24 de novembro de 2011

A Bandoleira

A bandoleira trata-se, essencialmente, de uma correia, fabricada em diversos materiais, que se prende longitudinalmente a uma espingarda e serve para facilitar o seu transporte pelo caçador. 
Apesar da sua importância é também um dos acessórios de que menos se fala.
Para contrariar essa tendência e responder a algumas questões elaborei este pequeno texto.


A bandoleira é montada numa espingarda de caça através de dois zarelhos, peças essas que são colocadas, uma na coronha e outra nos canos, isto nas sobrepostas e nas justapostas, sendo que nas semiautomáticas são visíveis na coronha e na extremidade do fuste. Por sua vez pode ser fixa a esses zarelhos através de um botão em metal, de uma fivela ou de um mosquetão. Depois de engatada a bandoleira é ajustado o seu comprimento de acordo com a vontade do caçador.
Na escolha de uma bandoleira indico o couro e o nylon por serem os materiais mais resistentes e cómodos.
Apesar do botão ser o mais tradicional e o mosquetão o mais prático, aconselho o sistema de fivela, por me parecer o mais seguro.
É igualmente importante considerar a largura da bandoleira, sobretudo na zona que nos irá assentar no ombro, para potenciar o conforto. Nesse sentido devemos também optar por aquelas que nos apresentam um apoio para o polegar.


Se é certo que o uso de uma bandoleira nos exige alguns cuidados, sobretudo em relação ao desgaste e transporte, para que a arma de fogo não nos caia ou se prenda na vegetação, nada existe que nos impeça de usa-la e de usufruir do conforto e do auxílio que nos pode proporcionar, pelo que a utilização deste utensílio deve ser apreciada.

3 de novembro de 2011

Registo e Licenciamento dos Cães de Caça

"Desde o primeiro dia de Junho de 2004 que é obrigatório realizar o registo dos cães utilizados no acto venatório.
O cão deve ser identificado por método electrónico e registado entre os 3 e 6 meses de idade. Para isso deve ser introduzido no animal um micro-chip que contém um código de identificação de leitura óptica, onde consta a identificação do canídeo, do detentor e do médico veterinário e deve ser colocado na parte esquerda do pescoço do cão.

O veterinário que colocar o chip deverá entregar ao caçador o Boletim Sanitário do Cão, onde é aposta uma etiqueta autocolante comprovativa da identificação electrónica e entregar-lhe uma ficha de registo em quadruplicado.
O original e o duplicado ficam com o detentor para colocação no boletim e para entrega na Junta de freguesia no momento em que efectua o registo, enquanto o triplicado é enviado para o SIRA-RAM e o quadruplicado fica com o médico veterinário.

Após identificação por método electrónico, o caçador dispõe de 30 dias para proceder ao registo e licenciamento do cão na Junta de Freguesia da área de residência da área do seu domicílio ou sede. Este procedimento só é efectuado uma só vez na vida do animal.
No acto do registo é obtida a primeira licença do cão.
Anualmente deverá ser então renovada a licença do canídeo na Junta de freguesia onde foi registado.

A omissão dos deveres de registar e licenciar dá lugar à aplicação de coimas aos infractores:
Falta de registo - entre 50,00€ a 3.740,00 (ou 44.890,00, se o detentor for pessoa colectiva);
Falta de licença – entre 25,00 e 3.740,00 (ou 44.890,00, se o detentor for pessoa colectiva).

As licenças e respectivas renovações são emitidas mediante a presentação dos seguintes documentos:
Boletim sanitário do cão;
Prova da identificação electrónica, comprovada pela etiqueta com um número de identificação alfanumérico, no boletim sanitário do cão;
Prova da realização das vacinas declaradas obrigatórias para esse ano, comprovado pelas respectivas vinhetas oficiais;
Exibição da carta de caçador actualizada.

As Juntas de Freguesia devem proceder ao registo do animal na Base de Dados Nacional, designada SICAFE (Sistema de Identificação de Canideos e Felino), cuja gestão está a cargo da Direcção Geral de Veterinária, à qual têm acesso via internet.

Cabe às Juntas de Freguesia realizar o seguinte:
Inserir os dados na base de dados nacional informática;
Fazer transferência de titular de registo, mediante requerimento do novo detentor, procedendo ao seu averbamento no Boletim Sanitário do cão;
Alteração de morada dos detentores;
Dar baixa dos animais declarados como mortos;
Inscrever "ANIMAL PERDIDO – PROCURA-SE" na zona de observação da ficha animal sempre que o detentor declare o desaparecimento do seu cão.

Em Portugal existem duas bases de dados de registo que não estão interligadas:
O SICAFE cuja gestão está a cargo da Direcção Geral de Veterinária sendo a actualização responsabilidade das Juntas de Freguesia, cabendo a estas últimas proceder ao registo do animal nessa base, depois do titular aí ter procedido ao registo do animal;
SIRA (Sistema de Identificação de Registo Animal), a mais antiga, que é administrado pela Ordem dos Médicos Veterinários. Legalmente, depois do cão ser "chipado", o médico veterinário deve proceder ao registo do cão nesta base de dados.

Caso o seu cão se PERCA ou lhe seja FURTADO, para tentar recuperá-lo deverá confirmar se o mesmo se encontra registado nas DUAS bases de dados, mas terá de faze-lo por intermédio da Junta de Freguesia e do seu médico veterinário, pois não tem acesso directo, às bases de dados.

Para mais informações consulte a FENCAÇA"


Texto da autoria de Paula Simões

31 de outubro de 2011

Caçada em Santa Maria

"Recordação de uma caçada ao Coelho Bravo, realizada na Ilha de Santa Maria, no dia 30 de Outubro de 2011, na companhia dos “Irmãos Braga”, nomeadamente dos meus amigos de longa data José Braga, de 76 anos, e de António Braga, com 79 anos, a que se juntou o Pedro Miguel Silveira.

A caçada foi extraordinária com lances muito bonitos, onde não foi falhado um único coelho e com os cães a portarem-se à altura das imensas dificuldades que o terreno nos impunha, tendo começado pouco depois do nascer do sol e terminado às 08H25.
Com três armas, cobramos 15 coelhos, máximo permitido por lei, pois estipula o calendário
venatório o limite de 5 peças por caçador.

No final, juntou-se-nos outro grupo e dessa reunião surgiu a fotografia que acompanha estas linhas.
Seguiu-se então o convívio, que foi extraordinário, acompanhado por pratos típicos da Ilha de Santa Maria e queijos dos Açores, a que não faltaram as cantigas ao desafio com o António Joaquim, figura incomparável pela sua boa disposição, eu próprio e o Senhor José Braga a fazerem umas rimas de improviso que deixaram o pessoal ainda mais bem disposto.

Ponto negativo foi mesmo o martírio que tivemos de passar no aeroporto com algumas funcionárias da SATA a demonstrarem falta de capacidade para lidarem com o transporte dos cães de caça, situação que se traduziu num autêntico inferno, mas, mesmo assim, incapaz de anular esta magnífica caçada ao coelho, cuja raça e bravura representa ainda um verdadeiro expoente máximo da riqueza que caracteriza o património cinegético dos Açores e da Humanidade"

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

30 de outubro de 2011

II Feira da Caça de Mértola

"Decorreu em Mértola, nos dias 21 a 23 de Outubro, a segunda edição da Feira da Caça.
Jorge Rosa, presidente da Câmara de Mértola, realçou o facto do certame promover e divulgar o concelho, enquanto território por excelência para a prática cinegética.
Jacinto Amaro, presidente da FENCAÇA considerou este certame como o maior evento sectorial do Sul de Portugal, quer na qualidade das actividades cinegéticas desenvolvidas, quer pelo número de expositores que rondaram os 70 e pelos 10 000 visitantes recebidos.
Destacamos a inauguração do monumento “Mértola capital da Caça” da autoria dos escultores Francisco e António Charneca, cuja inauguração esteve a cargo do Secretário de Estado das Florestas Eng. Daniel Campelo, que igualmente inaugurou a Feira da Caça.

