da Ribeira do Rosal, num percurso de cerca de 12 Km,com inicio nas proximidades do Castelo Branco e terminando junto das caldeiras da Lagoa das Furnas.
Os Objetivos que norteiam estes passeios são múltiplos, com um destaque especial para a valorização do trabalho em grupo, a cooperação, a prática do desporto e a defesa do meio ambiente como uma componente fundamental da sustentabilidade. 
Esta edição foi muito valorizada pelo acompanhamento e esclarecimentos da Dra Hélia Palha, do Engº Miguel Ferreira e da Engª Malgorzata Pietrzak que desempenham funções no Centro de Monitorização e Investigação das Furnas(CMIF). 
No decurso deste trilho foram plantadas pelos participantes várias plantas endémicas dos Açores e de acordo com um modelo que pretende dar sustentabilidade e proteção à Lagoa das Furnas. O empenhado esforço desta pequena equipe do CMIF tem merecido o reconhecimento nacional e internacional, com a obtenção de prémios de grande relevância. Este trabalho, se aprofundado e alargado à Lagoa Seca e às pastagens que circundam o cimo da Lagoa, seria um contributo fundamental para a recuperação da nossa Lagoa e de todo o habitat que a rodeia. Combater a eutrofização da Lagoa das Furnas requer um plano integrado e tem de contar com a indispensável cooperação dos lavradores. 
O problema grave da Lagoa das Furnas não se resolve atuando apenas na Lagoa. É dever dos poderes públicos, dos privados e da sociedade em geral tudo fazerem e apoiarem estes jovens do CMIF para que a nossa Lagoa volte a ser o que era há cerca de 50 anos ou mesmo há 40 anos atrás, simplesmente um local paradisíaco. 
Para encerrar mais esta jornada pela Sustentabilidade aguardava-nos uma excelente bacalhoada nas caldeiras das Furnas e que só poderia ter sido preparada magistralmente por habilidosas mãos Furnenses.

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

30 de abril de 2013

Santo Huberto na Ilha de São Miguel

Realizaram-se nos passados dias 27 e 28 de Abril, no concelho da Ribeira Grande, mais duas provas de Santo Huberto com Cão de Parar sobre Perdizes Vermelhas, integradas no campeonato da modalidade a decorrer na Ilha de São Miguel.
Foram as mesmas julgadas pelo Paulo Cruz, Juiz de Santo Huberto,  tendo sido apurada a seguinte classificação:

1º Classificado - Gualter Furtado, com a Setter Inglesa (F) Madona;
2º Classificado - José Moniz, com a Braco Alemã (F) Íris;
3º Classificado - Francisco Teixeira, com o Perdigueiro Português (M) Obam.

Na fotografia (da esquerda para a direita): Paulo Cruz, José Moniz, Gualter Furtado, Francisco Teixeira

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

1 de abril de 2013

Santo Huberto em São Miguel

Realizaram-se nos passados dias 29 e 30 de Março, no concelho da Ribeira Grande, da Ilha de São Miguel, as duas primeiras provas de Santo Huberto com Cão de Parar sobre Perdizes Vermelhas, no âmbito do calendário de 2013.
Foram as mesmas julgadas pelo Paulo Cruz, que é um Juiz Açoriano e credenciado a nível nacional.
Este tipo de eventos pretende simular um ato de caça real e serve fundamentalmente para testar o caçador ao nível da segurança, transporte e utilização das armas de caça, bem como a qualidade do treino e as capacidades cinegéticas dos cães de parar com especial relevo para as raças perdigueiro português, pointer, braco alemão, epagneul bretão e setter inglês, assim como avaliar o cumprimento das regras elementares do respeito pela natureza e usufruto do meio ambiente.

No conjunto dos dois dias os primeiros classificados foram:

1º lugar : Luiz Faria, com o Epagneul Bretão (M) Mini
2º lugar : José Moniz, com a Braco Alemã (F) Íris
3º lugar : Gualter Furtado, com a Setter Inglesa (F) Madona

O Santo Huberto já teve dezenas de praticantes nos Açores, com diversos campeões nacionais e mesmo do Mundo, tanto em Santo Huberto como em caça prática.
O aumento da burocracia  que é exigida na realização deste tipo de  provas, o elevado custo no transporte das perdizes,  dos cães e dos Juízes,  a par de outros constrangimentos, tem levado ao afastamento de muitos entusiastas de uma modalidade que é uma autêntica escola para o caçador.