Tal como no ano anterior, a Feira apresentou um vasto programa de actividades para os visitantes e expositores, onde se destacou o Colóquio sobre Caça, cuja organização esteve a cargo da Câmara Municipal (CM) de Mértola, FENCAÇA e ANPC, onde foram abordados os seguintes temas:  “A perdiz vermelha”, moderado por Eduardo Oliveira e Sousa (presidente da ANPC), que teve como oradores Javier Viñuela (IREC- Instituto de Investigação em recursos Cinegéticos, Espanha) e Jacinto Amaro (presidente da FENCAÇA), e “Panorama da Caça em Portugal”, moderado por Arlindo Cunha (vice-presidente da FENCAÇA), com os oradores Paula Simões (jurista da FENCAÇA) e João Carvalho (Secretário-geral da ANPC).
A 2ª Prova de Santo Huberto - Mértola, organizada pela FENCAÇA e pela CM Mértola, decorreu na ZCT de Dorde, em terrenos com aptidões excelentes para a prática da modalidade, que apurou como vencedor da prova Nuno Godinho, que se fez acompanhar de um braço alemão, de nome Sevilha. De realçar os excelentes resultados alcançados na Montaria, onde se cobraram 11 javalis e 18 veados (cinco dos quais possuíam entre 15 a 17 pontas), realizada na Zona de Caça Turística da Herdade de Pau de Canoa, que contou com a participação de 60 monteiros.

Foi sem dúvida um certame vivo em termos cinegéticos, onde não faltaram as demonstrações de cães de parar, caça ao coelho com cães, falcoaria, entre outras. 
Decerto um evento  que está a consolidar a imagem de “Mértola capital da Caça”.

Texto e foto da autoria de Paula Simões

27 de outubro de 2011

Portugal Campeão do Mundo de Santo Huberto

Decorreu nos dias 13 a 16 de Outubro, em França, Cazalis - Gironde, mais um campeonato do mundo de Cães de Parar e Santo Huberto, onde estivemos representados pela Selecção Nacional de Santo Huberto, composta pelos Srs Vítor Maurício e Mário Brito, que se fizeram representar acompanhados por dois Perdigueiros Portugueses.

As provas decorreram em terrenos de Pinhal com exemplares de diversas idades, e a presença de matos densos e restos de ramadas de pinheiros cortados, o que dificultou o percurso dos cães e dos caçadores.

Os participantes foram distribuídos por 3 séries, duas das quais foram ganhas pelos atletas portugueses, ficando Mário Brito com 97 pontos e Vítor Maurício com 61 pontos. 
A terceira serie foi ganha por um atleta Italiano.
A “Barrage” foi disputada a entre o atleta português Mário Brito e o atleta italiano D´Amrosio Massimo, tendo este ficado em primeiro lugar, e o nosso participante em segundo.
O atleta Vítor Maurício, foi excluído da Barrage, já que na série em que participou não houve abate e cobro de nenhum faisão.
Foi ainda disputado o terceiro lugar (segundo o regulamento) pelos participantes que ficaram em segundo lugar nas séries com abate.

O resultado final do Campeonato, foi o seguinte:

CAMPEÃO DO MUNDO - D´Amrosio Massimo - Italiano
VICE-CAMPEÃO DO MUNDO - Mário Brito - Português
3º CLASSIFICADO Jimmy Johansson - Sueco

Por equipas, a Selecção Portuguesa foi imparável, obtendo a soma final de 2 pontos atribuídos pelos dois primeiros lugares das duas séries. 

Os resultados finais por equipas foram:

1º PORTUGAL - 2 Pontos
2º CROÁCIA - 5 pontos
3ª DINAMARCA - 7 pontos

Os nossos parabéns aos novos Campeões do Mundo de Santo Huberto - por equipas, que durante um ano irão, com todo o mérito, ostentar esse título.

Texto e foto da autoria de FENCAÇA

21 de outubro de 2011

V Aniversário

Faz hoje cinco anos que iniciei este blogue.
Na altura escrevi que a caça era uma manifestação da mais autêntica tradição, um legado dos pais aos filhos, uma herança que nos tinha sido transmitida desde os tempos primórdios, desde a alvorada da própria humanidade e que poderia ser um motor de desenvolvimento económico na actual e frágil economia mariense, se recebesse dos verdadeiros Caçadores e das competentes entidades públicas e privadas a atenção e o investimento de que era justa merecedora.

Disse ainda que este sítio pretendia chamar a atenção e sensibilizar os diversos actores para a nova realidade que enfrentávamos.

Desejava, acima de tudo, defender o património natural e cultural que nos identificava e distinguia como povo, promover a harmonização dos diferentes interesses em jogo, para que fosse possível preservar o que ainda possuíamos, fomentar a actividade cinegética como um recurso valioso e como um factor de desenvolvimento importante, sem que deixasse de ser um blogue de caça de, e, para Caçadores, para aqueles que albergavam em si o "fogo sagrado"!

Passado todo este tempo, mantenho essa vontade e reforço esse compromisso, sendo disso prova a licença de caça que fui pagar e levantar hoje.

Ao longo destes cinco anos contribuímos para alterar comportamentos e vimos textos aqui publicados surgirem em jornais e revistas, como "O Baluarte", "O Templário", a "Calibre 12", a "Caça & Cães de Caça" ou a "Caça Maior & Safaris".
Estivemos na capa da "Calibre 12".
Tivemos a enorme honra de redigir o prefácio do livro "Um Contributo para a Defesa da Caça" e de apresenta-lo publicamente.
Fizemos amigos!

Aproveito para agradecer, penhorado, toda a amizade, apoio e colaboração do Dr. Gualter Furtado, do Carlos Pereira, do Nuno Sebastião, do António Luiz Pacheco, do António Inácio e do Isaías Piçarra, sem os quais este seria, certamente, um lugar bem mais pobre.
A todos os meus amigos e visitantes deste espaço, um abraço rijo e votos de muitas e boas caçadas!

20 de outubro de 2011

A Minha Homenagem ao Rei dos Matilheiros Portugueses

Estava eu no Aeroporto das Lajes, na Ilha Terceira, de regresso à Ilha de São Miguel, depois de ter feito a Abertura às Galinholas na Ilha do Pico, quando recebi um telefonema do Conde de Murça, Jorge Maria de Melo, a comunicar-me a triste notícia do falecimento do nosso amigo Tio Joaquim Casaleiro.
O Tio Joaquim caçou quase até aos 90 anos e foi, de facto, o Rei dos Matilheiros de Portugal.

A sua mestria na condução dos podengos anões e a forma superior como se relacionava com eles era reconhecida por todos os apaixonados e entendidos na caça ao coelho bravo que tiveram a felicidade de ter caçado com o Tio Joaquim.
Caçamos juntos na Ilha das Flores, no Continente Português e em Espanha. 
Estive com ele e outros amigos no dia em que celebrou os seus 70 anos, isto no Arrepiado, em Abrantes.
Tanto na sua vida do dia-a-dia, como na caça este Senhor impressionava qualquer um pela sua energia e elevada ética.

O Jorge perdeu um segundo Pai e os seus amigos um Grande Companheiro.
O mundo da caça ficou bem mais pobre.
A esposa e família perderam um Pai exemplar.
Tio Joaquim, até sempre e vai preparando a matilha aí em cima, porque é certo e sabido que nos havemos de reencontrar.
Gualter Furtado, 17 de Outubro de 2011

19 de outubro de 2011

Abertura às Galinholas na Ilha do Pico

No dia 17 de Outubro abriu a caça às Galinholas na Ilha do Pico. 

A Galinhola é uma ave sedentária nos Açores e um autêntico tesouro da região. 

A abertura a esta espécie cinegética é sempre uma festa e um momento único para saborearmos lances extraordinários na companhia dos nossos companheiros e dos nossos cães de parar. 

Este ano estive a caçar com o Zé Carneiro, um Jovem, Engº Civil de formação, oriundo da Ilha das Flores e que conheço desde os 4 anos de idade. 

Caçamos com a minha Bretã Espanhola, de nome Pipoca, de 4 anos de idade, e com a jovem Smart, uma Setter Inglesa  que ainda não fez 2 anos de idade. 

O Tempo esteve bom e a paisagem, como sempre magnífica, permitiu lances muito bonitos.

Quanto à densidade de galinholas, e apesar de não se ter caçado numa parte da ilha durante a época passada, eu e todos os caçadores com quem falei, achamos que era inferior do que há dois anos atrás.

Certamente que este quadro de menor número de Galinholas se deve, em parte, ao facto dos terrenos onde se caçam Galinholas, embora estivessem interditos à caça da Dama dos Bosques, permitirem a caça ao coelho bravo. É realmente uma situação triste.

Os Serviços Oficiais da Caça e os Caçadores devem unir-se para por fim a esta situação, sob pena de se hipotecar o futuro do maior tesouro cinegético dos Açores.




Texto e fotos de Gualter Furtado

18 de outubro de 2011

José Moniz vence V Troféu Gualter Furtado

No dia 15 de Outubro de 2011,  na Ilha do Pico, realizou-se o V Troféu Gualter Furtado de Santo Huberto com Cão de Parar sobre Perdizes Vermelhas.
Este evento insere-se na homenagem anual que os caçadores fazem a Gualter Furtado, através da atribuição do seu nome a esta prova de caça. 

Os concorrentes foram julgados pelo juiz internacional de provas de cão de parar, José Pedro Leitão e ainda pelo juiz Paulo Filipe. 

O Tempo esteve muito bom e os terrenos adequados à prática desta modalidade de caça. 
As provas decorreram com muito desportivismo e, como sempre, acompanhadas por uma forte componente social, superiormente orientada pelo Cremildo Marques e toda a sua vasta equipa, esforço esse que se traduziu numa organização impecável e na apresentação de diversos pratos típicos de caça maior e menor. 



Concluídas as provas os resultados finais ficaram ordenados pela seguinte forma:

1º lugar - José Moniz (São Miguel ) com a Braco Alemã Iris
2º lugar -Vitor Inácio ( Pico ) com o Bretão Espanhol Maçarico
3º lugar - António Tomás ( Continente ) com a Perdigueira Nacional Tucha
4º lugar - José Carlos Correia
5º lugar - Gualter Furtado
6º lugar - José Teixeira 
7º lugar - Mário Sequeira
8º lugar - Zé Carneiro
9º lugar - Luís Faria
10º lugar - Cremildo Marques
11º lugar - António Leal
12º lugar - José Pedro Pacheco
13º lugar - Valério
14º lugar - Rodrigo Sousa
15º lugar - Rui Costa (desistiu devido a força maior )
16º lugar - Duarte Évora (desistiu devido a força maior )

Como nota muito positiva regista-se o elevado grau de profissionalismo dos Serviços Florestais da ilha do Pico, quer na forma como desempenharam as suas funções, quer no acompanhamento realizado durante o desenrolar das provas e de todo o evento. De sublinhar ainda a presença e participação de um concorrente oriundo da Ilha das Flores, o Zé Carneiro, que, na sua primeira prova de Santo Huberto, teve um excelente desempenho, tanto no aspecto desportivo como ao nível da segurança.

Na cerimónia de entrega dos prémios e de homenagem ao Caçador Gualter Furtado  marcaram presença o Deputado Regional Comandante Lizuarte, o Presidente da Junta de Freguesia da Piedade, a responsável dos Serviços Florestais da Ilha do Pico, Engª Margarida, os concorrentes, os seus familiares e muitos amigos do Gualter Furtado e do Cremildo Marques.

Foi ainda deliberado pela Organização prosseguir com o evento nos próximos anos já que os custos da realização são reduzidos, devido à oferta de produtos, do trabalho desinteressado de muitos amigos comuns e ao  voluntariado  dos Colaboradores do Cremildo Marques, resistindo assim esta prova de caça a todas as dificuldades e às medidas da Troika.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

11 de outubro de 2011

A Caça no Portugal insular do séc. XIX - Ilha do Faial

Podemos encontrar dois importantes testemunhos da caça praticada nos Açores do séc. XIX, mais concretamente na bonita ilha do Faial, nos dois livros que se seguem.

São eles "Os Cantos - A tragédia de uma família açoríana", da autoria de Maria Filomena Mónica, e a "Família Dabney", do escritor João A. Gomes Vieira.




No primeiro, que retrata a história da ilustre família José do Canto, figura de primordial importância nos Açores do séc. XIX, podemos encontrar, na pág. 79ª, uma carta, na qual o próprio José do Canto convida o seu irmão, de nome André, para ir ter com ele à Ilha do Faial, justificando tal apelo com a "quantidade de codornizes, coelhos e galinholas prontas a serem caçadas". 









No seguinte, escrito por volta de 1885, encontramos um quadro de caça, retrato tirado nas paisagens rurais da ilha do Faial, na qual os dois irmãos Dabney, Ralph e Charles, se fazem fotografar no final de uma jornada às galinholas (Scolopax rusticola).




Pretendem estas notas, nada mais do que homenagear as distintas personalidades nela mencionadas e dar a conhecer mais uma das variadas e valiosas facetas da caça que se vêm praticando nestas ilhas atlânticas ao longo dos tempos.

Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

29 de setembro de 2011

A Minha Maneira de Sentir a Caça

"O que é a caça, e porque caçamos, são questões que se põem, e a quem muito boa gente não sabe responder. É importante, que pelo menos os caçadores saibam responder às referidas questões.
Na escola onde eu aprendi, há cada vez menos alunos, há outros locais onde há eventuais e potenciais alunos mas não há escola.
Sou defensor de uma “Escola de caça”.

A caça, é muito mais que um divertimento ou passatempo.
A caça nunca deverá ser para o caçador uma distracção, mas sim o exercício da arte da caça.

Ao caçarmos, devemos de o fazer, com amor, paixão, esforço, respeito e dentro da legalidade, só assim estaremos a defender, preservar, e promover a caça.

Antes de escrever mais qualquer coisinha será bom dizer, que sou sempre caçador e estou sempre a caçar.

Para mim, como para muitos, ser caçador é uma maneira de estar, é um estado de espírito.
Há quem diga que é uma doença e que no meu caso se agrava de dia para dia, mas não me parece, pois sinto-me cada vez melhor, que eu saiba a generalidade dos doentes não se sentem bem.

O verdadeiro caçador, é quem caça de uma forma digna e sustentável, com respeito e admiração pelas espécies, persegue-as para as abater, mas também as protege e cuida, para que se conservem e se reproduzam.
Fazer tudo isto é ser um autêntico “senhor” no campo, e um verdadeiro conservacionista.

Para mim, caçar não é matar.
“Não caço para matar, mato porque caço”. 
Não tenho dúvidas nenhumas, que a caça é cultura e tradição, e que é devido à caça e aos nossos antepassados caçadores, que somos aquilo que somos.
Quando caço procuro a qualidade e não a quantidade;
Cada vez mais, dou mais valor aos lances;
Cada vez mais importo-me menos em não matar nada;
Cada vez mais, retiro mais prazer do acto de caçar;
Cada vez mais, sou mais selectivo;
Cada vez mais, estou mais apaixonado pela caça;
Porque temos a “paixão” pela caça?
Cada vez mais, concordo que caçamos por instinto.
Nós caçadores, temos o instinto caça, como o tem o gato, por exemplo, que mesmo sabendo que tem a ração diária de comida à sua espera, não desdenha a oportunidade para apanhar o rato ou a borboleta, muitos até desistem das mordomias e preferem viver da caça.
Depois do instinto, o que pretendemos?
A carne?
Nos dias de hoje, está mais que visto, que não se caça para comer, mas sabe-me muito melhor a caça que abato, do que a abatida pelos outros.
Entre outras, uma das boas maneiras de demonstrar o nosso respeito para com a peça de caça, será comê-la. Simultaneamente, ao recordarmos o lance, estamos a “admirar a peça”. Talvez seja das melhores justificações para a sua morte.
Pois é, além de gostar de caçar também gosto de degustar a caça.
Será pelo troféu? Não me parece, a paixão existe em muito boa gente, que não tem como objectivo o troféu.
Será pelo lance?
Parece-me que sim, logicamente que o lance será tudo o que se fez anteriormente, para conseguir abater a “peça”. Assim sendo, como outros, eu serei um caçador de lances.

Enquanto caçador, gosto de me sentir como um predador ou super predador.
Não consigo renunciar esse papel. Faz parte de mim.
A natureza sente necessidade do caçador e nós dela. Os caçadores fazem parte da natureza.