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

11 de março de 2013

Da Caça e de ser Caçador

Na sequência de uma reunião em que se encontraram algumas pessoas com responsabilidades, ou pelo menos com acção directa, no sector da Caça, que visava o aglutinar vontades numa defesa “a uma só voz” de algumas áreas especificas deste sector, dei comigo a cogitar sobre a própria Caça e o ser Caçador pela enésima vez e isto porque, em certa parte da discussão se alvitrou, ou pelo menos assim me pareceu, que a palavra Caça fosse eliminada de algumas siglas e nomes de entidades e programas existentes, para que fosse mais fácil o acesso ou a candidatura a projectos nas áreas como a Biodiversidade, o Turismo de Natureza e a conservação desta, e o termo Caça ser “mal aceite” pela sociedade em geral, o mesmo é dizer que por ser politicamente incorrecto o seu uso.
Não me contive e recusei terminantemente integrar qualquer grupo que, para defesa dos interesses da “Caça”, proponha eliminar esta palavra para uma melhor penetração, mesmo que temporária, nos circuitos politico-financeiros ou para outro qualquer desígnio ou por outra qualquer razão.
Após a reunião e depois de nesta ter sucinta, mas firmemente, explicado porque não aceitava tal proposta, dei comigo na viagem a explicar-me o razoável da minha postura e a colocar em formas coloquiais e socialmente inteligíveis as razões da minha opção. O curioso é que não me foi muito complicado, provavelmente porque para os apaixonados as razões mais insípidas serem (ou parecerem) soluções substanciais, mas a verdade é que não me foi mesmo nada difícil, a saber:

1- Se a Caça tem uma má imagem junto da Sociedade este facto deve-se, no geral, ao facto desta mesma Sociedade ter um elevado grau de desconhecimento da realidade desta actividade, muito por força da inanição dos próprios responsáveis deste sector, da desinformação que os média-generalistas praticam e da visibilidade que é dada aos nossos detractores, onde algumas organizações de pretensa defesa da Natureza e dos animais pontificam e que têm a cobertura dos média-generalistas, anti-caça, ambos, por princípio.
Assim sendo, o que devemos é promover a informação da realidade desta prática, contestando a desinformação e promovendo a divulgação nos média, convidando-os, repetidamente se necessário, a estar presentes nos nossos eventos e jornadas para que as possam presenciar e ser suas testemunhas, e refiro-me obviamente às nossas actividades normais e recorrentes, para que não sejam apenas notícia os mega-eventos pseudo-cinegéticos que normalmente são os que têm divulgação e nos quais a componente cinegética é muitas vezes de importância menor e até de discutível qualidade, estes terão o seu espaço mas não reflectem uma realidade.
  
2- A Caça é uma actividade com uma componente física sempre presente, exige ainda uma elevada capacidade de concentração e de manutenção desta por longos períodos de forma a identificar e resolver os lances que se apresentam e a sua conclusão exitosa. Assim sendo, é uma ferramenta indiscutível para a manutenção de uma saúde física e mental que a coloca ao nível das mais exigentes modalidades desportivas e de lazer.
  
3- A Caça tem ainda um “mais” pouco negligenciável, será das poucas actividades em que a um resultado nulo pode corresponder uma performance destacável. Passo a explicar, poucas são as actividades em que o (neste caso) Caçador pode chegar ao fim da jornada sem a obtenção de qualquer peça (por definição o objectivo procurado) e, paradoxalmente, ter efectuado uma fantástica e gratificante Caçada, como assim? Pois bem, é que numa Caçada o objectivo é a vitória sobre as estratégias defensivas dos oponentes (peças de caça) e um teste às nossas próprias capacidades de utilizar os meios existentes no seu (deles) habitat a nosso favor até, como epílogo, tomarmos posse da peça procurada. No entanto, durante uma caçada essas estratégias têm que ser utilizadas para evitar o alerta de um sem-fim de outras criaturas, obrigando-nos a “Caçar” a todo o tempo e não só perante a peça procurada, somando assim por vitórias todas as ocasiões em que o alerta é evitado. Para além disso, quando bem praticada, permite o desfrute de inúmeras cenas da Natureza no seu estado puro que estão vedadas a todos os que apenas contactam com a Natureza de forma invasiva, com motores, multidões, trajectos balizados, alimentação artificial, etc. permitindo-nos um acumular de conhecimento “de experiência feito” sobre as espécies com que comungamos o espaço de Caça e, naturalmente, sobre a Natureza no seu todo.
  
4- Tenho para mim que todos os Caçadores, os que realmente o são, são inevitavelmente grandes conhecedores da Natureza, dos seus habitantes e seus maiores apaixonados e também por isso defensores. Se este facto ainda assim fosse contestável, gostaria de saber quantos dos que integram as fileiras das organizações ditas “de protecção da Natureza” fizeram alguma vez alguma coisa que directamente resultasse na melhoria das condições de vida das espécies selvagens? Farão estudos e censos, estatísticas e propostas programáticas, destes alguns de duvidosa credibilidade pelo artificial da amostra e desconhecimento dos que recolhem os dados, mas e de facto acções directas? como limpar nascentes para a fauna beber, criar pontos de água, facultar comida para as épocas de escassez através de culturas apropriadas e, se necessário, da disponibilização de alimento em épocas de escassez total, ou quando as catástrofes naturais assim o obrigam? pois bem, no grémio dos Caçadores quase e todos mas nunca os encontrei a ser executados pelos agentes daquelas organizações que, temo, estarem mais preocupadas com as suas próprias sobrevivências que com a das espécies cuja protecção tanto anunciam.
  