As espécies cinegéticas têm que ser caçadas, só abatemos os mais fracos, e ao faze-lo, estamos a contribuir para que se defendam melhor, para que apurem, e desenvolvam o instinto de sobrevivência, e assim continuem a dar luta ao caçador e aos restantes predadores.
As espécies cinegéticas precisam de ser caçadas."

Texto e foto da autoria de António Afonso Inácio

28 de agosto de 2011

Caçadas Portuguezas

As palavras que se seguem escorrem da pena de um dos mais ilustres caçadores portugueses, de cuja companhia tenho a felicidade de usufruir – e de partilhar.
Se dos meus livros sobressai uma valiosa colecção de literatura cinegética, a obra que se segue, é, sem dúvida, uma das suas referências, um acrescento de enorme qualidade que muito estimo.
Dá pelo nome de Caçadas Portuguezas, Paizagens – Figuras do Campo, cujo autor se trata de Zacharias d’ Aça, e foi editado no distante ano de 1898, pela Secção Editorial da Companhia Nacional Editora, com sede no Largo do Conde Barão, n.º 50, em Lisboa.

Deixo-vos, então, Duas Palavras, título do preâmbulo que nos introduz à fabulosa leitura do volume supracitado:

Vai correr mundo este livro. Largando-o das minhas mãos, faço votos para que ele não naufrague no mar – umas vezes encapelado, outras vezes morto – da publicidade. Não arvora bandeira de facção literária, não lhe pus divisa, e, apesar do estrondear da fuzilaria, não vai a conquistar; mas o título diz que o anima o espírito da nossa terra – fala de coisas portuguesas.
De tigres e leões poderia eu contar histórias trágicas e horripilantes, mas nunca me defrontei com eles, e não me seduz o papel de cronista inconsciente de alheias proezas. O que se contém nestas páginas são as minhas impressões dum mundo muito próximo de nós, mas de que, quase todos os que escrevemos, andamos muito alheados – o mundo dos campos.
Os capítulos todos deste livro – afora dois ou três – são capítulos da minha vida, e quando os recordo alegra-se-me ainda o coração. E sinal certo de que foram dias bem passados, é que ainda não se me apagou da memória o sol, que os alumiou. Sol que brilha no passado, sol poente hoje para mim!...
Mas as nuvens, que ele doirava nas suas fantásticas evoluções, eram brancas e transparentes; fugitivas, como os sonhos da mocidade, não faziam manchas no céu, como também não me deixaram sombras na vida.
De quantos dias ela se compõe, estes de que aqui falo, e poucos mais, são os únicos que eu quereria reviver. Porque – não te direi, leitor amigo, se não é caçador, que não me entenderias, e aos que me podem entender não é necessário explicar-lho. Os entusiasmos e os arroubos da paixão só os compreende bem quem já os experimentou.
Do nascer ao pôr-do-sol sentimo-nos outros – estamos em contacto íntimo e constante com a natureza. O corpo e a alma têm a consciência, e estão no pleno exercício de todas as suas faculdades, de todas as suas energias; manifestam-se, desenvolvem-se, sem peias, nem constrangimentos. Alegra-se-nos a alma espraiando a vista pela paisagem, e essa alacridade sente-a também o corpo, recebendo, em cheio, as ondas desse banho enorme de luz; aspirando, a plenos pulmões, as largas correntes do ar puro e oxigenado dos campos e das florestas.
Há em todos nós alguma coisa do selvagem, um resto do homem primitivo, e esse, antes de tudo, foi caçador – preou, como quase todos os animais.
O civilizado, com requintes de trajo, de mesa, e de habitação, invenções de artes e ciências, esse fez-se depois – é obra do tempo. Os historiadores relegaram o primitivo para os primórdios da história, e parece-nos, ao lê-los, que o troglodita lá ficou sepultado nas suas cavernas. Mas não – ele vive, e, dentro de nós, como o escravo dos triunfos romanos, vencido e agrilhoado, veio-nos acompanhando, assistindo e resistindo a todas as civilizações. É ele quem faz os caçadores – e é esta a filosofia da caça.
E basta de prefácio e de filosofias, que me poderiam levar longe, e fariam efeito contrário no leitor, que me deixaria ir – sem me acompanhar.
Individualidade complexa, esta do caçador tem algo do soldado, do viajante, do aventureiro e do artista.
De tudo isto parece-me que o leitor encontrará alguns reflexos e vislumbres nas páginas destas narrativas. Quadros, cenas, paisagens, marinhas, figuras – tudo é desenhado ou esboçado do natural, com excepção da Tragédia da caça, que me foi contada por testemunha presencial, que não figura no lance, e do Final d’uma caçada – uma tradição da minha família.
E agora, para terminar esta apresentação, se tu, leitor benévolo, sentires, ao leres estas histórias, não o que eu senti, quando as vivi, porque seria impossível, mas um pouco do prazer que ainda tive ao escreve-las, dar-me-ei por satisfeito e pago do meu trabalho.
Vale.

4 de Junho de 1898

9 de agosto de 2011

V Troféu de Homenagem a Gualter Furtado

Realiza-se no próximo dia 15 de Outubro, o V Troféu de Santo Huberto Dr. Gualter Furtado, na Ilha do Pico, Açores.
A organização deste tradicional evento e de todo um vasto programa que o envolve está mais uma vez a cargo do grande dinamizador desta prova de Santo Huberto com cão de parar, que é o Cremildo Marques, Presidente do Clube de Tiro e Caça da Piedade do Pico.
Esta homenagem ao caçador e ao homem que é Gualter Furtado, já vai na sua V Edição e é cada vez mais um marco na componente social, na gastronomia cinegética e típica dos Açores e de franca amizade, sendo mesmo já uma marca indelével no sector da caça em Portugal, pois envolve participantes de todo o território nacional.
Neste V encontro de caçadores é sempre referida e defendida a necessidade de se garantir a sustentabilidade das espécies cinegéticas e do meio ambiente, sendo este um cunho característico e muito forte desta Homenagem.
Recorda-se ainda que Gualter Furtado conta hoje com um vasto curriculum na escrita sobre caça, quer em revistas da especialidade, quer mesmo em jornais, tendo, inclusivamente, publicado dois livros sobre esta temática que tanto o apaixona, nomeadamente “Um Caçador Açoriano” e “Um Contributo para a Defesa da Caça”.
Votos de muito sucesso!

30 de julho de 2011

Cremildo Marques é o Campeão Regional

Nos passados dias 22 e 23 de Julho, na formosa Ilha do Pico, realizou-se a final Regional do Campeonato dos Açores da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP) de Santo Huberto com cães de parar.

As provas foram julgadas pelo Juiz Internacional José Pedro Leitão, que se deslocou do continente português ao arquipélago açoriano.

O Campeão Regional dos Açores de 2011 foi o Cremildo Marques (o Barbas), que caçou com a Setter Inglesa Fafá e ficou assim  apurado para a final nacional da CNCP a realizar brevemente no Continente Português.









Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

28 de julho de 2011

O Livro da Caça

Gaston Phoebus foi um grande senhor feudal francês, do séc. XIV, tratado por Gaston II, conde de Foix e visconde de Béarn.
Durante a sua existência terrena viveu intensamente a caça, sendo esta a maior das suas paixões, e nesse âmbito, em 1387, escreveu “O Livro da Caça”.
Dessa obra existem 37 manuscritos, embora a maior parte deles já tenha sido escrita no séc. XV.
O Hermitage Museum, de Leninegrado, a Peck Collection, em Nova York, e a Biblioteca Pública de Genébra possuem alguns dos mais belos exemplares, porém é a Bibliothèque Nationale, em Paris, que possui os dois mais bonitos deles todos e as gravuras que constam do livro que utilizo para escrever este artigo, foram retiradas destes dois últimos manuscritos.
A versão que possuo é inglesa, datada de 1987, proveniente da editora Regente Books Hightext Ltd, traduzida que foi por J. Peter Tallon.
Fala-nos sobre os diversos animais da fauna bravia europeia da altura, como o urso, o veado, o javali, a raposa ou o coelho, entre outros, e das técnicas e procedimentos de cada uma dessas caças, mas não só. Aborda igualmente o amanho dos animais caçados, a formação dos caçadores, a gestão dos canis, o treino do cães e isto só a título de exemplo.
Gaston Phoebus nasceu em 1331 e faleceu em 1391, sendo dele, então, a criação de uma das obras literárias mais importantes da cinegética europeia e mundial.
Sobre os canis, diz-nos que devem ter dimensão suficiente para que sejam capazes de albergar diversos cães e ainda possam apresentar espaço livre e que os mesmos devem possuir duas portas: Uma na frente e outra nas traseiras, devendo esta estar sempre aberta, de modo a dar acesso a uma zona solarenga, delimitada por uma vedação, pois os cães necessitam de exercício, enquanto o interior deve ser mantido limpo e dividido em três áreas: A primeira deve estar provida de palha para que os cães nela se possam deitar e dormir; a segunda para os aprendizes dormirem e a terceira deve possuir um soalho formado por varas cobertas por palha, para que os cães ali possam fazer as suas necessidades. Finalmente diz-nos ainda que o canil deve estar equipado com uma lareira para que possa providenciar aquecimento durante os dias mais frios
Ainda no que aos cães diz respeito, transmite-nos que a estes a água deve ser mudada duas vezes ao dia para que esteja sempre fresca e que, para prevenir uma longa lista de doenças, devem fazer exercício regularmente, quer no tal pátio dos canis, quer ainda no campo e nestas saídas devem os tratadores identificar e recolher ervas com efeitos laxativos para que as possam administrar aos cães de modo a possuírem os organismos bem regulados.
O caçador deve ainda, entre outros deveres, conhecer a habilidade e a capacidade de cada cão e trata-lo pelo seu nome. Deve cuidar do canil e tudo fazer para que o soalho se mantenha afastado do solo. Todas as manhãs deve limpar as instalações dos cães e a cada três dias substituir a palha do canil e escovar os animais.
Aquando dos treinos, que devem começar de manhã cedo, o caçador deve servir-lhes uma sopa composta por pão e leite para que os estômagos dos cães não fiquem demasiado pesados e trata-se isto apenas de um pequeno excerto da informação que sobre este assunto contém o livro.
Quanto ao uso da corneta diz-nos que se a matilha seguir um trilho errado, esta deve ser imediatamente reconduzida com o soar de duas notas longas e se o trilho for o correcto devem os caçadores ser informados através de três notas longas. Duas notas curtas significam que os cães perderam a peugada do animal que perseguiam e uma nota longa, seguida por diversas curtas manifesta o sucesso de uma captura. No final do dia, assim que a caçada termina, esta é anunciada por três notas longas.
São 105 páginas ricamente ilustradas e repletas de informação variada e preciosa, muita dela ainda actual e bastante útil que vale a pena aceder.

25 de maio de 2011

A minha homenagem ao Grande Tito

O Tito é um cão, da raça Setter Inglês, de 4 anos de idade, que pertence a um experiente organizador de caçadas no Uruguai. É igualmente um excelente cão de parar às perdizes Uruguaias e um trabalhador incansável que já parou e cobrou milhares de perdizes.


Infelizmente também é um exemplo do mau trabalho realizado pelo homem para contrariar a sua genética, isto é, querer que ele cace curto e faça lances curtos para que se tenha a possibilidade de dar muitos tiros "e se aproveite bem a caça".
Uma coisa é um cão não ter ligação ao caçador e caçar para si (está mal) e outra coisa é um cão fazer lances enquadrados no estalão da raça, mas sempre ligado ao caçador e quando parar, esperar pelo caçador (está bem)!
O Tito, naturalmente, deve ter sido sujeito a choques intensos e sem critério, de tal forma que quando passava nas proximidades de uma vedação eléctrica começava logo a ganir. Pobre bicho!


Acresce que as exigências do seu trabalho de operário não lhe dão possibilidades para ter grandes ligações a alguém. Considerando todos estes constrangimentos o Tito é um Grande cão e com um temperamento formidável. Numas das tardes que dei folga à minha Setter Inglesa, de nome Smart, fui dar uma volta acompanhado por outro caçador e pelo Tito. Deu para constatar tudo o que anteriormente referi.


No Uruguai a caça é dos donos e de quem explora a terra, pelo que, para se caçar num determinado terreno tem de se pagar “uma propina”. Ora, naquela tarde, o Tito parou uma lebre a 5 metros de distância da extrema do terreno, à qual atirei e que foi morrer já na propriedade vizinha, onde não estávamos autorizados a caçar.
O Tito depois de atravessar a extrema alcançou a lebre e quando já estava preparado para a trazer, como se tivesse sofrido um rasgo de inteligência, colocou a lebre no terreno e comeu-a toda. Confesso que fiquei muito contente e disse para comigo …Grande Tito! Acrescentei aos guias, … ninguém bate no cão.


Depois deste lance parou mais umas quantas perdizes impecavelmente!
Estou certo que o amigo organizador de caçadas, que não é o responsável directo pelos referidos choques, melhores dias dará ao Tito, pois ele bem que os merece.


Embora saiba que, na sua maioria, os “Clientes Caçadores” querem é dar tiros e pouco se importam com o estalão e genética da raça do cão, aqui fica então, a minha homenagem a um Grande cão!

Texto e fotografia da autoria de Gualter Furtado

26 de abril de 2011

Comemoração do Dia da Terra

No passado dia 20 de Abril, o Centro de Educação Ambiental da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande e o Consulado dos Estados Unidos da América nos Açores, promoveram uma sessão de comemoração do Dia da Terra, onde participaram dezenas de jovens dos ATL's da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande (SCMRG), instituição que apoia cerca de 600 crianças.
Para esse evento foram igualmente convidados alguns Amigos do Ambiente, entre os quais se contou Gualter Furtado, Presidente da Comissão Executiva do BES dos Açores.

Cabral de Melo, Provedor da SCMRG, deu as boas vindas aos participantes e Gavin Sundwall, Cônsul dos E.U.A., numa intervenção muito pedagógica e partilhada com os jovens presentes, abordou a importância do combate às alterações climatéricas e o contributo positivo da floresta, das energias renováveis e da reciclagem. Por sua vez Renato Calado, Director do Centro de Educação Ambiental, apresentou um trabalho alusivo a algumas acções perpetradas pelo homem que são inimigas do ambiente.

Concluídas as intervenções, seguiu-se a assinatura de um compromisso formal para a defesa da Terra por parte de todos os presentes, com direito a Diploma no final.
A efeméride foi assim celebrada com a plantação de diversas árvores junto às quais foi escrita uma frase alusiva ao Dia da Terra.

O Dia da Terra foi criado no dia 22 de Abril de 1970, por Gaylord Nelson, Senador dos Estados Unidos da América, com o propósito de se defender a biodiversidade, o meio ambiente e combater a poluição e a contaminação dos solos e do ar. Ainda a título de curiosidade, o Consulado dos E.U.A. em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, é o mais antigo que este país da América do norte possui em todo o Mundo.

Texto e fotografia da autoria de Gualter Furtado

28 de fevereiro de 2011

Apresentação do Livro - Um Contributo para a Defesa da Caça

Decorreu no passado dia 26 de Fevereiro, pelas 17H00, na Academia da Juventude da Ilha Terceira, na Praia da Vitória, o lançamento do livro UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA.

O evento, que contou com a presença surpresa do humorista Fernando Mendes, foi também acompanhado por  cerca de 90 pessoas, e presidido pelo Exmo. Senhor Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita, Representante da República para a Região Autónoma dos Açores.

No final foi servido um repasto, digno da ocasião, que contou com onze pratos de caça, confeccionados pela Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores, dos quais saliento - apenas para nomear três, Galinholas à Clube Cinegético e Cinófilo, Alcatra de Coelho e Feijoada de Lebre.

Na fotografia, da esquerda para a direita:
Sr. Dr. Gualter Furtado, o autor deste blogue, Senhor Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita, Sr. Eng.º Joaquim Pires, Sr. Vereador Messias e o Sr. Olívio Ourique.

Deixo-vos o texto da apresentação do livro.

Exmo. Sr. Presidente, Juiz Conselheiro Dr. José António Mesquita, Exmos. Srs. Eng.º Joaquim Pires, em representação do Secretário da Agricultura e Florestas; Vereador Messias, em representação do presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória; Olívio Ourique, presidente do Clube Cinegético e Cinófilo e da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores, Dr. Gualter Furtado, ilustres convidados, minhas Senhoras e meus Senhores, é com enorme prazer, que tenho a honra de vos apresentar o mais recente trabalho, da autoria do Dr. Gualter Furtado, editado pela Gráfica Açoreana, Lda., intitulado “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”.

Gualter Furtado nasceu no mês de Fevereiro de 1953, no formoso Vale das Furnas, na Ilha de São Miguel, neste Arquipélago dos Açores.
Lugar edílico e pátria de flores, é ladeado por imponentes montanhas e por uma Lagoa que já foi uma das mais belas do mundo.
Nas suas margens e aproveitando o calor da Terra, confeccionam-se os deliciosos cozidos das Furnas.
Com as suas manifestações vulcânicas, variadas e ricas águas, o Vale é o cenário ideal para uma grande cumplicidade com a natureza e com a caça.

Foi aceite na escola primária com cinco anos de idade, situação que colocava alguns riscos à sua professora, de tal forma que sempre que batiam à porta da sala de aulas, tinha de se refugiar debaixo da secretária para não ser detectado.
Este comportamento revelou-se de muita utilidade aquando da ocorrência dum grande sismo que danificou seriamente o estabelecimento de ensino que frequentava.

Felizmente não sofreu qualquer ferimento, graças ao treino intensivo que, entretanto, tinha acumulado.

Aos 12 anos publicou pela primeira vez um trabalho escrito, desta feita no Açoriano Oriental, a defender a constituição de uma casa museu do Armando Côrtes-Rodrigues, distinto escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que, por sinal, foi inaugurada em Janeiro de 2007.

Profissionalmente é economista e, entre outras actividades, já foi Monitor e Assistente no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, tendo também leccionado na Universidade dos Açores. Paralelamente tem desenvolvido um intenso trabalho na Banca. Primeiro na Caixa Económica da Misericórdia de Ponta Delgada e mais recentemente no Banco Espírito Santo dos Açores. Participou no Governo dos Açores como Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.
Ao longo dos anos tem colaborado com artigos e comunicações relacionadas com a manifestação social e cultural que é a caça, com os cães de caça, as armas de caça e a sustentabilidade do meio ambiente e das espécies cinegéticas.
Nesse âmbito publicou em 2006 “Um Caçador Açoriano”.
No Mundo da Caça esteve ligado à fundação da Federação de Caçadores dos Açores e é actualmente o Presidente da Assembleia-geral da Associação Nacional dos Caçadores de Galinholas e da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores.
É caçador desde que se conhece, prática que considera uma paixão, muito influenciada que foi pelo meio ambiente que o viu crescer, pelo seu avô paterno e por alguns dos seus companheiros da escola primária.
Foi homenageado nos Estados Unidos da América pela Associação dos Amigos das Furnas.
A Câmara Municipal da Povoação também o distinguiu com uma condecoração de Mérito Profissional.
Na Ilha do Pico já foi várias vezes homenageado como Homem e como Caçador, realizando-se todos os anos naquela singular ilha açoriana um Troféu de Santo Huberto que ostenta o seu nome.

Dos Açores, poucos são os trabalhos publicados sobre a tradicional e envolvente temática da actividade venatória desenvolvida neste Arquipélago Açoriano, dos quais destaco os mais importantes:
Os primeiros de que há memória datam do séc. XVI e são provenientes da pena de Gaspar Frutuoso, narrados que se encontram n’ AS SAUDADES DA TERRA.
Mais tarde, em meados da década de trinta, do séc. XX, podemos encontrar o jornal mensário “CAÇA”, cujo redactor, editor e proprietário se tratou de Eduíno Botelho.
No início deste novo milénio, mais concretamente em 2002, foi publicado “RECORDAÇÕES” da autoria do Sr. João Gago da Câmara, sendo seguido em 2006 pela edição d’ UM CAÇADOR AÇORIANO, escrito pelo Dr. Gualter Furtado.

De carácter científico, constam os estudos “A GALINHOLA NOS AÇORES – ILHAS DO PICO E SÃO MIGUEL”, editado em 2004, pela Direcção Regional dos Recursos Florestais, e a “GESTÃO DOS RECURSOS CINEGÉTICOS NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES – A GALINHOLA”, datado de 2008, realizado pela Direcção Regional dos Recursos Florestais em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto.

O livro “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”, da autoria do Dr. Gualter Furtado, editado pela Gráfica Açoreana, Lda., numa tiragem de 500 exemplares, apresenta uma capa ilustrada, assinada pela artista plástica Maria José Cardoso de Souza, autora reconhecida internacionalmente pela arte animalística que produz, com especial relevo para a cinegética, sendo mesmo uma criadora preferida por muitos coleccionadores de diversos países da Europa, Estados Unidos e Brasil.
Retrata uma jornada de caça à galinhola na Ilha do Pico, tendo, como pano de fundo, a imponente Montanha que lhe caracteriza e dá o nome.
Além da visível cumplicidade existente entre o caçador e o seu cão, nela também constatamos a profunda relação com a natureza e com a biodiversidade, representada através da figura do caçador, parcialmente coberta pela vegetação, e da presença do coelho, da codorniz e da própria galinhola, símbolos incontestáveis da fauna bravia açoriana.
Encerra o fruto da enorme paixão que o autor sente pela natureza, retratada através de 215 páginas ilustradas por mais de 150 fotografias.
Trata-se, porém, de uma análise bastante racional e objectiva sobre o estado da actividade cinegética nos Açores, no continente português e nalguns países do mundo.

Transmite-nos a mensagem que a caça quando praticada com amizade, espírito de entreajuda, respeito pelo próximo, pela natureza e pelos animais é um acto social valioso, de cultura e muito importante.

Demonstra-nos que o caçador é um defensor leal da natureza, um respeitador das espécies cinegéticas, que possui uma grande relação de proximidade e de cumplicidade com os seus cães, os quais trata muito bem e não abandona como alguns teimam em afirmar.

Que o caçador colabora e promove na recuperação dos habitats, de tal forma que, se não fosse a prática venatória e este intenso empenhamento que só os caçadores conseguem demonstrar e realizar, muitas das espécies animais, cinegéticas e não cinegéticas, com particular destaque para as aquáticas e migratórias, já estariam, há muito, extintas.

Numa altura em que a actividade venatória foi novamente escolhida como alvo por um conjunto de gente da nova doutrina urbana e civilizacional, que pretende julgar como selvagens a caça e os caçadores ou mesmo bani-los face à lei; Pessoas essas que desprezam os campos e os seus costumes face ao brilho multicolorido, distante e insensível das cidades, que falam do que não sabem e do que não percebem.

Como disse a grande poetisa Sophia de Mello Breyner, “são pessoas sensíveis que detestam ver matar galinhas, mas que adoram canja de galinha”!

Num momento da história em que se apela teimosamente contra a caça, e mais do que nunca, valendo-se essas petições de quase tudo - até de meias verdades, e da mentira gratuita se necessário, como se não existisse pensamento critico que as distinguisse da verdade, em que o objectivo não é outro senão o da manutenção de emoções fortes e excitadas, a necessidade de manterem um agente catalisador e um alvo para o¬nde possam direccionar e arremessar alguns dos sentimentos que os alimentam, como a angústia, a frustração ou mesmo o ódio.

O propósito é manterem o caldeirão em permanente ebulição, porque fazem dos conflitos que criam um modo de vida, de projecção social e política, mais uma maneira de pagarem as contas do mês.

Não é a destruição do ambiente e das espécies animais que realmente temem, mas sim a liberdade, a liberdade que caracteriza os verdadeiros Caçadores.

O Caçador autêntico … é LIVRE!

O facto de ser livre não significa que infrinja os códigos existentes, bem pelo contrário, são cidadãos de pleno direito. Alguns com enormes responsabilidades sociais!
Quando se verifica o surgimento de medidas cada vez mais restritivas da prática da caça, em que até surge um partido politico que se assume frontalmente contra a caça e contra os caçadores, numa manifestação sem paralelo na sociedade portuguesa; em que a caça foi seleccionada como alvo a abater, a publicação deste livro, do que ele contém e transmite, é um chamamento aos homens de boa vontade e um contributo inegável para a afirmação dos elevados valores que só a caça pode proporcionar.