5- Creio que aqueles não saberão que, até inadvertidamente, ajudamos um número infinito de espécies, dou-vos como exemplo os cevadouros para perdizes ou dos javalis, todos os que já os fizemos (fazemos) e mantemos, podemos observar (e com as novas tecnologias até registar para análises posteriores) o número de espécies que ali se alimentam, desde a formiga que “rouba” o trigo, à Águia ou ao “extinto” lince que ali sabem encontrar as presas que necessitam, passando pelo Chapim que não comendo o grão, sabe que nele se desenvolvem insectos dos quais se poderá alimentar. Não sendo o objectivo em si mesmo, é uma consequência inevitável esse auxílio a todas as espécies.
  
6- São os Caçadores os que mais pugnam para que as técnicas agrícolas se “adaptem” aos ciclos biológicos suplicando (porque é este o termo) a proprietários e empresários agrícolas, nas propriedades que gestionam, para retardarem ceifas e desmates (por exemplo), para permitir a tranquilidade e sobrevivência das espécies que ali nidificam até à capacidade de fuga dos juvenis. Acreditem que não é fácil pois as espécies não têm a capacidade de adaptar os seus ciclos biológicos ao ritmo das alterações das práticas agrícolas, cada vez mais precoces e rápidas.
Os espaços de Gestão Cinegética que contemplam a prática da Caça são, no geral, de maior riqueza no respeitante a Biodiversidade e qualidade ecológica que os restantes, os números falam por si.
Com excepção dos trabalhadores rurais e destes só alguns, poucos haverá maiores conhecedores “do campo e dos seus habitantes” que os Caçadores, algum que outro investigador dedicado, certamente, mas em número garantidamente reduzido. É com agrado, e devo afirmá-lo porque é uma realidade, que registo cada vez com maior frequência o pedido da nossa (Caçadores) participação e auxílio por parte de cientistas e investigadores, esse é o caminho, juntos teremos uma visão melhor e mais fiel da realidade e assim fazer melhor porque mais documentado.
  
7- Os Jovens não se sentem motivados para esta nossa actividade? Naturalmente! Se a imagem que recebem do Caçador é sempre “colada” a uma morte aleatória e injustificada e a um colectivo de bárbaros, é natural que não se sintam interessados, se para além disso os manuais escolares, e outros textos de referência, têm alusões a esta imagem e ninguém a contesta, como queremos que se sintam motivados e curiosos? Impossível!
A curiosidade e apelo só se criarão se todo o colectivo dos Caçadores se unir em torno do dever da informação e difusão da nossa actividade, indo às escolas, às Faculdades, aos Politécnicos, à Sociedade no geral e pedindo (quando não exigindo) aos organismos e seus órgãos directivos a oportunidade de apresentar a nossa actividade, porque legal e juridicamente enquadrada, junto dos seus alunos, componentes e cidadãos, esclarecendo e informando sobre a realidade e significados do que são a Caça e o ser Caçador e sistematicamente corrigindo e pedindo a rectificação ou eliminação dos textos ou outras formas de publicitação que difamem ou distorçam o significado e práticas de ambos os termos, Caça e Caçadores.
  
8- Finalmente existe também uma razão económica, não está contabilizada de forma credível e segura mas é inquestionável que a Caça, directa e indirectamente, movimenta milhões de euros e sabemos que se acarinhada ao invés de maltratada poderá aumentar significativamente o seu impacto na Economia.

Em conclusão, recuso-me a ser TCPS (Técnico de Controlo de Populações Selvagens) ou ACES (Agente de Controlo de Espécies Selvagens) para assim poder formalizar candidaturas ou passar desapercebido ou colado para financiamento à Biodiversidade, ao EcoTurismo ou outras quaisquer formas de promoção e defesa da Natureza, ao contrário, o facto de ser Caçador e de Caçar devem ser pontos favoráveis e distintivos porquanto já de si abonatórios do meu conhecimento daquelas realidades e da sua manutenção e promoção.

Paulo Farinha Pereira
Caçador

Texto e foto da autoria de Paulo Farinha Pereira

Sobre o blogue

Contacto: ribeira-seca@sapo.pt
número de visitas

1 - Pertence-me e não possui fins comerciais;

2 - Transmite a minha opinião;

3 - Os trabalhos publicados são da minha autoria;

4 - Poderei publicar textos de outros autores, mas se o fizer é com autorização;

5 - Desde que se enquadrem também reproduzirei artigos de imprensa;

6 - Pela Caça e Verdadeiros Caçadores;

7 - Em caso de dúvidas ou questões, poderão contactar-me através do e-mail acima;

8 - Detectada alguma imprecisão, agradeço que ma assinalem;

9 - Não é permitido o uso do conteúdo deste espaço sem autorização;

10 - Existe desde o dia 21 de Outubro de 2006.

© Pedro Miguel Silveira

Arquivo