É comum dizer-se que raramente se vêm dois Caçadores de acordo sobre os seus problemas, e é bem verdade, mas porque têm opinião e discutem-na com a sinceridade e a frontalidade que caracteriza quem nada tem a esconder.
Que se desengane aquele que pensa que não chegam a consenso e muito menos que não se conseguem mobilizar por uma causa nobre ou justa.

Os caçadores numa tentativa de melhor explicarem porque caçam, optam por reduzir os seus motivos ao que é tangível para o cidadão comum, como o trabalho dos cães, o contacto com a natureza ou simplesmente ao sentimento de aventura, apesar de saberem perfeitamente que as causas que os estimulam e os levam a caçar são muito mais complexas do que as que escolheram para transmitir porque caçam.

Por outro lado, os críticos da caça, apesar de serem mais objectivos, são totalmente incapazes de compreender a existência da profunda ligação pessoal que o caçador possui com o mundo e com as espécies que caça, cujo sentimento advém do desenvolvimento da relação entre este e a presa, fruto da experiência acumulada e da reflexão.
Preferem eles, por oposição, observar a natureza de bem longe e sem a tocar, de preferência através de binóculos, delegando nos outros as suas responsabilidades, enquanto o Caçador procura integrar-se e deixar-se absorver.

Tal e qual um mergulho solitário, numa lagoa isolada, de águas calmas, em que depois do impacto e do estrondo fica o corpo totalmente submerso e se formam à superfície círculos que se afastam e que afectam a tranquilidade do local. Nestas circunstâncias, mesmo parados e depois de algum tempo, a presença do caçador continua a ser anunciada através da projecção dessa ondulação, até que cessa finalmente e as águas regressam à sua tranquilidade original.
Nessa altura o caçador ou é aceite ou recusado e dessa dúvida nunca estará seguro até sentir que a caçada tem finalmente o seu início, através do reaparecimento dessa ondulação misteriosa, mas desta vez na parte de trás do pescoço, através da garganta seca e da tomada de consciência de que não está só.

A Caça coloca em confronto emoções intensas e profundas, desperta-nos o intelecto para o mistério que envolve a nossa existência!

Poderá afirmar-se que a caça é criticada na base emocional e que é nesse mesmo alicerce que é geralmente defendida.
Melhor será se for escolhida uma postura bem mais firme!

Não podem os caçadores ser condenados, quando demonstram que a actividade cinegética assenta na gestão racional dos recursos, na sustentabilidade das espécies e do meio ambiente, numa elevada demonstração de ética e de respeito pela Terra.

O que mais deseja o Caçador é tornar ao que é natural e verdadeiro e dar o seu válido contributo para o equilíbrio do ecossistema o¬nde todos existimos e nos relacionamos.

Pergunta-se, porque é que o Homem caça?
Que resposta se há-de dar ao inexplicável?

Porém, poder-se-á afirmar que a caça é intrínseca e que se encontra gravada bem fundo na génese e na formação inicial do ser humano, impossível de ser clinicamente identificada e examinada, mas que é afortunado e feliz aquele que a pratica.

É neste contexto, de ofensiva sem paralelo contra os caçadores e contra a actividade venatória, que surge “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”!

Do livro em referência seleccionei e realço as seguintes passagens que constam da sua Nota Introdutória, sintomáticas que são da estimulante leitura que precedem:

Diz-nos então Gualter Furtado:

“ Nos últimos anos tenho publicado dezenas de artigos no blogue Ribeira Seca, no Portal Santo Huberto, no sítio da Associação Nacional de Caçadores de Galinholas, na revista Calibre 12, na revista Caça & Cães de Caça, nos jornais Correio dos Açores, Diário Insular e Açoriano Oriental.
Outros trabalhos apresentei em fóruns, nos quais a caça e as armas de caça foram o tema central, com especial relevo para o seminário promovido pelo Comando Regional dos Açores e Direcção Nacional da PSP sobre o novo regime jurídico das armas e suas munições.
Animado pelo acolhimento dado a “Um Caçador Açoriano”, incentivado por alguns amigos e tendo consciência da necessidade de se escrever a favor da caça com ética e desportivismo decidi outorgar mais este contributo, seleccionando para isso uma parte dos artigos publicados por mim nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, bem como algumas das entrevistas concedidas.
Numa fase em que o movimento associativo está muito mal nos açores e a nova lei da caça e do ordenamento cinegético regional marca passo, gostaria que esta publicação fosse percebida como um incentivo ao debate construtivo, de que o sector da caça muito carece, e um válido contributo para o surgimento de caçadores esclarecidos e mais exigentes.
A sustentabilidade e a defesa das espécies cinegéticas bravias dos açores deveria e deverá ser uma tarefa partilhada entre as entidades oficiais, científicas e de caçadores.
As causas para o declínio das espécies cinegéticas são as mais variadas, com destaque para as alterações climáticas, erosão dos solos, mudanças nos habitats, incêndios florestais, práticas agrícolas agressivas com recurso intensivo ao uso de químicos e pesticidas altamente tóxicos, falta de gestão cinegética.
A caça produzida em cativeiro apresenta-se como uma alternativa e é cada vez mais utilizada. Coelhos, perdizes e codornizes com esta origem são a regra, sendo a excepção a caça bravia. Esta é uma realidade que se vive por toda a Europa e se assim não fosse o sector da caça já tinha acabado em muitos lugares.
Nos Açores a caça a espécies indígenas e sedentárias resume-se ao coelho bravo, codorniz, pombo da rocha e galinhola. É uma variedade muito reduzida quando comparada com outras regiões europeias que chegam a ter trinta e mais espécies cinegéticas de caça menor e maior, mas os Açores possuem uma riqueza extraordinária quando se compara o estado de bravura destas espécies cinegéticas. É neste campo que se exige por parte dos Serviços Oficiais e dos Caçadores um trabalho sério para a sustentabilidade deste extraordinário património natural, de enorme qualidade, mas limitado na sua quantidade.
Em alguns dos artigos que seleccionei neste trabalho chamo a atenção para o pântano em que nos encontramos. Mas a caça não se resume apenas a estes aspectos sombrios e, apesar de tudo, tem características muito positivas.
Faço questão em evidencia-las também para atrair para o mundo da caça novos caçadores e caçadoras.
A nova lei das armas e o contexto em que nos encontramos jogam a favor da expulsão e redução dos caçadores actuais e da limitação da entrada de novos praticantes. Bem sei que não é uma tarefa fácil, mas compete-nos tudo fazer para contrariarmos esta tendência.
A caça encerra uma componente formativa, cívica, social e gastronómica muito importante que devemos enaltecer e divulgar ao resto da sociedade.
Os valores do mundo urbano, certamente importantes, não podem anular as virtudes e a grandeza do mundo rural, por afinidade mais relacionado com a actividade venatória.
A caça não é só dar tiros e a qualidade do atirador nem sequer deve ser a mais importante no caçador, porque a plenitude da caça também pode ser praticada e vivida sem armas. Através de um passeio pedestre na companhia dos nossos cães e o seu treino, de uma visita a um museu de caça, na degustação de um bom prato de gastronomia cinegética na companhia dos nossos amigos, de um lance ganho ou perdido, são todos momentos altos na vida do caçador.
A perenidade da caça exige organização, diálogo, participação activa dos caçadores, cooperação com os Serviços Oficiais, auxílio da ciência, trabalho, combate ao furtivismo e uma forte componente social e gastronómica.
É esta forma de encarar a caça que procurarei transmitir nestes meus artigos e que seleccionei para este trabalho.”

“UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA” alerta para a necessidade da participação activa dos caçadores nas associações do sector, no fomento de parcerias entre as mesmas e para a possibilidade da realização de alianças com entidades externas relacionadas com a agricultura, com a criação de animais ou com a investigação científica, entre outras. As possibilidades são imensas.

Sugere que, em vez dos caçadores optarem pelas mesmas vias de acção dos seus acusadores, correndo o risco de serem identificados pela sociedade como “anti-direitos-dos-animais”, devem antes pugnar pelo debate aberto e frontal; que o recurso aos meios de informação e à internet, não deve fazer-se apenas para narrar histórias de caça ou divulgar artigos técnicos, mas também para ajudar o caçador e a população em geral a desenvolver um pensamento crítico sobre esta temática e confrontar pela mesma via os responsáveis por notícias e artigos de opinião que têm por objectivo denegrir a imagem do caçador e desacreditar o papel que este deve assumir na sociedade moderna;

Propõe o desenvolvimento de actividades na natureza, concursos e demonstrações abertas à comunidade para, desta forma, dar a conhecer as diferentes vertentes que compõem a actividade cinegética e assim despertar a curiosidade e o interesse dos visitantes;

Alude para a recepção dos homens e das mulheres que tenham gosto em aprender sobre a caça e para a sua orientação nas boas práticas cinegéticas, ajudando-os no acesso aos meios e na prática, permitindo igualmente a participação adequada dos seus filhos e para a necessidade de se trabalhar com as escolas no desenvolvimento de actividades didácticas conjuntas, sobre a preservação do meio ambiente e a importância da gestão dos recursos naturais;

Evidencia a partilha, a amizade e o convívio como características próprias do caçador e encoraja a promoção destas qualidades, que poderá ser através de campanhas de solidariedade ou de angariação de fundos com objectivos sociais, tão necessárias nestes tempos atribulados.

E tudo isto nos demonstra o autor que é possível realizar.

Concluo esta apresentação com a leitura do prefácio de “UM CONTRIBUTO PARA A DEFESA DA CAÇA”.
Poderão pensar que se trata de um paradoxo terminar esta exposição, precisamente com a narrativa do começo, mas asseguro-vos do contrário.
Trata-se antes de mais de uma sugestão, sobretudo de um convite que vos faço, para que partam à descoberta desta obra singular.

“Um livro pode ser considerado um conjunto de folhas de papel ordenado, escritas ou impressas, soltas ou cosidas, em brochura ou encadernadas, mas um livro de Caça é muito mais do que isso, é diferente!
Não por abordar o especial tema da arte venatória, mas por ter sido escrito por um Caçador, por aquele que viveu e sentiu o momento preciso que descreve e não por uma terceira pessoa que o concebe na imaginação.
Este é um livro sobre Caça, sobre o que ela é e sobre o que representa nas suas múltiplas facetas.
Integra e exprime uma corrente de opinião cada vez mais sólida, extensa e poderosa.
O homem é um comunicador e um ser social por natureza, tendo essa habilidade nascido e sido desenvolvida na caça e para a caça, na definição de estratégias para actuar em grupo, para subsistir e para poder deixar uma herança preciosa aos vindouros, sendo as pinturas rupestres um valioso testemunho dos ritos, dos animais, das caçadas, de uma ligação cultural tão poderosa e tão natural que ainda hoje nelas nos situamos e revemos sem esforço.
Na leitura deste livro estamos perante um Caçador esclarecido, que lê, que se preocupa, que pensa sobre a caça e que permanece disposto a aprender, a partilhar e a evoluir, que sabe o que faz, como deve faze-lo e porquê, e que tudo isso assume sem preconceitos.
Encontramos um comunicador nato que nos descreve experiências e sensações numa obra digna de um letrado, mas sem adornos ou prosas buriladas e através de um discurso despretensioso e directo.
Exprime-nos que a caça necessita de impulso, de gente nova, da participação activa de homens e de mulheres nos mais diversos eventos que a integram, diversificam, enriquecem e que fortalecem os laços de união e de amizade entre as pessoas.
Que o adequado aproveitamento dos meios de comunicação e da internet é fundamental para formar os caçadores, para informar uma sociedade cada vez
mais distante dos valores ancestrais da partilha e da confraternização, para sensibilizar os governantes para a necessidade da sustentabilidade das espécies cinegéticas e para a importância da actividade venatória como condições indispensáveis na promoção de um meio ambiente sadio e vigoroso.
Que o ordenamento cinegético é essencial para a valorização desta região insular, mas pouco representará se não for disponibilizada informação actual e rigorosa sobre as espécies cinegéticas e os seus habitats e se não houver alterações no modelo regional de combate à caça furtiva, pelo que insiste numa maior intervenção e participação dos responsáveis governativos, mas também dos caçadores, salvaguardando sempre a realidade e as necessidades das diferentes ilhas do Arquipélago dos Açores.
Que o caçador é um cidadão de pleno direito, participativo e empreendedor, consciente e responsável que merece respeito e atenção.
À semelhança do que fizeram os nossos antepassados nas paredes das grutas que lhes davam abrigo, as páginas que se seguem encerram e transportam o registo do nosso tempo, um legado de inestimável valor.
Por tudo isto o Gualter Furtado está de parabéns, porque nos soube transmitir exactamente o que pretendia, porque veio partilhar com quem com ele outrora repartiu e porque a todos nos tocou por igual, na esteira da mais nobre e genuína tradição da arte venatória e dos homens de bem.”


Bibliografia:

AGUILAR, António (1935). Aventuras de Caça. Tipografia Artes & Letras.
ANDRADE, Francisco (1983). Geada no Restolho.
BARREIROS, Eduardo Montufar (1900). Caça – Memento Venator. A Liberal Officina Typographica.
BARROSO, Padre Domingos. Conselhos Velhos para Caçadores Novos. Edição do coordenador (Silva, Sérgio Paulo).
BOTELHO, Eduíno G. (1936). Caça. Tipografia “O Açoriano Oriental”.
BRAVO, João Maria (1965). Caça – Elementos para uma futura lei. Tipografia Mourão, Lda.
BRAVO, João Maria. Caça Coutos Caçadores. Dinapress.
CÂMARA, João Gago da (2002). Recordações. Gráfica Açoriana, Lda.
DUARTE, Francisco (1969). Caça e Caçadores. Atlântida Editora S.A.R.L.
FERREIRA, Fernando de Araújo (1949). Galinholas. A Gráfica.
FLORES, Francisco Moita (2010). Em Defesa da Festa Brava. Petição Pública.
FURTADO, Gualter (2006). Um Caçador Açoriano. Gráfica Açoriana, Lda.
GASSET, José Ortega y (1989). Sobre a Caça e os Touros. Edições Cotovia, Lda.
KARASOTE, Ted (1994). Bloodties. Kodansha.
LEOPOLD, Aldo (2001). A Sand County Almanac. Oxford
PETERSEN, David (2000). Heartsblood. Island Press.
PETERSEN, David (1997). A Hunter’s Heart. Holt.
SEQUEIRA, Ângelo (2009). Passo a passo, Tiro a tiro. Mil@ Editores (de prosas e tradições, Lda).
SHEPARD, Paul (1998). Coming Home to the Pleistocene. Island Press.
SHEPARD, Paul (1996). The Only World We’ve Got. Sierra Club Books.
SHEPARD, Paul (1973). The Tender Carnivore & the Sacred Game. Georgia.
SWAN, James A. (1994). In Defense of Hunting. Harper One.
SWAN, James A. (1999). The Sacred Art of Hunting. Willow Creek.
TAVARES, Miguel Sousa (2009). Outono - Elogio da Caça. Expresso
VIDAL, Marques (1998). Estórias bem Caçadas. Joartes – Artes Gráficas, Lda.

Sobre o blogue

Contacto: ribeira-seca@sapo.pt
número de visitas

1 - Pertence-me e não possui fins comerciais;

2 - Transmite a minha opinião;

3 - Os trabalhos publicados são da minha autoria;

4 - Poderei publicar textos de outros autores, mas se o fizer é com autorização;

5 - Desde que se enquadrem também reproduzirei artigos de imprensa;

6 - Pela Caça e Verdadeiros Caçadores;

7 - Em caso de dúvidas ou questões, poderão contactar-me através do e-mail acima;

8 - Detectada alguma imprecisão, agradeço que ma assinalem;

9 - Não é permitido o uso do conteúdo deste espaço sem autorização;

10 - Existe desde o dia 21 de Outubro de 2006.

© Pedro Miguel Silveira

Arquivo